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Posts de janeiro 2011

Atlântida nostálgica

31 de janeiro de 2011 6

  

 


 





Foto de Márília Clark

  

Que o litoral do Rio Grande do Sul não tem belas praias e nem um mar que cause inveja já é lugar comum na crônica por estes pagos. Mas como o chegar a Santa Catarina e outros belos litorais é algo que só conseguimos num feriado prolongado, o veraneio no litoral norte foi sempre a minha realidade familiar desde tempos imemoriais.

 

E vou confessar, eu sempre adorei!

Para mim o verão neste recanto tranqüilo de praia é um período de fazer uma “limpeza” mental, sem nenhuma obrigação nem compromisso social , é aqui que sempre me preparei para enfrentar o ano, desobstruindo a mente de tudo que foi obsoleto para absorver o que de novo virá. Agora tendo um ofício relacionado a educação , ficou ainda mais fácil manter esta rotina de começar o ano em março após um período de reclusão.

 

 

 

Falar sobre Atlântida sempre me traz um “quê” de nostalgia. Por mais que hoje seja a praia da moda, ou melhor dos condomínios e da vida noturna do litoral gaúcho , não consigo encará-la com este glamour social. Apesar de aproveitar certas facilidades antes impensadas por aqui como charmosos restaurantes como o Café Atlântida , localizado no antigo Chopinho, são uma alegria para quem antes para jantar fora tinha que colocar a mesa na varanda!

 

 

 

Mas voltando a nostalgia de Atlântida de “minha época” !

As ruas onde os sapos sempre cantaram e onde as crianças podiam se libertar das amarras paternas e andar de bicicleta até o “centro”, que não passava (e ainda não passa muito) de uma praça com um mini comércio e uma fruteira que , pasmem , sempre funcionou 24horas. Era uma liberdade experimentada a conta gotas, a cada ano se podia ficar até mais tarde no centrinho, namorar no mini-golfe, e para os mais velhos frequentar o Bar da Adélia.

 

 

 

As casas eram na sua maioria chalés de madeira onde a gente entrava para almoçar com os vizinhos, nem que fosse pela segunda ou terceira vez no dia. Alguns ainda resistem ao tempo, e eu saudosista me encanto ao ver novos proprietários mantendo a memória e reformando sem descaracterizar e perder o charme, claro que agora atrás das grades! Um prazer que parece não envelhecer é tirar uma sesta depois do almoço, na rede da varanda, quer coisa mais praiana do que isto?

 

 

 

 

 

 

A beira da praia nunca foi o ponto alto, mas molhar os pés no mar fazia parte do ritual diário dos veranistas, “nordestão” nenhum nos assustava. E se não dava para colocar o guarda-sol e a cadeirinha, uma caminhada ao entardecer não faltava. Ultimamente os quero-quero e pequenas garças tem dado o “ar da graça” nas areias perto da plataforma , emprestando sua elegância aos finais de tarde. Finais de tarde que por sua vez tem sido de um colorido impressionante!

 

 

 

 

 

Mas tenho certeza que em nenhum outro ponto do litoral brasileiro causa tanto encantamento um dia de mar transparente, com sol e sem vento, se o mar estiver calmo então, não se fala em outra coisa. O que em outras praias é o lugar comum no verão , todas as variáveis conspirando a favor num único dia já justifica  os dois meses de estadia! Pena se isto acontece justamente no dia que temos que dar uma chegadinha em Porto Alegre, e é claro, nunca no fim-de-semana.

 

 

 

O evento mais esperado do verão era o Carnaval da SABA, onde todo mundo se encontrava, à tarde com as crianças fantasiadas e à noite para “pular” em círculos ou encima das mesas as mesmas músicas todos os anos! Mas nada podia ser melhor, e vinha gente de todas as praias, até de Torres. O Planeta é bem mais atual, tem “só” uns quinze anos!

 

Como o tempo não é nunca muito garantido,  o céu de Atlântida compensa oferecendo espetáculos variados de cores e formas.

O dia de ir embora era quase um luto, porque mesmo com promessas de feriados compartilhados, sabíamos  que Atlântida só ia renascer no próximo verão.

 

Os detalhes que fazem a diferença

20 de janeiro de 2011 0

Em Marrakesh nos hospedamos no Hotel Sofitel , e é através dos pequenos detalhes que um grande hotel se revela, tudo é cuidado, as flores são frescas lindas e trocadas a cada dois dias, cada mimo para o hóspede, um chá , a decoração é suntuosa bem ao estilo oriental, tudo a ver com a cidade.

Reparem que interessante o quadro atrás do rapaz que serve o chá de menta, é todo colorido e com babouches dispostas como uma assemblage.

 

 

 

 Tivemos uma manhã livre para desfrutar do hotel e a tarde combinamos de almoçar em um dos lugares mais bonitos e  exclusivos aqui em Marrakesh, que é o Hotel Amanjena, ele fica um pouco fora da cidade, em um lugar muito tranquilo e sobretudo discreto, pois as pessoas que lá se hospedam tem como primeira exigência a sua privacidade,  a gerente nos contou que eles estariam hospedando algumas celebridades, mas não diria quem eram nem sob tortura, descobrimos que uma delas era Hillary Clinton, mas vá saber, também isso não tem a minima importância o que valeu foi o almoço fantástico e a bela paisagem. Aqui foram filmadas cenas do Sex and the City II, que embora diga que foi filmado nos Emirados Árabes foi feito pelas ruas e desertos do Marrocos.

Bom gente pelo visto acho que vamos ter que voltar para Porto Alegre à pé depois de todo este festival gastronômico!! Até breve!

Paris em fevereiro

19 de janeiro de 2011 18

Paris em fevereiro pode ser surpreendente, a cidade no inverno não é tão convidativa para longas caminhadas ao ar livre, mas tem muitas compensações.

Em nenhum dos lugares que fomos tivemos que enfrentar longas filas e nos museus que decidimos visitar foram passeios tranquilos sem ter que ficar disputando espaço na frente das obras mais importantes.

 Paris no inverno tem a sua beleza, chegamos para passar 5 dias, e no primeiro dia nevava muito, foi quando dei mais valor a minha opção de ter alugado um apartamento em vez de ficar em hotel. Uma opção que super recomendo para qualquer época do ano, principalmente se você esta em mais de 2 pessoas.

Este foi o apartamento que aluguei através do site, ele era totalmente equipado, roupa de cama, toalhas, TV, internet livre, e ainda uma garrafa de vinho de boas vindas! Eu queria ficar no Marais e este ap ficava a 2 quadras da Place des Vosges, ao custo de 275 euros a diária, com 2 quartos, 2 banheiros e um sofa cama para 2 pessoas na sala.

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No site   http://www.vrbo.com/  tem muitas opções para todos os gostos e bolsos, fora que você ainda tem a oportunidade de experimentar o cotidiano de ir a feira, comprar produtos frescos e quem sabe se arriscar na cozinha… Tem que contabilizar também a vantagem de poder tomar uma garrafa de vinho em casa, quase pelo preço de uma taça nos restaurantes. Eu adoro fazer uma happy hour com queijos, baguete e patés.

 

 

No segundo dia que estávamos lá seguimos uma dica de uma leitora aqui do blog que esta morando em Paris, a Sabrina Porcher, muito querida ela nos deu várias dicas culturais, uma foi a de ir assistir a uma enorme instalação que estava no Grand Palais, do um festejado artista francês contemporâneo,  Christian Boltansky, o trabalho intitula-se ” Personnes”.

 

 

 

 

 Uma enorme pilha de roupas sendo agarradas ao acaso na pilha e soltadas aleatóriamente, o artista explica que a garra é como uma metáfora da mão de Deus e que  seu trabalho artístico  reflete temas em torno das memórias, morte e perdas. Nesta instalação chamada “Personnes” que em francês quer dizer ao mesmo tempo “pessoa” e “ninguém”, Christian Boltansky, quer criar uma exploração religiosa, social e humana da vida e a irredutivel individualidade de cada existência humana. Isto foi o que li na declaração do artista, mas vocês podem tirar suas próprias conclusões……  

 

 

 

Foi uma boa caminhada do Marais até o Grand Palais e abriu de verdade o nosso apetite, foi quando lembrei de uma dica de uma menina francesa que conheci na Tailândia e que já tinha checado na internet, que era o restaurante Camille na Rue Francs Bourgeois, que fica no Marais, ela tinha me dito que era um lugar trés tipyque e  era frequentado por John Galliano. Como era perto do nosso ap, fomos conferir, com esta clientela fiquei com medo dos $$$$, mas nada de exorbitante, pratos principais em torno de 20 euros, o ambiente super aconchegante, e a sopa de cebola deliciosa!

 

 

 

Marrocos -Batismo no deserto

13 de janeiro de 2011 5

A experiência de passar uma noite no deserto foi o ponto alto da nossa viagem ao Marrocos, é claro que Fez é fantástica, uma viagem de volta ao século XII. Marrakesh é um lugar encantador e misterioso, mas confesso que onde deixei meu coração foi no deserto de Erg Chebby, nas proximidades de Merzouga.

A começar pelo colorido das dunas que são avermelhadas, e ao por do sol ficam ainda mais púrpuras. Saimos em lombo de camelo ao entardecer e depois de 2h chegamos ao nosso acampamento no meio do deserto. A noite estava pesada de estrelas e dali um tempo a lua cheia apareceu no horizonte iluminando tudo como se fosse dia, indescrítivel. São aqueles momentos que a gente pensa que o mundo poderia parar ali mesmo….

Chegamos no nosso hotel Kasbah Tomboctou que fica nas margens do deserto de Erg Chebbi, próximo da fronteira com a Argélia

Foi a partir daqui que embarcamos nas camionetes 4×4 até o ponto onde já nos esperavamos os cameleiros, que nos guiariam pela nossa aventura de passar a noite em um acampamento bérbere. Paul Bowles, autor do livro ” Sob o céu que nos protege”, que se passa no Marrocos,  declarou que depois da experiência no deserto, que ele classificou de ” batismo da solidão” o ser humano nunca mais será a mesma pessoa. E acho que ele estava coberto de razão, pois quando penetramos nas grandes dunas avermelhadasde Erg Chebbi, a sensação foi  muito intensa e é difícil ficar imune a tanta beleza e grandiosidade.

Reparem a cor das dunas, lembra muito a cor das muralhas de Marrakesh.

Parada para os “tuaregues” assistirem ao espetáculo do por do sol no deserto.

Depois de 2h em lombo de camelo chegamos ao nosso ” bivouac” que é como são chamados estes alojamentos no deserto, fomos recebidos por músicos Gnowa cuja música tem um quê de hipnotisante, uma forte batida, vocês imaginam que depois desta experiência todos estavam num estado de plenitude, de comunhão com a natureza, sentindo a imensidão do deserto.

Depois de muita música, dança, fogueira, subimos uma duna para ver a lua nascer no horizonte vermelha, fantástica, Paul Bowles teve uma experiência de solidão no deserto, não posso dizer que experimentamos este sentimento, mas com certeza ninguém de nós sairá imune desta aventura.

Fez, o Marrocos mais autêntico.

12 de janeiro de 2011 5

Roteiro Viajando com Arte Marrocos 2015

http://cdn.wp.clicrbs.com.br/viajandocomarte/files/2015/04/RoteiroMarrocosA4.pdf

Fez é a cidade mais antiga do Marrocos, e é umas das quatro cidades imperiais sendo identificada com a cor azul de seus mosaicos. Sua medina  é quase uma volta no tempo e remonta a um passado de glórias. Fundada pela primeira dinastia árabe, os Idrissis, é considerada a mais espiritual das cidades marroquinas.  O rei atual , Mohammed VI, tem especial apreço pela cidade por ser a terra natal da rainha Lala Salma. O Palácio Real , presente na maioriaa das cidades em versões variadas, tem os portões mais belos de Fez (somente aos portões os plebeus tem acesso)

Os burricos reinam por suas ruelas cheias de escada e desníveis, e o que mais se ouve por aqui é algo como “atenção” ou “balak, balak” .  Tudo parece saido de uma outra dimensão, cada espaço da medina é repleto de pessoas vivendo um quotidiano normal num espaço exíguo, para nós muito estranho. Jogos de futebol em esquinas da medina surgem a todo momento. Quase todas as mesquitas são vetadas a ocidentais, o que torna a visita um tanto superficial.

 

O souk vende de tudo, alimentos , roupas , utensílios e das mais variadas formas. Aqui a vida é mais original do que em Marrakech, onde tem-se a impressão de que o mercado é “para inglês ver”. O dia que chegamos estava meio conturbado , sábado segue o dia de descanso muçulmano e por isto as ruas são uma muvuca total!

 

Uma das coisas mais interessantes de Fez são os milenares curtumes. O cheiro é meio insuportável , mas eles dão folhas de menta para irmos colocando no nariz. Em volta várias lojas tem varandas elevadas que oferecem um panorama geral complexo , e depois “empurram” seus produtos em couro. Cuidado na hora da compra, se o cheiro do couro for muito forte provavelmente vai infestar a mala e nunca vai permitir o uso!

 

O trabalho é totalmente insalubre e segue o mesmo processo milenar do curtimento e tingimento. As pessoas ficam quase submersas nos tanques com uma temperatura externa de quase 40 graus sob o sol. Inimaginável!

A mesquita é toda em altos e baixos e nem tente se aventurar sozinho pois é totalmente labirintica! Mas os tipos que se encontra são impagáveis.

 Uma menina levando o pão para o forno público.

E o mais inusitado , uma vitrine oferecendo dentaduras. Escolham seus modelos!!!!

Uma vista da Medina desde a parte mais alta da cidade.

Esta é uma casa que foi usada nas filmagens da novela ” O Clone” , hoje transformada numa escola de música. Segue a tradição muçulmana de ser muito simples por fora e bem trabalhada por dentro, com pátio interno para manter fora da visão de estranhos as mulheres da família.

Uma outra vista da medina , a modernidade entrando pela porta dos fundos.

Para saber sobre roteiros em grupo ou assessoria particular do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

 

O Nordeste como o Caribe: Porto de Galinhas e Maragogi

04 de janeiro de 2011 8

Não sou muito apaixonada por viagens por praias onde, a principal  atividade é lagartear na beira do mar, mas com filhos adolescentes  as concessões são sempre bem vindas. Como quase sempre quando a expectativa é baixa , me surpreendi positivamente com a região do sul de Pernambuco e norte de Alagoas, as águas cristalinas não ficam devendo nada ao Caribe!

Foi neste espírito que partimos numa empreitada pelo Nordeste brasileiro, partindo de Recife para o sul de Pernambuco e passando por Porto de Galinhas, Muro Alto e acabando no norte de Alagoas , em Maragogi. Na viagem aproveitamos para entrar em algumas praias famosas na região , em Tamandaré não deixem de visitar a Praia dos Carneiros, uma das praias mais bonitas e selvagens da região.

As estradas são meio complicadas, principalmente na saída de Recife e a sinalização não é o forte no local. Confirmei a minha idéia de que no Nordeste é sempre melhor ficar num hotel em uma praia mais distante do que nas capitais. Recife está muito degradada e Olinda foi a maior decepção da viagem.

Adoro fotografar as pessoas locais quando ando pelo mundo e aqui não podia ser diferente, a beleza do agreste nordestino pelo olhar de uma criança!

Mas Porto de Galinhas , que fica 65km ao sul de Recife, apesar de bastante movimentada , guarda um pouco daquele clima alegre e praiano típico da região. O centrinho bem cuidado tem lojas transadas, lugares charmosos para almoçar e o visual das jangadas nas piscinas naturais é bem legal.

Aconselho pegar praia nas imediações, para quem gosta de mar agitado ou tá afim de pegar umas ondas a praia de Maracaípe é a pedida. Sem construções e com uma infra-estrutura básica de botecos e bares, oferece muitos quilômetros de praias intocadas. Serrambi já tem um mar calmo e com piscinas naturais.

Muro Alto fica 7km ao sul de Porto de Galinhas e foi onde nos hospedamos no Resort Summerville, boa opção principalmente para quem vai com crianças. Esta é uma praia com uma enorme piscina natural de água muito parada e morna, e hoje conta com uma série de bons hotéis como o Marulhos e o Beach Class Resort .

 

Para casais o mais astral é o Nannai, com uma bela vista da praia , privacidade e uma decoração mais transada.

A Praia do Cupe que fica ao lado de Muro Alto, é bem maior e com mar mais agitado, eu achei mais interessante.

Seguimos nosso caminho para o norte de Alagoas, para uma região conhecida pelas águas mais claras do litoral nordestino. Maragogi tem extensas praias com coqueirais intocados, e piscinas naturais onde se pode fazer belos passeios de barco dependendo das marés. Nos hospedamos no Resort Salinas de Maragogi, mas aconselho a buscar pousadas menores e mais charmosas que abundam na região. Saindo de Maragogi em direção a Japaratinga o visual é agreste mas muito típico. Várias pousadas bem simples e charmosas no caminho.


Em Maragogi o passeio mais legal é sair de buggy descobrindo praias, foi assim que chegamos até São José da Coroa Grande e encontramos um pedaço do Caribe em pleno Nordeste brasileiro.