Houve um tempo em que o Biergarten foi fechado à noite, por questão de segurança, os leitores certamente se lembrarão. O Parque Ramiro Ruediger por pouco não entrou nesta, também por questão de segurança e vandalismo.
E agora a Prainha. As noites da Prainha. Acesso restrito. E já não era sem tempo. Por falar em tempo, o tempo em que diversão era apenas para divertir-se já passou. Agora quase sempre significa o sacrifício do sossego alheio. Era assim na Prainha, o bendito som automotivo berrando madrugada adentro o repertório que todos sabemos. Se pelo menos berrasse música, seria uma atenuante, mas qual, se for para incomodar a cidade, não deixar crianças, adultos e idosos repousar, tem que ser o mais agressivo possível. O volume era tal que chegava a encobrir a gritaria dos participantes, e olha que não é fácil. Pior que aquilo só foguetório à meia-noite.
Às autoridades não restou outra atitude. Melhor a Prainha fechada que madrugada alucinada. Não sei o que rolava no meio da sonzeira, mas bateu saudade do tempo (olha ele aí de novo) em que aquele local era apenas o endereço dos adeptos do fumacê, do tapa na cascavel, aquelas coisas. No maior silêncio, que a repressão existia.
Já vivemos um extremo comportamental, fomos uma sociedade repressiva, não gostamos. Exageramos na guinada, estamos no extremo oposto, liberou geral e demais. Não temos medidas.
Daqui a pouco não teremos mais espaços públicos.