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Teotihuacan – onde os homens se tornam deuses , por Luciano Terra

07 de março de 2012 4

Em uma manhã ensolarada de inverno percorremos os quilômetros que ligam a Cidade do México a Teotihuacan. Com uma temperatura amena e a luz radiante de um sol tímido da estação mais fria do hemisfério norte chegamos a uma região semiárida com uma vegetação nada exuberante. Apesar da beleza natural não encantar ao primeiro olhar, aos poucos fomos descobrindo toda a beleza do local “onde nasceram os deuses”.

Muitos mitos mexicanos de origem pré-colombiana falam de Teotihuacan (ou Teotihucán, ou ainda em alguns livros “aportuguesando” para Teotihuacã) como um lugar especial e mítico e relatam que o sol nesta cidade seria o da “Quinta Era”, aquela na qual os povos mexicanos afirmavam viver antes da chegada dos espanhóis. Muitas informações se perderam ao longo do caminho e até hoje arqueólogos e pesquisadores se perguntam sobre a razão desta herança cultural e sobre o significado de seus monumentais templos e ruas. O que se sabe até hoje é que as mais antigas marcas do povoado na região teotihuacana remontam de 500 a.C. e que durante o século I d.C. foi traçada a sua mais famosa e imponente rua, a chamada Rua dos Mortos. Também desta época datam seus dois grandes monumentos: as pirâmides do Sol e da Lua.

Sempre que leio sobre a história dos descobrimentos e visito lugares como este fico extasiado e imaginando como terá sido esse primeiro encontro. Do lado dos espanhóis, na sua presunção ocidental e europeia, onde tudo que era importante e sábio estava lá na sua terra natal e nos seus arredores, o espanto ao se depararem com tamanhas maravilhas, com pirâmides gigantescas no meio do nada, com povos com culturas tão diferentes e com valores totalmente distintos dos seus. Infelizmente a falta de tolerância e a necessidade de subjugar sempre foram mais fortes em toda nossa história, independente do povo dominador, e o desfecho não poderia ter sido diferente: o vencedor dando as cartas ao final do jogo. E para impor a sua vitória destruía tudo o que significava cultura local e era importante para esses povos. Felizmente algumas cidades já tinham sido abandonadas na chegada dos espanhóis no novo mundo e por isso estas foram as que sobreviveram mais intactas, involuntariamente é claro, a essa invasão (caso também de Machu Picchu no Peru).  Já do lado dos povos mesoamericanos, o que terão pensado ao avistarem objetos não identificados vindos de alto mar? Como não pensar em deuses flutuando pelas águas, “serpentes emplumadas” que nada mais eram que caravelas e suas velas flamejando ao vento?

Teotihuacan sobreviveu à conquista espanhola e hoje uma visita a essa antiga cidade, além de uma aula de história a céu aberto, tem um toque de magia. Como não se sentir no passado rodeado de templos e pirâmides? Como não parar para imaginar como terá sido a vida naquela cidade hoje abandonada? Imaginar suas cores originais, sua vida, sua sociedade e seus valores. Hoje temos informações que arqueólogos nos passam, porém muitas dessas são suposições. Infelizmente não temos como ter certeza de muitos dados reais. Por outro lado temos que fazer um exercício enorme para entender seus rituais de sacrifícios humanos e seus valores em tempos tão remotos.

O que posso lhes dizer é que ao subir no topo da pirâmide do sol pude sentir a grandiosidade desse local. A vista de 360 graus de toda a região nos faz sentir no céu. Montanhas em formato de pirâmide completam e harmonizam o cenário de magia e encantamento. Por sua vez, avista da pirâmide da lua e da rua dos mortos é encantadora. Nos sentimos em um mundo distante, porém muito próximo. Para os mais esotéricos, lugar perfeito para uma meditação, para entrar em contato com a energia do cosmos e dos antepassados; para os historiadores e antropólogos, local perfeito para explorações, descobertas; para pessoas curiosas e viajantes como eu, um local ideal para ampliar os horizontes, questionar valores e aprender um pouco mais sobre essa cultura milenar. Conhecer e aprender para respeitar e aceitar as pessoas com sua cultura e modos de vida distintos, este é o meu lema de vida e de viagem. Se você estiver preparado para aceitar o diferente sua vida será muito mais interessante e fácil.

 

Ao final do passeio saímos de lá um pouco mais encantados com a cultura desse povo que viveu a mais de 2000 anos atrás e que deu origem, junto a tantos outros povos, a esse país fantástico que é o México.

Comentários (4)

  • Paulo Fickel diz: 7 de abril de 2012

    Ao logo da minha vida, sempre apresentaram nas escolas, porutgueses, espanhóis, franceses, com grandes conquistadores, a procura de outros povos, riquezas e comércio. Hoje, tenho plena convicção de que na verdade não passam de saqueadores, assim como os vickings,que tinham um só objetivo, matar saquear para satisfazer os nobres europeus e suas pompas. Sómente destruiram civilizações mais importantes do que as suas.

  • Ronaldo Costa diz: 7 de abril de 2012

    Matérias desse nível me dão a certeza que dinheiro aplicado em turismo pode ter um enorme retorno cultural e distante do turismo banal voltado ao consumismo. Naturalmente já tinha conhecimento por fotografia e textos do que é consensual entre arqueólogos a respeito do local, já que verdade é assunto de religião e em arqueologia só quando inventarem a máquina do tempo. Entretanto as belas fotos do blog já conseguem transmitir parte da magia reportada pela autora do texto.

  • Lisia diz: 9 de abril de 2012

    Como sempre os textos do Luciano são encantadores e fascinantes! Parabéns! Abraços, Lísia

  • Lucilene Pinheiro diz: 10 de abril de 2012

    Luciano, obrigada por mais uma vez me permitir viajar através do teu texto!!!!

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