Aí está o texto publicado na coluna Tecnologia na Cabeça desta semana nos cadernos ZH Digital (ZH) e Clicar (A Notícia):
Bem-vindo ao futuro. Os computadores desapareceram, e a internet está em todos os lugares. Você ganhou mais longevidade com avanços na medicina que vão de pílulas contendo chips e câmeras para analisar seu corpo a órgãos humanos criados em laboratório. Há chip até no seu cérebro, afinal, é com o pensamento humano que as máquinas são controladas. O seu carro dirige sozinho, há projeções em 360º na sua sala de estar e no seu vaso sanitário, vejam só, está a cura para o câncer.
Quem nos guia por esse cenário futurista é o cientista norte-americano Michio Kaku (foto), conhecido como “o físico do impossível”. Kaku, que é professor da Universidadede Nova York (EUA), foi a principal atração da Campus Party, festival de tecnologia e inovação realizado na semana passada em São Paulo.
– No futuro, você falará para a parede da sala: por favor, mude de cor ou de design, e bingo, ela muda - afirmou.
Crédito da foto: Cristiano Sant'Anna, indicefoto.com, divulgação
Para o cientista, a Lei de Moore (segundo a qual o poder computacional dobra a cada 18 meses) é a mais importante da história moderna, e dela depende o futuro das riquezas das nações. Por isso Kaku acredita que, em 2020, os chips custarão um centavo e serão descartáveis. Os computadores como conhecemos hoje terão desaparecido, mas o poder computacional estará em todo lugar e de forma invisível, assim como é hoje com a eletricidade, sob o chão, no teto e nas paredes. A internet do futuro estará na sua roupa, nos seus óculos e nas suas lentes de contato.
– No filme Exterminador do Futuro, quando o robô olha você, aparece a descrição de quem você é. Assim viveremos no futuro. Viveremos como no filme Matrix. Quando você fala com alguém, sabe quem é essa pessoa. Se ela fala chinês, você vê a tradução em tempo real – projeta Kaku.
O cientista antecipa ainda a cura do câncer. DNA chips estarão presentes no seu vaso sanitário para diagnosticar a doença a partir de seus fluidos corporais anos antes de ela se formar.
– A palavra tumor desaparecerá da nossa língua – prevê.
Mas o avanço da ciência e tecnologia virá a um certo custo, o da privacidade. Kaku recorda que, no início da internet, com o seu uso militar, o medo era do Big Brother (Grande Irmão, em português). Hoje, o problema é o “pequeno irmão”, diz o cientista, referindo-se, por exemplo, aos seus vizinhos sabendo tudo sobre a sua vida. Com a leitura da mente, precisaremos de dispositivos de bloqueio para proteger nosso pensamento – da mesma forma como hoje há firewalls para evitar invasão de computadores.
Apesar de os robôs atuais terem, segundo Kaku, a inteligência de uma “barata estúpida”, essas máquinas evoluirão a ponto de substituir trabalhadores em atividades repetitivas. Os profissionais do futuro, portanto, terão de oferecer algo que robôs não têm: imaginação, criatividade, talento e experiência.
– Máquinas não podem criar rock and roll – pondera Kaku, ao mencionar um futuro em que a riqueza não estará em commodities, mas sim em capital intelectual.
Quem é
Referência em física teórica, Michio Kaku é coautor da Teoria das Cordas. É um cientista pop, com aparições em programas de TV. Em sua passagem pela Campus Party, aproveitou para promover seu novo livro, A Física do Futuro, em que apresenta o mundo de 2100 com base em entrevistas realizadas com 300 cientistas.
Vanessa Nunes cobriu a Campus Party a convite da organização do evento
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