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UFSC divulga a lista de livros do vestibular 2013

08 de fevereiro de 2012 7

Já dá para pesquisar nas prateleiras de casa, bibliotecas e livrarias os livros que vão cair no vestibular 2013 da Universidade Federal (UFSC). A Comissão Permanente do Vestibular (Coperve), divulgou ontem a lista das oito obras do próximo processo de seleção. No vestibular 2013, que cobrará um livro a mais do que na última prova, serão contemplados autores conhecidos da Literatura Brasileira, como Mário de Andrade, Nelson Rodrigues e Jorge Amado. Além de analisar e interpretar os textos, os alunos deverão saber identificar os diferentes gêneros e conhecer o contexto histórico, social, cultural e estético de cada obra. Confira a lista completa dos livros:

Amar, verbo intransitivo, Mário de Andrade, Editora Agir
Beijo no Asfalto, Nelson Rodrigues, Nova Fronteira
Capitães de Areia, Jorge Amado, Companhia das Letras
Ecos no Porão, Silveira de Souza, Editora da UFSC
Geração do Deserto, Guido Wilmar Sassi, Editora Movimento
Memórias de um sargento de Milícias, Manoel Antônio de Almeida, NUPILL/UFSC e diversas editoras. A obra também está disponibilizada na Literatura Digital/UFSC e na Biblioteca Nacional Digital
Memórias Sentimentais de João Miramar, Oswald de Andrade, Editora Globo
Poesia Marginal, Diversos autores, Editora Ática

Iracema, versão mané

14 de abril de 2010 0

Por Cláudia Silveira:

Oi, quiridu, qués sabê do que trata esse livrinho, nego? Se qués, qués, se não qués diz, ô istepô! Mesmo assim eu vô ti contá. A historinha é bem quirida, sabes como é, né? Romantismo, aguinha com açúcar, mocinho, mocinha... É, nego, diz o narrador, que um dia, um colonizador português, de nome Martim, um moço muito quiridu e lindo (de zóio azul) conhece uma índia muito linda, a Iracema, numa terra mais linda ainda (espia, espia, no romantismo tudo é lindo, tudo é quiridu: a mulher, a pátria, o índio... – falando nisso, nego, isso aqui é um exagero dos infernos; a Iracema é vista como linda, esbelta, meiga, tudo em cima... meu Deeeux! Tu já visse índia assim, quiridu? Só nos romances do Alencar, mesmo, porque as índias que a gente vê ali no calçadão do Centro de Folópis, são bem diferentes. De “tudo em cima” eu não vejo nada, nego, tu vês? Pois, então, pois então, tás tolo, Alencar, tás? Tás é maluco! Mas tudo bem...). Daí, quiridu, os dois se apaixonam. Mas dêxa eu contá pra ti que Iracema era filha de Araquém, o pajé bam bam bam da tribo tabajara (é, a mesma do Casseta e Planeta!) e ela não podia casar porque guardava “o segredo da jurema”. Sabes o que quer dizer isso, nego? Isso quer dizer que ela tinha que se manter virgem... Tadinha! Pobre rapariga! Coitada da Iracema, nego! (quer dizer, “coitada”, não, porque pra nós, manés, coitada quer dizer quem recebeu o coito... e ela não podia receber, tadinha). Tadinha, mesmo, da Iracema... Mas, sabes como é, né? Todo mundo ali, nuzinho em pêlo, a Iracema linda, o Martim lindo, a terra linda, tudo muito lindo, não deu outra: quer dizer, deu sim. É, nego, a Iracema deu! Fazer o quê, né? E o pior, não usou a camisinha, a istepôra (deve ser porque na época eles não tinham carteira de dinheiro, daí ela não tinha onde guardar e não levou o preservativo. Só pode! Porque perfeita do jeito que ela era, ela não ia se esquecer desse simples detalhe, né?). Daí, sabes o que acontece quando tu transas sem camisinha, né, o istepô? A guria ficou grávida, claro! Olha eu não sou fofoqueira, mas é uma pouca vergonha esse livro, não achas? Isso é um mau exemplo pros vestibulandos. Essas gurias que dão antes do casamento são umas semvergonha. Ainda bem que aqui em Folópis não existe isso, todas as raparigas daqui casam virgem...

Mas, como eu ia te falando, a safadinha da Iracema deu. Deu e engravidou. Daí eles fugiram e foram morar perto da aldeia dos inimigos dos tabajaras, os pitiguaras. Credo, que desgosto pra um pai, né, nego? A filha dá antes do casamento, foge para perto do inimigo e, ainda, é considerada a heroína da história! O pai dela não se conformava, tadinho, vivia fumando o “cachimbo da paz” para se esquecer daquilo. Enquanto isso, Iracema vivia muito feliz, até que um dia, como sempre acontece, o casamento se desgastou. Martim enjoou da cara da Iracema, e nem quis discutir a relação. Ficou todo amuado, cara franzida, queria voltar pra Portugal; Iracema logo pensou: “Ele deve de tá pensando naquela galinha da noiva dele. Vagabundo! Os homens não prestam! Enquanto ele não comeu a minha maçã, ele não descansou, e agora não me quer mais. Vive inventando desculpas e sai sempre para as matas, para lutar.” Não, quiridu, Martim não ia para o bar beber com os amigos, mas em compensação, ele tinha um amigo, o Poti, que estava sempre com ele (os homens sempre tem um amigo de farra, incrível! Até nessa época!). Um dia, quando Martim voltou da mata, encontrou Iracema à beira da morte. Tadinha! Tava quase morta mesmo. Se fosse hoje eu até dava uma benzidinha nela, porque eu acho, na verdade, que ela tava embruxada. É, nego, nada me tira da cabeça que a Iracema morreu embruxada. Martim ficou todo triste, fez aquele drama todo (engraçado, né, quiridu, ele abandona a mulher grávida, sai para o mato com o amigo, fica um tempão longe fazendo não sei o quê nas moitas e, ainda, é chamado de herói... Credo! Um herói desse eu não quero pra mim, não. Tu qués, quirida? Deus me livre!).

Depois disso, Iracema é enterrada, e Martim deixa o Brasil levando o filho deles, Moacir, para Portugal. Muito tempo depois ele volta e fica morando no Ceará. Quer dizer, o cara aprontou, engravidou a guria, enjoou dela, só queria ir para o mato com o amiguinho, voltou para Portugal (certamente para ver a outra, a noiva) e ainda é considerado o mocinho da história. Pode? Isso é o Romantismo, meu quiridu, tudo é feito (e escondido) como se fosse a coisa mais linda do mundo.

O guarda-roupa alemão de bolso

13 de abril de 2010 0

A Editora UFSC relançou o livro O guarda-roupa alemão de Lausimar Laus, que está sendo pedido no Vestibular UFSC 2011. O formato de bolso é adaptado à nova ortografia.

O novo exemplar tem 199 páginas e custa R$12. Ele pode ser encontrado nas livrarias do Centro de Convivência da UFSC, no Centro de Comunicação e Expressão e na Biblioteca Central.

Mais informações e vendas:

www.editora.ufsc.br

Telefone: (48) 3721-9686 - Ramal 4

Com a palavra, a Mané maix quirida

17 de março de 2010 0

Por Cláudia Silveira:

Oi, Nego! Tás bonzinho, quiridu? Intão, rapaz, nem ti conto pra ti: óióióió, tás tolo, tás? Olha que coisa mais chique que eu tô, nego. Tô aqui no jornáli, tás me vendo?  A partir de hoji, todo mês eu vô tá junto contigo aqui pra te dá umas diquinha pra mode tu passá no vestibulá da UXQUI (UFSC em manezês pra quem ainda não sabe). Mas tens que estudá, ô istepô! Se não tu não passa não, sô triste!

AS ESCOLAS LITERÁRIAS:
Olha, quiridu! Vô te dizê uma coisa: tu vais caí do cavalo se tu pensás que na prova da UXQUI cai somente questãozinha sobre os livrinho. Tás tolo, rapaz? Claro que não, sô tanso! Tens que sabê tombém sobre as escolinha literária (é, nego! Romantismo, Modernismo, aquela montueira de ismo, ismo que a tua professora vive falando e que tu não escuta, não tem?). Sabes por causa de quê? Porque o pessoáli da Copérvi tá mais esperto do que nunca, eles podem te pedir pra associar a característica da escola com a obra. Se tu não souberes, nego, vais mofá com a pomba na balaia. Então, fica esperto aí, rapaz. Espia, espia o quadrinho aí e estuda, sô medonho!

Iracema:
Romantismo - Subjetividade, sentimentalismo, idealização da pátria, da natureza e do índio, religiosidade, nacionalismo, presença do herói   

Vidas Secas:
Modernismo 2ª Geração -  Denúncia social (seca, fome, miséria no norte/nordeste brasileiro)

Primeiras Estórias:
Modernismo - 3ª Geração (prosa)    Prosa regionalista (valorização da linguagem)   

Morte e vida severina:

Modernismo - 3ª Geração (poesia) - Abandono do verso livre (volta da metrificação) - regionalismo - precisão da linguagem   

O Pagador de Promessas:

Lit. Contemporânea - Aspectos da vida moderna ( intolerância, traição, intransigência, ambição, luxúria, religiosidade)

Comédias Para se Ler na Escola:
Lit. Contemporânea - Aspectos da vida moderna (equívocos, mudança no decorrer dos tempos, linguagem, humor, rotina das pessoas, política, assalto, etc)   

O Guarda-Roupa Alemão:
Lit. Contemporânea de SC - Regionalismo alemão: drama interior do personagem, crime, violência, preconceito racial, homossexualismo, política, tradição familiar, mistura de raças

O Filho Eterno:
Lit. Contemporânea - SC    - Aspectos da vida moderna (preconceito, síndrome de Down, aceitação, limites do ser humano, amor, dor)   

FIGURAS DE LINGUAGEM
Meu Deeeux, nego! Te alembras disso? Sabes o que é uma figura de linguagem, ô istepô? Ah! Te esquecêssi? Então vai estudá, sô triste! Tás pensando que vestibulá é moleza, é? Qués mole? Então senta na paçoca, ô! Olha, isso é só pra tu ficá esperto, nego. Vô colocá uns exerciciozinho aí embaixo pra tu vê se tu acerta algum. Agora, vô ti contá pra ti, quiridu: se tu errares TODAS, meu Deeeux! Vai estudá correndo porque a côsa tá feia, rapaz! E se tu não passá, vai dá côsa! A tua mãe vai te mandá pro mato pra vê se urubu te pinica, sô triste!
Quero vê, quero vê se tu tás por dentro das figuras de linguagem. Não seje tanso, ô istepô! Soma as alternativas corretas (não me vai usá a calculadora, hein sô peste, eu te esfolo todo!).

01. "O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado." (Vidas secas, p.108) SINESTESIA
02. "Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo." (A terceira margem do rio. In: Primeiras estórias) METÁFORA
04. "A criança não acerta sugar o seio - é preciso toda uma operação de guerra para conseguir algumas gotas de leite." (O filho eterno, p.42) METONÍMIA.
08. . "PADRE - Você que, presunçosamente, pretende imitar o Filho de Deus." (O pagador de promessas, p.52) - ANTONOMÁSIA
16. "- E não precisava dinheiro,/ e não precisava coveiro,/ e não precisava oração/ e não precisava inscrição." (Morte e vida Severina, p.68) ANÁFORA

GABARITO
01. Incorreto. Sinestesia é a mistura de sentidos (olfato + paladar, por exemplo). O correto seria personificação, ou seja, atribuição de características humanas a seres inanimados, imaginários ou irracionais.
02. Correto. Metáfora é uma comparação mental. Aqui ele diz "abreviar com a vida" = morrer
04. Incorreto. Metonímia é o uso de uma palavra no lugar de outra que tem com ela alguma proximidade de sentido. A figura sublinhada indica um exagero, então, diz-se que é uma hipérbole.
08. Correto. Antonomásia - substituição do nome próprio por quallidade, ou característica que o distinga. É o mesmo que apelidado, alcunha ou cognome.
16. Correto. Anáfora é a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases ou versos consecutivos.