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Posts de outubro 2011

Machu Picchu experiências em sauna inca e ritual xamânico

31 de outubro de 2011 1

Machu Picchu  é daqueles lugares que tem a imagem muito batida e que a gente acaba tendo a ilusão que já conhece. Puro engano.

Machu Picchu é uma experiência vivencial, uma emanação de energia que se estamos abertos captamos e levamos conosco como o carimbo que nos colocam no passaporte na entrada do sítio.

Nosso primeiro contato foi uma visita explicativa, será a cidade perdida um santuário religiosos, um observatório astronômico ou uma fortaleza? Hiram Bingham , o americano que foi o primeiro homem branco a chegar até lá em 1911 nos deixou algumas pistas, mas sua verdadeira função ainda não se tem certeza. Os espanhóis nunca chegaram até a cidadela e nós sentimos a força da civilização inca em ruínas em meio a selva amazônica.

Depois de visitar a parte residencial e a zona real , subimos para o ponto mais sagrado , Intihuatana (a pedra onde se amarra o sol)  local de rituais para que o deus Inti retorne após o solstício de inverno em 21 de junho.

O Hotel Inkaterra nos ofereceu o complemento perfeito para está experiência inca, ali pudemos fazer tratamentos corporais com pedras quentes, massagens relaxantes e defumação com folhas de coca. Ao final de uma sessão completa de onde saí quase sem saber que direção tomar , acabei dentro de uma piscina aquecida ao ar livre embaixo de uma chuva revigorante em meio a uma revoada de colibris! Será que eu estava sonhando? Isto tudo faz parte da experiência vivencial que está para além de um destino , se oferece em todos os detalhes.

 

Temazcal – Sauna indígena

Piscina dos colibris

O Inkaterra  tem também outras possibilidades bem legais, por ser uma propriedade de mais de 30 hectares na selva ao pé das montanhas, tem um enorme orquidário e palestras sobre o tema, quartos charmosos em estreito contato com a natureza. 

Para completar ainda  participamos em um ritual a Pachamama , onde um Xamã nos contemplou com uma cerimônia completa com oferendas e chamamentos em quéchua , a língua inca ainda falada pelos locais. Ainda estamos em estado de graça.

 



Hiram Bingham – Saindo de Cuzco até Machu Picchu

30 de outubro de 2011 0


 

Hoje foi um dia absolutamente especial, começou quando chegamos na estação de trem de Poroy, a poucos minutos de Cuzco para embarcar não só em uma viagem de trem, mas em uma experiência visual, sensorial de viagem inesquecível.

Já na estação fomos recebidos com música, danças típicas, com os bailarinos trajando as roupas folclóricas super coloridas, e já as 9h da manhã nos ofereciam uma taça de champanhe de boas vindas, ali naquele momento começou meu encantamento com toda a vivência que se desenrolou com o passar do dia.

Entramos no trem o famoso Hiram Bingham, assim batizado em homenagem ao explorador norte americano que descobriu Machu Picchu em 1911.  A idéia é que eu tinha voltado no tempo e estava embarcando no Orient Express com destino a  qualquer destino exótico, imaginem o interior do trem lindíssimo, todo de madeira com ferragens douradas com as inicias HB jateadas nos vidros, as mesas postas com taças, abajures, uma profusão de pessoas gentis prontas para atender todos os seus desejos.

 

A paisagem no percurso que atravessa o Vale sagrado e acompanha o Rio Urubamba é espetacular, o trem vai pelo vale, entre montanhas altíssimas. Elas nos dão as boas vindas explicam que será servido um brunch a bordo mais tarde e nos convidam a passar para o Coche/Bar, são dois vagões com poltronas e mesinhas baixas, um bar totalmente equipado e no último vagão com teto todo de vidro estavam dois músicos tocando violão e um músico na percussão mandando ver!

 

Não preciso contar para vocês que aquele cenário, a música, o champanhe e principalmente a companhia, tornou aquela viagem uma experiência intraduzível em palavras, como a minha amiga Martha Medeiros estava conosco, ela que tem o dom de se expressar através das palavras, vai poder descrever melhor esta vivência.

 

Chegamos em Machu Picchu em torno de  1h da tarde, e depois te ter pego uma chuvinha o sol saiu de trás das nuvens e veio para nos abençoar, o grande Deus Inti dos Incas estava presente para coroar aquela viagem fantástica.

Chegando em Aguas Calientes

Amanhã vamos acordar antes do sol para espera-lo na cidade perdida de Machu Picchu, depois conto tudo pra vocês!!

Fotos Clarisse Linhares e Mylene Rizzo

Chegando em Cuzco!

27 de outubro de 2011 3


Chegamos em Cuzco hoje a tarde, depois do vôo Porto Alegre / Lima seguido do vôo Lima / Cuzco . Tudo na mais santa paz, a chegada em Cuzco é muito legal, não parece que o avião está baixando, mas que as montanhas estão subindo..

Toda a calma nesta hora, fomos super recomendadas de diminuir o ritmo, dar uma descansadinha para não sofrer com os males da altitude, afinal Cuzco está 3.600m acima do nível do mar. Mas depois de meia hora no quarto não aguentamos mais, o sol brilhava lá fora e até ali eu me sentia como se estivesse em Porto Alegre, ou seja praticamente ao nivel do mar.

Saimos olhando, tudo, procurando enxergar o grandioso passado Inca  que permanece apenas nas fundações das construções espanholas.

Cuzco é alegre, colorida, vibrante, o pouco contato com as pessoas locais já me deram a melhor das impressões, todos são pra lá de gentis e simpáticos foi um amor a primeira vista. E para quem gosta de fotografia, é um prato cheio.

Fomos direto no Bar Trottamundos que fica na Plaza de Armas, o coração de Cuzco, onde comi uma salada de frutas com iogurte e granola, delicia, tudo levinho, pra não sentir a altitude, acho que deste mal já me livrei, tanto que já estou pensando até em comemorar com uma taça de vinho no jantar! Salut!

Plaza de Armas

 

O colorido é incrível

Um registro da famosa pedra dos 12 ângulos

Por hora era isso gente, agora vamos todos para o nosso primeiro jantar no umbigo do mundo!!

Adios!!!

 

Estamos embarcando! Prometemos fotos e novidades de Cusco, Machu Picchu e Lima em breve!

27 de outubro de 2011 0

Fernando de Noronha - primeiros passos

24 de outubro de 2011 8

Estou voltando de Fernando de Noronha, foi minha primeira vez na super, hiper famosa ilha.  Tenhos vários amigos que já estiveram por lá, e pelos relatos deles, muita coisa mudou em Fernando de Noronha, e eu acredito que para melhor. Hoje em dia já é possível sair de Porto Alegre e chegar em FN no mesmo dia, então isto já é uma boa noticia para aqueles que não podem ficar muito tempo.

Meu conselho é: leia muito, informe-se, pois hoje com tanta informação na internet não vale mais chegar lá verdinho, se você já sabe o que quer fazer/ver aproveita muito mais tudo o que a ilha pode oferecer. Chegamos no vôo da Gol, e aqui já lhe dou uma dica, tente marcar seu assento do lado esquerdo do avião, pois o comandante dá um vôo panôramico pela ilha e a vista é espetacular. Eu tinha lido que fazia muita diferença pagar a taxa de permanência pela internet poupava muito tempo e que as filas eram bem menores, como acho que toda a galera já sabe disso o que aconteceu é que a fila para quem não tinha pago era muito menor, de qualquer maneira você agora está no paraíso, portanto relaxe que tudo vai dar certo. Hoje Fernando de Noronha tem várias opções de hospedagem top, as diárias e tudo o mais custam uns 20% mais do que no resto do Brasil. Você vai jantar em um restaurante bom, mas simples, e vai pagar o preço de São Paulo. Tendo isso em mente você já pode ter uma noção de quanto vai gastar.     Da janela do avião eu já reconhecia as belezas naturais que fizeram a fama de Fernando, o Morro do Pico, a Praia do Sancho, esperei tanto pra conhecer este lugar mágico e juro para vocês que senti uma enorme emoção no aproach do avião.  Depois de algumas pesquisas optei por ficar na Pousada Teju – Açu, que é muito legal, tem todo o conforto necessário, são bangalôs com 2 pisos o andar de cima é um pouco mais caro, mas em compensação os de baixo tem mais privacidade. A vantagem da Teju é ser perto da Praia da Conceição, onde se pode ir à pé em 15 min, e foi para lá que fomos logo na chegada com direito a banho de mar e por do sol arrematado com uma  caipirinha bem gelada no bar do Duda Rei.      Minha escolha foi a Pousada Teju-Açu, e foi perfeito. O lugar é lindo, os quartos tem todo o conforto, tudo é feito com muito charme, e eles indicam e reservam todos os passeios, trilhas que tem na ilha. Confira as tarifas no site: http://www.pousadateju.com.br/ Por do sol na Praia da Conceição, com o morro do Pico à esquerda.       Tem também a opção de assistir ao por do sol a aqui neste barzinho na praia do meio, eles tem uma boa música e o lugar também tá valendo!          Como ainda não tínhamos alugado nosso buggy, voltamos à pé para a pousada depois de tomar umas caipirinhas no bar do Duda, a noite já tinha caido e o céu… ahhh o céu estava uma loucura, imaginem uma ilha isolada no oceano com muito pouca luz, imaginaram a quantidade de estrelas? Foi uma caminhada no mais absoluto escuro só observando as estrelas e pensando nas sociedades primitivas e seu conhecimento das constelações e movimentos celestes… foi daqueles momentos, dos muitos que se tem em Fernando de Noronha.   Assim terminou nosso primeiro dia, voltarei contando sobre os passeios, pousadas, praias etc

Siracusa e Noto, o colorido das pérolas barrocas sicilianas.

23 de outubro de 2011 0

Um dos passeios mais legais que fizemos saindo de Taormina foi Siracusa e para minha total surpresa e desconhecimento , Noto. Distantes uma hora e meia de Taormina, não chega a ser uma viagem, mas um volta pelo passado cultural da Sicília.

Siracusa foi uma importante cidade da Magna Grécia, por volta do século V a.C. , quando o sul da Itália fazia parte da Grécia ,a cidade acabou se destacando e ameaçando a própria cidade de Atenas como aliada de Corintho e Esparta, na época em que foi governada pelo tirano Dionísio. O filósofo Arquimedes é natural de Siracusa. Muitas riquezas desta época estão bem conservadas no local , especialmente no Síto Arqueológico de Neapolis, fora do centro histórico medieval de Ortegia.

Um conselho bastante oportuno , não deixem para visitar a parte arqueológica num dia de calor perto do meio-dia, o local é árido e a visita vira uma quase tortura. Se for verão o mais apropriado seria um fim de tarde ou início de manhã! Além disto o centro morre na hora da ” siesta” , o que deixa tudo muito sem graça!

Em Neapolis o principal monumento é o Teatro Grego literalmente escavado na rocha e com um bela vista do mar , aqui várias tragédias foram encenadas nos concursos públicos financiados pelos governantes e muito apreciados pelo povo. O interessante é que os gregos ,na sua maioria mercadores ,, podiam avistar o porto e sair do teatro caso chegasse algum barco. Quase todos teatros gregos tem vista para o mar, já vi isto em Bodrum na Turquia, em Taormina e em várias outras pólis.

Orecchio de Dionísio é um imensa gruta utilisada como cárcere pelo tirano,  que podia ouvir o que seu prisioneiros falavam no interior, pelo formato especial da gruta que se assemelhar a um canal auditivo ela tem uma acústica perfeita quando se está do lado de fora! Foi denominada de Orelha de Dionísio pelo, não menos controverso pintor ,Caravaggio, que numa de suas fugas de Roma, por problemas com a justiça, esteve na região.

O parque tem muitas outras riquezas arqueológicas , pode-se passar quase o dia explorando seus recantos, principalmente se for na sombra!

Orecchio de Dionísio

Nossos jovens visitantes sucumbiram ao calor e deixaram o centro para, quem sabe, quando seu interesse histórico for maior que o desejo de se atirar numa praia de mar transparente. Acho que só quando adquirimos os primeiros cabelos brancos e o tempo urge , pensamos nesta troca. A propósito , a praia escolhida foi Fontane Bianche, onde paga-se para entrar , para ocupar os lettinos e dividir cada centímetro de areia escaldante com milhares de turistas! Fiquei feliz com minha idade e minhas escolhas, mas não resisti a um mergulho antes de seguir em frente!

A Piazza del Duomo em Ortigia (uma pequena ilha ligada ao continente por uma ponte) guarda riquezas não claramente oferecidas. A Igreja de Santa Lúcia , padroeira de Siracusa, tem a pintura original do martírio de Santa Lúcia feita por Caravaggio pouco tempo antes de receber indulgência do papa para voltar a Roma e, literalmente, “morrer na praia”  antes de chegar a cidade. Suas peripécias pelo sul da Itália são contadas num grande cartaz dentro da Igreja.

O Duomo do século VII foi construído sobre as ruínas do templo de Atena de V a.C. e mantém as colunas do templo na sua lateral interna , o teto de madeira do período normando e também os mosaicos ,  a fachada data do período Barroco, uma verdadeira colcha de retalhos como toda a história da Sicília. 

Ocupada por romanos , bizantinos, árabes, normandos, espanhóis e finalmente lutando pela unificação italiana , a cidade guarda marcas do cosmopolitismo de suas sucessivas dominações.

Em duas oportunidades nos século XVI e XVII a região foi destruída por terremotos que mudaram a feição da cidade e oportunizaram a reconstrução num estilo conhecido como Barroco Siciliano , muito bem representado na cidade de Noto.

Noto tem uma história grandiosa e chegou a ser citada por Cícero como ,bella polis, mas teve seu destino antigo selado pelo terremoto de 1698 que a devastou totalmente e permitindo a reconstrução como o maior exemplo do Barroco Siciliano. Como bem definiu a Ivone Bins , pelo equilíbrio de cores e formas, a cidade mais parece um cenário, onde o amarelo suave das pedras contrasta com a azul do céu , um cenário para um festim dos deuses, eu diria!

A Piazza del Duomo forma com o Palazzo Ducesio um perfeito equilíbrio entre o Barroco e o Neoclássico. O Duomo sofreu uma grande perda em 1998 com outro terremoto, mas já está em processo de restauração.

Mas o que mais atraiu nosso grupo para a visita de Noto foi a fama de ter o melhor sorvete do mundo. Verdade que este título é disputados por muitas cidades italiana , mas que ele não escapa do país isto eu garanto. Para nossa decepção a sorveteria mais famosa da cidade estava fechada , seguindo a estranha lógica de fechamento de estabelecimentos comerciais italianos, a boa vontade do dono.

Granita a melhor opção em Noto

Mas várias outras sorveterias oferecem granitas e sorvetes perfeitos para uma tarde calorenta, ainda mais num local dominado pela beleza e quase livre de turistas! Um passeio imperdível é subir na Igreja  de São Carlo e ter a vista da cidade do alto, dois euros muito bem investidos .

Voltamos para Taormina com o olhar e o estômago repletos de novas cores e sabores.

Marais: O Soho de Paris

20 de outubro de 2011 0

Paris é uma cidade grande e aconselho visitá-la por setores, para não perder muito tempo em metrôs ou caminhando demais de um bairro ao outro, perdendo o foco das visitas.

Hoje vou fazer um roteiro de visitas pelo Marais, um dos locais mais descolados e vibrantes da cidade, e atualmente dos meus prediletos. O Marais era um local periférico na formação da cidade, um antigo pântano que começou a ser drenado no século XII. O ponto central da região é a Place des Vosges , uma praça fechada e totalmente simétrica,  cercada por arcadas que já serviram de morada para o escritor Victor Hugo. Foi a partir da cosntrução desta praça que os nobres e comerciantes ricos se estabeleceram no Marais edificando os hôtels particuliers (palacetes) que vemos lá até hoje. Atualmente a Place des Vosges abriga uma série de galerias de arte super legais além de bons restaurantes e bares. A Art Symbol Gallery  e a Ariel Sibony Galerie ( www.arielsibony.com) tem exposições imperdíveis.

Não deixem de reparar as galerias de arte alternativa como papier maché, fotografia e outras tantas.

O Café Hugo, com um menu fixo de valor super acessível e delicioso, é perfeito para o almoço. Também muito conhecido é o Ma Borgogne, já bem mais tradicional.

Saindo da praça em direção ao coração do bairro pela Rue des Francs-Bourgeois o comércio é uma simpatia, com lojas variadas e interessantes. Logo em seguida encontra-se um pátio interno com a Yelow Korner (http://www.yellowkorner.com/) , galeria de fotos de arte acessível e encantadora e, ao lado,  uma loja de armarinho, isto mesmo , com fitas e rendas como antigamente.

O Museu Carnavalet conta a história da cidade de Paris com fotos e documentos e tem entrada livre , além de estar localizado num prédio lindo. Outra jóia do Marais é o Museu Picasso, mas que está fechado para reformas até 2012.

Muitas ruas formam o charme do local, Rue de Sevigné, Rue Vieille du Temple, Rue du Roi de Sicile, mas é a Rue des Rosiers, maior centro da comunidade judaica de Paris, que sintetiza a magia da mistura de culturas do Marais.

Charmosos bistrôs, variados brechós, livrarias e muitas delicatessen de comidas judaicas (kosher) fazem a festa do paladar e do olhar. A sinagoga do bairro não fica longe, na 10, Rue Pavée, foi projetada por Hector Guimard , o mesmo arquiteto das famosas estações de metrô da cidade.

Voltando à Rue des Rosiers , indico o restaurante Le Loir dans la Théière, bem no início da rua, esbanja estilo em poltronas e mesas baixas.

A arquitetura é motivo de um olhar mais atento , reparem neste recanto despretencioso que numa foto em preto e branco se tranforma num quadro!

Até os pets tem seu espaço descolado no Marais, deem uma olhadinha nos modelitos para os fofos gatinhos.

Espero que curtam o Marais numa próxima visita a Paris. Ahh, de metrô para chegar direto no coração do bairro usem a estação St Paul.

Trilha no Parque da Ferradura em Canela, um programa de índio ou um domingo perfeito?

18 de outubro de 2011 8

Um domingo que nasceu para ser igual a qualquer outro e esquecido na semana seguinte, acabou com um programa memorável! 

Caminhada pelo centro de Gramado, almoço demorado em família e um filmezinho à tarde para esperar a hora de retornar a Porto Alegre, nada disto, quem sabe vamos encarar um programa de índio! Uma trilha de 3h no Parque da Ferradura em Canela. Só poderia ser coisa de sogra, foi o que pensaram filhos e agregados, mas a vantagem é que sendo ideia da sogra não dá para refugar de cara! Pedi um voto de confiança e acabei sendo acatada, meio a contra-gosto no princípio. Ainda mais que o pai  estava fazendo a trilha pela segunda vez no mesmo final de semana, tinha que ser muito boa!

O Parque da Ferradura é um de mais de uma dezena de parques naturais que oferecem trilhas , mata nativa e muitas cachoerias entre São Francisco de Paula e Canela. O acesso é muito simples e bem sinalizado, fica 6 km depois do final da Estrada do Caracol em Canela , a míseros 15km do trevo na entrada da cidade. Logo que passamos o pórtico do Parque da Cascata do Caracol, a primeira surpresa, a pequena estrada do Rancho Grande é chamada de Caminho das Graças e toda serpenteada por pequenas grutas com santinhas, um mimo! Além disto a estrada é linda , de chão batido mas bem cuidada.

A entrada no parque custa R$ 8,00 por pessoa , mas a trilha dispensa guias especializados pois é totalmente demarcada , sem perigo de se perder. É considerada de nível médio/avançado pois o trekking alcança um desnível de 420m desde o mirante até o fundo do cânion do Rio Caí onde fica a cachoeira do Arroio Caçador. Uma trilha bem puxada de 1h de descida e quase 2h para subir, aconselho  pegar o desvio na volta pois torna a subida bem menos íngrime , apesar de um pouco mais longa. Para quem quer um programa mais light o parque oferece churrasqueiras e briquedos infantis e o mirante fica bem próximo da entrada.

Antes de começar a descida não deixem de dar uma chegada até o Mirante da Ferradura, na passada o Bar do Quati tem um exemplar do animalzinho que anda sempre por alí.

A vista é incrível , não deixa dúvidas dos motivos da denominação do local.

A descida é quase mais difícil do que o retorno, pois é uma região úmida e os caminhos bastante escorregadios. Aqui alguns instantâneos dos tombos da descida e marcas deixadas pela natureza!

Mesmo em dias frescos vale levar uma roupa de banho pois é uma delícia se atirar no Rio Caí quando alcançamos o fundo do vale. Sem falar na maravilhosa Cachoeira do Arroio Caçador, mas preparem-se , a água parece que vem da Patagônia!

Cenas de um pic-nic improvisado e de uma lagarteada ao sol! Não esqueçam de levar água e repelente para os mais sensíveis.

Cada vez que conheço um novo destino de ecoturismo no Brasil me pergunto , por que não sabemos divulgar nossas belezas naturais? Quantos turistas poderiam transformar o Rio Grande do Sul , sem falar em outras partes do Brasil, numa meca de turismo ecológico . Nossa serra e região dos cânions são perfeitas para atrair um turismo que só cresce no mundo, olhem o exemplo da Costa Rica, um país minúsculo que recebe metade do número de  turistas do Brasil inteiro, somente divulgando turismo ecológico. E falta tão pouco a fazer , o mais difícil a natureza deixou pronto!

Foi  um domingo delicioso , que cansou o corpo e descansou a alma. Voltamos sujos e famintos mas com uma sensação de desafio cumprido. Agradecemos a santinha por estarmos todos inteirinhos apesar de alguns arranhões e a certeza de várias dores musculares para contar a história segunda-feira.

 E quanto a sogra , sobreviveu a mais este programa de índio!

Congonhas do Campo, procurando Aleijadinho entre feirantes e camelôs

16 de outubro de 2011 11

Eu tinha uma lembrança muito vaga de Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, algo meio infantil , uma imagem difusa onde se misturavam algumas figuras reais com santos Barrocos. Pois a realidade não foge muito de minhas lembranças. O trabalho de Aleijadinho e mestre Athaíde é de um naturalismo estonteante, algo para marcar a memória e encantar os olhos.

A cidade de Congonhas do Campo quase nos faz desistir de entrar para visitar o Santuário , é pobre , suja e desorganizada. Nenhuma placa indica a localização de um dos maiores tesouros de Minas Colonial , mas não desista , vale o sacrifício e quem sabe diminua algum tempo em nosso purgatório!

O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos é formado por uma Basílica Barroca um adro com os 12 Profetas em pedra sabão e 6 capelas que retratam a Via Crúcis com figuras em tamanho natural esculpidas em madeira, começou a ser construída em 1776 em agradecimento a uma graça concedida , tendo como modelo a Santuário de Bom Jesus do Monte em Braga , Portugal. Tem uma riqueza e equilíbrio ímpar, nos deixa um  sensação de ter voltado no tempo ou quiçá no espaço , para um Portugal do século XVIII.

O sacro caminho desenrola-se em ziguezague, subindo por uma ladeira simbólica na qual organizavam-se procissões de penitência para expiar as culpas da sociedade opulenta do final do século XVIII neste importante centro de mineração do Novo Mundo. Hoje a penitência tinha que ser feita pelos governantes locais que permitem que uma feira livre aconteça aos domingos, quase não respeitando a riqueza histórica, uma zoeira que faz o santuário quase ser invadido por vendedores e camelôs.

Mas tirando a mistura de religiosidade e comércio, o santuário está bem cuidado, não se permite mais o acesso direto aos profetas que, com isto, estão protegidos de vândalos e loucos e as capelas tem as mais de 66 figuras esculpidas em perfeito estado de conservação.

Os Doze Profetas é um conjunto de esculturas  em pedra sabão feitas entre 1795 a 1805 pelo artista Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, e seu Atelier.

Esta é a vista da cidade desde a colina de Matosinhos.

Beco dos Canudos

O beco dos Canudos também integra o acervo arquitetônico do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos. É de grande importância paisagística na composição do cenário observado. Os antigos casarios ali localizados dão harmonia a todo o conjunto. Possui calçamento que remonta do século 18 e atualmente abriga lojinhas de artesanato local. A pequena rua não comporta carros, portanto, é somente utilizada por pedestres.


As cenas da Via Crucis são feitas em cedro e as capelas parecem caixinhas de música que poderemos tirar a tampa para as figuras se moverem ao som de uma música sacra.

Jesus carregando a Cruz às costas – tropeça, observado pelas Santas Mulheres ou filhas de Jerusalém, uma com rosto que parece o Anjo da Paixão. Trajes recordando as figuras de presépios de barro dos fins do século XVIII. Maravilhosa figura do Cristo, expressão horrorizada do rosto, dedos tensos, pernas sangrentas, rosto do soldado ao fundo é a caricatura do rosto do Cristo, sempre na tradição portuguesa. Feitos pelo Aleijadinho somente o Cristo e a mulher que enxuga as lágrimas com o lenço. A pintura das estátuas foi encarregada a Manuel da Costa Ataíde, o grande pintor mineiro do século XVIII.

A crucifixão mostra a grande vítima em holocausto. É o apogeu de uma história contada com a carne viva da veia artística, nem todas as figuras são dos mestres, mas o conjunto é uma obra harmônica e tocante.

 


Saint Martin: uma ilha , duas culturas

12 de outubro de 2011 7

Luciano Terra em mais um porto do Caribe.

Depois de um dia intenso em St. Thomas e de um final de tarde e noite maravilhosos a bordo, acordamos com um sol nascente lindo e um mar de um prata azulado. Ao fundo uma pequena ilha nos indicava que já estávamos próximos de nosso novo destino: St. Maarten/St. Martin.

 

A partir de nossa sacada, nossa visão mais direta e usual, víamos apenas a ilha que comentei a pouco, porém ao subirmos ao 11º andar para o café da manhã demos de cara com uma ilha enorme do outro lado (as vezes uma mudança de ângulo de visão faz uma diferença e tanto). Essa ilha maior estava coberta pelo sol da manhã e as casas refletiam um dourando intenso. O café foi rápido e ansioso, já que queríamos estar no terraço do navio quando aportássemos em mais esse destino.

Quando o navio chegou ao porto de St. Maarten já estávamos a postos e a visão foi magnífica. Uma ilha charmosa, cheia de construções interessantes, iates particulares maravilhosos e de um mar…

St. Maarten (lado holandês) e St. Martin (lado francês) convivem amigavelmente depois de um tratado de muitos anos atrás entre esses dois países. Apesar de ser a mesma ilha, de todos conviverem diariamente, parecem duas ilhas em uma. De um lado o charme e a exclusividade francesa: praia de nudismo, casas de cinema, bistrôs e tudo que um bom francês gosta e sabe fazer. Do outro lado a descontração e a praticidade holandesa: muitos condomínios, muitas vilas com ruelas estreitas, um aeroporto internacional, muita vida e muita energia.

Depois de um dia inteiro conhecendo essa ilha o que posso dizer é que ficou um gostinho de quero mais e que certamente retornaremos em breve. O  breve banho de mar em Orient Beach (uma praia paradisíaca com um mar multi colorido e alguns barcos dando um toque especial ao cenário) , ver a chegada e partida de poucos aviões na praia que fica colada à cabeceira da pista do aeroporto internacional e sentir literalmente a energia dessas super máquinas (ao aterrissarem os aviões passam a poucos metros de sua cabeça e ao decolarem chegam a derrubar os mais desavisados que ficam bem atrás de suas turbinas), os muitos restaurantes que vimos fechados pois somente abrem à noite, as muitas praias que apenas passamos e que gostaríamos de ter caminhado, nadado, mergulhado nas suas entranhas fazem com que necessitemos voltar assim que possível. Quem sabe com uma esticadinha em St. Barth ali ao lado?

Praias paradisíacas, clima romântico e descontraído, beleza, charme, requinte. Você precisa mais para querer conhecer essa ilha e arredores? Se precisar, ainda tem um centro repleto de Dutty Free com preços para lá de convidativos. Ainda falta mais? Dezenas de joalherias com ouro, diamantes, esmeraldas e tudo o que você imaginar com um dos melhores preços do mundo. Ainda não é suficiente? Então venha para cá e descubra você mesmo o que nós, em apenas um dia, com certeza não descobrimos. Quando voltarmos com mais calma teremos mais descobertas e motivos para o eterno retorno, disso eu não duvido!

Essa jornada terminou em um final de tarde iluminado e uma lua cheia nascendo atrás do morro que fica próximo do porto. A visão final de St Maarten/St. Martin não poderia ser mais romântica: uma ilha dourada atrás de um mar azul e iluminada de um lado por um sol poente e de outro por uma lua cheia que recebia a energia do primeiro para seguir brilhando por toda a noite. Do navio, a ilha foi se afastando aos poucos e sua luz aos poucos se apagando, porém a lua seguiu firme por toda a noite e assim ficávamos mais confiantes  e sabíamos que um dia iríamos voltar.

As recordações de uma viagem ficam para sempre, e um dia quando tiver voltado para casa e estiver uma noite de lua cheia lembrarei que essa mesma lua estará brilhando em St. Maarten/St. Martin e somente isso já me dará energia e vida para deitar e sonhar com esse porto tão distante no meio do caribe.

Quando o navio aporta em uma nova ilha, temos a opção de desembarcar e sair para “conquista-la”, ou ainda podemos ficar no barco, na mesma velocidade de antes, na mesma comodidade e segurança. A escolha depende apenas de nós. Podemos sair para uma nova experiência, ou podemos seguir a vida a bordo. Na vida a cada momento temos uma nova ilha para desembarcar e também só depende de nós. Será que na nossa rotina estamos aproveitando todas as ilhas que aparecem em nosso caminho? Será que estamos desembarcando dessa “nave atemporal” e cômoda e estamos vivenciando o novo? A comodidade muitas vezes se transforma em letargia, em inércia, e acabamos chegando a nosso porto de destino sem muitas experiências, sem muitos continentes e ilhas em nosso currrículo. Em quantas ilhas você já desembarcou? Quantas culturas diferentes da sua você conhece? Quantos portos você pretende conhecer até o seu destino final? Lembre que você muitas vezes nem precisa sair de sua casa para abrir seus horizontes e conhecer novos destinos. Só depende de você.