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Inhotim: coloque na lista dos destinos imperdíveis no Brasil

01 de novembro de 2010 2
 
 

Instituto Cultural Inhotim, do empresário da mineração Bernardo Paz , é uma obra de persistência e muita dedicação. Montar um “lugar”, como ele prefere chamar o complexo de arte contemporânea, no interior de Minas Gerais baseado na determinação e paixão particular pela arte não é uma tarefa  simples.

  Pode-se ter uma ideia da personalidade de Paz pela história contada à revista Veja pelo engenheiro agrônomo Harri Lorenzi. Numa visita ao jardim comentou ao ver o amigo  se gabar das palmeiras, ‘Meu amigo, essa sua coleção não tem nada de extraordinário. Faltam centenas de espécies nativas’”. Ao retornar ao local, no ano passado, Lorenzi se assombrou: “Até onde sei, ele montou a maior coleção de palmeiras do mundo, com mais de 1 000 espécies”. O episódio resume o homem e sua obra. Paz pode ter uma aparência de artista sonhador, mas por trás da estampa zen, há um obstinado em  fazer florescer a  “obra de uma vida”.

 A família de Bernardo Paz possuía uma vasta coleção de Arte Moderna quando o empresário decidiu vender todas as peças e investir em algo inovador. Inhotim surgiu no fim dos anos 80, quando Paz se tornou amigo do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) e obteve dele palpites para montar um jardim em sua fazenda em Brumadinho, interior de Minas Gerais.

A primeira obra adquirida por Paz foi do artista Tunga, em 1998. Hoje, sua coleção ultrapassa 500 obras com foco na arte produzida internacionalmente dos  anos 1960 até os nossos dias.Esculturas, gravuras, desenhos, fotografias, vídeos e instalações de nomes renomados  como Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Chris Burden e de sua esposa, a artista plástica contemporânea, Adriana Varejão, convivem com a exuberância do jardim tropical. A galeria mais espetacular é a de Adriana, que tem três andares e parece flutuar sobre um espelho-d’água.



A ideia de transformá-lo em uma instituição aberta ao público nasceu em 1995, quando o empresário se viu confrontado com a morte: sofreu um derrame numa escala em uma viagem de negócios à China. “Percebi que meu legado poderia ser esse ambiente mágico, onde as pessoas vivem uma experiência interior única”, diz.
Na Arco 2008
, feira de arte em Madrid, Bernardo Paz recebeu o prêmio de Melhor Colecionador do Ano.

 

 O visitante, quando chega ao Inhotim, tem diante de si inúmeras possibilidades de caminhos e percursos, onde ora se depara com obras de arte, ora com espécies raras de planta. Não há como sugerir um único trajeto. Não há roteiros predefinidos; melhor é se entregar à experiência. Em uma área de 97 hectares, o Jardim Botânico conta com diversas coleções entre as quais se destacam a de Aráceas, uma coleção de orquídeas, com 350 indivíduos de diferentes espécies e, ainda, uma das maiores coleções de palmeiras do mundo com mais de 1.400 espécies. Pesquisas e projetos botânicos e paisagísticos são desenvolvidos em parceria com órgãos governamentais e privados.Surgido como um capricho, Inhotim, distante do eixo Rio-São Paulo e fora de mão até mesmo para quem vive em Belo Horizonte, já quatro anos depois de sua abertura, se destacava como referência em arte contemporânea.  Sustentada por recursos privados e pela lei de incentivo à cultura, em 2009 recebeu 130.000 visitantes. O interessante é ver a arte contemporânea retirada de ambientes áridos das salas de exposição e em contato direto com a natureza.


 

 Paz declara ter  investido no projeto cerca de 90 milhões de dólares, o que o tornaria um mecenas comparável a Ciccillo Matarazzo. “As mães dos meus seis filhos querem me matar por enterrar todo o dinheiro deles aqui”, afirma. Inaugurado em uma boca-livre antológica, com dois Airbus fretados para o translado de convivas, o imperador de Brumadinho teve sua imagem abalada pelo envolvimento do irmão, Cristiano Paz, no escândalo do mensalão petista, em 2005.

 

 Uma das principais estratégias adotadas pelo Inhotim para a ampliação de seu acervo é oferecer aos artistas a oportunidade de criar obras especialmente para a coleção, muitas vezes realizando projetos artísticos site-specific em diálogo com as características naturais e culturais do lugar. Inhotim também busca identificar obras singulares para incorporar à coleção, criando construções para exibi-las de forma permanente, e tem colecionado em profundidade artistas das novas gerações, reunindo conjuntos significativos de suas obras.
 Uma série de projetos especialmente comissionados por Inhotim estão atualmente em andamento e envolvem artistas como Doug Aitken, Matthew Barney, e Pipilotti Rist.
Bienalmente uma nova mostra é apresentada, com o intuito de divulgar as novas aquisições e criar reinterpretações da coleção, e novos projetos individuais de artistas são inaugurados, fazendo de Inhotim um lugar em constante evolução.
O mecenas paga comissões entre 80 000 e 100 000 dólares por obra, além de bancar o material para sua confecção, “Inhotim é o sonho de todo artista: um lugar que acena com liberdade total e recursos generosos”, diz uma artista.

Paz se envolveu com a arte contemporânea para conviver com os artistas, que via como criaturas extraordinárias. A proximidade o fez rever essa ideia: “Artistas cansam. Ninguém aguenta as pirações deles por muito tempo”.

http://www.inhotim.org.br/

Fotos de Benoni e Sharon Rossi.

 



Inhotim é lindo de morrer!  Tem que ir!
Tinha uma turma da casa do saber lá, lembramos na hora do blog Viajando com Arte. O lugar é uma mistura de parque e museu que cria um espaço paralelo onde a gente fica completamente imerso e isolado da correria do resto do mundo.
Os jardins são de encher os olhos e já valem a visita! Dá vontade de ficar lá, jogada na copa de uma árvore, só vendo o passa-passa de gente. As galerias também não deixam por menos. Prédios que aguçam a criatividade de qualquer estudante de arquitetura, pensados exclusivamente para as obras que abrigam.

É tudo da mais alta qualidade: banheiros limpos, restaurantes deliciosos, carrinhos de golf para chegar nas obras mais distantes, guias inteligentes e uma mistura gostosa de gente bonita.
Pegamos um guia super bacana, que contava um pouco a história do artista, da obra e nos fazia questionar, refletir, criar nossa própria história dentro daquela maluquice toda (porque arte contemporânea não tem como não ser maluca).

Eu e Fred queremos voltar alguma hora…mesmo indo nos dois dias, não
conseguimos ver tudo.
Vale muito a pena organizar um grupão e ir todo mundo junto. Devem sair umas
boas discussões e reflexões estando em mais gente.
Ficamos em um hotel bem gostoso também, há uns 50min do parque, no alto da
serra, com cachoeira, lareira e tudo mais. Se forem pra lá, dá uma olhada
http://www.estalagemdomirante.com.br/

Beijos,
Marina Mansur



Comentários (2)

  • flavia motta diz: 1 de novembro de 2010

    conheci inhotim no mes passado…superou todas as minhas expectativas. estrangeiros em visita ao brasil não devem entender nada!!!!como um país, dito terceiro mundo ou, na melhor das hipóteses, em desenvolvimento pode abrigar um espaço como esse? é inimaginável! fantástico do ponto de vista de recursos investidos ou no aspecto arquitetônico, bem como paisagístico e a coleção…só vendo! recomendo uma visita calma que contenha a possibilidade de contemplação. acho que o ideal seria 3 dias…poder descansar na grama, nas sombras…

  • Ariane diz: 1 de novembro de 2010

    Inhotim é um dos lugares mais lindos que já visitei em toda a minha vida! O lugar tem tanto a oferecer que não sei qual é a melhor atração dentre restaurantes, cafés, obras de arte, galerias, arquitetura, paisagismo e pessoas muito bem preparadas para atender a todos.

    Foi um privilégio estar lá =)
    Recomendo a qualquer um que ame estar ao ar livre e ainda usufrir de arte – por todos os lados e de todas as formas.

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