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Posts de janeiro 2016

Desprezo

31 de janeiro de 2016 4

“A OAS teria assumido um edifício inteiro da Bancoop só para dar um apartamentinho de uma milha ao Lula. Ora, vão se lixar nas ostras!”

A frase no twitter do senador Roberto Requião (PMDB-PR) chega a ser ofensiva, não pelo argumento pífio na defesa de um investigado pela Justiça, mas pela perspectiva financeira que mostra o tamanho do abismo entre suas excelências e o povão que paga impostos. O tal “apartamentinho” refere-se a uma cobertura tríplex com elevador pessoal, de frente para o mar. “Uma milha” é R$ 1 milhão de reais. Vive em outra esfera, o senador. O sonho da casa própria continua sendo a maior aspiração dos brasileiros. Uma casinha, um teto para chamar de seu. Brasileiros que sequer ousam sonhar com cobertura de frente para a praia, três andares e elevador interno. Isso é coisa de rico no país cujo salário mínimo é R$ 880.

O “vão se lixar nas ostras” foi para nós.

Sombra pessoal

25 de janeiro de 2016 0

Daniela e a sombrinha

A mineira Daniela faz a coisa mais coerente que se pode fazer para proteger-se do sol de Blumenau: tem sempre à mão sua sombra particular. Ou sombrinha.
Equipamento altamente recomendado para nosso clima, que além de elegante tem outra vantagem: pode ser usado chova ou faça sol. Aliás, deve.

(Foto: Valther Ostermann)

Nossas pontes

21 de janeiro de 2016 5

Quando garoto, lá no Alto Vale, vi benzedeiras e benzedores em ação, sempre a chamado de alguém. Casos que não sei explicar nem credito a poderes divinos, mas de pleno êxito, com gente e com animais. Conheci e trabalhei com um médico traumatologista que em casos de fraturas tão complicadas que a ciência médica não resolvia encaminhava o paciente para um agricultor que, inacreditavelmente, resolvia. Vá saber!
Estou me lembrando disso porque cheguei à conclusão que só benzendo para descomplicar a dificuldade que temos, aqui na região, quando o assunto é construção de pontes.

Agora é a ponte de Gaspar, chamada de Ponte do Vale. Iniciada, paralisada em março de 2014, e agora novamente em vias de continuar sendo construída, enfrenta mil dificuldades burocráticas, obriga o prefeito a mil viagens à capital federal, é o calvário de sempre.
Vê aí se lembra de uma ponte que teve começo, meio e fim sem interrupção. Viu? Não há. O que há é ponte que sequer começou, em Blumenau, por causa da brigalhada do local em que deve ser construída.
Só benzendo! Juro que estou falando sério.

O que pode e o que não pode

19 de janeiro de 2016 4

Taxistas da cidade de São Paulo terão que se adaptar às novas exigências da prefeitura caso queiram continuar na profissão. Algumas óbvias – barba e cabelo em ordem, evitar odores de suor, não falar palavrões -, outras um tantinho exageradas, embora de bom gosto – traje social ou esporte fino.

Até aí, tudo bem, mas autoridade que é autoridade, ainda mais com propensão autoritária, tem que estragar a boa intenção determinando os assuntos que o taxista deve que evitar: futebol, política, religião, comportamento pessoal e problemas da categoria.
O nome disso é censura, não é não?

Autoridade política que impõe o que pode e o que não pode ser conversado é algo assustador. Políticos adoram ditar regras. Para os outros. Se a gente tivesse voz e eles ouvidos para nós, estabeleceríamos uma que é a mais óbvia de todas: políticos estão proibidos de meter a mão no tesouro público. Mais: não pode roubar nem deixar roubar.

Alguns estão nem aí para uma regrinha simples assim.

Façamos a nossa parte 

16 de janeiro de 2016 1

Alguns leitores não aceitam que vez por outra eu lembre que ao cidadão cabe fazer sua parte colaborando com a limpeza da cidade – não sujando, por exemplo -, comportamento que, ao fim e ao cabo, reverte em seu próprio benefício. Obviamente isso não isenta o poder público de cumprir sua função, nem inibe o direito de cobrança do cidadão. O pensamento excludente, aquele do “se você gosta de animais então não gosta de crianças” é algo ruim, pois não permite argumentação, mata a conversa no início.

Não é por aí, pessoal. Uma coisa não exclui necessariamente a outra. Nestes tempos de todos os direitos é salutar falar em deveres, algo que anda meio esquecido.

No entanto, é compreensível a reação dos leitores. Andamos tão insatisfeitos com o pouco retorno de nossos impostos – pagamos e não levamos – que qualquer outra colaboração além do muito que nos garfam parece excessiva. É o desânimo de uma sociedade desassistida que vê o dinheiro público a serviço de interesses particulares. Isso pode mudar, isso deve mudar e há uma pequena esperança de que esteja mudando.

Honrarias vazias

13 de janeiro de 2016 1

Percebi a desimportância das honrarias concedidas por órgãos de governo quando um proprietário de casa de bingo foi agraciado pela Câmara de Vereadores de Blumenau. Título de Cidadão honorário, se não me falha a memória que costuma falhar.
Renan Calheiros, por exemplo, coleciona dezenas de comendas, títulos, medalhas, colares, sempre em reconhecimento a relevantes serviços prestados ao sofrido povo brasileiro.
Eduardo Cunha, outro político investigado pela Polícia Federal, também coleciona honrarias. Às dezenas. E, para meu desencanto, quem também adora medalhar são as Forças Armadas. Dona Marisa Letícia, por exemplo, foi medalhada pela FAB em 2007 por relevantes serviços.

Sempre foi assim, eu é que não havia notado. Em 1959 o sorridente presidente da República, Juscelino Kubistcheck, censurou Millôr Fernandes que num programa da extinta TV Tupi usou de fina ironia para criticar exatamente a facilidade de conceder honrarias vazias. Disse Millôr: “Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao Brasil, depois de cinco meses de viagem à Europa, e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho”.
Saiu do ar.

Deslumbrados

12 de janeiro de 2016 4

Espere aí, o cara fez um gol inspirado, até foi escolhido como o gol do ano, mas foi apenas um gol, um momento, e não necessariamente a eclosão de um novo fenômeno, um talento único que maravilhará o planeta daqui por diante. Terá que mostrar.

O prefeito de Goianésia, onde se deu o fato, porém, já anunciou: Wendell Lira vai virar estátua.

Pô,  terceiro-mundismo tem limite!!

Quem não lê...

11 de janeiro de 2016 2

Dados do Ministério da Educação: 104 alunos tiram nota mil na redação do último Enem, 53 mil tiraram nota zero.
Esqueçam as explicações sofisticadas sobre a causa. É falta de leitura, apenas isso.

Sem ler não se aprende a escrever.

Maconha

11 de janeiro de 2016 3

Leitor indignado relata que “onde quer que eu vá, em Blumenau, me deparo com pessoas (ele usou outro termo, menos respeitoso) fumando maconha. Ora, é droga, é proibida, como podem consumir abertamente e de maneira arrogante?”.
É fato o que o leitor relata, o consumo é desinibido, não tem hora. Aqui e em qualquer outra cidade para onde se vá.

Maconha tem sido muito discutida, há uma razoável corrente pela sua liberação, há outra que não. Maconha faz mal, dizem uns, bacon também faz e ninguém proíbe, dizem outros. Maconha é natural, então não é droga, diz alguém entre uma puxada e outra, logo contestado por quem defende a tese de que ela é a porta de entrada para drogas mais pesadas.

Goste-se ou não, a tendência é pela legalização. O Uruguai é o pioneiro, e do que rolar por lá servirá como subsídio para decisões dos vizinhos. Ninguém garante que liberar resolve, mas todos sabem que proibir não inibe o consumo e, de quebra, faz a fortuna dos traficantes. Há argumentos consistentes nos dois lados da contenda, e há a realidade incontestável: ninguém sequer se aproximou de uma solução para o problema das drogas pelo singelo fato de que a humanidade adora se drogar. Vide tabaco, vide álcool.
Na opinião desse escriba, não há solução e nunca haverá.

Fora da curva

09 de janeiro de 2016 2

Alguém aí já se alimentou em lanchonete de aeroporto e depois não passou mal na hora de pagar? Os preços praticados são de dar congestão.
A coisa é tão fora da curva que lá atrás, em 2012, a Infraero prometeu criar 12 lanchonetes populares em 12 dos principais aeroportos do Brasil. Ficou na promessa, claro, e ninguém cobrou porque ninguém acreditou. Os preços continua lá em cima, “preço de zona” como diz um amigo meu, seja lá o que isto signifique.
Há até novo rico que exibe o ticket do caixa de alguma lanchonete de aeroporto só para se mostrar!