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Fechando com chave de ouro: Visita privada a Capela Sistina

14 de dezembro de 2010 3

 

Era nossa última noite em Roma e eu antecipava a emoção de estarmos  a sós com Michelangelo em um dos lugares mais sagrados da cristandade e da história da arte – a Capela Sistina.


Minha última experiência dentro da Capela Sistina não tinha sido das mais agradáveis, pois fazia um calor de 36 graus em Roma,  as pessoas se apinhavam lá dentro o ar era pesado, quase irrespirável. O guarda ansiosamente tentava silenciar a multidão e gritava “silêncio” a cada 2 minutos. Foi tudo um pouco caótico, mas vale qualquer sacrificio para apreciar a maravilha realizada pela mão de um único homem em apenas 4 anos.

Desta vez foi tudo muito diferente estávamos só nós dentro da Capela Sistina, 22 felizardos!!

Fiquei sabendo da possibilidade de uma visita privativa a  Capela Sistina, no dia do meu aniversário e achei que aquilo era um presente de deus. A partir daí, foi uma questão de fazer os contatos certos e quando vi o papel com o timbre do Vaticano confirmando este sonho senti um arrepio.

Nossa visita estava agendada para as 19:30h, os portões se abriram as 19:15h e foi muito estranho entrar naquele imenso prédio completamente vazio, salvo pela presença de alguns guardas que nos passaram pelas máquinas de raios X.

Somente os guardas como companhia

Nossos passos ecoavam naqueles imensos corredores e fiquei imaginado  tantos papas que passaram por ali, fomos levados primeiro as “Stanze di Rafaello” ou seja os apartamento privados do papa Július II que foram decorados com afrescos de Rafael Sanzio. É onde se encontra uma das obras mais espetaculares de Rafael, o afresco chamado A Escola de Atenas.

A Escola de Atenas – Rafael Sanzio

 

Detalhe onde Rafael retrata o filósofo Heráclito com as feições de Michelangelo.

 

 

Sozinhos pelos corredores do Vaticano fomos nos encaminhando para o nosso Gran finale 

 

Michelangelo começou a pintura do teto da Capela Sistina em 1508, muito contariado, pois ele não se julgava um pintor, mas um escultor.

O papa Julius II só conseguiu convence-lo a aceitar a tarefa com a promessa de que terminada a pintura, Michelangelo colocaria em prática um grande projeto escultórico para a tumba do próprio papa, deste projeto enorme só sobraram poucas peças, a mais linda delas, o Moisés que reza a lenda, quando Michelangelo deu a obra por acabada, ela parecia tão real que ele teria batido com o cinzel no seu joelho e dito: Adesso parla!, ou seja agora fala!

 

E finalmente chegamos até o interior da Capela, todos ficamos num estado de arrebatamento, dificil falar, deixei as pessoas admirarem o ambiente antes de começar a contar a estória das obras ali expostas.

 






No altar principal ao fundo, o Juizo Final, pintado por Michelangelo 25 anos depois da conclusão do forro, não mais aquele artista eufórico com total devoção e crença no futuro, mas um Michelangelo mais velho, desencantado com o rumo dos acontecimentos, como a reforma da igreja, o Saque de Roma pelas tropas de Carlos V em 1527. Muito historiadores veem neste afresco gigantesco o inicio da escola Maneirista.

 

Aqui no detalhe, Michelangelo se autoretrata na figura de São Bartolomeu, que foi esfolado vivo.

 

 




Foi uma experiência única, poder ficar em silêncio e sentir a energia que este lugar possui. Saimos de lá num misto de euforia e introspecção.

Para terminar nosso périplo pela Itália, depois deste momento de adoração aos grandes gênios da arte, só poderíamos fazer uma coisa para nos despedirmos de Roma, rumamos direto para a Fontana di Trevi, onde abrimos umas champanhes e fizemos muitos brindes, principalmente de agradecimento porque certamente foi um grande privilégio.

 

Fotos de Clarisse Linhares e Mylene Rizzo.


Comentários (3)

  • Sheila diz: 15 de dezembro de 2010

    Olá Clarisse. Duas perguntinhas: foi permitido fotografar a Capela Sistina nesse passeio? Em visitas normais é permitido fotografar o restante do museu (sem flash, obviamente) mas não a Capela Sistina. E como a gente se informa sobre esse tipo de visita privada? Elas ocorrem com frequencia? Realmente é muito melhor apreciar essa maravilha com tranquilidade.

  • Cristina diz: 26 de fevereiro de 2011

    Olá, achei interessante essa tua postagem! Gostaria muito te ter sabido dessa visita privada à Capela Sistina ANTES da minha viagem à Roma!… Estive lá recentemente, no inicio de fevereiro, na baixa temporada, e ainda assim havia muita gente lá dentro! Mesmo naquela aglomeração, fui tomada de um arrebatamento, pois estava diante das imagens que antes apenas havia visto em livros de arte. Algumas figuras do teto, inclusive, pareciam aos meus olhos estar em três dimensões (as sibilas e os profetas, que estão nos cantos do teto). Também não foi possível fotografar no interior da Capela, o que de certa forma favoreceu a minha total atenção à contemplação dessa obra de arte. Mas na minha próxima ida à Roma, tentarei essa visitação privada, para fugir daquela aglomeração de turistas! Parabéns pelo blog, uma ótima leitura para que adora viajar!

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