Se for para falar a sério da inflação atual, comecemos por livrar a cara do tomate. No mesmo período em que foi majorado em 122,13%, a farinha de mandioca registrou alta de 151,39%. E da farinha ninguém falou. O tomate é colorido, vermelho vivo, se encaixa melhor no papel de bode expiatório. Virou símbolo do descontrole de preços, todo mundo joga tomates no tomate, coitado.
O requeijão cremoso, que custava R$ 1,80, agora custa R$ 2,80. O maço de cebolinha verde saltou de R$ 0,65 para nada menos que R$ 1,85. Até mesmo frutas e legumes da estação andam assanhadas, mudando seus preços (para cima) de um dia para o outro no embalo da especulação.
Vai daí que existem dois índices de inflação: o oficial, divulgado pelo governo, e o real, escancarado pelas gôndolas dos supermercados.
Para 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
O governo terá que ser muito competente para cumpri-la. Ou muito mentiroso.

