Final de abril, Costão do Santinho, encerramento das férias, o casal blumenauense fazia sua regular caminhada pela praia. Naquele dia viram, ao longe, algo que parecia um tronco se confundindo com a areia. Para seu espanto (e tristeza) depararam-se com um cachorro sem condições de se levantar, a coluna torta, perna esquerda inutilizada, extremamente magro e abatido. Inanição.
A mulher ficou ali, confortando o animal, o homem voltou até seu apartamento, de onde trouxe água e alimento. Ali mesmo, deitado, o cão devorou a comida e bebeu toda a água disponível. Ligaram então para o um amigo veterinário, que prontificou-se a vir buscar o cão. Diagnóstico: subnutrição, coluna deformada pelo esforço de uma perna só, fêmur fraturado já em estado de calcificação. Sofrimento atroz.
O casal custeou a cirurgia e o tratamento de recuperação. E o adotou, pois deixá-lo lá seria condená-lo novamente ao abandono. O cão, agora batizado de Santinho, adaptou-se ao lar e aos outros cães da família, já se apoia na perna operada, a coluna está desentortando. É o que mais faz festa para os donos, como se quisesse, a todo momento, externar gratidão.
Não importa quem cometeu a atrocidade de deixá-lo no estado em que foi encontrado. Importa o gesto do casal em resgatá-lo do sofrimento e abandono. Para o Santinho, isto fez toda a diferença do mundo.
Resumi o relato emocionado de Jaime Gustavo Grossenbacher. Mesmo assim, para os que amam ou respeitam os animais e qualquer forma de vida, a carga emocional poderá ser percebida.