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Dubai: um mergulho na modernidade

07 de dezembro de 2010 4

Confesso que nunca tive muita curiosidade em visitar Dubai, e se tivesse que sair do Brasil e voar as 14 horas que me separam de lá talvez nunca fosse. Mas como estava trabalhando no Egito e queria descansar uns dias antes de seguir para a Ásia , achei que era o destino perfeito.

A imagem de Dubai está totalmente colada ao seu mais famoso prédio , o Burj al Arab ou Torre das Arábias, hotel em forma de vela que faz parte de um grande complexo hoteleiro do próprio Mohammad Al Maktoum, o sheik governante e praticamente dono do país. Me rendi ao apelo da modernidade e me dei ao luxo de me hospedar no complexo Madinat Jumeirah, o que foi no mínimo um contraste com meu destino anterior.

Contrastante também é o funcionamento social dos Emirados Árabes , como busca ser um local de investimento no Oriente Médio evita a imagem radical de outros países da Península Arábica. Nos locais de compras as lojas com vestimentas árabes encontram-se  sutilmente separadas, e as mulheres ocidentais podem portar seus trajes normais sem nenhum constrangimento.

Dubai é o mais populoso e rico dos sete Emirados Árabes Unidos e é governado pela Dinastia Al Maktoum desde o século XIX. Chegando ao aeroporto, adivinhem o nome.. Al Maktoum , a primeira coisa que chama atenção é o grande movimento de carros na cidade, afinal são quase dois milhões de habitantes e mesmo com a ótima estrutura de estradas, dá para sentir a o frenesi de uma grande metrópole. Claro que a cidade ainda tem um ambiente meio canteiro de obras, afinal os projetos são gigantescos e muitos tem várias fases. Para nos dar uma idéia da magnitude destes projetos, somente um empreendimento em construção usa o mesmo número de gruas que toda a cidade de Porto Alegre tem disponível.

Ficheiro:Dubai Bauprojekte.png

O complexo Madinat Jumeirah tem parque aquático, shopping center em forma de mercado árabe, muitos restaurantes de diversas culinárias, um condomíneo residêncial e não consegui contar quantas piscinas. Mas o mais interessante é que permite a visita sem custo adicional ao Burj al Arab, mediante reserva. O resort faz parte das propriedades do sheik,  o que facilita também a aquisição do visto de entrada no país, necessário para brasileiros.

A ligação entre as várias atrações do complexo é feita por barquinhos simpáticos. Optei pela hospedagem no Mina A’Salam , o hotel mais em estilo mercado persa, o Al Qasar (literalmente o Palácio) é mais elegante e suntuoso, e entre os dois está o Souk Madinat. Na verdade tudo em Dubai busca manter um estilo meio árabe mas sempre bem estilizado e organizado. Para mim, que estou acostumada com outros países árabes, fica uma sensação de estar no Epcot Center da Disney. Até a Cow Parade, em edição recente nestes pagos, tem uma versão local, simpáticos dromedários enfeitavam os jardins.

 

Tudo é impecável! Na praia o mar é transparente e a areia parece que foi peneirada , o que eu não duvido nada. A quantidade de funcionários multiraciais é impressionante, nossa brincadeira era tentar descobrir a nacionalidade dos garçons. Os taxistas e pessoal da construção civil já são bem mais fáceis de identificar, a maioria vem da Índia e do Paquistão.

Mas o maior objeto de desejo, além da infinidade de shopping centers de Dubai, é a visita ao interior do Hotel Burj al Arab. Construído numa ilha artificial , duzentos metros da praia, foi concebido pelo arquiteto Tom Wright como: “um edifício que se tornasse um ícone declarado de Dubai, que seja espantosamente lindo e semelhante a Ópera de Sydney ou como a Torre Eiffel”. Não há check-in: os hóspedes são recebidos na porta do avião por um funcionário que se encarrega de todas as formalidades de imigração e alfândega. A única preocupação de quem chega é embarcar no Rolls Royce ou no helicóptero  que vai levá-lo à essa jóia arquitetônica de 321 metros de altura.

O interior busca criar uma fantasia árabe contemporânea, a água e o colorido em vermelho e amarelo evocam a beleza local do ouro e do deserto. As flores são um capítulo à parte, sempre radiantes e elaboradas em maravilhosos arranjos.

Do Skyview bar avista-se os arquipélagos artificiais Palm e o The World, além de uma belo skyline da cidade. Palm Islands são três arquipélagos artificiais no formato de palmeiras. O audacioso projeto  é um grande ponto atrativo da cidade e tem como objetivo aumentar o turismo, pois ao contrário de outros países árabes os Emirados não tem petróleo em abundância. O ideal é subir até o bar no final da tarde e curtir um happy hour nas alturas, enquanto as luzes se acendem. O drink mais famoso da casa é o Camel Mojito, preparado com leite fresco de camelo, quem se habilita?

A mim encanta sempre os lugares mais populares e típicos de cada destino. Por isto o centro, cortado por um braço de água conhecido como Khour-Dubai,  foi o que mais me atraiu. Ali estão também vários hotéis, mas pode-se ver mais de perto a população local e os barcos carregados que chegam e partem para o Irã, país localizado do outro lado do golfo Pérsico, poucas horas de barco dali.

Mesmo que você tenha chegado a Dubai e não tenha mais nem um centavo para gastar tem que ir ao famoso mercado do ouro, com uma abundância que chega a parecer meio fake. Tudo reluz. Os corredores são iluminados com o dourado das vitrines, que exibem tudo quanto é coisa produzida ou revestida em ouro. Ao contrário do que possa se imaginar a maioria dos produtos é feita para o público masculino. Mais: o ouro, que para o pobre mortal parece ser sempre dourado, aqui pode mudar de tonalidade, e adquirir as cores branca, amarela, verde ou rosa. 
São mais de 350 lojas para todos os gostos e bolsos.

Se, como no meu caso, seu objetivo for descansar ou conhecer um destino cosmopolita que oferece um “banho de modernidade”, acho que a escolha está feita!

Aproveito para desejar boa sorte aos viajantes colorados, estarei torcendo por aqui.

Comentários (4)

  • Roberto diz: 23 de outubro de 2009

    Todo mundo acha bonito isso em Dubai, mas tentem fazer um igual em Porto Alegre. Alguma chance de a prefeitura medrosa ou dos ecologistas “por acaso” permitirem???
    Talvez se houvesse um plebiscito onde dizer não permitisse, um projeto assim teria chance por aqui.
    Afinal, quem quer turistas e empregos por aqui? Melhor todos mal que uns bem e outros nem tanto…
    Isso sim é a triste realidade do nosso querido Rio Grande.

  • Ronaldo Costa diz: 24 de outubro de 2009

    Bela reportagem, que mostra de maneira insofismável que empreendedores inteligentes, ousados e criativos, existem em todos os lugares e submetidos a diferentes credos religiosos. Investir em potencial turístico em tal local é preparar de fato sua terra para o futuro ao contrário de seus pares do entorno que apenas gastam ou investem seus petrodolares na compra de empresas no exterior assegurando talvez, apenas o futuro de seus familiares sem olhar o povo que está sob seu mando. As fotos mostram grande beleza arquitetonica das edificações e o texto esclarece que existe a preocupação em não contranger o turista com a rigidez dos costumes locais, isto é, até a mentalidade está adaptada ao turismo sem necessariamente abrir mão da religiosidade que caracteriza o povo local ou dos costumes que restringem as atitudes dos que estão de alguma maneira ligados as práticas inerentes a tal credo. Confesso que não me despertou nenhuma vontade de conhecer a área enfocada, pois o oriente como um todo não desperta minha curiosidade, entretanto, mostrou-me que dinamismo e iniciativa não são privilegios exclusivos dos ocidentais.

  • Carlos diz: 8 de dezembro de 2010

    Perfeita a resposta do Roberto. Não preciso dizer mais nada.

    Melhor todos mal, que uns bem e outros nem tanto. Deviam trocar o lema da bandeira de Porto Alegre pra esse, pq faz tempo que nada “valeroso” acontece por aqui, graças à esquerda.

  • Luiza Renata diz: 13 de dezembro de 2010

    Oi Mylene,

    Interessante o blog. Espero que os bons ecologistas continuem ativos em Porto Alegre independente do partido ser de direita ou esquerda. Vamos proteger a natureza, porque dependemos dela para tudo.

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