Houve um tempo em que fazer campanha era uma atividade de alto risco no Brasil. Em 1968, o advogado Índio Vargas, que concorria à Câmara da Capital pelo MDB, viveu uma situação que evidencia o controle do governo militar sobre a oposição.
Na sua vez de falar – ao vivo – na TV, Índio aproveitou o espaço para denunciar a prisão de estudantes no congresso da UNE em Ibiúna-SP. Enquanto falava, uma luz se apagou no estúdio.
— O cinegrafista da TV Gaúcha avisou: “Te tiraram do ar. E eles costumam ficar aí na frente esperando. Podem te prender na saída” — lembra o advogado.
Para não ser detido, Índio saiu pelos fundos, desceu uma ribanceira até a Vila Cruzeiro e foi de ônibus até a casa de um primo, onde ficou escondido. Quando voltou ao seu comitê, surpreendeu-se com a presença de pessoas estranhas, que diziam ter visto o programa e ofereciam apoio. Eleito com mais de 4 mil votos, a quinta maior votação da cidade, o vereador acabou cassado 28 dias depois de assumir o cargo.
MINICOMÍCIOS
Dez anos depois da eleição de Índio Vargas, José Fogaça, então um jovem candidato do MDB, não podia falar na TV (a propaganda exibia apenas as fotos dos candidatos) e usava uma tática para driblar as restrições aos comícios:
— A gente fazia minicomícios. Com um megafone, falávamos cinco, 10 minutos, e nos dispersávamos antes de a polícia chegar.
A estratégia funcionou. Nas duas eleições que disputou durante a ditadura (1978 e 1982), se elegeu deputado estadual e federal, respectivamente.




