"Vou contar um fato que aconteceu comigo na terça-feira, 16h15m. Estava eu em meu quarto de estudos quando ouvi um estrondo na janela e segundos depois minha esposa grita:
- É um passarinho, um sabiá bateu na janela!
Corri para ver, pensando em salvar o infeliz. Ao encontrá-lo na sacada, agonizando por estar perdendo a respiração, imaginei o que poderia fazer para salvá-lo, seria ele o sabiá que vinha em meu muro pedir um pedaço de banana todos os dias ? Peguei-o na mão e sua cabeça desfalecida caia entre meus dedos, e então comecei os primeiros socorros. Iniciei pressionando seu tórax com os dedos em intervalos regulares, mas ele não apresentava reação. Insisti, continuei pressionando o tórax mais vezes e pedindo para que ele não morresse. Minha esposa trouxe água e a joguei sobre a cabeça do infeliz, que começou a reagir, talvez um ato reflexo, mas ainda não apresentava melhoras.
No desespero, parti para uma cena inusitada, fiz uma respiração boca a bico com intenção de oxigenar o sistema dele enquanto continuava pressionando seu tórax, quando, de repente, o pássaro regurgitou uma em meu rosto, peito e braços, um líquido escuro o que no início me vez perder as esperanças , supondo ser uma hemorragia interna. Ao analisar o líquido, verifiquei que era roxo e não vermelho escuro, ou seja, da cor da semente roxa do coquinho do pé de palmito, ou seja, não havia hemorragia; o que expeliu foi o alimento em seu estômago.
A partir desde momento, percebi que a respiração dele começou a aumentar, o passarinho começou a reagir, aumentando seus reflexos, suas garras começaram a segurar meu dedo e também começou a ter um leve equilíbrio, visto pelo movimento do leque de suas penas traseiras. Deixei o mesmo em uma caixa de sapato para que ele pudesse descansar e se recuperar do acidente e torci para que no dia seguinte, pudesse voltar ao seu território e voltar a alimentar um filhote órfão ou até voltar a pedir uma banana. Ao amanhecer, eu e me minha esposa fomos vê-lo, lá estava ele, encolhido mas que tinha produzido o seu primeiro 'evacuo' do dia, sinal que estava bem e o melhor.
Peguei-o na mão e os mesmo já estava plenamente recuperado e gritando desesperado por esta preso agora em minha mão. Soltei-o e imediatamente voou alegremente para seu paraíso, pousando em uma árvore próxima. Pode pedir novamente a banana, que nós vamos colocar para ti, sabiá. Passarinho também é gente.
Miguel Alexandre Wisintainer, Blumenau."

Recuperado e prestes a ser solto.