Sou do tempo em que dias de jogos da Seleção Brasileira de Futebol, mesmo amistosos, eram quase feriados.
Hoje passam em branco. Ou quase.
Sou do tempo em que dias de jogos da Seleção Brasileira de Futebol, mesmo amistosos, eram quase feriados.
Hoje passam em branco. Ou quase.
Eu, que vivi a geração Pelé, chorei.
A Seleção dançou, para nós a Copa acabou. Hora de mudar de assunto. Eleições, talvez, mas aí as limitações da legislação eleitoral atrapalham, o assunto fica capenga.
Enquanto não pinta algo novo, vamos de pitaco final sobre a Seleção Brasileira de Futebol, que já foi chamada de "A Pátria de chuteiras". Se tivesse conquistado o caneco, teria muitos pais (mães?), seria convidada para muitos palácios, fotografaria com altas e ufanadas autoridades e, se a moda voltasse, cada atleta ganharia um fusca zero.
Como deu chabu, foi aquela vergonheira, a Seleção ficou órfã. Mal sabe ela que esta é a única coisa boa de sua patética trajetória nesta Copa.
Valther, a África do Sul amanheceu 3/4 verde e amarelo, e a pequena parte que sobrou era laranja. Os jornais traziam grandes manchetes e fotos saudando, especialmente, a Seleção Brasileira. Os sulafricanos, brancos, negros e indianos eram unâmines na sua torcida pelo Brasil. Parecia que tudo conspirava a nosso favor.
Nem deu tempo de ficar nervosa, pois Robinho fez a minha alegria. Tudo era lindo. E... de repente, os holandeses descobriram que os brasileiros podiam afinar as peças do carrossel e nós acabamos por chupar a laranja. Azedíssima, por sinal. Como diz meu amigo português: "quem tem mãe, tem tudo, quem tem Dunga não tem nada". Arigatô, senhor juiz.
Sem abraços, Mariana
De Mariana Kloeger, direto da África do Sul:
"Valther, estou com vontade de nem sair de casa amanhã, com a minha linda bandeirinha desfraldada ao vento. Todos verão que sou daquele país que tem uma seleção que às vezes deixa a gente irritada e sem graca. Todos irão identificar-me como compatriota daquele treinador teimoso e sempre com cara de... de quê mesmo? Impublicavel!
As pessoas vao ver uma unha da minha mao direita linda e artisticamente pintada em verde, amarelo, azul e uma estrelinha toda graciosa, e vão descobrir que, sim, sou brasileira e orgulhosa de o ser, mas que a seleção do meu país decepcionou, com um futebol sem brilho, ou como diria minha avó, borocochô. O que elas não sabem é que devorei uma barra de chocolate com frutas e nozes para acalmar meu aborrecimento, e, de quebra, a famosa dor na boca do estômago. Não sabem tambem que vi o jogo enrolada em um cobertor que tem a nossa bandeira estampada, e que chorei, e muito, ao ouvir e cantar nosso hino. Tão lindo ver nossos rapazes com a mão ao peito, cantando com vontade, para depois descer o sarrafo nos adversários, e vice-versa, jogar pedrinhas e enrolar a todos aquelas milhares de pessoas vindas de tantos e tão distantes lugares com aquele irritante futebol, naquele estádio maravilhoso. Aliás, acho que foi ele, o estádio, que salvou o espetaculo. Uma pena.
Abraço triste e beijo sem graça.
Mariana"
"Valther, tem uma música de 1998 cujo autor também é Gabriel, o Pensador, que retrata ainda hoje a questão abordada naquele tempo. Chama-se “Brazuca”. Recomendo dar uma olhada e prestar atenção na letra da música. Brasil x Copa, Futebol x Problemas Esquecidos.
Vale a pena conferir e se for o caso até postar no blog.
Um abraço.
Fritz"
Valther, ontem resolvi não dar atenção à minha dorzinha na boca do estômago e saí. Fui ao café, juntei-me aos portugueses, altas discussões sobre a seleção deles, todos muito portugueses para o meu gosto, todos com aquele sentimento de " já perdeu", esta seleção nao vale nada, e por aí afora. Pareciam que estavam no Bairro Alto, Lisboa, fados ao fundo, roupas pretas. Pensei: que coisa mais deprimente!
Italianos passam pra lá e pra cá, com suas camisas azurras e vuvuzelas barulhentas, todos esperançosos, e foi o que se viu.
Entro no supermercado e vejo os jornais locais. Um trazia a manchete: "Adeus, Carlos! (Parreira)". Outro: "Mandela pede honra e gloria aos Bafanas", e outro ainda, "Danny Jordan pede exaltação e orgulho aos jogadores sulafricanos". Não compro nenhum deles, so miséria, fico por ali, sem querer pensar no " nosso jogo". Na hora do almoço minha filha liga daí.
- Entao, mãe, tens algum palpite?
Como estava deprê com tantas coisas que havia ouvido e lido, larguei um "Tô com medo" muito sem graça. Ela, toda positiva tentou levantar meu moral. Mas não deu muito certo. Depois, liga meu filho daí da ilha.
- Mãe, nao vai ser fácil.
Pronto, fiquei pior ainda. E veio o jogo, e a dorzinha veio tambem, mas em forma de dorzona, e nem me lembro do resto, só de ter torcido muito, chutado o ar, pulado, só um pouquinho e hoje tudo esta muito mais bonito. E ao cubo.
Beijo verde e amarelo, com estrelas no azul do frio de Johannesburg.
Mariana Klueger
Ontem, 16, um senhor respeitável completou 60 anos. Apesar da idade avançada, não houve por parte da mídia nenhuma grande menção ao feito. E olha que estamos em plena realização de mais uma Copa do Mundo de futebol.
Esse senhor chama-se Estádio Jornalista Mario Filho ou simplesmente , Maracanã. Fundado em 16 de junho de 1950, o Maracanã foi criado exclusivamente para sediar a fatídica copa do mundo de 1950, onde as lembranças não são das melhores. O Maracanã foi inicialmente construído para comportar 166.369 pessoas, entre a geral (reaberta em 1999), arquibancada, cadeiras comuns, cadeiras especiais, camarotes e tribunas. No dia 31 de Agosto de 1969, nas eliminatórias da Copa do Mundo de 70, o jogo Brasil e Paraguai recebeu 183.341 torcedores (recorde de público da história do Maracanã).
Foi um jogo que entrou pra história do maracanã e olhem qual era a escalação do Brasil: Félix (Fluminense-RJ), Carlos Alberto Torres (Santos-SP), Djalma Dias (Santos-SP), Joel Camargo (Santos-SP) e Rildo (Santos-SP); Wilson Piazza (Cruzeiro-MG) e Gérson (Botafogo-RJ); Jairzinho (Botafogo-RJ), Tostão (Cruzeiro-MG), Pelé (Santos-SP) e Edu (Santos-SP). Técnico: João Alves Jobim Saldanha.
Podem notar que nessa seleção de craques a base, era o time do Santos. A minha geração ( em torno de 50 anos) nunca viu uma Copa do Mundo em seu País. Torçamos que em 2014 estejamos saudáveis para poder estar lá e ver uma final onde o Brasil se consagre mais uma vez Campeão do Mundo de Futebol. Seria o êxtase para quem gosta de futebol. Parabéns Maracanã.
Paulo Curvello
Bom dia Valther, ontem acordei com frio, muito frio, estava tudo gelado. Pensei no jogo da noite e deu aquela famosa dorzinha no estômago. Putz, de novo? Ouço e assisto copas desde os primórdios de 1958, já devia estar acostumada, mas que nada, lá estava ela, a dorzinha.
Trabalhei, fui ao supermercado, cozinhei, vi o jogo de Portugal, torci muito, mas não deu certo. A tarde caindo, o frio apertando, fiz o jantar, acendi a lareira e preparei-me para ver a " canarinha", como dizem por aqui. Além da lareira, coloquei uma bolsa de agua quente nos pés, tanto era o frio. Via as pessoas no estadio agasalhadas, mas sem perder o espírito de torcida. Bonito, pensava, mas prefiro estar aqui, aquecida.
Foi aquele sufoco, e hoje a primeira frase que vejo no Santa é: Brasil venceu mas não convenceu. Matuto: será que algum dia convenceremos? Respondo a mim mesma: não precisa, o importante foi vencer. Tiro as cinzas da lareira e abro a porta da cozinha. Meu carro esta coberto da mais linda geada ( hoje tudo é lindo) e imagino se aquele gelo nao podia ser verde/amarelo.
Beijo gelado, direto de Johannesburg,
Mariana Kloeger