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Como entrei para a vida pública: Olívio Dutra

06 de outubro de 2012 11

Foto: Júlio Cordeiro/Banco de Dados

Nascido em 1941 no Rincão Feio, interior de Bossoroca, na época distrito de São Luiz Gonzaga, o bancário Olívio Dutra construiu uma trajetória política calcada na atuação sindical. Pelo PT, partido que ajudou a fundar, elegeu-se deputado federal, prefeito de Porto Alegre e governador do Estado.

Sua primeira aproximação com a política, conta ele, ocorreu em 1954, quando tinha 13 anos e viu o tio Pedro, comunista, ser preso em São Luiz Gonzaga por colar cartazes com mensagens contra o então presidente Getúlio Vargas.

— Meu tio nos dizia: “Não podemos ser levados como um rebanho por esses fazendeiros que usam a gente para a eleição e não resolvem os nossos problemas”.

O ensinamento, lembra, ajudou a definir os rumos da sua militância, tanto em um movimento pela construção de escolas públicas no Interior quanto na atuação no SindiBancários, depois de se mudar para a Capital, e no PT.

Assista ao vídeo sobre a trajetória política de Olívio:

Quando ser de oposição era risco

06 de outubro de 2012 0

Houve um tempo em que fazer campanha era uma atividade de alto risco no Brasil. Em 1968, o advogado Índio Vargas, que concorria à Câmara da Capital pelo MDB, viveu uma situação que evidencia o controle do governo militar sobre a oposição.

Na sua vez de falar – ao vivo – na TV, Índio aproveitou o espaço para denunciar a prisão de estudantes no congresso da UNE em Ibiúna-SP. Enquanto falava, uma luz se apagou no estúdio.

— O cinegrafista da TV Gaúcha avisou: “Te tiraram do ar. E eles costumam ficar aí na frente esperando. Podem te prender na saída” — lembra o advogado.

Para não ser detido, Índio saiu pelos fundos, desceu uma ribanceira até a Vila Cruzeiro e foi de ônibus até a casa de um primo, onde ficou escondido. Quando voltou ao seu comitê, surpreendeu-se com a presença de pessoas estranhas, que diziam ter visto o programa e ofereciam apoio. Eleito com mais de 4 mil votos, a quinta maior votação da cidade, o vereador acabou cassado 28 dias depois de assumir o cargo.

MINICOMÍCIOS

Dez anos depois da eleição de Índio Vargas, José Fogaça, então um jovem candidato do MDB, não podia falar na TV (a propaganda exibia apenas as fotos dos candidatos) e usava uma tática para driblar as restrições aos comícios:

— A gente fazia minicomícios. Com um megafone, falávamos cinco, 10 minutos, e nos dispersávamos antes de a polícia chegar.

A estratégia funcionou. Nas duas eleições que disputou durante a ditadura (1978 e 1982), se elegeu deputado estadual e federal, respectivamente.

O dia em que Brizola dobrou um padre

25 de setembro de 2012 4

O jornalista Carlos Bastos, 78 anos, cobriu sua primeira eleição em 1958, quando trabalhava no vespertino A Hora.

De carona em um jipe, Bastos acompanhou uma caravana do candidato a governador Leonel Brizola pelo Interior e testemunhou uma situação inusitada na Região Norte. Durante um comício em Barra do Rio Azul, o pároco da localidade, ferrenho opositor de Brizola, usou os alto-falantes da igreja para impedir que o povo ouvisse os discursos.

— Brizola virou e disse: “Deixa pra mim, que eu vou lá resolver” — lembra Bastos.

Não se sabe o que o trabalhista disse ao sacerdote, mas, após a conversa, os alto-falantes da igreja silenciaram e o comício prosseguiu.

Quando o trem de Jânio varreu o Estado

25 de setembro de 2012 0

Foto: Última Hora, BD

Em 1960, quando as grandes distâncias entre os municípios gaúchos eram vencidas principalmente de avião e de trem, o candidato a presidente Jânio Quadros adotou a segunda opção para percorrer o Estado. E deu certo.

A estratégia, usada apenas no RS, foi sugerida pelo político gaúcho Walter Peracchi Barcellos. No resto do país, Jânio levava sua vassoura (símbolo da campanha) de avião.

O trem janista saiu de Porto Alegre e foi até Uruguaiana, parando em todas as cidades no caminho, onde a comitiva era recebida com festa na estação. Na maioria dos lugares, o comício acontecia na própria gare. O efeito publicitário foi arrasador.

Eleito presidente, Jânio foi o vencedor também nas urnas gaúchas, com mais de 540 mil votos, derrotando o Marechal Lott – que tinha o apoio do PTB, na época a sigla mais forte no Estado.

O voto nulo já foi criativo

25 de setembro de 2012 0

O voto nulo sempre foi uma opção do eleitor. Em tempos de urna eletrônica, invalida-se o voto digitando uma combinação de números que não tenha sido registrada por nenhum candidato ou partido.

No passado, das canetas e cédulas de papel, o gesto tinha um quê de pitoresco e podia manifestar a indignação ou a irreverência do eleitor com muito mais precisão e riqueza de detalhes.

Na privacidade da cabine de votação, milhares de eleitores escreviam xingamentos, palavrões ou nomes de personagens conhecidos, num protesto silencioso que só seria notado pelos escrutinadores nas mesas de apuração.

Houve, entretanto, grandes campanhas paralelas em nome de candidatos fictícios que resultaram em anulação de votos em massa e repercussão nacional. O caso mais famoso é de 1959, quando um jornalista lançou candidato a vereador o rinoceronte Cacareco, um animal do zoo de São Paulo que acabou recebendo cerca de 100 mil votos, segundo estimativas. No começo dos anos 1990, foi a vez de o chimpanzé Tião se tornar um fenômeno nas urnas do Rio.

O destino de todas essas manifestações era o mesmo nas estatísticas eleitorais: fosse por engano ou por protesto, fosse poético ou chulo, esses votos desaguavam sempre na impessoal rubrica “votos nulos”. Uma definição que irmanava até rivais históricos como Jesus Cristo e o diabo (fotos acima), candidatos escolhidos por eleitores anônimos de Alvorada em 1992.

O gravador que ajudou Brizola

25 de setembro de 2012 0

Jornalista Jayme Keunecke, o jkAos 77 anos, Jayme Keunecke, o JK, se apresenta como “o jornalista de Porto Alegre há mais tempo em atividade”. Acompanhando eleições há 54 anos, JK cobriu seu primeiro pleito em 1958 — e ajudou, indiretamente, a introduzir uma novidade nas campanhas no Estado.

Numa época em que o jornal impresso era a mídia mais usada pelos candidatos, só Leonel Brizola usava o rádio. Em seu programa semanal de uma hora na Farroupilha, o trabalhista passou a reproduzir os resultados das enquetes realizadas pela Rádio Canoas, criando a seção Prévia Eleitoral.

Quem ouvia os eleitores era JK, que trabalhava na emissora e percorria a Capital com um gravador Geloso, ouvindo eleitores, sem qualquer metodologia estatística.

Como as enquetes geralmente apontavam vantagem de Brizola sobre Peracchi Barcellos, o uso dos resultados nos programas, estratégia pioneira, ajudou a consolidar a vantagem do petebista, que se traduziu em vitória nas urnas.

O balanço do Jair nas urnas

25 de setembro de 2012 0
candidatos ao governo do RS em 1982 participam de debate

Jair Soares (E) em debate com os candidatos ao Piratini / Foto: Rubens Borges, BD

Jair Rodrigues é de um tempo em que as músicas falavam de mãozinhas e beijinhos. E elas não saíam da cabeça das pessoas em todo o país. Pois em 1982, o sucesso do cantor paulista apareceu até na eleição para governador do RS.

Em uma época em que votos ambíguos motivavam acalorados debates nas mesas de escrutínio, o jornalista Antônio Goulart, convocado para a apuração, examinou milhares de cédulas em um salão paroquial da Capital e deparou com a fama do artista. Como naquele pleito o eleitor precisava escrever o nome do candidato em vez de marcar um X, os apuradores tiveram ainda mais trabalho.

Quando surgiram alguns votos em nome de Jair Rodrigues, os escrutinadores decidiram considerá-los nulos. Afinal, era natural que nomes de celebridades fossem usados para anular o voto. Mas a repetição em diversas urnas suscitou a dúvida: e se aqueles votos fossem para Jair Soares? Não estariam os eleitores se confundindo ao tentar votar no candidato do PDS?

A regra dizia que se devia respeitar a intenção do eleitor, e foi assim que dezenas de votos em nome de Rodrigues foram computadas para Soares, e nem os fiscais das siglas ousaram protestar.

Jair Soares se elegeu com quase 1,3 milhão de votos, mas se desconhece a estatística de votação do seu xará cantor.

Como entrei para a vida pública - Alceu Collares

08 de setembro de 2012 1

Em quase 50 anos de vida pública, Alceu Collares foi vereador, prefeito de Porto Alegre, deputado federal e governador. Em sua casa, o líder pedetista falou a ZH sobre a sua trajetória.

A eleição que não ocorreu

02 de setembro de 2012 0

Esta coluna, que resgata memórias de eleições passadas, trata aqui de um caso de amnésia eleitoral: o misterioso sumiço dos registros das eleições municipais de 1963 no Estado.

Se procurar o Centro de Memória do TRE, o leitor será atendido por funcionários atenciosos que oferecerão atas de vários pleitos, inclusive anteriores a 1963, mas não daquele ano.

— Só sabemos que aquela eleição ocorreu porque alguém nos contou, pois não temos registros — dirá um dos servidores.

Dos mais de 180 municípios em que se dividia o RS na época, apenas cinco tiveram dados de 1963 preservados: Casca, Caxias do Sul, Iraí, Marau e Tapejara. O coordenador de Gestão da Informação do TRE, João Antonio Friedrich, atribui o sumiço ao desleixo com documentos públicos que havia antes de 1988:

– Não se tinha essa preocupação com o caráter público da informação. Os cartórios faziam eleições, guardar a documentação não era obrigação.

Sereno Chaise, ao contrário do TRE, não esqueceu aquela eleição. Em 10 de novembro de 1963, o advogado, que concorria pelo PTB em Porto Alegre, recebeu mais de 100 mil votos, segundo os arquivos da imprensa, derrotando Cândido Norberto, do Movimento Trabalhista Renovador, e Sinval Guazzelli, da Ação Democrática Popular.

A disputa, lembra Sereno, foi movimentada, com até cinco minicomícios por noite. O ex-deputado Ney Ortiz Borges, que trabalhou na campanha vencedora, destaca o fortalecimento da imagem de Sereno naquele ano:

– Ele transformou-se de uma pessoa jovem em um grande líder.

Empossado prefeito em 1964, o líder foi cassado meses depois pelo regime militar. Estaria o sumiço dos registros relacionado à ditadura? Friedrich, guardião dos dados do TRE, diz que não há evidências. Mas garante que o órgão pretende, no futuro, resgatar, de uma maneira ou de outra, informações deste e de outros pleitos esquecidos.

Como entrei para a vida pública - João Antonio Dib

25 de agosto de 2012 0

No 10º mandato como vereador de Porto Alegre, João Antonio Dib, 83 anos, fala sobre o início da sua trajetória política.

Veja o vídeo: