Meus leitores sabem que amo os animais, sou um defensor. Mas há uma exceção, há um bicho que dele gosto nem um pouco.
É o leão. Do Imposto de Renda.
Bicho cruel, morde bem sem olhar a quem. Até eu, que mal me sustento, sou mordido.
Dá pra gostar?
Meus leitores sabem que amo os animais, sou um defensor. Mas há uma exceção, há um bicho que dele gosto nem um pouco.
É o leão. Do Imposto de Renda.
Bicho cruel, morde bem sem olhar a quem. Até eu, que mal me sustento, sou mordido.
Dá pra gostar?
Aí o prestimoso cidadão foi, este mês, pagar no vencimento o IPVA anual cobrado de cada proprietário de veículo automotor. Ficou surpreso com o valor cobrado: R$ 1.018.
Considerando que a alíquota catarinense é de 2% do valor do carro, o seu vale, para o Estado cobrador, R$ 50.900.
Acontece que a tabela Fipe, que é a que vale para o mercado, estabelece o valor de R$ 43.786 para o carro em questão.
E agora?
Agora acontece o que acontece sempre, o contribuinte bufa, mas tem que pagar.
Ou não circula.
Segundo o Portal do Impostômetro, este ano recolheremos mais de R$ 1,6 trilhão em impostos federais, estaduais e municipais.
Quinta-feira (2), 12h10min, atingimos a marca de R$ 900 bilhões.
Vocês já botaram tento na conta de energia que pagam todo mês? Está lá, discriminado: 33,95% correspondem ao que foi consumido, tudo o mais, praticamente dois terços, é por conta de:
- transmissão (8,65%)
- encargos setoriais (8,17%)
- distribuição (25,72%)
- tributos (20,94%)
- e Cosip, referente à iluminação pública.
Em miúdos, numa conta de R$ 100, somente R$ 33,95 referem-se ao que foi consumido.
Não deve ser verdade o bochicho que rola na mídia, o de que a presidente Dilma estaria conversando com a Boeing (USA) para trocar o aerolula por um novo avião presidencial igual ao Air Force One que Obama usa.
A indústria aeronáutica brasileira gera milhares de empregos altamente qualificados e produz aviões de última geração que podem – e devem - ser exibidos orgulhosamente mundo afora.
Dilma faria bonito voando neles.
Às vezes fico irritado com as perguntas do Ibsen, aquele norueguês que teima em entender o Brasil e vive ligando. Parece-me que cada pergunta traz embutida uma crítica ao meu país. Menos mal que não são ligações a cobrar. Outro dia, retaliei:
– Ibsen, o teu país tem carga tributária superior à nossa, e olha que a nossa é das maiores do mundo. E aí, como fica?
Antes que respondesse, desliguei, rindo por dentro: ferrei o gringo!
A resposta veio em outra ligação, mais tarde:
– É verdade, aqui quem ganha bem recolhe até 45% para o Imposto de Renda. Mas todas as necessidades básicas são garantidas pelo Estado. O ensino é gratuito até a universidade. A qualidade é tão boa que até os príncipes da Noruega estudam em colégios públicos. Os hospitais, médicos e dentistas dispensam pagamento. A mulher que dá a luz recebe US$ 400 por mês até a criança completar 3 anos de idade e US$ 150 até o filho completar 16 anos. Estudantes que terminam o 2º grau e querem sair de casa têm direito, por lei, a receber do governo US$ 10 mil: US$ 7 mil emprestados a juros de 7% ao ano e US$ 3 mil simplesmente doados. Além disso...
Desliguei novamente, desta vez chorando por dentro.
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que a alta carga tributária dos serviços de telecomunicações é "um escândalo" e limita a expansão do setor.
Boa, ministro! Bota escândalo nisto. Nos pré-pagos, então, é escândalo e meio.
O problema é que os governadores vão chiar, o ICMS é o que pega mais pesado. Mas esta é uma briga que vale, ministro. Milhões de consumidores esfolados estarão com vossa excelência.
Se quiserem saber quanto já recolhemos em impostos até este momento, este ano, clique aqui.
Espantoso, não?