Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de julho 2011

Praga , muito além do castelo (parte III)

30 de julho de 2011 2

A noite de Praga é extremamente festiva e você encontrará uma opção que venha de encontro aos seus interesses. Bares, restaurantes, cassinos, teatros, casas noturnas, ou seja, tudo que uma capital pode lhe oferecer, e o melhor, tudo perto.

PRAÇA DA CIDADE VELHA À NOITE

Uma outra região imperdível de Praga é a da Rua Vaclavské Namesti, dentro da chamada Cidade Nova . Nessa rua você encontrará como marcos a Praça Wenceslas, o famoso Grande Hotel Europa e o Museu Nacional. Esse último um prédio de 1890 com uma arquitetura interessantíssima e um interior deslumbrante. Não deixe de visitá-lo. Também nessa região você irá encontrar muitas lojinhas de “souvenir”, cristais tchecos, restaurantes, bancos, cambios e muito mais. Aconselho ir no final da tarde, a luz do sol sobre o museu Nacional renderá muitas fotos.

 RUA VACLAVSKÉ NAMESTI

 MUSEU NACIONAL

Entre tantas delicias de Praga, uma delas é uma massa doce assada ao redor de um cilindro de inox e após coberta com açúcar e canela – TRDLO. O nome é impronunciável porém o sabor é delicioso. Com um chá, café, ou um bom refrigerante gelado, é o lanchinho necessário para mais algumas horas de caminhada. Nós comemos o nosso primeiro TRDLO em uma feirinha de Páscoa que estava acontecendo na Rua Vaclavské Namesti. Além das banquinhas de TRDLO outras serviam iguarias tchecas deliciosas. Vale arriscar e deixar o paladar descobrir novos sabores e texturas. Sem medo e sem preconceito.


PONTE CARLOS E MALA STRANA

No segundo dia em Praga acordamos cedo e saímos para mais uma longa caminhada. O dia estava novamente iluminado por um sol de primavera delicioso. A temperatura estava amena e perfeita para flanar pelas ruas dessa encantadora cidade. Nosso foco do dia era desbravar Mala Strana e a região do Castelo, porém para tanto precisaríamos cruzar o maior cartão postal de Praga: a Ponte Carlos (Karlúv Most).

A Ponte Carlos foi construída em 1357 e até 1741 era a única ponte que ligava os dois lados da cidade. O caminho entre as duas margens do rio sobre essa ponte é no mínimo interessante, sem falar da vista que você tem dos dois lados. O ingresso na mesma se dá através de “portais” sob torres em estilo gótico e com isso você já entra nesse clima medieval e é automaticamente remetido a mais de 600 anos atrás. Imaginar como seriam os arredores dessa ponte na época da sua construção é um exercício fascinante para a mente, deixe-se levar…  Ao longo da ponte você cruza por dezenas de esculturas sobre os pilares laterais. Você verá desde um crucifixo com dizeres em hebraico, até imagens de Santos como São João Batista, São Venceslau e São João Nepomuceno. Essa última imagem já com alguns lugares desgastados  devido ao costume local de passar a mão em busca de sorte. Com certeza você passará diversas vezes pela Ponte Carlos em sua estada em Praga, mas não deixe de ir até lá no final da tarde e ver as luzes da cidade surgindo no horizonte.

PONTE CARLOS

Ao chegar a Mala Strana subimos uma ruela medieval sinuosa e que leva ao Castelo de Praga e suas igrejas. No caminho você poderá vislumbrar todo o encantamento dessa parte de Praga e ainda visitar a Igreja do Menino Jesus de Praga. Vale mais pela curiosidade do que pela beleza. Antes de ir até lá ouvi relatos emocionados de muitas pessoas que haviam visitado esse local. Se você for muito católico poderá sentir o mesmo, porém para mim infelizmente não foi tão emocionante assim, muito pelo contrário, senti um ar de “mercantilismo” e não gostei muito! Nessa mesma região você encontrará várias outras igrejas e entre elas a de São Nicolau, mais um exemplar da arquitetura da região.  Se você gosta de arte sacra…


 IGREJA DE SAO NICOLAU



CASTELO DE PRAGA E HRADCANY

Já saindo de Mala Strana e entrando na região do Castelo de Praga, subimos mais um pouco  e nos depararamos  ao longe com o Palácio Schwarzenberg. Nossa primeira impressão foi de uma fachada em estilo renascentista revestida com pedras salientes em forma de pirâmides, porém de perto pudemos perceber que era uma ilusão de ótica e que na realidade eram apenas figuras geométricas desenhadas em uma parede plana e que, devido à perspectiva, ao longe pareciam “sair” da fachada. Um toque florentino no clima boêmio da cidade. A riqueza de detalhes é impressionante e faz com que esse palácio erguido entre 1545 e 1576 se torne um dos pontos altos da viagem. Alguns metros antes de chegarmos em frente ao mesmo começamos a ouvir uma música clássica e assim percebemos que havia um casal de violinistas tocando na calçada exatamente em frente a esse palácio. Um toque de arte perfeito que completou o clima mágico do momento.

 PALÁCIO SCHWARZENBERG

A grande atração dessa região é o Palácio de Praga e a cidadela de Hradcany. Aqui começou a história de Praga e dentro dessas muralhas havia um palácio, três igrejas e um mosteiro. Por volta de  1320 esse povoado foi formado e depois de algumas modificações nos diversos reinados, hoje é a sede do governo da República. Ao cruzar os seus portões você mergulha em um mundo medieval de gárgulas, armaduras, câmaras de tortura e ruelas que remetem a tantos filmes que você já viu dessa época de nossa história. Logo na entrada você se depara com duas esculturas do século 13 chamadas de “gigantes em luta” e caminhando um pouco mais você estará em frente a Catedral de São Vito construída  por volta de 1372. De construção imponente e cheia de detalhes, essa catedral é de uma beleza fantástica. Vitrais cheios de detalhes e repletos de cores, fachada repleta de imagens, gárgulas de lingua de fora, uma enxurrada de informações que beiram ao excesso, mas que no conjunto nos fazem delirar de puro extase. Essa construção pode parecer a “grande jóia” do local, e para muitos poderá ser, porém para mim o grande tesouro do local é  uma igreja muito mais simples e rústica, porém fascinante. Circundando a Catedral de São Vito temos diversas ruelas com suas construções da mesma época e com seus telhados escuros. Um pouco além nos deparamos com o tesouro que acabo de falar: a Basílica de São Jorge. Fundada entre 915 e 921, ampliada em 973 e reconstruída após um incêndio em  1142, possui ainda seu teto de madeira. Aqui Santa Ludmila (primeira mártir cristã da Boêmia) foi estrangulada por sua nora enquanto rezava ajoelhada e está enterrada nessa igreja. Seguindo em frente, ainda dentro dos muros de Hradcany, encontramos a Viela dourada que tem esse nome por ter sido moradia de diversos ourives da época. Hoje a Viela Dourada possui diversas lojas de produtos medievais (armaduras, cálices, espadas, escudos) e museus que representam essa época.

CATEDRAL DE SÃO VITO

GÁRGULAS DA CATEDRAL DE SÃO VITO

Na saída do complexo do Castelo você terá uma das vistas mais bonitas da cidade: ao fundo a ponte Carlos e a cidade Velha com suas torres; o Rudolfinum e o Rio Vltava. Se quando você estiver descendo a ladeira do castelo estiver um dia iluminado e com clima ameno como o que pegamos lá, aproveite e pare em um dos restaurantes que ficam localizados em terraços de casas da região. Você terá uma excelente refeição e ainda irá curtir um delicioso sol de primavera com a vista de Praga aos seus pés.

VISTAS A PARTIR DO COMPLEXO DO CASTELO.




Montevideo - Buenos Aires: um fugida rápida com buenas dicas de restaurantes

29 de julho de 2011 13

Fizemos um pit-stop em Montevideo em nossa viagem de carro até Buenos Aires. Não que a cidade não mereça uns dois dias bem aproveitados para conhecer o centro histórico e passear na Rambla, mas nosso tempo era limitado. De qualquer forma foi ótimo porque assim pudemos descansar e aproveitar um pouquinho as delícias da cidade. Almoçamos no Perdiz (Guipuzcoa , 350), um restaurante bem tradicional que fica nos fundos do Shopping Punta Carreta, os chipirones (espécie de calamar) são divinos uma pedida diferente e muito apetitosa. Para jantar escolhemos o Francis (Luis de la Torre ,50), cotado como o melhor restaurante da cidade em 2011, oferece um menu com pratos japoneses e variedades de frutos do mar. Aproveitamos para dar uma volta no comércio, cada vez mais variado e interessante , mas para quem vai a Argentina os preços não são tão convidativos.

Restaurante Francis

Para fazer a travessia compramos passagens de Buquebus. Escolhemos o combinado ônibus/ferry (http://www.buquebus.com.uy/), saímos da rodoviária de Montevideo às  6h e andamos duas horas de ônibus até Colônia de Sacramento onde pegamos o ferry para fazer a travessia em 45 minutos. Estava muiiito frio, o vento da beira do rio piorava a situação, mas chegamos a capital portenha com um sol maravilhoso.

 

A Buenos Aires do centro já faz tempo que não me atrai em nada, prefiro me hospedar em Palermo Soho onde é muito agradável caminhar e estamos perto dos restaurantes e lojas mais descolados. Desta vez optamos pelo Hotel Ultra (Gorriti, 4929), um hotel design muito charmoso e bem localizado , mas que deixa um pouco a desejar nos quartos muito simples e meio barulhentos e café da manhã fraquinho.

Hotel Ultra

Palermo ferve nos finais de semana, é o point para comer , passear e principalmente comprar. Para se localizar , tenha como ponto de referência a Praça Serrano e perca-se nas ruas Honduras, Costa Rica, Soler, Gorruchaga , Thames e Jorge Luis Borges. Mas um detalhe, nada acontece antes do meio-dia, lojas fechadas e ruas às moscas.

Para almoçar nossa melhor pedida foi o Mama Racha na esquina da Armênia com Costa Rica, um menu conciso com ótima sugestão do dia. No jantar acertamos em cheio com a dica dos Destemperados (http://www.destemperados.com.br/category/regiao/argentina/page/3/) , nos deliciamos com o bom atendimento e o ceviche do Crizia (Gorriti ,5143) . Repetimos a ida ao Osaka (Soler , 5608), um restaurante fusion peruano/oriental , que já figura entre os meus preferidos quem qualquer paragem . Vou colocar o linck para o post que fiz ano passado sobre um jantar por lá! Este ano optamos pelo menu degustação, todo em pequenas porções divididas entre frias e quentes , de acordo com a vontade do freguês, custou R$ 120,00 por pessoa com 2 doses de caipirosca de frutas vermelhas e lima, um delírio!

(http://wp.clicrbs.com.br/viajandocomarte/2011/04/29/buenos-aires-cidade-de-contrastes-parte-2/?topo=77,1,1,,,77)

Restaurante Mama Racha

No domingo nosso destino foi a Recoleta, o famoso brunch do tradicional   Alvear Palace Hotel nos chamou. Acordamos cedo e chegamos antes de abrir , às 11:30h, acabamos desistindo e tomando um café simples. Mas acho que é um programa imperdível , nem que seja para conhecer este ícone da cidade.

 Alvear Palace Hotel

Uma ótima opção de museu na cidade é a Coleção de Amalia Lacroze de Fortabat (Puerto Madero, dique 4, na frente da Torre Fortabat). Uma dica da nossa amiga Miriam Schlatter, é surpreendente pela qualidade e variedade de obras que apresenta, com exemplares de Chagall, Miró, Andy Wharol, Klimt, Peter Brueghel e  vários pintores argentinos.  Inaugurada em Puerto Madero em 2008, tem o acervo baseado na fortuna de uma das famílias mais poderosas do país dona da da  empresa de cimento , Loma Negra. O prédio é um atrativo a parte , todo em aço e vidro é um obra do arquiteto uruguaio Rafael Vigñoli. O teto tem um sistema móvel de alumínio que abre e fecha conforme a incidência do sol.

The Fortabat Art Museum

Voltamos de Montevideo porque o aeroporto de Buenos Aires estava fechado. Acho  que o Aeroporto de Carrasco é o  mais bonito da América Latina, inaugurado em 2009 faz parte do portfolio do mesmo arquiteto da Fundação Fortabat, Rafael Vigñoli, valeu a pena o cansaço , uma obra maravilhosa!

Ficheiro:Aeropuertodecarrasco.jpg

Aeroporto Carrasco

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Aeropuertodecarrasco.jpg

 

Peru com Arte - Viagem em outubro 2011.

28 de julho de 2011 1

Praga , divagando pela arte (parte II)

28 de julho de 2011 4

  No mês de março a temperatura em Praga é extremamente agradável, pegamos um friozinho gostoso e um sol brilhante que elevava a temperatura nas primeiras horas da tarde. Após um super café da manhã revigorante iniciamos a desbravar a cidade. Por intuição, e por estar um dia maravilhoso de sol, resolvemos iniciar nossa aventura local caminhando pelas margens do Rio Vltava, o que foi uma idéia excelente e recomendável. Já no caminho até o rio  pudemos passar por diversas construções interessantes, como a nova Prefeitura de Praga e tantas outras. Ao chegar às margens do rio tivemos a primeira visão de tirar o fôlego: águas aparentemente calmas refletiam os prédios às suas margens e o céu azul que emoldurava os mesmos. Devido a contenções no curso do rio, o mesmo forma locais como se fossem lagos e isso faz com que os reflexos sejam mais nítidos do que normalmente seriam na margem de um rio comum com sua correnteza. Ao olharmos para a direita pudemos observar ao longe muitos dos cartões postais de Praga. De um lado o Edificio moderno “Ginger and Fred” e o Teatro Nacional, e do outro lado Mala Strana e a região do castelo e suas igrejas. Entre os dois, algumas ilhotas no meio do rio e por fim a tão falada Ponte Carlos.

Ginger and Fred

Seguimos por uma das margens apreciando lentamente cada metro e cada edificação do caminho. Após alguns quarteirões percorridos chegamos ao café do Museu Smetana, que fica à margem do rio e tem mesas ao ar livre em um “terraço suspenso” sobre às águas do mesmo. A partir desse local você pode avistar a Ponte Carlos a poucos metros de distância e Mala Strana ao fundo. Além disso você poderá admirar algumas das ilhas que serpenteiam o rio e tudo isso regado a um bom café, ou vinho, ou chá, ou o que você preferir para brindar esse espetáculo. Recomendo ir nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde. A luz desses horários é fantástica e você poderá fazer muitas fotos. Nós fomos no começo da manhã e pudemos tomar um cafezinho e comer uma torta doce magnífica “lagarteando” sob o sol de começo de Primavera. Empolgado que estava com toda essa maravilha enviei  um torpedo inspirado para vários amigos no Brasil narrando o que estava vendo e sentindo, porém não me dei conta de que aqui no Brasil ainda era madrugada, e aqueles que não costumam desligar o celular à noite foram acordados por um poético brasileiro inspirado narrando os seus devaneios.

CAFÉ DO MUSEU SMETANA

VISTA DAS MARGENS DO RIO VLTAVA

Após pelo menos uma hora de puro deleite seguimos caminho em direção à Cidade Velha e aportamos  na praça em homenagem a Carlos IV que dá  nome à ponte mais famosa da cidade. Ainda pela margem do rio nos deparamos com uma outra praça magnífica onde de um lado pudemos avistar o Rudolfinum (sede da orquestra filarmônica Tcheca) e do outro o Museu de Artes Decorativas. Dois exemplares arquitetônicos interessantes, e que valem a visita. Não deixe de prestar atenção às luminárias que ficam em frente ao Rudolfinum; verdadeiras obras de arte.

 RUDOLFINUM

Em Praga tudo é muito perto e quando você se dá conta já está em outro ponto turístico. O importante é seguir o seu ritmo e ir de acordo com os seus interesses. Por isso sou adepto de um turismo mais livre, onde você é seu guia e pode curtir tudo na sua velocidade. Tem coisa pior em uma viagem do que quando você quer ficar mais tempo em um local que tanto gostou e tem uma pessoa te forçando a seguir adiante? Disso estou fora! Em viagens gosto de curtir passo a passo o local, parar em lugares que mais me atraem e também passar batido naqueles que não me dizem nada. Um bom mapa e um bom guia de viagem são muito importantes, o restante tem que ser pura “aventura”!


BAIRRO JUDEU E CIDADE VELHA

 UMA DAS FACHADAS DOS PRÉDIOS DA CIDADE VELHA

Quando nos demos conta já estávamos nos limites do tão falado bairro Judeu e seus prédios de fachadas impecáveis. O bom gosto e o cuidado que os habitantes têm com seus prédios é de matar qualquer latinoamericano de inveja. Deixe-se perder por suas ruelas e vá se deliciando com a arquitetura desse local! Em cada rua você irá encontrar prédios com pinturas sob suas janelas,  sacadas com detalhes em dourado, vermelho, verde, tudo delicadamente desenhado na fachada e de um bom gosto fantástico! Vale a pena gastar algum tempo apenas contemplando essa região. Além dos prédios residenciais você encontrará sinagogas modernas e antigas (uma delas de 1694 – Sinagoga Klausen). Também aqui você irá encontrar o tão fotografado cemitério judeu, onde há uma lápide quase que sobreposta a outra, uma lembrança dos tempos em que o povo judeu foi confinado a esse pequeno espaço não tendo muitas opções de onde enterrar os seus mortos (por isso tantas lápides em um mesmo local). Aqui você poderá optar por fazer um passeio a um campo de concentração próximo e vivenciar ainda mais de perto o clima de holocausto sempre presente em nossos tempos.

 FACHADAS DO BAIRRO JUDEU

CEMITÉRIO BAIRRO JUDEU

A tarde já havia chegado quando paramos para almoçar em um restaurante simples e delicioso na entrada da cidade velha. Nessa região você irá encontrar restaurantes para todos os gostos, e bolsos, é só escolher e deliciar-se. Após um almoço correto seguimos em direção ao  “coração” da Praga atual: a praça da Cidade Velha (Staromestské Namestí), onde você verá a Igreja Nossa Senhora diante de Tyn com suas torres góticas e o famoso relógio astronômico instalado em 1410. Aqui, de hora em hora, há uma aglomeração de pessoas para ver a já clássica procissão de apóstolos e o cantar do galo do relógio. A beleza dessa obra de arte é imperdível e vale a pena entrar na brincadeira e unir-se à multidão! Não deixe de ir à noite, com o jogo de luzes o espetáculo é ainda mais interessante. Se você der sorte como nós, verá uma lua cheia nascendo entre as torres da Igreja Nossa Senhora diante de Tyn. Lindo! As ruas da cidade velha são totalmente seguras e andamos por lá diversas vezes à noite e nada nos aconteceu. Depois que o sol se põem o clima medieval da cidade se intensifica, então vale uma caminhada sem rumo pelas ruelas da região. Tenho certeza que você irá se surpreender a cada esquina e poderá se embrenhar nessa cultura. Fique atento as fachadas dos prédios, onde você poderá ver diversos símbolos esculpidos, tais como: carneiro de pedra, cegonhas, estrela azul e tantos outros.

Igreja Nossa Senhora diante de Tyn

Relógio Astronômico

Praga , onde o mundo começou a mudar em 1989

27 de julho de 2011 4

Começamos a colocar no ar hoje uma série de três posts lindos e sensíveis sobre Praga, mais uma bela contribuição do Luciano Terra.

“E assim veio o fim, “suavemente, suavemente”. Havel pediu um minuto de silêncio por aqueles “que caíram na luta pela liberdade”.

Começou a nevar, de leve, no início, mas depois mais forte. Uma carreta puxada por cavalos deixou o parque, adornada com estandartes e asas de anjos, e milhares de pessoas começaram a segui-la. Uma por uma, as pessoas presentes em Letna deram-se as mãos e em fila indiana iniciaram a caminhada para a praça Wenceslas, distante quase dois quilômetros e meio, quase em silêncio total, sob a neve que caía suavemente… A procisão abriu caminho lentamente pelas trilhas e bosques do parque, agora coberto de branco. Serpenteou pelas ruas medievais atrás do castelo e depois pela praça em frente ao palácio presidencial às escuras. Não se ouviam cantos nem vivas, não havia insinuação de confronto. Apenas a fila contínua de pessoas passava em silêncio na escuridão branca, a linha fazia curvas para lá e para cá do lado de fora dos portões ameaçadores. A neve amortecia os passos. Não se ouvia um som, exceto o dos passos macios, rompido de vez em quando por um suave tilintar de chaves. Durante horas a procissão passou. Metade de Praga participou da cadeia humana. Do castelo, ela desceu o morro íngreme até Mala Strana, passou pela grande catedral barroca, com suas flechas iluminadas na noite nevada, atravessou o Vltava na ponte Carlos, com suas estátuas de 400 anos de reis tchecos e mártires religiosos, entrou nas ruas estreitas da Cidade velha e, por fim, na rua Narodni, onde velas acesas lembravam a selvageria de 17 de novembro.”

Michael Meyer – 1989 o ano que mudou o mundo.

Infelizmente não chegamos a Praga nessa noite, e sim apenas 18 anos depois. Praga hoje já está totalmente integrada à cultura ocidental. A Tchecoslováquia já não existe mais, e a nova República Tcheca já faz parte da Comunidade Européia, porém, quem vai até lá para ver mais uma cidade ocidental como todas as outras? Todos rumam a Praga, ano após ano, para ver suas construções medievais, sua ponte magnífica de vários séculos, seu bairro judeu e todas as preciosidades que podem ser vistas nessa jóia do leste Europeu.

Exaltar “apenas” sua beleza e sua magia medievais é apenas cair no senso comum (e vamos falar com certeza, já que é um dos pontos altos da viagem), porém gostaria de começar esse relato não indo tão longe de nossos tempos. Gostaria de iniciar falando de um tempo tão próximo de nós, onde já éramos nascidos, e muitos até crescidos, e que mudou tanto a história da humanidade. Iniciando no tempo do Nazismo, e todas as suas atrocidades, e passando para a era comunista que levou para o leste europeu todo o terror e a falta de liberdade, iguais, ou piores, que no tempo de Hitler.

Devo confessar que meus conhecimentos de história são mais recentes, e na minha adolescência não era um assunto que me interessava muito. Digo isto pois gostaria de ter o sentimento que tenho hoje com relação a essa história no ano de 1989 onde tudo aconteceu, e com isso ter me emocionado mais, vibrado mais com essa conquista. Nesse ano, tão próximo de nossos dias, e as vezes já esquecido, ocorreu o desfecho de uma história tão cruel e trouxe a liberdade, o grito e a esperança de volta a milhões de pessoas. Hoje quando leio sobre o assunto, sinto um aperto no coração, um sentimento dificil de explicar, como se tivesse feito parte dessa história e que somente agora consiga ter consciência de tudo, e possa chorar meus fantasmas e meus medos. Como se o sopro de liberdade desse povo venha até mim e me envolva completamente. Assim me senti em Praga, quando ao fazer o mesmo caminho percorrido há tantos anos na Revolução de Veludo, pude sofrer e me alegrar por tudo o que aconteceu a esse povo. Quando estiver lá abra o seu coração, e deixe-se levar por todo esse sentimento. Sinta ainda o pulsar dessa energia em cada pedra, em cada rua, em cada prédio dessa cidade magnífica.

“Se o Luciano me permite , aproveito para indicar o filme ” A Insustentável leveza do ser” baseado no livro de Milan Kundera, retrato muito interessante desta época”

Leia tudo sobre a história de Praga que você puder, desde a idade média até os tempos atuais, porém não deixe de se ater nessa história recente de liberdade e coragem. Como ir a Praga e não sentir “suavemente” toda a sua força interior e todo o vigor de seu povo? Era um final de tarde de domingo de primavera no leste europeu quando nosso trem chegou à estação de Praga. Viena e Budapeste tinham ficado para trás e era hora de se aventurar em mais essa “nova cidade”. O primeiro desafio logo se mostrou: por ser um final de domingo todas as lojas da estação estavam fechadas (apenas um câmbio estava aberto), e para nossa surpresa, até o ponto de informações turísticas não funcionava àquela hora. Sendo assim, apenas nos restou trocar alguns euros por Coroas (moeda local) e seguir adiante até o nosso hotel. Quando chegamos à estação de metrô (dentro do mesmo complexo ferroviário) mais uma surpresa: não havia viva alma para dar informações, nem vender os “tickets”, apenas uma máquina toda em Tcheco onde apareciam os valores da passagem (sim, tinha mais de um valor) e o restante tudo nessa lingua que até então era uma total novidade (depois descobrimos que ela é uma lingua neolatina e que tem muitas palavras parecidas com o português – ali não entendemos palavra alguma). Nesse momento não tínhamos o que fazer, nem a quem recorrer, utilizamos a máquina na intuição (quem viu uma já viu todas) e pagamos o valor mais baixo (é claro). Quando entramos no trem não havia roleta, fiscal, ou qualquer pessoa para nos orientar (já estávamos um pouco acostumados com isso já que em Viena e Budapeste também não havia roletas e “cobradores” nos trens e bondes); então pegamos nossas anotações e seguimos até a estação indicada como sendo a do hotel. No final deu tudo certo e chegamos ao nosso destino sem muita demora, ou seja, Praga já não era mais um mistério!!

Roteiro Outubro de 2011

15 de julho de 2011 6

Fim de semana gastronômico em São Paulo

13 de julho de 2011 7

 

Passei o último fim de semana em São Paulo e como fui para uma festa familiar não deu muito tempo para ver a vida cultural da cidade. Então, dediquei um tempo para fazer um roteirinho com dicas de bons lugares para comer nos Jardins.

Comecei tomando um belo café da manhã no Santo Grão, no final da Oscar Freire , em frente ao Hotel Emiliano. Um lugar charmosinho com muitas opções de seu carro chefe, os cafés. Para quem quer trabalhar oferece um ambiente calmo com possibilidade de abrir um lap top ou marcar uma reuniãozinha de negócios. Eu, prevendo o que viria pela frente, pedi frutas variadas com espuma de yogurte, uma delícia light que parecia um chantilly verdadeiro, recomendo.

O almoço foi no mais tradicional endereço dos jardins, o Figueira Rubayat. Não é meu restaurante favorito, até porque eu não faço jus a fama do gaúcho carnívoro, mas o couvert e o ambiente compensam minha pouca devoção à carne vermelha! Provavelmente vou repetir a dose na próxima semana quando estiver em Buenos Aires e acabar indo à filial argentina do Rubayat , o Cabanha Las Lilas, para comer o baby beef que é memorável. Além do ambiente perfeito, o buffet de sobremesa, só para olhar já vale a visita.

Mas foi no jantar que tivemos a nossa experiência gastronômica completa!

O Maní, restaurante de culinária contemporânea que figura entre os 100 melhores restaurantes do mundo segundo a “Restaurant Magazine”, da chef Helena Rizzo e seu esposo , o espanhol Daniel Redondo , supera tudo que se possa esperar de um jantar especial. Já vou confessando que a Helena é minha sobrinha emprestada, o que só aumenta a responsabilidade de falar tão bem do Maní por aqui! A delicadeza dos pratos aliada ao sabor exótico de um menu diferenciado transforma a refeição numa experiência sensorial. Fomos brindados com várias sugestões vindas da chef, e provamos e aprovamos todas.

Começamos com as entradas , ou bilisquetes como são chamados por lá. Bolinhos de quinoa com geléia de aipo, bombom de fois gras e goiabada com película de vinho do porto, e a mini feijoadinha , um must!

Eu gosto muito dos pratos com pupunha, acabei pedindo falsos tortéis de pupunha com amêndoas, além de lindo o prato é leve e uma delícia.

Para a sobremesa , por favor deixe um espacinho reservado! O “ovo” é o mais conhecido, sorvete de gema com espuma de côco , igualzinho a um ovo frito. Experimentei uma novidade , frutas amarelas com gengibre e sorvete earl gray (aquele chá, sabem?), uma alquimia mas como sempre uma mistura de gênio.

Faz quase um ano o Maní inaugurou um espaço para festas e eventos, ao lado do restaurante. O Manioca está uma gracinha e faz desde casamentos até festas infantis, um luxo na extrema simplicidade, bem dentro do clima. http://www.restaurantemani.com.br

O legal é que a região está repleta de boas opções gastronômicas, no triângulo entre a Joaquim Antunes e a Sampaio Vidal temos cinco opções diferentes. A Mercearia do Conde, encanta pelo visual colorido de feira de rua, já almocei por lá e gostei muito. O Ravioli oferece culinária italiana em ambiente mais tradicional. Ainda tem o Banana Sushi e o Filippa com inspiração tailandesa e francesa.

Outro local que está com muitas opoções gastronômicas concentradas é o bairro Higienópolis, mais precisamente atrás do Cemitério da Consolação, um local sugestivo , heim?

O Dulca é o mesmo que tem na Oscar Freire e serve doces e cafés.

Almoçamos no Armazém do Francês e demos uma olhadinha nos outros indicados Antonieta e na doceria Duca. Para sair do caminho das pedras,os Jardins, é uma boa opção.

Voltando para os Jardins, adorei o novo espaço de arte alternativa que a Isabela Capeto fez junto à loja de roupas. Oferece visibilidade para jóvens artistas exporem suas obras e depois vende por preços muito convidativos. Dêem uma olhadinha, bem astral!

Santo Grão: Oscar Freire, 413

Figueira Rubayat: Haddock Lobo, 1738

Maní : Joaquim Antunes , 210

Mercearia do Conde: Joaquim Antunes, 217

Mercearia do Francês: Itacolomi, 636

Isabela Capeto : Consolação, 3358

O vôo de balão na Capadócia.

11 de julho de 2011 28

Em nosso última edição do Viajando com Arte fizemos um roteiro muito legal na Turquia.  Foram 12 dias descobrindo um país repleto de História, Arte e paisagens desconcertantes.

 

 

Para fechar esta viagem tão maravilhosa escolhemos algumas imagens marcantes , principalmente dos momentos mais emocionantes!

Na Capadócia , entre formações rochosas milenares , fizemos o primeiro vôo matinal de balão. Foi uma noite tempestuosa, rara por aqui. Passamos um bom tempo sem luz , ilumidaos pelos clarões dos raios e curtindo o som dos trovões. Nada mal se ao amanhecer a clamaria estivesse instalada. Mas não era este o panorama. Um vento insistente nos perseguia e os balões só decolam se as condições são ideais.

Acordamos as 4:30h e às 5h a van nos esperava na porta do Hotel . Ao chegar no campo de decolagem um café com bolachinhas nos aqueceu, pois a temperatura beirava os 15 graus. Depois da primeira meia hora de espera a angústia começou a pegar, seria uma frustração se não pudéssemos voar! Mas nenhum balão tinha sido inflado até às 6:30h, o vento persistia e nosso coração se apertava.

Soltaram pequenos balões de gás e observaram sua trajetória, ainda muito turbulenta. Nó mirávamos a biruta como que se volta para um ícone religioso, como se nosso olhar fosse pará-la. E o milagre aconteceu, a biruta murchou e os balões começaram a nascer como cogumelos , juro que contei mais de 50 neste dia. A movimentação era frenética e nosso coração começou a disparar. O vôo ia sair.

Dividiram nosso grupo em dois balões, cabem 20 pessoas em cada cesto. Ás 7h já estávamos a postos , ecarapitados cada um em seu compartimento. Os marinheiros de primeira viagem, mais ansiosos, eram reconfortados pelos já experientes , com histórias de vôos no Egito e na África do Sul. O vôo foi mais baixo que o normal, mas pudemos ver o sol nascer e curtir o visual do Vale do Amor , Goreme , Utshisar desde o alto.

As expressões de encanto e perplexidade se repetiam, os semblantes falam por si!

Depois o silêncio de um vôo calmo, o som das torrentes de fogo inflando e dirigindo nosso balão. O pouso foi mais turbulento que em outras experiências, acho que o comandante nâo era tão experiente, afinal , nem usava uniforme como bem observou a Nícias.

Mas ao final estávamos deleitadas pela sublime experiência e após os tradicionais certificados brindamos com champagne, os deuses conspiraram a favor mais uma vez!

Kefallonia, o lado mais selvagem da Grécia - Parte II

08 de julho de 2011 12

Chegamos a Fiscardo à tardinha, é um lugar que se vê pessoas de vários lugares do mundo, que vem para Grécia e aqui atracam seus barcos, é uma gracinha e tem muitas opções de restaurantes.

Porto de Fiscardo

Quando voltamos para o nosso hotel descemos pelo outro lado, mais por dentro da ilha, onde em muitos trechos se enxerga Ithaca muito próxima, quase dá para ir nadando, e naquele estado de encantamento que a gente tem quando se esta em lugares abençoados por Deus eu quase podia ver Ulisses me abanando de lá.

Ilha de Ithaca

Cena comum na ilha, parar o carro para o rebanho de cabras passar tocando seu sininhos amarrados no pescoço.

À noite fomos conhecer Sami, e tentar identificar algumas cenários do filme.

Sami

Sami é bonitinha, muitos restaurantes que servem frutos do mar e comida típica grega, ou seja, salada grega, moussaka ( que é uma espécie de lasanha com beringela, queijo e carne). A dona de um café onde perguntei sobre o filme ela me mostrou um grande albúm de fotografias das filmagens e apontou alguns dos cenários e só insistia no fato de que Penélope Cruz não era bonita ao vivo  :))

Lugares imperdíveis em Kefallonia são a praia chamada Petani que é tão linda quanto Mirtos e tem um quiosque muito astral onde se pode passar o dia.

Praia Petani

Sempre brincando com as pedrinhas da praia

A caverna de Melissani que fica um pouquinho afastada do mar em Karavonmylos vale a visita, lembra a gruta azul de Capri e é espetacular.

A profundidade aqui é de 15 metros, mas como o fundo é calcário a cor tem esta cor turquesa fantástica e é gelada!!!

Eu teria mais 1 milhão de fotos para mostrar para vocês, pois a beleza de Kefallonia é tamanha que eu não cansava de registrá-la, coloco este último lugar que também é visita obrigatória que se chama Antisamos, fica ao norte de Sami e é o local da antiga acrópole de Sami ( que segundo a lenda é o porto mais antigo do mediterrâneo)

Muitas oliveiras em toda a ilha e algumas centenárias aqui na antiga acrópole de Sami.

Praia de Antisamos

Com uma bela estrutura, onde se pode saborear um polvo marinado.

Num paraíso como este a gente fica bobo, rindo sozinho, já decretei que antes de morrer ainda volto a Kefallonia.

Oia, o lado charmoso e preservado de Santorini

05 de julho de 2011 5

No último post falei da tristeza de ver Santorini tão explorada e mal cuidada. Mas nem tudo está perdido, Oia (se pronuncia Ia) é uma cidadezinha na ponta norte da ilha onde tudo que imaginamos de Santorini está preservado , cúpulas azuis, casinhas brancas recém caiadas e muitos gatos enfeitando a paisagem.

Oia está localizada na parte norte da ilha sobre o pitoresco porto chamado Ammoudi. Este porto não é realmente onde os ferries atracam, mas é usado principalmente para yates e barcos de pescadores locais ou para os barcos que navegam para a ilha de Thirassia. Oia costumava ser uma colônia de pescadores no passado e consistia de casas pequenas em cavernas, assim como grandes mansões de capitães pesqueiros . No entanto, Oia foi seriamente danificada por um terremoto (1956), que resultou na destruição de uma grande parte de suas casas que foram recentemente restauradas (ganhando prêmios internacionais de restauração).

Hoje em dia, Oia continua sendo uma pitoresca aldeia das Cíclades, sua tradição de local alternativo , congregando artistas e artesãos de todos os tipos fez a fama das jóias no local. Estranho é ver a vida quotidiana acontecendo neste cenário de Mamma Mia, crianças brincando entre suas cúpulas como se fosse uma pracinha feita com casinhas de algodão doce!

O pôr-do-sol na ponta norte é um ritual diário , para onde afluem pessoas de todas as tribos.

 

As opções de hospedagem são inúmeras e os restaurantes charmosos e com cardápios variados. Elegemos o 1800, na rua principal, uma indicação do Guia Michelin  e participante da cadeia Slow Food, e foi uma ótima opção. Os pratos são inspirados em quadros pintados pelo chef , misturando sabores e cores. A sobremesa um chocolate  com sorvete de alecrim , um sabor fantástico!

O prato principal era um bacalhau fresco com feijão e um molho escuro que estou tentando até agora decifrar o que era!

Sugiro hospedagem no Armeni Suítes ou Kirini Suites & Spa, olhem o clima! Dá vontade de ficar o dia inteiro na piscina.