Morei em Imperatriz, MA, nos anos 70. Clima de Velho Oeste. Certo dia, cobrando uma providência do delegado de Polícia local, dele ouvi um desabafo e uma justificativa de procedimento. Abriu a gaveta de sua mesa, tirou um revólver calibre 38 todo frouxo, mostrou:
- Está vendo isto aqui, galego? Esta é a arma que o Estado me dá para combater bandidos. Então a gente faz o seguinte: os bandidos foram pra lá? A gente vai pra cá, que a gente não é bobo, não!
Isto pouco mudou daquele tempo para cá. Se não pelo armamento, pelo contingente pequeno.
A recordação me veio pelo relato de um morador de Perequê, Porto Belo, que testemunhando um arrombamento, sábado, 18, chamou a polícia que não atendeu seu chamado. O furto foi evitado por um policial vizinho do imóvel, armado de porrete.
Em tempo: os maranhenses me chamavam de galego por causa de minha pele muito branca, que contrastava com a morenice local. Também se referiam a mim como americano. Em suma, eu era um corpo estranho, lá.
Por esta, entre outras, voltei. Aqui ninguém sequer sonha em me chamar de galego.