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Posts na categoria "Engenharia"

Beira-Rio

03 de março de 2013 20

Prezado Valther,

Avenida Castello Branco (Beira-Rio)

Sobre esta atual ferida na paisagem blumenauense e na engenharia, tenho alguns pensamentos e posições a respeito, atiçado que fui pela tua chamada:

· Desde que surgiu a civilização, a mesma sempre se estabeleceu nas proximidades de locais banhados pelo mar, rios e lagos;

· O progresso da civilização levou sempre às melhorias necessárias que uma urbe ao longo do tempo necessita;

· Não foi diferente com a nossa Blumenau e disto resultou uma Avenida Beira-Rio, que antes de mais nada é uma obra de engenharia voltada a trazer benefícios para a cidade;

· Dentro dos benefícios podemos citar alguns: estabilização dos barrancos da calha do rio na sua margem direita na parte central da cidade, sistema viário, arquitetonicamente e urbanisticamente uma significativa presença positiva principalmente para vermos o rio e ele ser visto;

· A construção foi de uma forma simples, com retirada do material ruim, uma fundação à base de pedras com um aterro de solo. O seu talude foi revestido na parte inferior com enrocamento de pedras e aplicação superficial de concreto e o restante com um tipo de vegetação própria para a situação. Complementava um gradil, a calçada e a via pavimentada;

· Apesar de em alguns locais a calha do rio ter sido diminuída com a construção, por outro lado existia o benefício de uma superfície do talude limpa, com um mínimo de atrito, diminuindo em muito a perda de carga e com isto aumentando a vazão do rio em períodos de cheia;

· O que se vê hoje, uma alteração das condições originais de projeto: em quase toda a extensão da Beira-Rio, em especial à jusante da Ponte Adolfo Konder, é um sem número de Salgueiros que surgiram na base da obra (talvez até bonitos sob alguns aspectos), uma série de Pés de Silva (é este nome que conheço aquele arbusto cheio de espinhos) no talude aonde havia uma vegetação apropriada, um “matagal” surgindo, tudo isto para além de tirar a beleza da Beira-Rio, impedir a vista do rio. Os salgueiros quando após uma cheia, ficam desfolhados e mostram uma “nova fruta”, muito decorativa, que são as centenas de sacos plásticos que ficam presos aos seus galhos. Agora o pior disto tudo é que estes Pés de Silva são arrancados do local aonde cresceram, ocasionando feridas no solo do talude, que podem gerar conseqüências danosas. Na última enchente de 2011, ocorreu isto nas imediações do Edifício Mauá.Também merece destaque , sob o ponto de vista da engenharia, o aumento do atrito causado por estas árvores e arbustos que se estabeleceram naturalmente, além do “matagal”, aumentando a perda de carga e desta forma diminuindo a vazão das águas no trecho do rio e aumentando a cota de enchente. Mesmo que estes valores possam ser quase desprezíveis, é importante chamar a atenção para o fato para que ocorra uma inflexão nestas tendências;

· Sou contra também ao plantio de árvores que ocorrem no talude, pelos motivos acima relatados. A intenção de quem está fazendo isto com muito suor e amor é louvável, mas tecnicamente não recomendável. Já tive a oportunidade de conversar com este Senhor e ao mesmo tempo parabenizá-lo, sugerir uma outra forma de ação;

· Se é para deixar crescer este “matagal”, por que não cuidar antes para não ocorrer uma invasão do Horto Florestal, o desmate e o uso inadequado do solo em locais impróprios, os aterros nas calhas secundárias dos nossos Ribeirões da Garcia, Velha e Itoupava e, e, e, ...

· As placas de concreto que na enchente de 2011 foram arrancadas no talude na altura da Ponte Adolfo Konder, como se fosse descamado, nada mas foi do que uma conseqüência da não conclusão dos serviços de correção em função do deslizamento que ocorreu neste talude na cheia de 2008, imediatamente à montante deste ponto;

· Aonde está o capricho tão peculiar do blumenauense? Desapareceu?

· Portanto vamos recuperar logo a Beira-Rio, tecnicamente e com capricho, para voltar a ser um cartão postal, para voltarmos a apreciar o rio e a usufruí-lo melhor (para isto é necessário que se refaça os acessos a partir da calçada até a base do talude).

Guido Otte

Engenheiro Civil

Blumenau

Erros de cálculo

16 de março de 2012 0

Seis anos depois da interdição, o prédio da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina, no Bairro Coqueiros, em Florianópolis, foi demolido nesta sexta-feira. A destruição da antiga sede da corporação foi determinada pela Justiça em 2010. Em 2006, um ano depois de ocupado, uma perícia técnica solicitada pela Procuradoria Geral do Estado verificou que a estrutura apresentava problemas e deveria ser interditada.

O que está acontecendo com a engenharia brasileira? Pontes adernam, rodovias desmoronam, asfaltos não suportam uma semana de trânsito, até simples calçadas, como as da Avenida Beira-Rio, em Blumenau, apresentam problemas antes mesmo de serem inauguradas.

É um surto de lambança técnica?

Trem suspenso

26 de setembro de 2011 7

A partir da sugestão - inviável - de alguns leitores, a da construção de um sistema de metrô subterrâneo em Blumenau como alternativa para o transporte público e alívio do trânsito da cidade, outros leitores sugeriram trens suspensos, como este que existe na cidade de Wuppertal, Alemanha. Cairia como uma luva em nossa constantemente alagada cidade.

Mas a idéia não é nova por aqui. Em 1993 os coreanos estavam interessados em implantar um sistema assim sobre a calha do nosso rio. O município não investiria um só tostão, o pagamento se daria por concessão de exploração pelo prazo de 30 anos. Intermediou a negociação o então vice-prefeito, Vilson Souza.

Mas a cidade não quis, e o sonho morreu na casca. O trem suspenso foi suspenso.

Cidade suspensa

22 de setembro de 2011 11

Toda opinião deve ser respeitada, toda sugestão (bem intencionada) deve ser considerada. Até mesmo a implantação de um metrô em Blumenau, como parte da solução para nossos trânsito e nosso transporte de massa. Mais de um leitor sugeriu, acreditem.

Nem vamos nos ater ao problema financeiro - onde arranjaríamos a montanha de grana necessária à uma obra assim? Cabe lembrar que o custo Brasil torna tudo muito caro,  empreiteiras nacionais ainda mais.

Vamos direto para o problema de sempre: enchente. A manutenção de um metrô em Blumenau incluiria esvaziar os subterrâneos de vez em quando e , certamente, recuperar ou substituir os vagões. A não ser, claro, que a gente invente o primeiro metrô suspenso do mundo. Trilhos acima da cota de 16 metros, para manter tudo seco e limpo.  Tenho para mim que seria tão caro quanto, ou mais. E aí esbarramos novamente na questão financeira, que prometi pular.

Mas, supondo que fosse possível, e  que fosse feito, daria início à uma onda de suspensões, todas acima da cota de 16 metros. Acabaríamos com Blumenau suspensa. Sobrariam no chão apenas a Catedral  e a Igreja Evangélica. Religiosos têm a visão que os fiéis não têm.

Pés no chão novamente: o metrô é inviável. Em Blumenau e em todo o Vale do nosso rio. Sugestão recusada, pois. Com todo respeito.


Mancada!

12 de setembro de 2011 8

Antes da construção de edifícios na Rua XV, no Centro de Blumenau, muitas enchentes já haviam acontecido e estavam registradas na história.

Vai daí que não dá para entender o porquê de, na maioria deles, a cisterna de captação da água de rede seja localizada no subsolo ou mesmo no nível do solo, locais sempre atingidos em enchentes de qualquer tamanho. E então fica o prédio inteiro sem fornecimento de água, mesmo que o fornecimento seja mantido pelo Samae. Há que se aguardar que as águas baixem para então limpar e desinfetar a cisterna e assim poder captar e bombear água para a caixa no alto do prédio.

Um desconforto e uma despesa evitáveis, tivessem os projetistas da época se lembrado que nosso rio sobe de vez em quando.


Choque de realidade

24 de agosto de 2011 5

O parque industrial de Blumenau vai diminuir com a transferência para o município de Barra Velha da tradicional e pioneira  Eletro Aço Altona.

É uma perda e tanto. Para ter uma noção, clique aqui e assista ao vídeo institucinal da empresa.

A decisão foi tomada em razão da necessidade de ampliação física da empresa, que não encontrou espaço em Blumenau. É a versão oficial. Tudo bem, mas aqui com meus botões, botei-me a matutar: uma empresa que precisa escoar permanentemente seus produtos para o mundo, por que ficaria numa região em que as águas, com frequência, a isolam do mundo?

Está se mudando para uma região melhor estruturada, longe de nosso rio mal-humorado, com acesso terrestre, aéreo e portuário. Isto talvez explique melhor a decisão.

Blumenau já mudou, está regulando o foco, vai encontrar sua nova vocação. Que não será  industrial.

Isto  não nos pertence mais.

China x Brasil

10 de julho de 2011 4

A conclusão da ponte mais longa do mundo sobre o mar, pela China - 42 quilômetros de extensão, investimento de US$ 2,3 bilhões e quatro anos de trabalho - está rendendo inúmeros comparativos com prazos e custos das pontes brasileiras.

Damos um banho: nossas pontes custam infinitamente mais, fora os aditivos, e demoram também muito mais. Significa que os chineses fazem tudo às pressas, sem considerar que a pressa é inimiga da perfeição. O material que usam deve ser de péssima qualidade, para custar tão pouco.

Os chineses têm muito que aprender com o Brasil.

Ou ensinar...

Foto: Divulgação

Começou!

18 de maio de 2011 3

Reforma do Maracanã: o gasto estimado pulou de R$ 500 milhões para R$ 956,8 milhões.

Por enquanto.

Não é força, é jeito

08 de maio de 2011 4

Motocicleta não é feita para cair. Vejam bem, refiro-me à máquina que às vezes, por distração ou falta de habilidade, acaba deitada. No caso de moto pequena, nenhum problema, vai no braço. Mas aquelas maiores e mais pesadas - mais de 200 quilos -  geralmente precisam de quatro braços.

Precisavam. Depois de assistir a este vídeo, qualquer marmanjo vai se virar sozinho.

Bombas!

22 de março de 2011 5

Só dão encrenca!

Fala sério, usinas nucleares só dão problemas, e dos grandes. E ainda servem como desculpa para países que pretendem construir bombas nucleares por debaixo dos panos. Se a humanidade tivesse um pouco de juízo, buscaria outras alternativas.

(Foto: divulgação)