Gostando ou não, o debate sobre privacidade online é daqueles assuntos que não dá para fugir. E isso vai muito além da preocupação com fotos e comentários comprometedores postados nas redes sociais. O ditado da vez é "diga-me o que curtes, e eu te direi quem és".
Crédito da foto: Karen Bleier, AFP
O alerta é de um estudo de pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Microsoft Research, que analisaram dados de 58 mil usuários do Facebook nos Estados Unidos. Eles criaram um algoritmo que usa as curtidas na rede social para criar perfis com a personalidade da pessoa. De acordo com o estudo, esse tipo de dedução se mostrou eficaz para revelar informações pessoais como orientação sexual, visões políticas, idade, inteligência e religião.
A pesquisa sugere ainda que esse tipo de dado "pode abrir novas portas para o estudo em psicologia humana". Aos interessados, dá até para fazer um teste básico no site www.youarewhatyoulike.com (Você é o que você curte, em português).
Lembro da época em que eu tinha que explicar para as pessoas o que era o tal do Twitter. É como se aquele fosse um outro mundo... Os smartphones ainda não eram tão onipresentes, as pessoas achavam que era besteira um site para dizer o que se está fazendo. Mas muita coisa mudou de lá para cá - e numa velocidade incrível.
Então eu acho lindo ver que pessoas que anos atrás eu evangelizei sobre o uso do Twitter hoje são tuiteiras muito mais ávidas do que eu. É verdade que meu entusiasmo com o Twitter morreu há alguns anos. Eu já não me divirto lá, tenho um certo saudosismo pela internet de 2008 e 2009, mas o Twitter sempre terá um lugarzinho cativo no meu coraçãozinho nerd. É um serviço que, afinal de contas, mudou completemente a internet.
Toco no assunto porque hoje o Twitter está fazendo sete anos, e há muito motivo, siiiiimmm, para celebrar:
Volta e meia acontece comigo: alguém me marca no Instagram em fotos que considero um tanto constrangedoras ou diz lá no Twitter que sou fã de um desses cantores venerados por adolescentes. Essas mensagens pipocam no meu telefone, mas a Vanessa Nunes a que essas pessoas se referem são minhas homônimas.
Um exemplo: no que depender desta foto aí ao lado, que menciona meu username no Instagram, sou loira, pirralha chata e amada. Só no Instagram contei outras 18 pessoas que compartilham comigo nome e sobrenome.
Pode até ser uma baita gafe de etiqueta nas redes sociais sair marcando arrobinhas alheias por engano nas mensagens, mas muita gente está nem aí. Então como reagir? Ficar quieto ou responder?
O divertido Tumblr tioique.tumblr.com é sobre isso. "Estranhos usam meu username sem querer no Instagram. Eu vou lá e comento", diz a página, criação do consultor financeiro carioca Henrique Luz, o @henrique no Instagram.
Crédito das imagens: reprodução
- Essas menções por engano me incomodavam. No início, até respondia dizendo que não era eu, mas só recebia desaforos de volta. Então comecei a deixar comentários irônicos como forma de alertar que não era eu mesmo - afirma Henrique.
Quem tem um username com nome de pessoas famosas é ainda mais bombardeado com menções equivocadas. A americana Sarah Wu, que é @sarney no Twitter, chega a deixar estampado em seu perfil, em português, que não é José Sarney.
O que leva as pessoas saírem marcando as outras na redes sociais sem se importar se estão usando o correto nome de usuário, ou incluindo um estranho na mensagem? Para Henrique, isso é sinal de falta de conhecimento da ferramenta.
Mas isso também pode ser preguiça, né? Então fica a dica: na hora de incluir uma arrobinha em uma mensagem, gaste alguns segundos para checar antes se o username mencionado é o da pessoa em questão.
* Texto publicado na minha coluna desta semana na ZH impressa
Quando se fala em backup, você logo pensa nas fotos armazenadas no seu computador, certo? Mas também é uma boa ideia inverter a lógica, e guardar no seu computador uma cópia do que você tem nas redes sociais. Veja como:
* No Facebook, vá em Configurações da Conta. É lá que fica a opção "Baixe uma cópia dos seus dados do Facebook". O material inclui fotos e vídeos compartilhados por você, publicações de mural, mensagens, os nomes de seus amigos e endereços de e-mail. Há opção ainda de baixar um arquivo expandido, que traz informações sobre seus logins, aplicativos usados, os contatos que você excluiu e até uma lista de tópicos com base nos quais você está recebendo anúncios.
* No Twitter, é preciso estar com a conta em inglês para acessar o recurso. Vá em Configurações para mudar o idioma. Ao salvar a alteração, aparecerá a opção "Request your archive" (Solicite o seu arquivo). O documento será enviado por e-mail para você.
* Para ter no seu computador uma cópia de suas fotos do Instagram, acesse o site instaport.me. Você faz o login no Instagram e pode então definir o que deseja baixar, como todas as suas fotos ou até mesmo as imagens que você curtiu ou as que tenham determinadas hashtags.
*Texto publicado na minha coluna desta semana na ZH impressa
Você já ouviu falar em uma rede social chamada Tuenti? Pois saiba que é um dos sites mais populares da Espanha.
A comparação com o Orkut é inevitável no sentido de que também tem o uso concentrado em um país e o desafio de lidar com os avanços do Facebook. Mas enquanto o Orkut - ex-bambambã da internet brasileira - vem perdendo cada vez mais relevância internet tupiniquim, os espanhois seguem mais fiéis ao Tuenti.
Qual o segredo?
Bem, assisti hoje à tarde, via streaming, à palestra de Zaryn Dentzel, fundador e CEO da Tuenti, na Campus Party Brasil (imagem abaixo).
Crédito da imagens: reprodução
Para Dentzel, o importante é manter o foco, o que não significa ficar parado no tempo. Ele lembrou que o ambiente de tecnologia está sempre mudando e que é preciso acompanhar.
- O Orkut ficou preguiçoso. Não investiu em tecnologia e inovação como deveria - afirmou.
Dentzel comentou que, quando o Tuenti foi lançado, em 2006, as pessoas achavam que era loucura lançar mais uma rede social. Para ele, esse papo de que o mercado está saturado não cola muito:
- A disputa [no mercado de redes sociais] ainda não acabou. Está apenas começando.
Com o avanço do Facebook, o Orkut já não tem mais a importância de outrora. Embora relegado, não dá para esquecer que o Orkut marcou uma era na internet brasileira: foi quem alfabetizou muitos de nós no mundo das redes sociais.
Aproveitando a data, vale assistir ao vídeo "Ainda tô no Orkut". Presta atenção na letra. Dá até uma certa nostalgia.
Acabo de me fazer a pergunta: quando foi a última vez que escrevi um post sobre o Orkut? Pois é, faz tempo que aquele que um dia foi o site mais importante da internet tupiniquim não ganha minha atenção aqui no blog, enquanto o Facebook - o bambambã da vez - é assunto frequente.
O irônico é que a explicação para um dos grandes assuntos da semana - o Brasil ter sido o país que mais cresceu no Facebook em 2012 - está no Orkut.
Para quem acompanhou de perto o fenômeno Orkut no Brasil, a invasão da brasileirada no Facebook parece tão natural. É algo que precisa ser analisada em um contexto cultural maior: o brasileiro é ávido por socialização na internet, tanto que havia se adonado do Orkut de uma forma impressionante, a ponto de o serviço hoje ser gerenciado pelo Google no Brasil.
Embora o Orkut tenha perdido importância na internet tupiniquim, a gente não pode esquecer do seu legado: o Orkut moveu durante anos a inclusão digital do brasileiro. É que rede social acaba sendo uma motivação para as pessoas acessarem a internet. Eles querem se comunicar com amigos e parentes. É como se fosse um primeiro passo na internet. Como o Orkut perdeu importância no país, esse papel hoje de alfabetização digital é do Facebook.
Embora o Facebook seja hoje o centro de nossas vidas digitais, uma pergunta é inevitável: até quando será tão relevante assim?
Volta e meia comento aqui no blog o meu atual desencantamento com as redes sociais. Sou da opinião de que o Facebook virou "paisagem". Não podemos deixar de marcar presença lá, mas qual é mesmo o proveito que estamos tirando disso tudo?
Durante os últimos anos, o Facebook foi acumulando informações sobre a gente e a nossa rede de contatos. Dados, dados e mais dados. Ou vai dizer que você nunca se sentiu sufocado por sua timeline?
Por isso acho a nova busca social algo tão promissor. Ela nos ajudará a ir direto ao ponto, a achar o que realmente importa, como recomendações. Quais os restaurantes mexicanos em Porto Alegre que meus amigos curtem? Quais dos meus amigos se interessam por tecnologia e moram em São Paulo? Quais dos meus colegas de trabalho já foram para Nova York? Que tipo de música meus parentes gostam? Fotos de Paris postadas por meus amigos?
Crédito: Facebook, reprodução
Ou seja, o grande mérito da nova busca social do Facebook é ajudar a organizar o montão de informações disponíveis na rede social. Com isso, o Facebook ganha - veja só - em relevância.
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A busca social ainda não está disponível para todo mundo. Para testá-la, é preciso entrar em uma lista de espera em www.facebook.com/about/graphsearch.
Ainda bem que a Califórnia não está na lista, porque ninguém ia gostar de ver Chad Hurley, um dos fundadores do YouTube, se incomodando por causa de uma foto tão singela como esta aí:
Crédito: Instagram, reprodução
Gostemos ou não, esta é a era do oversharing. Só que uma coisa é "instagramar" o cachorro, o céu ou o jantar. Outra, para pegar um exemplo tupiniquim do último final de semana, é postar uma foto da prova do Enem.
O design do site tem servido de inspiração para os mais variados serviços online, que o digam Medium (ferramenta de publicação dos mesmos criadores do Twitter), RebelMouse (agregador de conteúdo de redes sociais), Pingram (para ver fotos do Instagram), Chill (para vídeos) e até o novo MySpace. Nem o site de compras eBay resistiu à onda e sofreu uma repaginação (na imagem abaixo) que o deixou a cara do Pinterest.
Crédito: eBay, reprodução
Agora, o que aponta como ameaça para valer ao Pinterest é o Facebook Collections, um recurso que a rede social mais popular do planeta começou a testar nos Estados Unidos em parceria com redes varejistas. A ideia é que os usuários possam querer, colecionar ou curtir produtos, e até montar sua coleção de itens de desejo.
Esse é mais um esforço do Facebook em prol do f-commerce, o comércio pela rede social. Outra recente investida na área foi o Gifts, recurso lançado no final de setembro nos Estados Unidos e que permite comprar e enviar presentes pelo Facebook.
* Texto da coluna Tecnologia na Cabeça desta semana
Uma rede social com 1 bilhão de usuários ativos - feito atingido pelo Facebook na última quinta-feira - é algo que impressiona, só não dá para esquecer das outras 6 bilhões de pessoas que não estão no Facebook.
Dois terços da população sequer estão incluídos digitalmente. Dados da International Telecommunication Union apontam que o número de internautas no mundo chegava a 2,3 bilhões no final de 2011. É de se levar em conta ainda que o Facebook tem acesso bloqueado em alguns países, inclusive no maior mercado de internet do mundo, a China. Os chineses contam com suas redes sociais próprias, como o Qzone (qzone.qq.com) e o Renren (renren.com).
Entre pessoas conectadas, as redes sociais ganharam o status de centro de suas vidas digitais, ganhando cada vez mais adesão até de crianças. Um indicativo disso vem de um estudo divulgado na semana passada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil: 42% dos internautas brasileiros de 9 e 10 anos já contam com perfil próprio em sites do tipo.
Como o Facebook virou a maior referência no assunto, é como se não estar no Facebook fosse quase como não estar na internet. É exagero, mas quem opta por um "facebookcídio" tem que lidar com uma nova espécie pressão social:
- Geralmente as pessoas estranham. Alguns reclamam porque fica mais difícil entrar em contato comigo. Na prática, o que acontece é que ficam "obrigados" a me mandar um e-mail - relata o desenvolvedor de software André Valenti, 26 anos, que deletou sua conta no Facebook há seis meses.
Valenti tinha aderido ao site em 2011 por insistência de parentes que queriam ficar por dentro das novidades de sua vida. Ficou empolgado no início, mas depois se deu conta de que o Facebook estava consumindo muito de suas horas livres.
Rede sociais são dispersivas, e nem todo mundo tem tempo e a paciência necessária para ficar lidando com notificações chatas ou a enxurrada de informações irrelevantes compartilhadas online. Para muitos internautas que dizem não às redes sociais, outro fator que pesa é a preocupação com privacidade e, portanto, segurança. No caso do Facebook, também há cada vez mais descontentamento de usuários com práticas da rede social, como os recursos que vai empurrando de uma hora para a outra sem avisar, ou como ganha dinheiro às custas do que compartilhamos lá.
Quer saber mais sobre a vida sem Facebook?
A dica do blog é dar uma conferida no projeto 100face.com.br (imagem acima), que reúne cem brasileiros contando a experiência de ficar cem dias sem o Facebook. Pelos relatos, há quem não aguentou sequer duas semanas e teve recaídas...
O Facebook levou cerca de seis anos e meio para chegar a meio bilhão de usuários. Dobrou isso em pouco menos de dois anos e dois meses. É um feito impressionante, atingido nesta quinta-feira.
Do total de 1 bilhão de usuários, 600 milhões acessam a rede social de dispositivos móveis.
O Brasil é um dos cinco países que mais povoam o Facebook. Os outros são Estados Unidos, México, Índia e Indonésia.
A média de idade do usuário da rede social é 22 anos.
E mais dados interessantes divulgados pelo Facebook: desde fevereiro de 2009, foram 1,1 trilhão de curtidas. As fotos publicadas chegam a 219 bilhões desde o segundo trimestre de 2005.
O Facebook acumula 140,3 bilhões de conexões de "amizade". Coloco o termo entre aspas para não esquecer de que as redes sociais banalizaram o uso da palavra amizade, e que nem todo contato virtual é de fato do nosso círculo de amizade.
Ah, o Facebook também divulgou este vídeo aí, que passa a mensagem de que talvez o motivo pela qual as pessoas se conectam é que isso as lembra de que elas não estão sozinhas.
Ah, e os outros 6 bilhões que estão de fora do Facebook? Este é o assunto da minha coluna da próxima quarta-feira no ZH Digital.
É um pouco injusto comparar o Instagram com o Twitter. Embora ambos sejam redes sociais, seus usos e propósitos são bem diferentes. Não concorrem entre si, e muitas vezes são usados de forma combinada.
Mesmo assim, vale a pena pensar um pouquinho sobre uma pesquisa da comScore divulgada pelo AllThingsD apontando que o Instagram teve 7,3 milhões de usuários em dispositivos móveis por dia em agosto nos Estados Unidos, contra 6,9 milhões do Twitter. Em média, cada usuário passa 257 minutos por mês no Instagram pelo celular, contra 170 minutos de acessos móveis ao Twitter.
O meu uso do smartphone está em sintonia com essa pesquisa. Aliás, é interessante notar como nossos hábitos online vão mudando com o tempo. Se há alguns anos eu ficava vendo tweets no elevador, hoje gasto esse tempo no Instagram.
Isso não quer dizer que o Instagram é mais legal ou importante que o Twitter. Mas isso significa que, sim, neste momento, o Instagram está mais divertido que o Twitter. Tenho tentado entender por que eu passo mais tempo lá do que no Twitter ou no Facebook quando estou no smartphone.
Minha primeira hipótese começa pelo fato de que o Instagram é uma rede social mais recente. Só tem dois anos, enquanto o Twitter existe desde 2006. Eu era uma usuária ávida de Twitter em 2008 e 2009, depois meu entusiasmo foi caindo. É algo natural, já que nossos usos de serviços online têm lá as suas fases.
Só que o fator que está mais me prendendo ao Instagram é o tipo de conteúdo que encontro lá. O Instagram tem um quê mais intimista do que o Twitter ou Facebook. Permite acompanhar melhor o que está acontecendo com os nossos amigos e como eles estão vendo o mundo. Lá eles se mostram de forma mais transparente, e o que eles têm a mostrar não vem soterrado em meio a outros tantos posts sobre coisas online compartilhadas por eles. O Instagram aponta para uma realidade mais palpável.
E mais: o Instagram não é o lugar em que seus amigos vão para ficar comentando o que está passando na TV. Além disso, é um ambiente menos corporativo e marketeiro que o Twitter. Embora as marcas o estejam invadindo com tudo, o Instagram ainda é hoje mais sobre os seus amigos do que sobre anúncios e promoções.
Soma-se a isso o poder de síntese que as imagens têm. Se você quer matar tempo enquanto está em uma fila, ver fotos é o tipo de coisa que pode ser mais divertido que ler textos e ficar clicando em links na telinha do smartphone.
Quem aí ainda lembra dele, o MySpace, outrora rede social mais popular do planeta?
Pois o MySpace vai passar para uma BAITA transformação. Embora o foco continue sendo música, a interface da rede social foi completamente redesenhada em algo a la Pinterest. Dá para ter uma prévia neste vídeo aí:
Interessado? Passa em new.myspace.com e informa o e-mail para ser avisado de quando o novo MySpace estiver disponível.
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E falando em MySpace...
O BuzzFeed criou um app que permite levar o visual do (velho) MySpace a sua página no Facebook. Experimentando a brincadeira em myspace.buzzfeed.com fica fácil entender por que o MySpace foi perdendo relevância na internet.
Antes de encarar mais uma segunda-feira, vamos a alguns destaques dos últimos dias no mundinho tech:
* O iPhone 5 chegou às lojas em nove países (ainda não há data oficial de lançamento no Brasil). Aqui na cidade onde moro tem uma Apple Store, e eu fui lá conferir o bichinho de perto. Não comprei, mas achei gritante a melhoria de design (tela maior, mais leve e fino, sem falar que ficou lindão em alumínio anodizado).
* Os produtos da Apple costumam ser absurdamente frágeis, mas este vídeo aí - que compara o estrago no iPhone 5 e no Galaxy S3 ao serem jogados no chão - mostra que o smartphone da Apple ficou mais resistente:
* A Apple liberou para download o iOS6, a nova versão do seu sistema operacional para iPhones, iPads e iPods Touch. O que mais chamou a atenção, claro, foi a substituição do Google Maps pela ferramenta de mapas própria da Apple (imagem abaixo). Minha primeira impressão foi um "nossa, que mapas elegantes", mas no que importa mesmo, a precisão dos dados, o serviço é uma piada. O fiasco é tanto que foi criada uma página no Tumblr que reúne os absurdos da ferramenta. Confiram em theamazingios6maps.tumblr.com.
Crédito: reprodução
Meus pitacos: o maior problema nem é entregar um serviço ruim, inacabado. O que mais irrita é que a Apple deu um passo para trás, já que a ferramenta que tinha antes (o Google Maps) era boa. Não foi de um dia para outro que o Google fez do Maps um serviço tão bom como é hoje, e a Apple colocou os seus interesses acima da satisfação dos seus usuários. Oferecer o seu próprio serviço de mapas é estratégico para Apple, algo importante demais para entregar ao principal concorrente. Ainda não há app do Google Maps para iOS, então a dica é acessá-lo via browser, em maps.google.com.
* O que também incomoda no iOS6 é que o YouTube não vem mais como um app nativo. Para iPhone, é só baixar na App Store, mas ainda não há um app oficial do YouTube para iPad. Dá para baixar aplicativos de terceiros, ou então acessá-lo via browser (m.youtube.com).
* A Motorola anunciou o Razr i, smartphone com tela de 4,3 polegadas, Android 4.0 e chip Intel (vídeo abaixo). Ah, e vale registrar que já está à venda no Brasil (pela Claro) o Razr HD, o primeiro smartphone no mercado nacional compatível com o 4G tupiniquim.
* A votação do Marco Civil da internet brasileira foi adiada mais uma vez, ficando possivelmente para outubro. Google, Facebook e Mercado Livre divulgaram nesta semana uma carta em apoio ao marco civil da internet. O texto está disponível aqui.
* O Twitter atualizou as suas apps para iOS e Android. Outra novidade é que a rede social agora permite incluir uma foto de capa, algo a la Facebook e Google+.
* Nesta semana se comemorou os 30 anos dos emoticons. Comento o assunto aqui.
* O Google comprou a empresa alemã Nik Software, que desenvolve o aplicativo de edição de fotos Snapseed (que foi eleito pela Apple em 2011 como o app do ano para iPad). Há quem considere o Snapseed (imagem abaixo) como um concorrente do Instagram, mas não acho que seja uma concorrência direta. Bem, o Snapseed tem bem mais recursos que o Instagram para edição de fotos e inclusão de filtros, mas não é uma rede social para seguir pessoas como o Instagram. De qualquer forma, uma integração do Snapseed com o Google Plus vai deixar a guerra das redes sociais ainda mais interessante (e essa aquisição pelo Google faz muito sentido, ainda mais depois que o Facebook comprou o Instagram).
Xiiii. Você espia a sua timeline em redes sociais, e saltam cabos eleitorais para todos os lados. Nesta que é a primeira eleição desde que o Facebook se tornou dominante no Brasil, por sorte há recursos que permitem dar tempo nas atualizações de um contato sem precisar excluí-lo.
Santinhos digitais estão longe de ser uma unanimidade. Nos Estados Unidos, que é um mercado mais maduro no quesito tecnologia + eleições dado o pioneirismo do uso de mídias sociais pela campanha de Barack Obama em 2008, apenas um em cada quatro usuários de redes sociais considera esses sites importantes para discussões políticas. O dado é uma pesquisa da Pew Research Center. Há desinteresse, tanto que 66% dos usuários de redes sociais nos Estados Unidos costumam ignorar posts de amigos com visão política contrária a sua, não se dando ao trabalho de discutir o assunto.
No Brasil, o que mais preocupa nesse mix entre mídias sociais e política é o risco de decisões judiciais que falham em entender a internet. Há um histórico de mancadas, que o diga o episódio Cicarelli em 2007, quando o YouTube foi temporariamente bloqueado no Brasil. Bem, neste pleito, já teve caso de juiz eleitoral até ameaçando tirar o Facebook do ar no país. Depois prevaleceu o bom senso, mas resta saber até quando.
Na carona das eleições
Nos Estados Unidos, gigantes da internet lançaram ferramentas voltadas à disputa pela Casa Branca. O YouTube tem um canal dedicado às eleições (www.youtube.com/politics). Tanto Twitter (election.twitter.com) quanto Facebook (CNN.com/FBinsights, em parceria com a CNN) criaram páginas que funcionam como uma espécie de termômetro do que internautas estão dizendo sobre os candidatos nessas redes sociais.
Chamo também a atenção para o divertido jogo "Vote: The Game" (imagem), em que Obama e seu oponente Mitt Romeny lutam com armas como sabres-de-luz, salsichas e microfones. É dos mesmos criadores de Infinity Blade e está disponível gratuitamente para iOS (em tinyurl.com/votethegame). Leia mais sobre o game neste post do vizinho André Pase.
Crédito das imagens: reprodução
Também pipocam iniciativas online alusivas ao pleito municipal no Brasil. Há apps como Eleições (disponível em tinyurl.com/coluna12a para iOS) e Candidatos 2012 (em tinyurl.com/coluna12b, para Android), que listam os candidatos pelo país.
No site repolitica.com.br (imagem abaixo), você responde um questionário rápido, e ele cruza os dados com os perfis de candidatos para apontar o mais alinhado com as suas convicções.
Tecnologia para Porto Alegre
Fala-se tanto no uso das mídias sociais nas campanhas eleitorais, mas será que o eleitor que quer informações básicas como o plano de governo de um candidato encontrará o assunto facilmente na internet?
Bem, dos sete candidatos à prefeitura de Porto Alegre, cinco estampam em seus sites uma seção claramente dedicada a suas propostas, mas navegar pelo conteúdo em busca de algo específico pode ser um pouco frustrante. Foi essa a minha impressão ao procurar nas páginas dos candidatos propostas de tecnologia para a Capital.
O assunto é tema de outro post aqui no blog. Há candidatos prometendo computador ou tablet para alunos, informatização da saúde e até paradas inteligentes com rede Wi-Fi.
Texto da coluna Tecnologia na Cabeça desta semana no ZH Digital
Quanto mais adepta de tecnologia a pessoa é, mais frustrante pode ser a relação com o departamento de TI da empresa em que trabalha. É como se os usuários que curtem novidades tecnológicas fossem penalizados por isso no trabalho.
A cena é bem comum: em casa, você tem um computador com tudo atualizado, mas no trabalho tem que usar o Windows XP e outros softwares defasados.
Com a era pós-PC, a esperança agora vem sob a sigla de BYOD (é do inglês e significa "traga o seu próprio dispositivo". O irônico é que os funcionários (e não os departamentos de TI) são quem estão, cada vez mais, impulsionando novas tecnologias nas empresas, e há um termo da moda para isso: consumerização de TI.
O uso do smartphone pessoal para conferir os e-mails de trabalho parece o exemplo mais forte da consumerização de TI, mas essa tendência vai além dos gadgets.
Para muitos profissionais, o grande símbolo da consumerização de TI é o seu perfil no Facebook ou Twitter.
Vejam só: cinco anos atrás, Orkut e MSN Messenger - os bambambãs daquela época - tinham acesso barrado em muitas empresas. Eram vistos apenas como atividade de lazer, que só serviam para roubar a produtividade dos funcionários.
Hoje em dia, o uso de redes sociais e comunicadores instantâneos - leia-se, Facebook - é visto com mais seriedade nos ambientes corporativos. As redes sociais são incentivadas em muitas corporações, principalmente se for para promover a própria empresa. Goste você ou não, o seu perfil no Facebook ou Twitter virou uma extensão da sua imagem corporativa.
Por causa da consumerização de TI, as redes sociais perderam a inocência, e nós ficamos sem as linhas divisórias na internet para nossa vida pessoal e profissional.
Você quer se mostrar uma pessoa conectada, com participação ativa no Facebook, Twitter, Instagram e Foursquare. Até aí tudo bem. O grande desafio é achar um balanço entre o que compartilhar ou não. É possível, afinal, ter uma forte presença online sem comprometer demais a sua privacidade.
Para navegar por esta que é a era do oversharing online (em que as pessoas se expõem mais do que deveriam nas redes sociais), minha dica é abusar de cautela e bom senso antes de cada clique.
Toco nesse assunto por causa de um episódio envolvendo a família do dono da Dell, o magnata americano Michael Dell. A Bloomberg Businessweek (leia aqui, em inglês) chamou a atenção para o fato de que Dell gasta 2,7 milhões de dólares por ano em segurança da sua família, enquanto a sua filha Alexa era a "rainha do oversharing" no Twitter, chegando a compartilhar detalhes sobre locais que frequenta, inclusive o convite para a festa de formatura do colégio. O assunto veio à tona depois que a guria postou a foto do irmão em um jatinho indo para Fiji, uma imagem que foi parar no Tumblr Rich Kids of Instagram, que reúne imagens de endinheirados no Instagram. E como se podia esperar com a repercussão que o assunto tomou, a foto foi retirada de lá e a conta de Alexa no Twitter foi apagada.
Vale destacar que a preocupação com segurança e privacidade não deve ser restrita apenas a milionários. Há duas páginas que fazem um serviço bem importante ao alertar para a falta de bom senso de muitos internautas:
1) O perfil @NeedADebitCard no Twitter identifica fotos de cartões de crédito que foram publicadas no Instagram ou Twitpic. O alerta é para que as pessoas parem de postar fotos dos seus cartões na internet, o que é um perigo e tanto.
2) O site www.weknowwhatyouredoing.com (Nós sabemos o que você está fazendo) chama a atenção para quem compartilha informações comprometedoras nas redes sociais, divindo as mensagens reunidas em quatro colunas: Quem quer ser demitido (por exemplo, gente que publicou que odeia seu chefe), quem está de ressaca, quem está usando drogas e quem está com número de telefone novo.
Bem, eu também tenho meus pitacos sobre o que a ausência de perfil no Facebook pode dizer sobre você:
1) Evitar o Facebook pode significar que você tem coisas mais importantes para fazer. Convenhamos: redes sociais são dispersivas, têm o poder de consumir com o nosso precioso tempo.
2) Evitar o Facebook pode significar que você preza a sua privacidade. O quanto nos expomos online é um assunto para o qual ainda temos muito que amadurecer. Por isso, pisar no freio enquanto ainda dá tempo não parece uma ideia tão ruim assim.
3) Evitar o Facebook pode significar que você não compactua com certos valores e práticas de Mark Zuckerberg e sua equipe. O Facebook é uma rede social que está sempre nos empurrando algum novo recurso goela abaixo, muda as coisas sem nos avisar (por exemplo, quando mudou o endereço de e-mail na página de perfil). No Brasil, ganharam notoriedade os casos de pessoas que tiveram suas contas no Facebook suspensas por ter compartilhado notícias sobre a Marcha das Vadias (as fotos de participantes da manifestação foram consideradas conteúdo impróprio pela rede social).
4) Evitar o Facebook pode significar que você não cede a certas pressões sociais, que você não é "maria vai com as outras".
5) Por fim, evitar o Facebook significa que você terá que aprender a lidar com o estranhamento alheio quando você diz que não, você NÃO TEM um perfil na rede social mais popular do planeta. Hoje isso soa quase como se você não existisse na internet.
Dito isso, confesso uma certa inveja de quem se dá o luxo de cometer um "Facebookicídio": você não se incomoda com solicitações chatas de aplicativos, nem precisa se preocupar em se desmarcar de certos posts e fotos em que seus contatos insistem em lhe "taggear".
Conectar-se aos seus amigos é algo tão década passada na internet. Não basta mais. Essa é a faceta das redes sociais que os chamados aplicativos de descoberta social andam escancarando por aí, ao permitir que você conheça pessoas, lugares e produtos com base na recomendação dos seus contatos. Cada vez mais é importante tirar valor da sua rede de contatos, e há apps específicos para isso.
Chamo a atenção para o Stamped, disponível para iPhone (em tinyurl.com/appstamped). A ideia ali é "carimbar" ("stamp") lugares, livros, músicas e filmes que você curte. Há uma linha do tempo para conferir sugestões de amigos, celebridades e experts como o famoso chef Mario Batali. Só que o Stamped não é apenas para receber recomendações, pois está integrado com aplicativos de terceiros que permitem tomar ações como reservar um restaurante ou adicionar músicas a sua playlist.
Criado por ex-funcionários do Google, o Stamped ganhou holofotes recentemente ao atrair investidores de peso, que vão do Google Ventures, o jornal The New York Times a celebridades, incluindo a apresentadora de TV americana Ellen DeGeneres e o cantor Justin Bieber. Embora o aplicativo tenha potencial, ainda mais com um respaldo desses, esbarra ainda em um dos princípios mais elementares das redes sociais: um site ou app do tipo só faz sentido se seus amigos estão lá.
*Texto publicado na coluna Tecnologia na Cabeça desta semana.
Crédito da imagem: Stamped, divulgação
Vanessa Nunes é entusiasta da cultura geek e adora brincar com gadgets recém-lançados, descobrir sites novos e garimpar apps para iOS e Android. Tem 30 anos, é gaúcha de Butiá e jornalista formada pela UFRGS. Fez curso técnico em informática na adolescência, de onde vem o seu pavor em programar em C++.
Trabalhou por cinco anos como repórter de tecnologia de Zero Hora. Desde 2010, mora em Winnipeg, no Canadá.
Assina a coluna Tecnologia na Cabeça, publicada às quartas-feiras no caderno ZH Digital (em Zero Hora) e às sextas-feiras no caderno Clicar (jornal A Notícia, de Joinville).