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Ele existe

07 de dezembro de 2010 0

Faz muito tempo que deixei de acreditar em Papai Noel. Nos últimos tempos até caí de pau nele, por se vestir de maneira inadequada para nosso clima tropical, ter uma risada chatinha e só levar presentes para crianças com famílias de razoável potencial financeiro.

Mas ele existe. Está em Chapecó e faz uma útil campanha de conscientização contra a caça estúpida e covarde que alguns seres humanos promovem por pura diversão. Continua vestido-se de maneira errada, mas isto se tornou irrelevante. Sua atitude é o que vale e o que importa. Não modificará nenhum adulto, mas certamente evitará que algumas crianças se tornem adultos estúpidos e covardes. Por mim, está redimido.

Um Papai Noel dentro de uma gaiola chamou a atenção de quem passava pelo centro de Chapecó, na manhã desta terça-feira. O objetivo foi chamar a alertar das pessoas em relação ao tráfico internacional e o aprisionamento dos animais. — A gaiola tira o direito deles de voar, de procriar e de buscar outros alimentos — afirmou o catarinense Élio Lazzaroto, que desde 1982 faz o personagem e em 1999 registrou o nome Papai Noel do Brasil. Desde então atua de forma profissional com chegadas de helicóptero ou caravanas nos municípios dos três estados do Sul. Paralelo a esse trabalho ele desenvolve projetos ambientais. Na manhã desta terça-feira, além de conscientizar a importância de deixar os animais livres, através da distribuição de uma revista, o Papai Noel entregou sementes de árvores nativas e, como não poderia faltar, um doce. Beatriz Policena, de quatro anos, foi uma das que conversou com o Papai Noel. Sua mãe, Dione Machado, disse que é importante lutar pela liberdade dos animais.

— É tão bonito ver eles soltos — disse.

Maria Eduarda Ribeiro, de nove anos, chorou quando viu o Papai Noel preso. Mas depois ficou feliz ao saber do objetivo. Ela define com uma palavra a situação de manter animais presos. — É horrível — disse. Ela e seu pai chamaram a Polícia Ambiental recentemente para denunciar um caçador.

O indígena Vinícius Salvador, de apenas quatro anos, também foi pegar um doce com o Papai Noel. Afinal, os Kaingang também lutam para preservar as matas, de onde tiram o alimento. Na tarde desta terça-feira o Papai Noel vai estar novamente na esquina da avenida Getúlio Vargas com o calçadão da rua Benjamin Constant, das 16h às 18h30min. A criança que levar uma gaiola vazia vai receber uma coleção com 100 cartões telefônicos usados.

A ação tem o apoio da RBS TV Chapecó.

(Diário Catarinense. Foto: Sirli Freitas)

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