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Gibis

15 de junho de 2011 5

Aprendi a ler muito cedo e muito cedo tomei gosto pela leitura. Lia de tudo, placas do comércio, rótulos, nem bulas me escapavam. E aí vieram os gibis,  histórias em quadrinhos que ainda hoje me fascinam. Por força de lei, os gibis primavam pela norma culta, o português tinha que corretíssimo. Até exageravam nas expressões: entrementes, pradaria, facínora, biltre. Mas aquilo nos remetia ao dicionário, tínhamos que saber o significado para entender o diálogo. Foi um aprendizado. Gravou.

Também ficaram gravados as identidades secretas dos heróis embuçados – ao dicionário, ao dicionário… – , o nome do chefe dos pigmeus do Fantasma, dos parceiros dos mocinhos, das eternas noivas ou namoradas, que herói daquela época nunca se casava, tampouco se amigava.

E haviam gibis contando a história do Brasil, tudo em quadrinhos, tudo muito fácil de acompanhar. E os clássicos da literatura em quadrinhos, uma leitura mais palatável que os livros sem figurinhas. O folclore veio nas páginas coloridas dos desenhos de Ziraldo e sua Turma do Pererê.

Devo muito do que aprendi aos gibis. A eles, minha homenagem.

(Imagem: Divulgação)

Comentários (5)

  • CURTO&GROSSO diz: 16 de junho de 2011

    Sem esquecer que a molecada ainda promovia verdadeiras feiras de livros a céu aberto na entrada dos cinemas, local este onde se trocavam as revistas/gibis já lidas por outras ainda por ler e isto incentivava e apurava ainda mais o gosto pela leitura e consequente aumento de criatividade.
    Soube há alguns dias atrás que Ronaldinho Gaúcho havia sido agraciado ainda neste ano com a “Medalha Machado de Assis” pela Associação Brasileira de Letras em uma clara demonstração de leviandade e canastrice.
    Realmente sepultaram a cultura e deram nova vida à canalhice e a idiotice. O pior é que é tudo ainda perfeitamente legalizado !

  • Pessoa Comum diz: 16 de junho de 2011

    Hummm…Eu também devo muito do que aprendi aos gibis. Principalmente ao Saci Pererê, Zé Carioca, Irmãos Metralhas, Tio Patinhas, Pateta, e, entre outros, com os gibis do Cebolinha que na década de 60 já primava pela norma culta trocando o R pelo L…

  • Isabel diz: 17 de junho de 2011

    Que será que aprenderam lendo gibi do Saci Pererê, Pinóquio e Cia…? Travessuras, só pode. Passadas de geração a geração.

  • Braz dos Santos diz: 20 de junho de 2011

    Nem eu nem meus amigos de infância tínhamos o hábito de ler gibi. Mas meu hábito de leitura iniciou-se tão logo aprendi a ler. Meu irmão mais velho assinava a Família Cristã, uma revista editada pelas Irmãs Paulinas, que eu devorava. E na aula, na antiga Escola São José, atual Celso Ramos, tínhamos aulas de leitura três vezes por semana. Isso sem contar que, todos os sábados, tínhamos aula de caligrafia, algo que hoje desapareceu das escolas. O ler semprefoi parte importante da minha vida. Agora, respondendo à Isabel. Isabel, para tudo tínhamos limites. Para tudo tínhamos horário. Para brincar, para estudar e para ajudar os pais na roça ou na limpeza da casa. Aprendi desde cedo a cozinhar, a limpar a casa, a passar roupa. E minha infância, com todas as dificuldades que tive, foi muito, mas muito feliz. Os breinquedos nós mesmos os fazíamos. E hoje?

  • Isabel diz: 21 de junho de 2011

    Pois é, Braz. Fico me perguntando por que as gerações que sucederam à geração que hoje está entre 60/70 anos não ensinaram os filhos e filhas a cozinhar, limpar a casa, passar roupas, gostar da roça e fazer os próprios brinquedos. Será porque as gerações que hoje estão entre 30/40 foram morar na cidade e gostaram dos hábitos de comer fora, mandar lavar a roupa e ter uma empregada doméstica para limpar a casa? O que vemos hoje? Pais não ensinando os filhos sequer a plantar um pé de alface e dando carros de presente para os filhos que passam no vestibular. Quando foi que paramos de ensinar aos nossos filhos o que nossos pais e avós nos ensinaram? E por que nossos filhos não ensinam a nossos netos o que nós ensinamos a eles: plantar, cozinhar, limpar a casa, gostar da roça e fazer os próprios brinquedos? Parece que falhamos feio, pois nossos filhos não seguem nossos exemplos e nossos netos muito menos.

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