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A força de um sonho

07 de fevereiro de 2011 5

Ryan Hreljac nasceu no Ontário, no Canadá, em 1991. Quando tinha 6 anos, uma conversa com a professora da escola primária mudou-lhe a vida. Ela falou na aula das pessoas pobres de África. Contou, entre outras coisas, como elas passam por grandes dificuldades para disporem de água potável e terem acesso a poços. Acrescentou ainda a professora que, sem água potável, as pessoas, e especialmente as crianças, podem ficar doentes e, até, morrer.

Esforço Quase Em Vão

Ryan Hreljac, apesar de ter 6 anos e muita vontade de brincar, naquele dia ia a caminho de casa a pensar. Passava em frente de um fontanário em que a água estava horas e horas, sem parar, a correr. E, lá na África, as crianças da sua idade tinham de andar quilómetros e quilómetros, durante horas, para levar uns cinco litros de água para casa. Foi ter com a mãe e disse-lhe: – Mãe, quero comprar um poço de água para as crianças de África. A professora disse que custava 70 dólares. Mas a mãe não lhe deu o dinheiro sem mais. Combinou com o filho que ele fazia algumas tarefas em casa e que receberia por isso. Quando juntou os 70 dólares, Ryan foi com a mãe à sede da WaterCan, uma ONG que perfura poços em África. Ao ser atendido, ele recebeu uma novidade que podia tê-lo assustado: abrir um poço não custava 70 dólares, mas dois mil dólares. E a mãe também lhe disse:

Filho, não posso dar-te todo esse dinheiro, nem que limpasses a casa toda a vida.

Mas o pequeno Ryan não se rendeu. E prometeu ao senhor que os atendia:

Vou voltar!

E voltou. Ryan Hreljac animou os irmãos, vizinhos e amigos a trabalhar como ele. Com horas de trabalho e venda de produtos, entre todos, conseguiram juntar 700 dólares. E Ryan foi ter com a WaterCan triunfal. E a ONG canadiana comprometeu-se a juntar o que faltava.

A água Correu

Em 1999, a WaterCan abriu o poço financiado por Ryan Hreljac, os seus irmãos, vizinhos e amigos, numa aldeia do Norte do Uganda. A água começou a jorrar perto da escola primária de Angolo. Nesse mesmo ano, Ryan Hreljac criou a fundação Ryan’s Well (o Poço de Ryan). Desde então já permitiu a mais de quinhentas mil pessoas terem acesso a água potável.


Partilha Gera Partilhas

Agora com 19 anos, Ryan continua a recolher fundos e a viajar por todo o mundo solicitando apoios. Ele diz que, a partir o momento em que começou a fazer algo pelas crianças de África, entendeu a razão de ter nascido:

Esta experiência ajudou-me muito. Aprendi que somos todos iguais. Aprendi que as crianças precisam de certas coisas para viverem com saúde e felizes, independentemente do lugar onde vivem. Precisam de alimentos suficientes para comer e de água para sobreviver. Precisam de ter condições para ir às aulas e oportunidades para brincar e divertir-se. Robustos e bem preparados, também eles poderão ajudar a Humanidade inteira.

E, de fato, foi o que aconteceu com os alunos e restante pessoal da escola primária de Angolo, no Uganda. Decidiram que também eles podiam partilhar algo. E, voluntariamente, durante cinco dias, no horário pós-escolar, vão ajudar os idosos e os doentes com sida. Há crianças que lhe perguntam o que podem partilhar, se têm apenas o mínimo. E Ryan responde com a sabedoria que aprendeu da atitude da mãe quando ele tinha 6 anos:

Dá apenas um pedacinho. Pensa no que tens, no que queres e naquilo de que precisas realmente… e terás a resposta.

(Foto: Ryan’s Well Foundation)

Comentários (5)

  • Valdemir Nicoletti diz: 7 de fevereiro de 2011

    Isso é exemplo de vida! Isso é exemplo de amor e solidareidade! Uma pova mais doque concreta de que, não importa nossa posição social, não importa a profissão que exercemos, não importa se estamos longe ou perto de quem precisa de algo. Oque importa, é que nós podemos fazer algo, nós temos algo nas mão que podemos repartir, nós podemos ser menos individualistas, e com isso ajudar a quem quer que seja.
    Sim, podemos fazer a diferença com pequenas atitudes, com pequenos gestos, porém com mais amor.
    Parabéns Ryan pelo exemplo, Parabésn Walther por nos fazer conhecer esta brilhante e fantástica história de alguem, que ainda pequeno soube como poucos dar um pouco de si em prol de muitos.
    Que todos nós, sigamos exemplos assim, de pessoas ricas em sabedoria e coletividade. Que todos nós, deixamos de olhar só para nosso “eu” e façamos oque podemos, pois pelo menos um pouco sim, nós podemos fazer.

  • CURTO&GROSSO diz: 8 de fevereiro de 2011

    A África do Sul que incoerente sediou a última Copa do Mundo pode ser considerada uma exceção em um continente com mais 900 milhões de habitantes, sendo que a maioria deles vive abaixo da linha da pobreza e morrendo de sede ou das consequências da falta de água.
    Louvável o ato do jovem Ryan que por tabela deu um tapa na cara da maioria dos governantes (ditadores) africanos que estão muito mais preocupados em enriquecerem as custas da desgraça de seu próprio povo do que em resolver problemas de necessidades básicas.
    Exemplos como o Ryan nos mostram como as coisas não são tão difíceis de se conseguir, ainda mais quando colocamos um pouco de vontade e amor ao próximo, exemplo este que poderia ser seguido pelos improdutivos vereadores de Blumenau e região.
    Hã, por falar em água, acredito que o Samae necessita ser auditado pois o que está aparecendo de contas de água com consumos exorbitantes não está no gibi e ainda mais em um período onde as pessoas passam a maior parte do tempo nas praias ou convivendo com a falta de água em Blumenau.
    Falha técnica ou safadeza ???

  • Charles R.K. diz: 9 de fevereiro de 2011

    Este rapaz deu um exemplo e tanto, e um tapa na cara de todos os políticos salafrários que temos no mundo, inclusive no Brasil. Enquanto ele que poderia dizer não ter nada a ver com isso, se preocupa. Aqui os que foram designados e “bem” pagos para cuidar do seu povo legislam apenas em causa própria.
    Em menor proporção, cito o adulto que joga a latinha de refrigerante no chão, e um menino se dirige a ele com a lata na mão dizendo: “- Senhor, acho que perdeu isto aqui!” Deveria doer mais do que um soco, mas sei lá se este tipo ainda tem alguma consciência.
    Parabéns Ryan, você sim, é “o cara”!

  • Ismael diz: 9 de fevereiro de 2011

    Esse é o cara, as vezes me pergunto será que é tão difícil ser como ele ? Somos tão apegados a matéria.

  • MICHEL diz: 9 de fevereiro de 2011

    Com relação ao SAMAE, vou ter que reclamar também.

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