Sou abstêmio, os mais chegados sabem, alguns nem tão chegados também. Abstêmio daqueles de se sentir em casa nos Emirados Árabes Unidos. Dubai, de preferência. Mas nada tem a ver com algum tipo de convicção, religiosa ou moral. É que simplesmente meu organismo não suporta o álcool.
Tem explicação. Na minha idade de engatinhar, meu pai era dono de um alambique, produzia uma cachaça chamada Tirolesa, homenagem a uma égua famosa, campeã absoluta do Jóquei Club, no Rio. Contam meus pais que eu, solto no alambique e engatinhando, encontrei a torneira de madeira de um tonel que pingava. Pingava pinga, claro. Direto ao final: encontraram-me em coma alcoólico infantil, se é que isto existe. Um porre de juntar criancinhas, literalmente.
Vai daí que meu organismo deve ter se saturado. Simples assim. Sou precoce, fazer o quê?
Mesmo assim, socialmente dou meus tragos, quando não há saída. No mínimo seguro o copo a noite toda, fazendo pose, mas consumindo refrigerante. Segundo os nutricionistas, melhor seria que eu eu tomasse uns tragos, o estrago seria menor. Deixa pra lá.
Toda esta explicação aí em cima é para explicar a foto ali embaixo. Na última Oktoberfest posei ao lado de meu Editor-Chefe (no Santa) e amigo, não exatamente nesta ordem, brindando com um robusto copo de chope. Foto rara, creiam. Mas como fazia algum tempo que não tinha oportunidade de confraternizar com o Edgar, gente muito fina, fi-lo.
Fi-lo porque o quis, mas notem o detalhe: meu copo estava cheio, intocado. Admito, porém, que o entornei. No dia seguinte, por causa daquele copo, e somente daquele, estava de ressaca.
O que a gente faz pelos amigos...

(Foto: Brigida Dettmer/Especial)