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TERRA À VISTA – SAINT THOMAS!

11 de outubro de 2011 0

Navegando no Caribe por Luciano Terra parte II Depois de um dia e duas noites navegando rumo ao sul avistamos os primeiros pássaros que indicavam que logo avistaríamos terra, ficamos emocionados e imaginando como deve ter sido essa chegada na época do descobrimento, onde, após muitas semanas quase sem comida e água, os primeiros navegadores aportaram por aqui. A descoberta do novo mundo deve ter sido emocionante para eles! Para nós foi! No “tempo do navio”(explico: o horário do navio era o mesmo do Cabo Canaveral, porém o de algumas ilhas era uma hora de diferença) passavam das 10 horas da manhã quando avistamos a primeira ilha! Nosso destino era a ilha de Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas, porém antes avistamos a Ilha de Saint John e depois a Ilha de Saint Croix , que também fazem parte do mesmo arquipélago. A Ilha de Saint Thomas é famosa por ter sido palco de Piratas por muitos anos e pudemos constatar o porquê disso chegando à ilha. A baía de entrada é super fechada e perfeita para um esconderijo, tanto de piratas quanto de navios mercantes daquela época (depois pudemos constatar que nessa mesma ilha há outras baias tão fechadas quanto). Com tudo isso fomos obrigados a nos remeter para a época áurea dos piratas e imaginar como tudo deve ter acontecido. Aportar em lugares não antes conhecidos têm sido um dos pontos altos da viagem. Parecemos duas crianças soltas em um parque de diversões com cartão ilimitado. A primeira visão de terra geralmente é feita da sacada da nossa cabine e logo saímos a toda para o alto do navio, para termos uma visão de 360 graus e ao ar livre, então, do alto do 12º. andar, deliramos com as paisagens de cartão postal para todos os lados (vale ressaltar que não somos os únicos e que o topo do navio fica lotado de crianças como nós dos 02 aos 90 anos). Esse espírito infantil faz toda diferença em qualquer viagem, ficar deslumbrado com alguma paisagem, como uma igreja magnífica, com uma obra de arte, com tudo que é bonito e feito para alimentar nossos olhos e nossa alma. Se não houver esse encantamento a viagem perde um pouco o sentido. Uma viagem de férias se resume a apenas alguns dias ao ano, porém quem tem esse encantamento pueril nesses dias, com certeza o terá na vida do dia a dia e isso irá fazer a diferença em sua viagem por este mundo. Nesta viagem algumas crônicas da Martha Medeiros têm me feito refletir sobre muitas coisas. Em uma delas ela diz o seguinte: “Quando alguém me diz “como você tem sorte”, penso que tenho mesmo. Mas não a sorte de receber tudo caído no colo, e sim a sorte de ter percebido a tempo que nosso maior inimigo é a falta de humor. Sem humor, brota o preconceito para tudo que é lado. A gente começa a ter mania de perseguição, qualquer coisa parece difícil e uma discussãozinha à toa vira um dramalhão. Prefiro escalar uma montanha a viver dessa forma cansativa. Espírito aberto. Caso você não tenha recebido gratuitamente na sua herança genética, dá pra desenvolver por si próprio”. Sendo assim viva da maneira mais leve possível e se permita o encantamento pelas pequenas coisas, por um por do sol maravilhoso, por uma lua cheia brilhante, por uma criança com um balão colorido, por um vento gostoso no rosto. Somente assim sua “viagem” será surprendentemente suave e feliz. A ilha de Saint Thomas é repleta de contradições, do caos do trânsito, ainda em mão inglesa apesar de os carros já serem no formato do resto do mundo, à maravilhosa Magens Bay , das belezas naturais a um certo “clima” de hostilidade da população local, um dia escravizada por espanhóis e hoje “colônia” americana. Somando-se e subtraindo-se todos os seus lados, podemos dizer que vale a visita e que essa ilha do caribe é surprendentemente encantadora. Por outro lado, mesmo que todo o resto fosse um caos, feio e sujo, o que não é, a visita já valeria pela imagem do alto de um dos seus morros da tão famosa Magens Bay. Descrevê-la em palavras é complicado, porém imagine um super recipiente onde você joga tinta verde escura, branca, azul e um pouquinho de preta (para dar a sombra das nuvens) e com um pincel você mistura levemente todas essas cores deixando um mesclado de verde claro, verde escuro, um leve tom de azul e alguns pontos mais negros que vão mudando de formato suavemente. Aliado a isso uma península repleta de mansões, uma outra ilha ao fundo e toda uma mata fechada ao redor! Se você conseguiu imaginar um pouquinho pode ser que tenha feito juz ao lugar, porém só realmente vendo para ter essa emoção. Ao chegar lá embaixo você ainda encontra uma praia de águas transparentes e sem ondas convidando para um mergulho e um nado gostoso. Com certeza você irá se encantar como nós. Após um dia repleto de atividades, turismo, novas praias, nova cultura, voltamos à nossa realidade atual: navegar, navegar… Esse contraste entre duas realidades completamente diferentes e velocidades mais distintas ainda, faz com que tenhamos um certo choque, como se viéssemos de um mundo paralelo e caíssemos em um outro completamente diferente. A sensação como navegador de primeira viagem é como se estivéssemos em uma nave atemporal, onde entramos, programamos e lá vamos nós para outro lugar distinto. Isso tudo porque quando estamos dentro do navio, tirando o leve balançar que nos faz perder levemente o equilibrio em alguns momentos, é como se estivéssemos em terra firme. Aqui assistimos a espetáculos maravilhosos em um teatro muito maior do que muitos que já fui, jogamos em um cassino, dançamos em boates maravilhosas e frequentamos restaurantes internacionais de respeito. A vista de um oceano sem fim, de entardeceres magníficos, de luares de tirar o fôlego e de uma brisa suave e gostosa são meros detalhes que fazem uma imensa diferença, porém que nos fazem sentir mais ainda em um lugar sem tempo, sem referências. Onde estou agora? Não faço a mínima idéia! E isso importa? Nem um pouco. Sabemos que estamos indo para o nosso destino final e isso é que importa. O que nos resta é aproveitar a viagem e curtir cada momento antes da chegada. Aproveitar os momentos em cada parada, receber a adrenalina que vem com o novo, com as novas experiências e voltar para esse suave navegar. Alguma semelhança com a vida?!!

Leia o post completo no blog Viajando com Arte:
TERRA À VISTA – SAINT THOMAS!

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