
Lembram do Twitter Generator? Assunto da semana passada, muitos de vocês diriam. Mas é exatamente essa "indústria do hype", das modinhas passageiras na web, que essa ferramenta critica.
O Generator foi criado por Alex Primo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a partir de suas observações sobre o que as pessoas tuitam - lá, ele é @alexprimo.
Está disponível em tinyurl.com/tgenerator e oferece frases prontas a quem acordou sem inspiração e não quer ficar sem o que dizer no microblog. Na verdade, é uma "grande piada", disse Alex à coluna.
- Há certos padrões, a reclamação sobre o tempo, o bom dia, gente que reclama disso, as piadas, os retweets.
A crítica é, portanto, à trivialidade de nossas mensagens no microblog. Quanta bobagem não tuitamos, hein?
Alex também quis chamar a atenção para a fugacidade dos fenômenos na web. Tanto que criou um hype sobre o Generator, a tal "tecnologia revolucionária". Hoje, há uma certa ansiedade pelo novo, comenta.
A velocidade na busca do próximo hype faz com que o antigo seja logo esquecido. Só não entendam mal: o próprio Alex não acha que exista um uso certo ou errado do microblog:
- Como ferramenta de comunicação, se presta aos diferentes usos. Se acho inadequado o que alguém diz, é só dar unfollow.
*Publicado originalmente nesta quarta-feira no caderno ZH Digital - Tecnologia na Cabeça #103
O que é o Twitter Generator?
"É uma crítica, uma ironia, uma grande piada. Assino umas 3 mil pessoas, de todos os tipos, e usei isso para pegar essa percepção do que as pessoas dizem no dia-a-dia. Comecei a observar que há certos padrões: a reclamação sobre a chuva, o bom dia, gente que reclama de quem dá bom dia, as piadas e os RTs.
O Twitter Generator é a concretização da minha percepção dos padrões interativos do Twitter."
As pessoas entenderam a piada?
"Muitas entenderam, outras não e diziam que ótimo, que bom que agora tem o Twitter Generator. Vi muitas poucas críticas de pessoas dizendo que faltava mais pesquisa, que as frases estavam se repetindo."
Também tem a criação do hype...
"Um dia antes comecei: "vou lançar uma tecnologia revolucionária que vai mudar a forma que você usa o Twitter". Tinha gente passando adiante. Na quarta, quando apertei o Enter, foi impressionante a velocidade que retuitaram."
O que determina essa constante criação de hypes?
"Existe hoje uma certa ansiedade pelo novo. Isso também é um pouco assustador. O francês Paul Virilio diz que essa ansiedade é tão grande que cria uma indústria do esquecimento. Semana passada, as pessoas falavam do Twitter Generator. Hoje, elas não lembram mais. Eu queria criar um hype, deu certo. Agora, não é mais hype, é ontem.
O Twitter Generator é uma crítica também ao marketing viral, a essa indústria do esquecimento, a fugacidade dessas modas na internet e às bobagens que se diz."
Mas tu mesmo dizes que não há um uso certo ou errado do Twitter. Por quê?
"Não é errado dar bom dia no Twitter. Isso é o bacana das pessoas terem assumido o Twitter e dado os seus usos para ele. Como ferramenta de comunicação, se presta aos mais variados usos. Não há certo ou errado. O que vai determinar é a comunidade, o grupo. Se acho que é inadequado o que alguém diz, desassino a pessoa."


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