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Posts do dia 2 fevereiro 2012

Andiamo a Firenze!

02 de fevereiro de 2012 7

           Que ninguém o engazope, leitor: a Itália é a autêntica vocação solar da Geografia! Ora é o Berlusconi, ora é o Capitão Schettino; é o folhetim, depois os madona-mia gritados; o trânsito é caótico, falam-todos-ao-mesmo-tempo-agora, o próprio panem et circenses da Europa. È tutto, tutto vero, mas eu escrevo, em letras possantes: eu amo a Itália. Vá ser maravilhosa assim nos sonhos! Aquela cor variante entre o amarelo-ocre e o terracota que inunda as casas italianas, com o sol a bater em cheio nas lascas imperfeitas das paredes, toldoadas por verdes e caramanchões, é a compreensão viva da beleza. Anda-se um passo e tome um pedaço do Império Romano; dobra-se a esquina e lá está a Igreja na qual dormem, eternizados, Michelângelo, Dante Alighieri e Galileu; mira-se uma nuvem rosada contra o céu matinal e surge a torre de um Castelo de séculos-e-séculos-amém: ora, mas-assim-é-de-matar, como se diz por aí! Nem com mil prismas piramidades a atmosfera mágica da Itália poderia ser imaginada, se não existisse!

            

                  Lá fomos nós, Felipe e eu, olhar Florença nos olhos. No entretempo onírico, Florença tem qualquer coisa do DNA de Veneza, embora lhe falte o ar imagético e definitivamente sonhático desta última. É a Itália anacrônica, de outros tempos, com ruelas de pedra, Castelos à antiga, papelarias que nem o Ali Babá alcança na mais encantatória das Literaturas, e, mamma mia, Florença é a casa do “Davi” renascentista de Michelângelo. Estou por demais encharcada do feitiço italiano, nestas linhas, daí por que não cabe, neste momento, discorrer sobre o assombro, o epicentro emocional que a escultura causou ao meu mundo de dentro. Carta à parte, selada com a flor-de-lis, símbolo de Florença, escrevinharei sobre o “Davi”. Voltemos à Florença. Vez em quando, eu olhava de través, por pirraça, para os lados, apenas para me certificar de que ali existia uma realidade, e a abundância de obras de Arte por centímetro quadrado me esmagava. É a própria trintena de centelha divina, genialidade humana e assombro terreno.

                       

              Em sua roupa monocromática, marrom-glacê, Florença é toda feita de pedras não polidas, cingidas por uma atmosfera passada bastante  forte. Aos pés do rio Arno, as famosíssimas Galerias Uffizi abrigam “O Nascimento da Vênus” e “Primavera”, de Boticelli, e Michelângelo-e-da-Vinci-e-Giotto-e-Ticiano-e-Rubens-e-Rafael. Numa palavra: o maior acervo de Arte Renascentista do mundo, onde uma porta secreta (aberta ao público apenas mediante reserva) conduz ao”Corredor Vasariano”, mais de um quilômetro de passagem, construído para Cosimo I, que iniciou a Dinastia Médici, poderio absoluto, em Florença, durante o período do Renascimento. Para não ser morto pelos inimigos, atravessava o corredor, fechado, para ir de casa ( Palácio Pitti) ao “escritório” (hoje, Galerias Uffizi).

                      

              Fomos visitar as tumbas de Dante, Michelângelo e Galileu, na bonita e rústica “Basílica de Santa Cruz”. Raras vezes senti a força emanar a um ponto tão delicado, diante dos que já se foram. Subimos até a cúpula do Domo octogonal da Catedral de Florença, obra máxima de Filippo Brunelleschi, e toda a cidade descortinou-se ao longe, com a pátina terracota das construções italianas a embaciar a retina. Havia, ali, uma certeza definitiva e magnânima dos gênios renascentistas, ao apresentar a Arquitetura específica de uma época.

                 Debaixo da requintada simplicidade do sol, descobrimos a Gelateria “Perseu”, que entrou no “top 3″ da nossa caça à cremosidade e ao sabor dos sorvetes, cá por estas andanças européias. Cultivar uma sensibilidade sorveteira daquele nível é coisa dos juízos ainda operantes dos gênios florentinos! Anote aí, leitor: Piazza della Signoria 16, em frente ao divinal “Palácio Velho”, dos anos de 1300 -  hoje, sede da Prefeitura. Vale mil derréis-de-mel-coado, como diz lá o João Ubaldo Ribeiro.

                        

            Selo desejando caminhos sidéreos, que levem para a maravilhosa Itália: “Via trita, via tuta” (Caminho trilhado, caminho seguro).

              Arrivederci a presto!

                          Lívia