Boteco é daquelas palavras que se escreve de um jeito e se diz de outro. Boteco, quando pronunciado, é butéco.
E, segundo amigos meus que se dizem especialistas no assunto, butéco bom é butéco sórdido. Levaram-me, outro dia, para conhecer um autêntico, no Centro de Blumenau. Bar dos Canalhas é o nome fantasia, o nome jurídico é outro.
Fui como observador, já que não bebo.
Ok, o butéco em questão leva jeito, toalhas de plástico grudentas, copos embaçados, o bolinho de carne na estufa tem cor de óleo de motor usado, cadeiras de palha. Mas faltam alguns requisitos básicos: vidro com ovos cozidos e já azulados no balcão, além do de rollmops e a garrafa de batida de limão feita na casa, amarelada e inconfundível. E na parede, cadê o espelho pendurado com um desenho – geralmente de São Cristóvão – atrapalhando o reflexo?
Sórdido para os padrões de Blumenau, mas nem tão sórdido assim. Original, porém: forrando o chão do banheiro sempre há páginas espalhadas do jornal do dia. Do Santa, invariavelmente.
Muito frequentador já leu minha coluna diária sentado lá. Espero que só isto.
