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Crônica do leitor

10 de fevereiro de 2010 2

O exemplo do ex-catador de lixo

Até o dramaturgo Nelson Rodrigues escreveria um final menos trágico do que teve esse jovem Alcides do Nascimento Lins, 22 anos. Primeiro colocado entre os alunos de escolas públicas, estudante de Biomedicina na Universidade Federal de Pernambuco, foi vítima de assassinato na porta de sua casa.

Tinha tudo contra si, era negro , pobre, filho de catadora de lixo; mesmo assim conseguiu, de forma brilhante, através do estudo, chegar a uma Universidade Federal. Não bastasse seu esforço pessoal, ainda era gente boa e querido entre seus colegas, a quase a totalidade provinda de classes abastadas. Tanto era, que o reitor da universidade, Amaro Lins, chegou às lágrimas várias vezes quando entrevistado.

O profissional formado em Biomedicina está apto a realizar estudos e pesquisas clínicas, envolvendo as análises clínicas, genética e moleculares de fluidos, células e tecidos humanos. No Brasil, os biomédicos dedicam-se principalmente (cerca de 80%) às análises clínicas (exames laboratoriais), no entanto, muitos desses profissionais atuam como cientistas em centros de pesquisas como Fiocruz e INCA , entre outros.

Após formado em Biomedicina Alcides queria fazer medicina. Que o seu legado fique incrustado na cabeça de vários jovens, que veem dificuldade na primeira pedrinha que aparece pela frente em suas vidas.

Paulo Curvello

Balneário Camboriú

Postado por Valther Ostermann

Comentários (2)

  • Pessoa Comum diz: 10 de fevereiro de 2010

    Depois dizem que não existe preconceito ¨nessepaís¨. Quando um negro consegue chegar lá, vira notícia. O Brasil tem uma enorme dívida com esse rapaz que enquanto vivia foi uma luz de esperança para os cidadãos comuns que não receberam nenhuma herança das Capitania Hereditária nem uma ajudazinha do Império. Para ver que não é fácil um pobre estudar e se formar num país onde 10% da população é dona de 90% das riquezas. Como chegamos a isso?

  • Bueno diz: 11 de fevereiro de 2010

    Realmente triste. Mais triste ainda é a pouca repercussão que a midia dá nestes raros casos de bom exemplo. Poderia ter recebido ajuda e até, quem sabe, sair do meio onde vivia. Quanta diferença, comparando com aquela moça que ganhou repercussão e mais de 30 mil para…cirurgias plásticas. Argh!

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