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Histórias de viagem

03 de maio de 2010 5


Barrada pelo rei que não ri

Marisa Werner Hadrich

Dizem que o rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadei, não ri. Pudera. Foram 17 golpes, e 31 primeiros-ministros caíram, em 65 anos de poder. Vinda de Dubai, desembarco em Bangcoc. Suei no país árabe, com o corpo todo coberto. Para visita ao Palácio Real e, quiçá, ver o sisudo rei, visto tomara-que-caia.

Ao passar o portão, ouço brados: Stop, Stop! – alguém furou a vigilância – penso. O vozeirão aproxima-se. Guarda investe com megafone. Ensurdece-me com stoooops. Mostro o canhoto do ingresso. Histérico, bate o artefato sonante nos ombros nus, aponta às canelas despidas. De imediato, mostra uma sala e, em inglês arrevesado, ordena: vista-se!

Ali, alugam grandes xales para despudoradas tipo eu. Recuso as roupas mal-cheirosas, vestidas por milhares de turistas. Retorno ao portão, puxo pequeno lenço da bolsa, coloco-o nas costas, estudo a posição dos guardas. Atrás de inseparável sombrinha, esgueiro-me na contramão entre os que saem e… chego aos recintos reais!

Rio do rei que não ri. Não vesti as roupas roídas…


Chá das cinco

Helena Sbrissa

Foram tantos episódios hilários passados na minha viagem ao Egito, em maio de 2009, mas destaco este aqui. Havíamos retornado de um passeio aos templos em Abu Simbel e nos encontrávamos muito cansadas. De volta ao nosso barco, “Prince Abbas”, combinamos, Leonor e eu, de  tirarmos uma soneca, pois às 17h teríamos um chá no convés da embarcação.

Acontece que não havia nenhum relógio no quarto do hotel e ficamos nos perguntando como faríamos para acordar. Então ela pediu para que eu entrasse em contato com a recepção, porque ela não sabia falar inglês. Retruquei dizendo que não queria mais ligar, porque o meu inglês  já estava bastante conhecido por lá. Enquanto isso, Leonor já estava se acomodando para dormir sob o belíssimo edredon branco de penas de ganso. Mas não teve outro  jeito, liguei e comecei assim:

- Hello, please, I would like to wake up at five years. Thank you.

O árabe confirmou – não sei como – e desliguei. Mas assim que soltei o fone, as últimas palavras ficaram soando em meus ouvidos. Na dúvida, perguntei a  Leonor:

- Por acaso você ouviu o que  falei? Eu disse YEARS ou HOURS?
Eis que ela respondeu:

- Não entendo nada de inglês, mas escutei você falar YEARS.
Foi então que caí para trás! E disse a ela:

- Te prepara! porque só daqui há cinco anos vão nos acordar. Rimos tanto, mas rimos tanto que não deu mais para dormir! Foi então que resolvemos ir para o convés tomar sol. Até a hora do chá.


Duplo twist carpado

Nelson Matinez Dick

Atravessei o mundo para pagar um “micão” e carimbar meu “passaporte de babaca internacional”. O motivo da viagem foi o casamento de meu enteado, em Bali, em abril de 2008, na Lagen Cliff Villa, em Uluwatu, uma das mais belas praias balinesas. A mansão, que é deslumbrante, tem oito suítes, cinema, sala para meditação, sala para massagem, terraço com vista para o Oceano Índico, duas piscinas – uma delas, com borda infinita, de frente para o Índico, e estão instaladas imediatamente após as portas do salão de festas, uma em cada lado, no pavimento térreo.

Após a cerimônia religiosa internacional (em inglês e português) e a cerimônia civil, vieram os ‘petiscos e bebericos’ ao pôr do sol sobre o Oceano Índico, no terraço da Villa. Depois, o jantar, no salão de festas. Na seqüência, o baile. Até aí, tudo bem. Ocorre que a maioria dos convidados dos noivos eram surfistas. Daí, surfistas, duas piscinas, é de se imaginar o que estaria por vir.

Meu enteado percebeu e antecipou-se à ação dos amigos e antes que o atirassem na piscina, fez uma ‘firula’ tipo dançinha do Rubinho (Rubens Barichello), quando vai ao pódium e, de roupa e tudo, pulou na água. Aí foi chamando, um a um, dos presentes. Flashes pipocavam registrando cada um que pulava na piscina.
Aí começou o meu calvário: em coro chamaram: “Nelson! Nelson!”

Não tive como escapar, e antes que me jogassem na água, meio a contragosto, tirei os sapatos, meias e ensaiei uma corridinha em direção a piscina. Só ensaiei. Como o piso do salão era todo em porcelanato, cada um dos que me antecederam jogou água no piso, tornando-o um verdadeiro sabão. No segundo passo, o acaso pregou-me uma monumental peça, e de um segundo para outro, meu mundo virou de cabeça para baixo. E, em vez de enxergar o Oceano Índico, vi somente o teto do salão de festas. Escorreguei e caí de corpo inteiro. Envergonhado, rapidamente tentei levantar-me e, novamente, caí.

O assunto mais comentado, além da beleza da noiva, da elegância do noivo e da magnífica festa, foi o meu “mico” Com um simples ‘tombo duplo’ ou melhor, um ‘duplo twist carpado’, validei meu ‘passaporte de babaca internacional’.


No vagão errado do trem


Maria Eloisa Possebon Gazzo

A primeira vez que fomos a Zurique, na Suíça, em 2000, ficamos hospedados um pouco longe do centro da cidade. Resolvemos conhecer a noite com um casal de amigos mineiros, e usamos trem para chegar ao centro.

Na volta, pegamos um na Estação Banhof e sentamos nos primeiros bancos vagos que encontramos. Ficamos ali curtindo o passeio e não entendíamos porque poucas pessoas ocupavam o nosso vagão, mesmo que os outros estivessem lotados.

Durante o trajeto, chegou um fiscal para verificar os tíquetes, e quando mostramos fomos informados que estávamos em um vagão de primeira classe, diferente de nossos bilhetes. Não houve argumentos que convencesse o fiscal de que tinha sido apenas um descuido nosso. Pagamos uma multa de US$ 100 por casal. Ficamos com o gostinho da deliciosa cerveja de Zurique, a mais cara que já tomamos, e a lição de prestarmos mais atenção antes de embarcar.

No hablan español, no habla

Carla Rive Ortlepp

Neste último Carnaval, eu e meu namorado estávamos em um restaurante lotado de clientes em La Paloma, Uruguai, quando decidi ir ao banheiro e pedir informação para a atendente do caixa onde ele se localizava. Na tentativa frustrada de falar em espanhol e impressionar minha desenvoltura como turista, perguntei:
Donde es en lo bañeiro?

A funcionária riu muito e disse:
– No hablan español, no habla.

Em seguida, respondeu com sotaque genuíno do nosso português brasileiro:
– Querida, o banheiro fica na primeira porta à direita.

Minha vergonha foi muito grande, mas mesmo assim não deixei de registrar nosso almoço de um belo prato chamado Gramajo.

Cuidado com as pantalonas

Irma Caruso

Anos 70, tive a minha lua de mel em Paris. Naquela cidade dos sonhos, do Louvre, da Torre Eiffel, da catedral gótica e do romântico Rio Sena. Foram meses de muitas descobertas, muitas emoções e alguns micos que fizeram história. Imaginem eu – que jamais havia subido nas escadas rolantes das Americanas – me vejo pisando nas escadas da galeria Lafayette (na época o magazine mais famoso da França).

Com pantalonas “boca de sino”- último grito da moda no Brasil – ao colocar o pé, no primeiro degrau a bainha da calça se prende na lateral da escada. Que desespero. A escada subia e as minhas calças caíam.
De repente, a escada tranca. Tudo para. No térreo, gente de todas as partes do mundo, me olham com interesse. Estou prensada à escada e não conseguia sair. A esta altura, já estou só com o casaco. Pensei: não vou chorar, afinal ninguém me conhece.

Ainda bem que o casaco era longo, caso contrário eu estaria, no outro dia, na capa do jornal Le Monde. Após meia hora, chega uma equipe de cinco homens para desmontar a escada e me soltar. Que alívio, as pessoas me aplaudem. Estou livre.

Mas, para minha  surpresa, de alguma coisa serviu o meu mico: deste dia em diante, em todos os lances das escadas rolantes, das Lafayettes da França lê-se  um cartaz: Cuidado com as pantalonas e os vestidos longos!
Toda vez que volto a Paris, não deixo de visitar a Lafayette, mas sempre de minissaia.

Esqueceram de mim

Isabel Cristina Brettas Duarte

A história ocorreu num fatídico dia em que fomos para Belém, durante uma excursão em que percorremos Israel e Egito, em julho de 2008. Tínhamos saído da Basílica da Natividade, um lugar lindo e de grande importância histórica – construída sob o lugar onde Jesus nasceu. Eis que quando saí do banheiro, não havia mais ninguém do grupo.

O tempo passou e me vi protagonista do Esqueceram de mim. Então, fui ao encontro de dois policiais israelenses na entrada da igreja, e minha parca comunicação em inglês _ e muito menos em ídiche – foi um problema a mais na minha já complicada vida de turista perdida.

Quando falei o nome do bairro árabe de Jerusalém no qual estávamos hospedados na casa de amigos árabes, não foi preciso muita fluência no idioma para entender o que passou. Em questão de cinco minutos, de dois policiais, estava eu acompanhada de seis homens do exército israelense, fortemente armados. Senti-me uma terrorista, liderada pelo ‘casal bomba’ Youssef e sua esposa, cujos nomes tiveram, de fato, o efeito de uma bomba.

Depois de longas horas controlando-me para não aderir ao péssimo hábito de roer as unhas, finalmente avistei Youssef, já imaginando que meu drama havia chegado ao fim. Ledo engano. Visando checar as informações, interrogaram-no por um longo tempo. Finalmente nos liberaram, e pude apreciar, mais do que nunca, o inesquecível gosto da paz e da liberdade.

Vivenciei um pequeno traço desse conflito que se delineia por milênios entre árabes e judeus, e, provavelmente, nesse tempo ocorreram outros pormenores que a barreira linguística me impediu de conhecer e relatar.

No entanto, ficou a certeza de que o multiculturalismo é muito mais que uma palavra. Só pode ser compreendido quando seguirmos o conselho de Amyr Klink: “Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Susto no Vietnã

Marcelo Trombka

Julho de 2009. Chego à estação de trem de Hanói. Meu destino será, após 10 horas de viagem, a cidade de Lao Cai, fronteira entre o norte do Vietnã e da China. De lá, irei subir até Sapa, cidade-base de onde planejo passar alguns dias realizando trekkings pelas montanhas da região. Na área externa da estação, sou surpreendido por um cachorro que, vendo meu pé exposto pelo uso de chinelo, resolve mordê-lo.

Como um bom estudante de medicina, sendo vítima de mordida não provocada no sudeste da Ásia, região endêmica de raiva, sei que necessito receber o soro antirábico. Após realizada antisepsia da ferida, ainda há tempo para pular no trem. Chegando em Lao Cai e após muita linguagem corporal, consigo fazer com que um local me leve a um hospital que, para minha surpresa, trata-se de uma pequena casa onde, por mais que realize onomotapéias caninas e aponte para o ferimento, o máximo que recebo são alguns band-aids.

Sigo minha jornada até Sapa, onde não obtenho melhor sorte no que se refere a atendimento médico, mas esta expressa-se de outra maneira, enviando-me um anjo da guarda: Tiên, uma americana que tem o dom sobrenatural de falar inglês e a língua vietnamita. Ela entra em contato com a cruz vermelha internacional e descobre que há somente um hospital no país que tem o soro antirábico aprovado pela Organização Mundial de Saúde, em Hanói e, além disso, eu teria 48 horas para receber o soro.

Tiên contrata uma van que nos leva a Lao Cai, de onde retorno a Hanói. Recebi o soro antirábico dentro do prazo necessário, além de ter tomado mais três doses de vacina antirábica durante os outros 15 dias que estive viajando por este lindo país. Se foi frustrante não ter conhecido as montanhas do norte do Vietnã? Pode ser que sim, mas fui recompensado por ter conhecido Tiên e ter ouvido histórias fascinantes sobre a Guera do Vietnã, já que seus pais são vietnamitas e haviam lutado pelo exército aliado, tendo posteriormente recebido asilo político nos EUA. Ah, e para deixar claro, até agora não mordi ninguém.

Chegar de madrugada nunca mais

Marilena Teresinha Roxo Matusiak

Foi uma grande lição tirada numa viagem realizada em 1997 com meus dois filhos: nem sempre vale o ditado “a primeira impressão é a que fica“. Fazíamos uma daquelas jornadas por diversos países da Europa em 30 dias e, em vez de pacotes prontos, optamos pela aventura de fazer tudo por conta própria.
A única base que tínhamos era reservas de três hotéis.

O primeiro na Ilha de Rodes, na Grécia, foi espetacular. Os outros dois é que nos protagonizaram momentos de férias frustradas. Seguíamos de trem pela Itália e, por desacerto de horários, chegamos à estação de trem em Trento, em plena madrugada. Impossibilitados de pegar outro trem ou ônibus tivemos de tomar um táxi para uma distância aproximada de 80 quilômetros.

O prejuízo de mais de cem dólares foi pouco, perto do susto que passamos. Sentado no banco de trás, o meu filho menor fixava o olhar no velocímetro que não baixada de 140 km/h. Não bastasse isso, a estrada era sinuosa, em meio às montanhas. Para completar, há poucos dias havia ocorrido o trágico acidente da Lady Di, em Paris, e o trauma de ver aquele Mercedes Benz acelerando feito doido era evidente. Com fome e exaustos pela longa viagem, o filho menor começou a ficar tonto e o jeito foi pedir em espanhol que o motorista italiano parasse o carro por alguns instantes e seguisse viagem sem pressa. Tudo valeu a pena pelas belas paisagens que vimos depois da pequena cidade encravada entre as montanhas.

O outro contratempo foi no caminho para Andorra, país situado entre a França e a Espanha. De novo, chegamos de madrugada e aprendemos que esse deve ser um cuidado indispensável nas viagens. Depois de muito bater na porta do hotel, não tivemos sucesso até as 4h da manhã. Desesperados e cheio de malas na mão, sozinhos na rua em um país desconhecido a solução apareceu finalmente. Um carro de polícia veio nos perguntar o que estávamos fazendo ali. De novo, veio o problema da língua, mas em espanhol conseguimos falar com o policial, cuja língua era o catalão. Em vez de sermos presos, obtivemos ajuda da autoridade e pudemos descansar para depois curtir e apreciar esse belo lugar da Europa.

Um frio na barriga

Fernanda Dias Carvalho Leite

Nunca andei de roda-gigante, morro de medo de elevador panorâmico e qualquer assemelhado. Morar em arranha-céu? Nem pensar. Confesso, porém, que a África despertou meu gosto por aventura. Como se não bastasse ter nadado com tubarões, atravessado países de carona, passado o dia em tribos zulus entre tantas outras loucuras pontuais, não poderia voltar para casa sem a inusitada conquista:

- Pessoal, pulei de bungee jump!.

Não era qualquer um, era o salto de Bloukrans River Bridge, o maior do mundo. Localizado a 40 quilômetros de Plettenberg Bay, na África do Sul, aquele que se arriscar sentirá a sensação indescritível de saltar de uma altura de 216 metros ou, se preferir, 709 pés.

Obviamente, o único pensamento possível quando na beira da ponte é a desistência. Tarde demais, existe uma equipe a postos para, literalmente, empurrar os hesitantes e desencorajados. Fechar os olhos e saltar, essa é a solução.

Não há como descrever exatamente o que senti. Um misto de frio na barriga, pânico, fragilidade e a maior sensação de liberdade já experimentada. Ao abrir os olhos, verde por todos os lados e um enorme vazio. Silêncio absoluto, é impossível precisar quanto tempo a experiência dura: talvez segundos, mas mais parece com uma eternidade.

O alívio vem pelos braços de um instrutor, que nos resgata do meio do nada e nos devolve o chão da ponte. Admito, essa é a melhor parte. Sai do parque com fotos, um DVD que documenta todo o acontecimento e até hoje me traz o frio na barriga de volta e uma camiseta, suvenir que não poderia descrever melhor a experiência: medo é temporário, arrependimento é para sempre.

Como cusco em canoa

Guilherme Wagner Loureiro

Era uma tarde como nenhuma outra. Estávamos, eu, minha mãe e meu pai em Foz do Iguaçu, visitando as cataratas, uma das sete maravilhas do mundo. Lá, havia um rafting. Logo olhei para o meu pai, que adora aventuras como eu, e ele disse:

- Hei, meu filho, que tu achas de fazer esse passeio?
O barco era um bote imenso com mais ou menos 10 metros e dois motores de 250 HPs cada um. Eu nem acreditava!! Respondi para o meu pai:
– Claro!  Ta feito! Vamos lá!
Mas quando olhamos para minha mãe… Ela tinha uma cara de apavorada… E eu disse:

- O que é isso, mãe? Tu não tá com medo, né? Ah, mãe, vamos lá!!
– Quem sabe vão vocês dois e a mãe fica, meu filho! Ela disse, tentando disfarçar.
– De jeito nenhum, tu vem junto, porque vai ser muito legal.

E peguei a sua mão, arrastando minha mãe rumo ao barco. Chegando lá, vestimos coletes salva-vidas e capas de chuva. A aventura prometia ser molhada.

Entramos no barco e eu e meu pai não parávamos de conversar, só imaginando como seria a aventura. Nem se ouvia a voz da minha mãe. Sentamos e recebemos instruções de segurança. Eu não via a hora de ouvir o ronco dos motores. E o meu pai dizia:

- Segura, peão!!

Minha mãe continuava muda. Assim que ligaram os motores e o barco começou a andar, vi que ela estava agarrada que nem cusco em canoa no braço do meu pai. E lá fomos nós, rio abaixo! Nunca mais esqueci da cara da minha mãe!

Nas águas do Paranhana

Bibiana Müller

À medida que avanço pelo caminho em busca do Parque das Laranjeiras, na cidade de Três Coroas, a fim de praticar esportes radicais nas águas do Rio Paranhana, encontro um cenário bucólico que sugere relaxamento. Entretanto, relaxar não é o objetivo primeiro daqueles que desejam praticar esportes radicais.
O objetivo do passeio começa a se concretizar quando, já em uma das agências operadoras de rafting disponíveis no parque, ouço o forte murmúrio das águas do rio. Aquele som faz nascer uma grande expectativa em relação ao que as fantásticas corredeiras do Paranhana me reservam (e mal sabia eu!). Aventureiros devidamente equipados a postos! É hora de embarcar em um transporte e seguir até o exato ponto do início da tão esperada descida de bote.

Os primeiros momentos nas águas são de treinamento dos que estão a bordo. Ao sinal de largada do instrutor de rafting, partimos em busca da mais pura aventura. Mas não é possível seguir de vento em popa, não! São pedras enormes que barram a passagem fácil do bote e exigem remadas mais fortes dos tripulantes. São comandos de converter o sentido dos remos e até o posicionamento dos ocupantes. São as corredeiras do rio batendo com ímpeto contra nós. Tudo, porém, é facilmente vencido pelo esforço reunido de todos os tripulantes.

Convém falar dos grandes momentos do passeio, que consistem em descer do bote e flutuar sobre uma “escadaria” de corredeiras, “surfar”, ou fazer o bote flutuar repetidamente sobre as águas que persistem em entrar e, com isso, provocar o riso em todos. Por fim, o grande episódio radical do passeio: o momento em que, inesperadamente, o bote vira! A saída, então, é buscar refúgio junto a uma grande rocha, da qual também é possível dar saltos para dentro do rio.

Apesar da atividade intensa em um tempo que parece deslizar sobre as águas, é possível conferir a beleza do entorno do Rio Paranhana, que é simplesmente fantástico e, ao final de tudo, perceber-se um tanto quanto relaxado, ainda que não tenha sido essa a intenção inicial do passeio.

O rafting pelo paraglider

Márcia Penz

Em Mendoza, na Argentina, no dia 24 de dezembro de 2009, eu e meu marido acordamos cedo, adrenalina a mil, tínhamos marcado um rafting no Rio Mendoza. Não poderíamos nos atrasar nem um minuto, pois às 8h uma van nos pegaria no hotel para a tão esperada aventura, câmera fotográfica, água e uma mochila com toalhas e roupas secas. Isso era o que precisaríamos. Tudo pronto, nós já esperando no saguão do hotel e nada da tal van chegar. Nisso veio o aviso: o rafting foi cancelado.

O dique que represa a água não foi aberto e o rio estava seco. Nossa frustração foi enorme, mas, como bons aventureiros, jamais nos daríamos por vencidos, pegamos o nosso carro e os mapas e saímos em busca de uma nova aventura. Saímos meio que sem rumo e fomos parar por acaso ao pé do Cerro Arco, que serve como rampa para vôos de asa-delta e paraglider. Estava aí a nossa nova opção, iríamos voar a qualquer custo.

Contratamos ali mesmo um vôo duplo de paraglider, sem qualquer referência do instrutor que tínhamos acabado de conhecer. Entregamos nossas vidas literalmente nas mãos de um desconhecido, digo entregamos nossas vidas, porque a 1,6 mil metros de altura, qualquer vacilo seria fatal. Bom, na hora nem pensamos nisso e só queríamos saber de apreciar a paisagem, que lá de cima é mais deslumbrante ainda. Não queríamos ocupar a nossa mente com nada que não fosse aproveitar cada segundo do vôo. Foi tudo muito perfeito, muito seguro. Voar de paraglider é realmente maravilhoso, vale a pena experimentar!

Ah, o valor de cada vôo: 180 pesos argentinos, o equivalente a R$ 90 por pessoa, isso se contratado no local, pois as agências de turismo chegam a cobrar o dobro. O acesso até a rampa é feito em veículos 4×4, cujo valor está incluso no vôo.

Você já foi à Bahia?

Coraldina Fraga da Silva

No ano em que Zero Hora completa 46 anos, e eu quase o dobro da sua idade _ vou fazer 91 anos no dia 30 de julho -, sinto-me privilegiada em poder contar a “viagem dos meus sonhos”. Para realizá-la bastou acreditar, pois a idade é apenas um detalhe.

Há muito tempo minha família idealizava uma grande festa para comemorar os meus de 90 anos, mas, para surpresa de todos, pedi de presente a minha tão desejada viagem à Bahia. Queria ver o que é que a baiana tem. Foi então que duas netas e uma filha providenciaram tudo.

A emoção começou no primeiro trecho da viagem, quando fizemos uma escala em Florianópolis e os comandantes do voo me convidaram para tirar uma foto com eles na cabine, adorei. Quando cheguei ao aeroporto de Salvador, saltitei de felicidade, parecia uma guria faceira em dia de quermesse. Era tanta emoção que eu só agradecia a Deus.

A partir daí, tudo começou. Eram as comidas típicas, as praias, os jantares, os novos amigos, e tudo que puderam me oferecer naquele hotel maravilhoso. Também no hotel conheci uma baiana faceira que até me vestiu de baiana, com a farda completa. Dancei e cantei até cansar.

A festa continuou quando fui visitar o centro histórico e caminhei por aquelas lindas ladeiras do Pelourinho, visitei igrejas históricas, como a de São Francisco de Assis, apreciei o casario português e, principalmente, encontrei as verdadeiras baianas, alegres, sorridentes e festeiras, sempre prontas a me agradar. Eu não tinha palavras para agradecer tanta gentileza.

Quando me despedi de Salvador, ganhei um apelido dos baianos:”vóinha arretada”, tanta era a minha alegria ao realizar este sonho.

Hoje, agradeço a Deus, à minha família e especialmente ao jornal Zero Hora, por proporcionar esta oportunidade de poder repartir esta emoção com todos os leitores e dizer que felicidade não tem idade.

Ataque dos tubarões

Liane Arnold

Em janeiro deste ano, eu e meu namorado, Guilherme, fomos para as Ilhas Fiji. Visitamos praias paradisíacas, águas cristalinas e fizemos passeios em alto-mar. Assim, fomos seguindo para as ilhas sempre fazendo os passeios de “snorkeling” (mergulho), e apreciando o incrível e instigante fundo do mar. Fui me acostumando com a ideia até que em uma das ilhas havia um passeio que se chamava “nadar com amigáveis tubarões”. Pronto! Estava aí o fascínio do Guilherme: tubarões.

Eu disse que não iria de jeito nenhum e que eles eram amigáveis até morderem alguém. Ele insistiu e, meio a contragosto, concordei. O passeio era no dia seguinte. Eu teria tempo suficiente para convencê-lo a desistir. Não adiantou, chegou o grande dia. Acordei preocupada e muito nervosa. E ele lá, preparando máscaras de snorkeling empolgadíssimo para ver os “supostos amigos”.

Enfim, chegou a hora: meia hora navegando até o meio do oceano. Quando olhei para fora do barco, já vi aqueles monstros em volta. Me apavorei e fui a única a não descer do barco, até que o “comandante” me deu o ultimato. Pulei no mar, morrendo de medo. Quando vi o primeiro do meu lado, já comecei a gritar. E o Guilherme feliz da vida batendo fotos submersas e filmando os “amigos”. De repente, ouvi um grito:

- Aaaaaiiii minha mão! Olhei para o lado. Era o Guilherme com o braço ensanguentado. Aconteceu: o tubarão confundiu a câmera fotográfica com comida e atacou a mão dele. Todos fomos embora e o passeio terminou pela metade. Eu dizia:

- Viu? Minha intuição disse para não virmos.

Voltamos à ilha, ele foi medicado e logo ficou tudo bem. O susto foi maior que o dano. Seguimos para as demais ilhas. A viagem foi maravilhosa, pois, apesar disso, a visita aos tubarões resultou numa pequena cicatriz na mão direita, algumas fotos e, é claro, nessa história inusitada, que contaremos para nossos filhos no futuro! Foi uma viagem muito mais do que emocionante, foi uma aventura.

Em busca de nossas crianças interiores

Joyce Valeria Stangler de Boer

Sempre antes de uma viagem muito aguardada, sentimos que a expectativa e os preparativos já fazem parte do roteiro, se tornando essenciais, até chegar o grande dia. Depois, a partir do embarque no avião, as escalas, até a chegada ao destino final. Isso foi muito emocionante, lá do alto, enxergar Miami, um local tão maravilhoso numa imensidão infinita e ao mesmo tempo, tão longe de casa. Era o início de um sonho que estaria prestes a se realizar e mais bacana ainda, era o fato de estarmos todos juntos, nossa família com cinco adultos, ansiosos para conhecer as  maravilhas da Disney, em Orlando. Uma magia inexplicável e o fato de nos tornarmos crianças novamente, como se estivéssemos ao redor de um novo brinquedo e descobrindo as façanhas desta aventura por meio de uma forma lúdica nos deixava mais ansiosos.

Dentre as imensas emoções que sentimos e lugares que conhecemos, não posso deixar de lembrar o Castelo da Cinderela – algo indescritível, que chegou a me fazer chorar. Principalmente a descida da Sininho, tão frágil, mas com uma força tão imensa, vindo lá do alto daquele castelo. Eu a via e, ao mesmo tempo, me sentia como ela, com o vento batendo em meus cabelos. As sensações se misturavam dentro de mim. Acho que nunca tinha visto algo tão lindo e explêndido.

Os golfinhos. Ah, que coisa mais bela, vê-los tão próximos e até poder tocar neles. Até hoje, se eu fecho meus olhos, “sinto” nitidamente, a textura de sua pele e o seu cheiro. Penso que na minha vida, essa foi certamente uma das melhores sensações que tive, ao ter contato direto com um animal tão especial.

A vivência desses 15 dias numa viagem familiar maravilhosa como essa só fez estreitar mais ainda nossos laços familiares e nos fez, mais uma vez, ter a certeza de que família é o maior bem que alguém pode ter e almejar para alcançar a felicidade. O destino é importante, mas o essencial é o sentimento inexplicável que cada um traduz, seja nas recordações, nas fotos, nos relatos, nas lembranças ou guardadinho lá no fundo do coração. Tem coisas que realmente não se explica, apenas se sente.

Caminhada sobre o gelo

José Jawetz

Não existe parque temático mais perfeito do que a natureza. Por isso, convidei meu filho para uma viagem pela Patagônia. Fomos até Calafate, considerada a principal cidade para quem deseja explorar a Patagônia. Muito aconchegante, à beira do grande Lago Argentino, na qual encontram-se diferentes opções turísticas, como cavalgadas, passeios em 4×4 pelas montanhas áridas e agrestes de origem oceânica, visitas às estâncias da região ou um tour educativo ao sítio arqueológico Covas de Walichu e suas pinturas rupestres. Mas entre todas essas opções, destaca-se o trekking sobre o Glaciar Perito Moreno.

Este glaciar é o mais conhecido do Parque Nacional Los Glaciares, devido ao seu fácil acesso e à sua estabilidade entre a formação de gelo e o seu derretimento. O passeio tem duração de 10 horas e se inicia com o deslocamento em ônibus até um pequeno porto onde uma embarcação leva os visitantes até a margem mais próxima ao glaciar. Após uma caminhada curta, atravessando-se a mata nativa e densa, deslumbra-se o gigantesco e imponente bloco de gelo, grande como a cidade de Buenos Aires e alto como um prédio de 20 andares.

Paredões de cores branca, azul e turquesa, de formas bizarras e pontiagudas. A caminhada é excitante e única. Durante duas horas sobre o gelo, usando-se os “grampones” atados aos tênis, desfila-se ao longo de gretas e sumidouros. Imperdível. De Calafate, atravessamos a fronteira ao Chile, para durante três dias e duas noites explorar Torres del Paine.


Sonho de infância

Rodrigo dos Santos

Quando conheci a Leticia em 2002, ela logo foi falando de um sonho de infância: conhecer Nova York. Nessa época, eu estava com passagem marcada para a França, onde pretendia estudar durante algum tempo. O meu sonho era conhecer a Europa. Acabei não indo para a França e casamos em 2009. Quando marcamos férias, os primeiros destinos que lembramos foram, claro, Nova York e Paris. Após muita insistência dela, visitamos Nova York, em 2009. Confesso: ela tinha razão!

Numa Nova York atualmente bastante segura, é indescritível a sensação de estar em lugares que só vemos em filmes, apesar de manjados: a Estátua da Liberdade, o Empire State, o Marco Zero. Igualmente incrível é assistir ao Fantasma da Ópera na Broadway ou andar pelo Central Park.

Em Wall Street, é preciso tocar nos chifres do touro para se ter sucesso profissional. Não deixe de passar pelo Dakota, edifício onde viveu John Lennon. Um apartamento no Dakota custa uma fortuna. Mas não basta ter dinheiro para comprá-lo: Madonna tentou comprar um apartamento no prédio mas, com receio de novos astros na vizinhança, o Conselho do Condomínio não aprovou o negócio.

No comércio, impossível deixar de comprar produtos de qualidade a preços realmente baixos. O restaurante Carmine’s, serve comida farta a preços razoáveis. À noite, prefira o Ellen’s Stardust, onde os garçons, entre o atendimento de uma mesa e outra, cantam musicais da Broadway a noite toda. Na 42 Street, o Bubba Gump serve camarões de todos os tipos. Na cidade que nunca para, tudo chama a atenção pela grandeza, pela história e pela sensação de “já vi isso em algum filme”.

Já pensamos em voltar aos Estados Unidos. Não só para Nova York, mas também para conhecer Los Angeles e Las Vegas. A Europa, ao menos por enquanto, ficou em segundo plano para nós.

Na Ilha de Córsega

Luana Alves da Silva

Estive numa ilha européia ao norte de Sardenha, em outubro de 2009. Em português, Ilha de Córsega, ou francês (a ilha faz parte da França) Corse, mas o povo de lá que não tem nada de francês a chama de Corsica. O povo é desejoso de ser independente e não  se considera francês. E o que tem de pichação espalhada escrito: Independência! (ou) Liberdade!

A viagem para lá foi de carro, a partir do sul da Alemanha até a Itália e depois do porto de Genova, uma balsa até a ilha. Para quem não sabe Napoleão Bonaparte nasceu nesta ilha, na cidade de Ajaccio. É daqui que vêm expressões como Vendetta (vingança) e da Sesta (aquele soninho da tarde).

Aliás, por causa dessa tal sesta vá ao mercado e padarias pela manhã, pois a tarde é fechado e só reabre fim da tarde e por pouco tempo porque aí já deve estar na hora de dormir mesmo (isso fora Ajaccio que foi o único lugar que as coisas abriam e não fechavam cedo – pelo menos no centro). Outra coisa interessante da ilha são os cheiros! Quando tu sai das grandes cidades, tu sente a mistura do alecrim com outras ervas.
Percorremos (eu e meu namorado) quase toda a ilha de carro, passando pelas principais cidades. Com coisas maravilhosas pelo caminho que só existem lá, com cemitérios, muitos cemitérios mesmo, e túmulos sozinhos no meio do nada.

Os animais por lá são criados soltos. Sim, tu pode cruzar a qualquer momento com vacas, cabras e porcos e nas estradinhas  melhor ter atenção, muita atenção.

Um dia, num dos lugares que dormimos (sempre em camping), recebemos até a visita de uma vaca. Mas logo depois veio o dono atrás da perdida. Ele fala com o bicho e parece que o animal responde. Incrível. Não sei como eles conseguem criar tudo solto e a Deus dará.

As casas lá são lindas, não vi uma que não fosse de pedras. Outra coisa são muitos minilagartos. Você dá um passo e tem um, uma graça. Também teve um lago em especial (stausee von L’Ospédale), que queríamos ver e quando chegamos nele o susto! Tava seco! Claro, provavelmente tem épocas de seca, mas naquele momento a gente caminhou dentro e as vacas descansavam por lá.

Outra coisa interessante a se visitar, pra quem gosta de história e pré-história é o sitio arqueológico chamado Filitosa. Na ilha tem muitas ruínas romanas e tal e algumas pré-históricas. Esse sítio custa seis euros a entrada.

Sonho de 15 anos

Ana Clara Schüler

Paris, Paris, Paris. Este era o sonho de uma menininha de cinco anos após ver o filme Anastásia. Ficou decidido que aos meus 15 anos eu iria realizar a tal viagem, com minha tia Márcia, que já conhecia bem a cidade. Ano retrasado eu completei meus 15 anos e aguardava o momento em que minha tia estivesse livre, em sua agitada vida de trabalho, para me acompanhar.

A viagem foi remarcada umas 23474678 de vezes, e o ano foi passando e passando sem que decidíssemos alguma coisa, tudo em função dos compromissos da vida, não minha, claro. Enfim, agora acho bom minha família e eu sermos todos enrolados. Afinal, aquele ano serviu para me fazer pensar muito nisso e percebi que seria mais válido para mim, ir para algum lugar sozinha, onde pudesse passar o tempo realmente vivendo e fazendo parte de algum lugar.

Seria um desafio ter que me virar sozinha e fazer valer os sete anos de curso de inglês que havia feito. Pois então, resolvi me decidir, não queria mais esperar e precisava de uma aventura. Nessas férias de verão, eu iria para o Canadá. Muita ansiedade, falta de preparação e roupas de inverno emprestadas marcaram os dias antes da viagem. Chegou o dia, encontrei alguns colegas de inglês que iriam junto comigo, no aeroporto.

Quanto mais perto estávamos de chegar, mais medo dava. De não entender nada, de não saber pegar ônibus, pois nunca havia pego sozinha. Achava realmente que ia me ferrar. Bom, claro que no início para todo mundo ocorre de se perder ou se enrolar com a língua. Porém, a primeira coisa que aconteceu comigo ao chegar no apartamento, foi receber uma ligação me informando que havia perdido o passaporte. Claro, tudo estava indo tranqüilo demais. Mas eu resolvi não me estressar com isso, um brasileiro havia achado no aeroporto e ia mandar pra minha escola, o que foi muito gentil.

O bom é que fui muito bem recebida pela minha homestayer, uma senhora separada que morava num apartamento com um gato. Não podia ter mais a ver comigo, conversávamos sobre tudo, contava mais coisas para ela que para minha mãe no momento, pela internet.

Fui independente (pelo menos mais do que aqui) por um mês, me diverti, experimentei culturas diferentes, senti muito frio, vi muita neve, me perdi bastante e conheci pessoas que vou levar pra vida toda. Quem disse que se perder é ruim? Mudar os planos é o mais divertido. Com certeza, valeu muito a pena a troca que eu fiz. Canadá que me espere, vou voltar com certeza.  I love Canada.

Sorte em Las Vegas

Bernardo Schaeffer

Quando eu e minha namorada estávamos planejando nossa viagem aos Estados Unidos, nós incluimos Las Vegas no roteiro sem saber muita coisa da cidade. Após visitar Nova York, São Francisco e Los Angeles, Las Vegas fechou nossa viagem com chave de ouro.

Ao chegar lá ficamos deslumbrados com o hotel. Depois de passar quase um mês dormindo em albergues, nosso hotel era praticamente de luxo. Caminhamos muito pela Strip, a rua principal onde ficam todos os super hotéis e cassinos. Fizemos até test drive de um Hummer e um Corvette. Mas foi em uma noite mais que especial que dois jovens brasileiros tiraram a sorte grande no cassino.

Atendendo a um pedido do meu sogro, nós fomos jogar na roleta. Resolvemos que só iríamos gastar 10 dólares e nada mais, para não perder dinheiro no cassino. Na primeira jogada, apostamos no 14, como meu sogro havia pedido, e saiu o número 15. Resolvemos tentar só mais uma vez e apostamos de novo no 14.

Um jogador ao lado resolveu copiar nossas jogadas, pois achou que estávamos com sorte. E ele estava certo. Nós colocamos todas as fichas no 14 mais uma vez e… saiu 14! Nem acreditamos. Saímos correndo para ligar para o meu sogro, o verdadeiro vencedor. E ele nos deu todo dinheiro que ganhamos de presente para gastar na viagem. Depois daquela noite, entendemos porque Las Vegas é tão incrível e inesquecível.

Mosaico de imagens

Winni Rio Apa

Estava viajando quando recebo um convite de meu amigo Toco Lenzi, aventureiro profissional e cinegrafista, para participar de uma travessia de 200 quilômetros pelo deserto do Saara. Maravilhada pela ideia, eu, Winni Rio Apa, 23 anos, formada em turismo, consultora de viagens especializada em expedições para a Patagônia, e com o sonho de conhecer o África, respondo: sem dúvida!

Dia 30 de janeiro chego à cidade de Atar, na Mauritânia, um lugar que só passei a ter idéia que existia depois que olhei no mapa. Junto com mais sete brasileiros, seis beduínos e 12 dromedários, caminhamos 200 quilômetros a pé pelo deserto do Saara, em um ambiente que variava de 50°C a -5°C, sem previsão para tomar banho, e superando a dor das dezenas de bolhas que surgiam a cada dia em nossos pés, desafios que levavam o corpo ao limite da exaustão.

Durante duas semanas, conhecemos e experimentamos a incrível sensação de imensidão, de liberdade e silêncio dos dias e noites no deserto. E descobrindo que o Saara não é somente um monte de areia e dunas perdidas no horizonte, mas sim um mosaico de imagens, montanhas, pedras e pedrinhas coloridas, pessoas e vida. Depois do Saara, continuei minha viagem pelo norte da África, por mais um mês. Passei mal do estômago três vezes, fui roubada na Tunísia, conheci as casas trogloditas, dormi na calçada e ganhei esmola.

No Egito, velejei pelo Rio Nilo, escalei o Monte Sinai para ver o sol nascer, e fui presa por viajar por conta própria. Fiquei 24 horas em Israel, onde fui interrogada três vezes, algemada para entrar no avião, e, ao final, descobri que meu prato de cerâmica pintado a mão, que havia carregado por três semanas, tinha sido quebrado. Mas, com certeza, essa foi uma das melhores experiências da minha vida, pude  experimentar meu instinto de sobrevivência e adaptação, e compreender mais sobre mim mesma e minha relação com o mundo.


Não foi uma viagem comum

Francisco Manoel Dal Conte

Imaginar o “fim” da terra e o início do gelo, no extremo sul da América do Sul já é um exercício mental fascinante. Convidei um dos que mais amo: meu filho. Fomos. Éramos um grupo de 20 pessoas dispostas a caminhar pela Patagônia, que com seus 673 mil quilômetros quadrados. As paisagens mudam à medida que a Patagônia se aproxima da Antártica ou, a oeste, da Cordilheira dos Andes. Ao norte, há lagoas com água de cor azul-turquesa, vales, vulcões e praias de cartão-postal, com deslumbrantes riquezas naturais. Pingüins, lobos-marinhos e baleias podem ser vistos, no verão, com freqüência. Ao sul e em direção a Cordilheira dos Andes, a temperatura esfria, e surgem geleiras de mais de 60 metros de altura, verdadeiros paredões de gelo. Foram 21 dias e muitos quilômetros de caminhadas.

Não foi uma viagem comum. Caminhamos por trilhas difíceis sem o acometimento de nenhuma bolha nos pés, acidente ou gripe: o fascínio pela paisagem e o reconhecimento pela oportunidade foram, quem sabe, o complexo endorfinas/adrenalina foi que nos aplacou para que passássemos os dias de forma exuberante, naquele local magnífico. Na ida, no verão, em janeiro, em altitude de 11 mil metros, sobrevoando campos, pradarias, cordilheiras, lagos e deserto, por vezes cortando o atlântico, nem imaginávamos para onde estávamos indo. Emoção aguçada de quem viajaria pela primeira vez ao Exterior, tão distante e para um lugar tão inóspito: a Patagônia.

Da viagem, o local que mais me fascinou foi o Glacial (glaciar) Perito Moreno, o mais famoso da Patagônia, localizado no Parque Nacional Los Glaciares, Argentina. Nem sabia o que era um glaciar. Chuviscava fino, vento tinindo forte, sensação térmica negativa. Escuro. Cerração. Nas aberturas eventuais daquela neblina avistava-se montanhas de algo branco-azulado brilhoso. Seria o glaciar?  Aproximação. Nada nítido. O firmamento ameaçava presentear-nos com raios de sol. Caminhando até chegar bem perto. O sol raiou. Espetáculo. Aquilo na frente. O que era aquilo? Paredões de gelo, branco-azulado. O “silêncio patagônico” entrecortado pelos estrondos das quedas da geleira. A contemplação, depois, com as garras nos pés e as luvas, caminhando sobre gelo milenar. Sol exuberante. Inacreditável!

Comentários (5)

  • Luana Alves diz: 4 de maio de 2010

    Muitooo legal ver meu relato aqui e todos os outros tambem.
    Viajar é sempre bom, traz crescimento, cultura, enriquece a alma. Eu sempre fiz diário de bordo das viagens no meu blog, e fico feliz que uma viagem tenha sido dividida aqui na ZH.
    :)
    Luana

  • Oba, sai no jornal! « Caminhos da Lu diz: 4 de maio de 2010

    [...] o link aqui, pra quem não tem acesso ao [...]

  • MARTA ALMADA diz: 4 de maio de 2010

    Parabéns ZERO HORA pelos 46 anos de vida!!!!
    Parabéns pela iniciativa do concurso cultural “Relatos de Viagem”.
    Vocês não conseguem imaginar a alegria da minha mãe ao ver que o seu relato de viagem foi publicado. A família ligava de todos os cantos para dar os parabéns.
    Parabéns também aos outros participantes que contribuiram com histórias divertidas e interessantes.
    Muito obrigada.
    Marta

  • Hostels Barcelona Nest diz: 12 de maio de 2010

    Great pictures and reports!
    Greetings from hostels barcelona nest , Spain!

  • armando b azambuja diz: 30 de novembro de 2011

    Oi pessoal, por váriasvezes relatei minhas viagens no caderno, e sempre acompanhos os relatos e dicas. Apaixonado por este mundão e com mais de noventa paises conhecidos decidi fazer um blog e contar algumas das jornadas.

    trotomundo@blogspot.com

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