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FILHOS, MELHOR NÃO TELÓS

25 de janeiro de 2012 2

Susan Liesenberg, além de uma linda mulher, é jornalista. Já foi minha colega (no Santa) e continua minha amiga, o que é um privilégio. Amizade é quase amor, já disse alguém, e permite pequenos abusos, digo eu. Cometo um agora, publicando este texto de sua autoria sem pedir autorização. Os leitores deste blog certamente agradecerão minha iniciativa que, na verdade, é uma homenagem àquela cabeça mais linda que tudo o mais.

*

Quem ama uma arte de verdade não critica a alheia. Entende que cada arte faz cada um sentir para si o que sente em si, e isso é inquestionável. Você sente o que sente quanto ouve a “sua música”, “aquela música”, “a música”, “a nossa música”, “música”, “aquela”. E gosta “porque gosta dela” porque gosta dela. Não dá pra explicar. Não é pra explicar. Não se explica, só se sente. Futebol, música, um amigo foda, “Michel Teló” – a grande “saga de amor e intrigas” do Facebook essa semana -, a gente simplesmente se apaixona por aquilo que toca a gente. A gente ‘é’ aquilo. Into the wild na gente, gente. Sabem como é, né? Gente. A gente. Então… * Como ter a pretensão de dizer se o amor do outro vale a pena ou não? Quem se dá o direito de se intitular senhor das estimas alheias, das estimas “dessa merda que o povão gosta”? A gente pode não gostar, deve não gostar. É saudável o debate. Mas isso não nos dá o direito de atuar neste processo – e diante deste sentimento a que ele corresponde – com a mesma força ofensiva com que deliramos que nossos valores – conforme consideramos serem “os valores” realmente dignos – mais caros tenham sido atingidos. * ‘A gente’ se sentiu ofendido pelo sucesso do Michel Teló, “essa merda desse sertanojo” que “deu até na Forbes” (para o pavor dos leitores “broadsheet” que acham que sabem mais do que os outros porque “o jornal é difícil de folhear”, e isso indica complexidade na leitura compenetrada em desdobrá-lo). Não foi ele quem nos atacou. Fomos nós. * O que nos incomoda no Teló? O que incomodou tantos de vocês no Teló, na capa da Época, no “recheio” da revista? Incomodou a intolerância em que a gente vive com quem admite que gosta daquilo que gosta porque a gente não tem coragem de assumir o que ama por sustentar pose demais pra isso, além de insistir em não querer ver quem é porque tem medo de poder, eventualmente, dançar “nossa, nossa… assim você me mata”. O que é bem brasileiro. Ok, Grimaldis? Aproveitem Trancoso. E relaxem. “Delícia, delícia” ser cool!

Susan Liesenberg