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Posts de maio 2011

Começou!

31 de maio de 2011 4

Quando a sociedade perde a fé nas instituições o tecido social é rompido. Ok, vamos no popular: quando o abuso dos abusados, com perdão da redundância, faz entornar o copo; quando as leis não coibem, nem punem; quando a estrutura policial é insuficiente, o saco do cidadão estoura e ele resolve resolver o que o Estado não resolve, com perdão, novamente, das redundâncias. É um perigo, mas também pode ser o  desesperado exercício do direito de defesa.

Transcrevo na íntegra um e-mail que recebi hoje, de um morador de Blumenau. Preservo o nome.

"Caro Valther.

Na minha rua ainda tem quem manda. Com relação ao som automotivo abusivo desta cacalhada. Ligamos para avô do inoportuno energúmeno, que além do recado dado, pedimos que transmitisse o mesmo aos outros. Ao mesmo tempo ligamos para a empresa do meliante falamos com o chefe dele.

Passo seguinte, outro amigo ligou para o merdel diretamente dizendo-lhe, que doravante seria na pedrada e que o tempo dele acabou. Interessante, acho que se-assustaram. Remédio de um doido é outro doido, veneno de cobra se combate com veneno de cobra, o fanho entende outro fanho e, quem tem, tem medo. Por enquanto acabou. Eles vão pro cacete se voltarem a incomodar. Aqui tem quem manda, e são as pessoas de bem.

Aconselho atirarem um punhado de britas em cima dos merdeis, quando eles passarem. Faça a sua parte. Não estranha não. Na minha razão brigo com satanás e ganho. Se aguardares solução por parte daqueles pagos para nos defender, esqueça.

Vai por mim."

A reforma que nunca sai

31 de maio de 2011 4

Professores devem ter salários dignos, policiais também, bombeiros idem, médicos e enfermeiros da saúde pública nem precisa dizer. O Estado tem que nomear professores, policiais, bombeiros, médicos e enfermeiros em número suficiente para que sejam atendidas as necessidades da sociedade.

Porém...

Se um governador bem intencionado resolvesse fazer todas as contratações, e pagar salários dignos, estouraria o orçamento do Estado, desrespeitaria a Lei de Responsabilidade Fiscal e correria o risco de perder o cargo. Na verdade o governador é um duro, pois quase tudo está contingenciado, tem destinação obrigatória. O Poder Legislativo não abre mão de sua generosa fatia, muito menos o Judiciário, e por aí vai. Sobra pouco, muito pouco, para investimentos.

Tem solução?

Tem, sim senhor. Uma boa reforma tributária, que deixe mais grana na origem, aumentaria, e muito, a capacidade de fazer deste hipotético governador bem intencionado. Uma reforma, aliás, eternamente prometida, nunca concretizada. Enquanto o bolo continuar sendo dividido do jeito que é,  não vai sobrar grana para os Estados fazerem o que tem que ser feito, muito menos os municípios.

Sofrem a saúde, a educação, a segurança pública. Sofremos nós.

Da série "Tens que dar um pau..."

30 de maio de 2011 5

Eu coleciono, vocês sabem, as exigências disfarçadas de sugestões dos leitores que me puxam para um canto e, com ar de conspiração, sempre pedem para preservar seu nomes.

- É que não gosto de aparecer, você sabe...

- Sei...

Confesso que até gosto, embora nem sempre. Aqui vão mais algumas:

- Dá um pau em que é contra a descriminalização da maconha, brou! Os cara são quadrado!

- Arrebenta o aumento do número de vereadores. Tu é contra, não é? Tem que ser!

- Não vai detonar os corredores de ônibus? É medo ou tá levando algum?

- A Oktoberfest é uma bagunça. Dá um  pau! Você nem bebe que eu sei...

- Quero ver se tens coragem de criticar a Globo. Vou conferir na coluna de amanhã.

- Não vai bater na Dilma, não?

- Por que tu não elogia a Dilma?

E a melhor - na verdade, a pior - do ano, por enquanto:

- Põe na coluna que a mulherada se veste mostrando tudo e depois reclama do estupro.

Há guerras e guerras...

30 de maio de 2011 2

A guerra contra as drogas tem que ser permanente, dizem as autoridades no assunto, mas é uma guerra que jamais será vitoriosa. O fascínio das drogas é inerente à humanidade. Não dá para abandonar o combate, não dá para vencer.

Outras guerras, porém, podem ser vencidas. Basta querer vencer. Nossos presídios, por exemplo. Vamos particularizar: o Presídio Regional de Blumenau. Aquilo é um queijo suíço, sem capacidade de manter preso o preso que tiver vontade de fugir. O subsolo é uma sucessão de túneis cavocados pelos detentos. Os muros não impedem que drogas, telefones celulares e armas sejam jogados para dentro. E a superlotação é a de todos.

Ora, tudo isto pode - poderia - ser corrigido. O Estado não pode se dar por vencido, nem se dar ao luxo de embarrigar o problema, embora o faça. É apenas uma questão de vontade, que se depara, no entanto, com imensa falta de vontade.

Uma guerra fácil de ganhar, pela imensa vantagem de uma das partes. Como explicar que não ganha, então?

Segunda é show

29 de maio de 2011 2

O domingo foi ótimo, dia perfeito, passeio de moto, almoço caseiro que é tudo de bom para quem almoça fora a semana inteira, tudo nos conformes. A pausa perfeita entre duas semanas.

E aí vem a segunda-feira, odiada por enorme parcela dos humanos, o que é injusto. Se todo dia fosse domingo a vida seria um tédio.

Estar de volta ao trabalho significa reencontrar colegas e amigos.

Significa estar vivo e saudável.

Significa ter sobrevivido ao fim de semana.

Percebam as manchetes das segundas-feiras, qualquer uma, a escolher. São trágicas. Não é culpa da segunda, é do sábado e do domingo.

Quero mais é que venha a segunda-feira. Estou com saudade dos amigos, dos colegas, das pessoas com quem passo a maior parte dos dias.

Segunda-feira é um grande dia.

Maravilha

29 de maio de 2011 3

Estava tentanto atualizar este blog para não perder o contato com vocês neste domingo de temperatura adorável - para mim -, céu de um azul absurdo, sol generoso, dia brilhante. Domingo de pouco trânsito. Dia perfeito para que curte motocicletas. Irresistível. Uma olhada na tela em branco do computador, outra na janela, o dia chamando. Que dia para dar umas bandas de moto!

Fui! Conto com a compreensão de vocês. Um dia assim, perfeito, de graça, seria até um desaforo ao Criador não aproveitá-lo curtindo uma paixão.

Depois eu volto.


Uma tese...

27 de maio de 2011 3

Recentemente, pouco antes das seis da matina, a caldeira de água quente do Hotel Plaza Hering, Centro de Blumenau, explodiu. A destruição material foi grande, e só não houve atingidos porque àquela hora  havia ninguém passando lá.

C.L., irreverente leitor de Balneáro Camboriú, investigador nas horas vagas, mandou este texto:

"As suspeitas estão recaindo sobre um hóspede. Turista, primeira vez em Blumenau, tudo lhe parecia novidade. No almoço já tinha provado uma tilápia com alcaparras; à tarde, numa confeitaria da cidade provou uma bomba de nata.

No jantar foi a um restaurante de pratos típicos, pediu um daqueles pratos 6 em 1, com ingredientes locais: provou Eisbein, salsichas de todas as cores, linguicinhas feitas à base de sangue bovino, costeletas com purê de ervilhas, mostardas coloridas, raiz forte; adorou o chucrute que acompanhava as salsinhas, repetiu o repolho roxo do marreco . Para ajudar a empurrar tudo aquilo nada melhor que um chope preto, aliás, três. Aceitou a sugestão do garçon para um digestivo (?) e entornou um Steinhaeger (excelente, não foi à toa que o Lula gostou).

O táxi desceu serpenteando o Morro do Aipim e em alta velocidade (os táxis não sabem andar de outro jeito). Chegou ao hotel mas não subiu; como seria o último dia na cidade, aproveitou para passear a pé pela vizinhança. Parando no barzinho ainda aberto, não resistiu a um ovo na conserva e o proprietário, com a toalha no ombro e enxugando o suor, lhe sugeriu um Rollmops, que também não recusou porque era, para ele, uma inusitada novidade. De sobremesa, uma bola de sorvete de butiá, novidade na casa. Chegou cambaleante ao hotel, pegou sua chave mas errou o caminho do quarto.

Bem, o resto vocês sabem..."

Cena urbana

26 de maio de 2011 7

É um trabalhador, e o trabalho é duro. Mas a proximidade da fiação de alta tensão assusta, não assusta?

(Foto: Fabio Rothermel)

Melancia sem sementes

26 de maio de 2011 1

Já comprei melancia sem sementes que, na verdade, contém sementes. São sementes pouco desenvolvidas, comestíveis, mas são sementes.

Já pedi ao balconista um litro de dois litros de refrigerante. Existem litros de três litros.

São coisas nossas - melancia sem sementes com sementes e litro de dois litros - que não consigo explicar ao Ibsen, aquele norueguês que teima em entender o Brasil. Mas isto até que é simpático, e estou nem aí para o nó que dá na cabeça dele.

O chato é quando ele pergunta sobre livro didático que diz que falar errado é certo, ou que traz conteúdo doutrinário partidário, ou ainda quando quer saber sobre evolução patrimonial de algumas autoridades, foro privilegiado, leis que não pegam, obras inacabadas, aposentadoria por invalidez duvidosa, cuecas  e por aí afora.

Prefiro tentar explicar a melancia e o litro. Também não entenderá, mas é assunto que não dói, nem envergonha.



Em pencas

26 de maio de 2011 4

Em dez anos, haverá mais motocicletas nas vias brasileiras do que carros.

É o que aponta o estudo "A mobilidade Urbana no Brasil", do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem

A pesquisa mostra que a demanda por transporte público caiu 30% na última década. No mesmo período, a compra de carros cresceu em media 9% ao ano e a de motos, 19%.

A previsão é de que a partir de 2012 a aquisição de motocicletas será maior do que a de automóveis.

O que o estudo não diz é que serão motos de pequenas cilindradas, mais acessíveis, apesar da carga de impostos. Motos maiores têm preços proibitivos e carga de impostos escandalosas.

(Foto: Divulgação)