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Os cenários impactantes dos "Catadores de Conchas " na Cornualha

30 de setembro de 2013 2

Planejamos a nossa viagem com uma lembrança sempre presente , as cenas do livro “Os Catadores de Conchas” da doce Rosamund Pilcher que de uma forma lírica , marcou o imaginário mundial com a paisagem da Cornualha.

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A Cornualha é uma região que por vezes pode ser inóspita , onde o vento e a chuva fina castigam os moradores em quase a totalidade do ano . Programar uma viagem para lá em pleno verão não é nenhuma garantia de bom tempo e praias ensolaradas e em nosso caso não fugimos muito à regra. São falésia a pique sobre o mar, sem um mirador preparado para rasgar o infinito nem sequer um posto de turismo com os souvenirs da ocasião, apenas um acidentado relevo lacônico e definitivo, o litoral.

Mas por outro lado , em tempos de atrações turísticas lotadas e ambientes atopetados , a região não pode ser mais aprazível! Vastas planícies verdejantes com pastagens repletas de cordeiros no interior e um litoral recortado por penhascos onde a amplitude , e até um certo desolamento, criam um ambiente arrebatador. Durante muito tempo nossos únicos companheiros de viagem foram alguns solitários que faziam as trilhas caminhando com cajados , como se estivessem em uma peregrinação religiosa.

Montamos nosso roteiro partindo de Barnstaple, onde alugamos o carro. Nosso primeiro destino foi Clovelly onde o tempo parou e a cidade , propriedade particular , cobra a entrada de forasteiros como se fosse a sala de visitas de de um nobre morador.

Fechada ao acesso de carros, tem as ruas pavimentadas por pedras e o acesso ao porto pode ser feito em lombo de burro. Somente 400 pessoas ainda vivem por lá e as casas são conservadas como um pequeno museu a céu aberto.

Acredito que os lugares têm alma, uma reverberação que derrama para as pessoas que os habitam. Ou será o contrário? Serão as pessoas que emprestam aos lugares a sua essência? Será a luz, a brisa, a o ar salgado e as colinas sinuosas que fazem acolhedores os habitantes da Cornualha? Ou é a serenidade de uma vida em comunhão com a natureza que eles trazem dentro si que nos sugere que a Cornualha é um lugar feliz? Pouco importa qual das duas possibilidades estão corretas, se titubear, ambas.

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Nosso próximo destino foi Boscastle, um pequeno porto que oferece belas trilhas de caminhadas. Desde de Barnstaple até aqui são apenas 50km , o que dá a ideia de que as dstâncias não são grandes mas as estradas são muito estreitas e a direção na mão contrária, portanto vá com calma! Aqui muitas referências a tradição exotérica da região , bruxas gnomos e outros seres fazem parte da mitologia celta. Mergulhamos nas histórias e quase embarcamos em uma vassoura.

Viajar por muito tempo tem esta consequência: adquire-se um certo relativismo. Fica difícil aceitar os dogmas próprios como verdades absolutas. Visitamos outros países e ficamos sabendo que os nossos dogmas e mitos valem tanto como os deles.

Tintagel

Tintagel , o famoso castelo das lendas arturianas fica logo a seguir. Sua lenda começa a tomar corpo no século 12, quando Geoffrey de Monmouth conta a mítica história britânica, e descreve-o como o lugar da concepção de Arthur. De acordo com Geoffrey, Igraine, era a esposa de Gorlois, o Duque da Cornualha. Igraine, irmã de Viviane, deu à luz Morgana quando era esposa de Gorlois. Três anos depois, sua irmã Viviane e O Mago Merlim lhe incubiram de gerar o Grande Rei que unificaria as duas Bretanhas, com Uther. Uther, o Pendragon, apaixonou-se por Igraine e graças à feitiçaria de Merlim conseguiu assumir a forma de Gorlois e possuir sua esposa. Desta união nasceu Artur, o Grande Rei, em Tintagel.

 

Port Isaac é uma outra alternativa para um passeio gostoso e acolhedor. A vila já foi usada como set em diversos filmes como o engraçadíssimo ” O Barato de Grace” de 2000. Em 2005 foi cenário de uma montagem para a tv do nosso conhecido “Catadores de Conchas ” mas que infelizmente nunca vi por aqui.

Solidão , enquanto uns sentem as paisagens da cornualha como um desafio da natureza , para mim o arrebatamento de trilhas íngremes permitem uma viagem interior e um encontro com o âmbito mais profundo do meu ser. O vento salga a alma e endurece o dia a dia, mas tudo emana paz em sua profunda simbiose com o céu e o mar profundo.

Seguimos para mais um destino traçado no roteiro, desta vez a praia mais popular e charmosa do norte, St Yves. Chegamos ao entardecer e o sol tingia de dourado a baía que vista de nosso hotel nos chamava para uma primeira descoberta.

Tudo perfeito , uma típica cidade de veraneio inglesa com lojinhas e restaurantes em profusão , tudo decorado com muitos faróis e tecidos listados em azul e branco.

Depois de um jantar especial a beira a mar o maior espetáculo da viagem , a lua nasceu no horizonte, majestosa e imponente por entre os barcos , fantasgoricamente encalhados nas areias da maré baixa.

Importa, sim, o que os lugares deixam em nós quando os atravessamos. Deixam uma consciência de termos sido tocados por eles e acabamos ganhando a perspetiva sobre a ampulheta da eternidade e sobre o grão de areia que é a nossa vida nela.

A costa sul fica para um próximo post!

Para saber mais sobre roteiros em grupo ou particulares do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

 

Comentários (2)

  • l diz: 26 de outubro de 2013

    Texto inspirador!!!!Fotos maravilhosas!!!!

  • claudete lopes de souza diz: 14 de fevereiro de 2015

    amo o livro, tem tanta vida, me sinto ótima cada vez que leio. Obrigada pelas belas imagens;

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