Fantástico!
Fantástico!
Nosso maior maratonista, Raul Cardozo, é um fenômeno. No último dia 14 correu sua 92ª Meia Maratona (21 km), em Fortaleza (CE), sob um sol de rachar.
Fez bonito, segundo lugar em sua categoria, com o tempo líquido de 1h56m53s.
E olha que o Raul já não é garoto. Mas parece.
É só uma questão de tempo para emplacar a centésima.
Já postei este vídeo aqui, faz um tempão. Já o assisti tantas vezes, assistirei outras tantas.
Não há necessidade de explicar.
A tragédia de Santa Maria já está ocasionando uma corrida às casas noturnas para avaliação dos equipamentos de segurança. Mas, lamento dizer, isto valerá até a comoção passar. Depois tudo voltará a ser como sempre foi.
Tragédias assustam, mas raramente ensinam. Vide o trânsito.
A tragédia em Santa Maria, RS, é tão superlativa, tão dolorida, que num primeiro momento não se pode fazer outra coisa senão sofrer, chorar, querer que tudo não passe de um pesadelo.
Lembrando o poeta John Donne, " a morte de cada pessoa diminui-me, porque sou parte do gênero humano".
Não vou escrever sobre a tragédia. Não agora. Vou chorar, apenas, para aliviar a agonia da alma.
O amigo aí tem um tempinho, a amiga que me lê aceita uma sugestão?
Então ouça esta canção de Oswaldo Montenegro, aliás, preste atenção na letra.
São apenas três minutos e cinco segundos.
Mas valem.
Ademar Ferreira Mota, 63 sofridos anos, mineiro que deu com os costados em Itajaí, foi o protagonista de O Vendedor de Versos, filme-reportagem produzido pelo Grupo RBS. História pungente de um brasileiro que sobrevive de vender sua poesia intuitiva. Usava a bicicleta para correr o mercado oferecendo suas inspirações.
Usava, pois seu único bem, além do talento, foi furtado. Igual outro poeta, Mário Quintana, Ademar mora em si mesmo.
Alguma alma boa e sensível poderia doar uma bicicleta ao poeta popular? Seria uma doação também à poesia.
A Maratona de Blumenau, considerada “a mais rápida das Américas”, ressurge em seu percurso original depois de uma interrupção que durou seis anos. Se maratonas tivessem sinônimo, o da de Blumenau seria Raul Cardozo, que por 21 edições a organizou e tornou famosa.
Menos reverenciado do que merece, Raul é um fenômeno: além de maratonas no Brasil e no exterior, participou, também como atleta, da 1ª Meia Maratona Bela Vista Country Club, em julho de 1985, e de todas as que se sucederam. Deve ser um recorde.
Neste domingo, agora sessentão, estará correndo novamente.
Tudo bem, foram 75 anos de portas abertas, o pessoal do Bairro da Velha tinha como patrimônio seu, mas uma dia até as portas chegam ao fim. Ou são fechadas. O Mercado Weise encerra uma história e tanto, mas quem disse que tem que ser entre choro, tristeza e lágrimas?
Seus proprietários, Alíria e Rui, fizeram um encerramento festivo, com o bom humor e a alegria de sempre. É o fim de uma história, começo de outra. Vamos festejar a vida, que a vida continua.
(Foto: Jandyr Nascimento/JSC)