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Emoção com lembranças da II Guerra em Moscou

10 de abril de 2012 5

Nos últimos anos temos visto nascer na Europa uma infinidade de museus e memoriais relembrando as várias facetas da II Guerra Mundial. Com o passar do tempo a idéia inicial do pós-Guerra, defendida enfaticamente por De Gaulle : “esquecer o passado e construir uma Europa unificada” não foi um projeto idealista mas sim a única possibilidade de uma reconstrução frente aos antagonismos vigentes no início do século XX.

 Nosso conhecimento sobre a II Guerra Mundial foi pautado na perspectiva americana e européia, que sempre colocou holofotes na idéia de que o conflito teria sido vencido pela coalizão aliada onde os Estados Unidos tiveram papel decisivo, principalmente com o Desembarque na Normandia em 1944.  Dentre as atrocidades cometidas pelos  nazistas os europeus ocidentais foram poupados, embora não soubessem disto na época. Os nazistas trataram os franceses, holandeses e outros povos do oeste com certo respeito, ainda que para melhor explorá-los. As piores atrocidades aconteceram mais a leste.

É disto que nos fala o fantástico memorial instalado em Moscou em 1995, o Museu da Guerra Patriótica nos oferece a versão russa da história da II Grande Guerra com toda a implicação que este conflito acarretou para a URSS e principalmente para o povo russo. Vamos deixar claro que não sou apaixonada pelo assunto “guerra” e nem muito chegada em armamentos bélicos, mas o museu é muito mais do que isto. Ele faz parte do grande complexo de Plokonnaya Gora que engloba o  Parque da Vitória, com mais de 130 hectares, e o Monumento à Vitória, além de exposições de armamentos de guerra ao ar livre. No parque encontram-se três templos religiosos que fazem referência aos povos que compõe a Federação Russa: uma Sinagoga, uma Igreja e uma Mesquita formam este mosaico religioso. Para além dos monumentos, a vista que o parque oferece da cidade já valeria o passeio, pois estamos numa das regiões mais altas de Moscou.

 

 A II Guerra Mundial é denominada pelos russos como Grande Guerra Patriótica , pois para este povo foi um evento de proporções catastróficas onde toda a população civil se envolveu na defesa de sua nação. Só para se ter uma idéia das proporções da destruição, em solo russo foram arrasados 70 mil vilarejos e 1.700 cidades de pequeno porte e pode-se dizer que as perdas materiais foram insignificantes se comparadas as perdas humanas. O número de russos mortos no período é calculado em mais de 20 milhões, sendo que a maioria de civis não combatentes. Este número supera a mortandade de todos os outros países envolvidos no conflito,  somados!!!!

Arquivo particular

 

 

É uma história de bravura e sacrifícios, uma História desconhecida  e monumental.  Dentro do complexo uma das partes  mais interessante são os seis dioramas que remontam as principais batalhas travadas em solo russo. São quadros pintados de forma realista, que incluem objetos para dar mais veracidade à cena. São retratadas Batalhas de Stalingrado e Kursk e o Cerco de Leningrado .

 A cena que reconstroi o cerco de Leningrado é especialmente tocante. Foram 900 dias de bloqueio com bombardeios constantes e somente no auge do inverno houve algum abastecimento de víveres e a saída de crianças e mulheres pelo lago Ladoga congelado, que ofereceu um escape pelo norte. A população da cidade tentava levar uma vida minimamente normal com uma ração alimentar que chegou a menos de 400 calorias diárias, mas morria muitas vezes a caminho de enterrar seus cadáveres em meio à neve e inanição. Aproveito para sugerir um filme que acabei de ver sobre este tema: Leningrado, uma visão sem maquiagem do que foi a realidade russa depois da entrada dos nazistas em 1941.

 

 

 O memorial conta ainda com uma seção de fotografia e documentos que toca fundo o até os corações mais calejados. Para completar a Sala das Lágrimas,com correntes presas ao teto, onde cada elo representa uma vida perdida na guerra, finalizada com um lágrima de cristal. Impressionante!

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Comentários (5)

  • Volnei diz: 19 de abril de 2012

    E tudo isso cara amiga, patrocinada por um pseudo “genio” alemão e um ” psicopata russo “, que nos brindaram com suas devaneios e seu desprezo total pela raça humana.
    Haveria necessidade de existir tais templos ou monumentos para homenagear ou repudiar esses ” engenheiros da alma humana???
    Abraços.

  • LUIS MACHADO diz: 20 de abril de 2012

    Muito interessante este post, mostrando um outro lado da guerra quase desconhecido do mundo ocidental.

  • Fabio diz: 17 de junho de 2017

    adorei o post. estive na Rússia no mês passado e tive a oportunidade de visitar este maravilhoso museu. é impressionante o que a população russa sofreu com a invasão do seu território pelos alemães e como foi a reconsquista, não somente da URSS, mas também dos países vizinhos invadidos pelos nazistas e a vitória final em Berlim. venceram a guerra sozinhos: mais de 90% das forças armadas alemãs do terceiro Reich pereceram na frente oriental e o restante foi aniquilada pelo Exército Vermelho em Berlin.

  • SCan diz: 12 de março de 2019

    Excelente postagem.
    A Operação Overlord (Desembarque da Normandia), comparada com a Operação Bragation executada pela então URSS, não passa de uma discussão de comadres.
    Não há com comparar as forças envolvidas, a menos que você seja muito desinformado, ou um deformado pela imprensa acidental, ou um americano…
    Muito obrigado por mostrar o outro lado da História e pelas dicas.

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