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Posts de setembro 2013

Os cenários impactantes dos "Catadores de Conchas " na Cornualha

30 de setembro de 2013 2

Planejamos a nossa viagem com uma lembrança sempre presente , as cenas do livro “Os Catadores de Conchas” da doce Rosamund Pilcher que de uma forma lírica , marcou o imaginário mundial com a paisagem da Cornualha.

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A Cornualha é uma região que por vezes pode ser inóspita , onde o vento e a chuva fina castigam os moradores em quase a totalidade do ano . Programar uma viagem para lá em pleno verão não é nenhuma garantia de bom tempo e praias ensolaradas e em nosso caso não fugimos muito à regra. São falésia a pique sobre o mar, sem um mirador preparado para rasgar o infinito nem sequer um posto de turismo com os souvenirs da ocasião, apenas um acidentado relevo lacônico e definitivo, o litoral.

Mas por outro lado , em tempos de atrações turísticas lotadas e ambientes atopetados , a região não pode ser mais aprazível! Vastas planícies verdejantes com pastagens repletas de cordeiros no interior e um litoral recortado por penhascos onde a amplitude , e até um certo desolamento, criam um ambiente arrebatador. Durante muito tempo nossos únicos companheiros de viagem foram alguns solitários que faziam as trilhas caminhando com cajados , como se estivessem em uma peregrinação religiosa.

Montamos nosso roteiro partindo de Barnstaple, onde alugamos o carro. Nosso primeiro destino foi Clovelly onde o tempo parou e a cidade , propriedade particular , cobra a entrada de forasteiros como se fosse a sala de visitas de de um nobre morador.

Fechada ao acesso de carros, tem as ruas pavimentadas por pedras e o acesso ao porto pode ser feito em lombo de burro. Somente 400 pessoas ainda vivem por lá e as casas são conservadas como um pequeno museu a céu aberto.

Acredito que os lugares têm alma, uma reverberação que derrama para as pessoas que os habitam. Ou será o contrário? Serão as pessoas que emprestam aos lugares a sua essência? Será a luz, a brisa, a o ar salgado e as colinas sinuosas que fazem acolhedores os habitantes da Cornualha? Ou é a serenidade de uma vida em comunhão com a natureza que eles trazem dentro si que nos sugere que a Cornualha é um lugar feliz? Pouco importa qual das duas possibilidades estão corretas, se titubear, ambas.

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Nosso próximo destino foi Boscastle, um pequeno porto que oferece belas trilhas de caminhadas. Desde de Barnstaple até aqui são apenas 50km , o que dá a ideia de que as dstâncias não são grandes mas as estradas são muito estreitas e a direção na mão contrária, portanto vá com calma! Aqui muitas referências a tradição exotérica da região , bruxas gnomos e outros seres fazem parte da mitologia celta. Mergulhamos nas histórias e quase embarcamos em uma vassoura.

Viajar por muito tempo tem esta consequência: adquire-se um certo relativismo. Fica difícil aceitar os dogmas próprios como verdades absolutas. Visitamos outros países e ficamos sabendo que os nossos dogmas e mitos valem tanto como os deles.

Tintagel

Tintagel , o famoso castelo das lendas arturianas fica logo a seguir. Sua lenda começa a tomar corpo no século 12, quando Geoffrey de Monmouth conta a mítica história britânica, e descreve-o como o lugar da concepção de Arthur. De acordo com Geoffrey, Igraine, era a esposa de Gorlois, o Duque da Cornualha. Igraine, irmã de Viviane, deu à luz Morgana quando era esposa de Gorlois. Três anos depois, sua irmã Viviane e O Mago Merlim lhe incubiram de gerar o Grande Rei que unificaria as duas Bretanhas, com Uther. Uther, o Pendragon, apaixonou-se por Igraine e graças à feitiçaria de Merlim conseguiu assumir a forma de Gorlois e possuir sua esposa. Desta união nasceu Artur, o Grande Rei, em Tintagel.

 

Port Isaac é uma outra alternativa para um passeio gostoso e acolhedor. A vila já foi usada como set em diversos filmes como o engraçadíssimo ” O Barato de Grace” de 2000. Em 2005 foi cenário de uma montagem para a tv do nosso conhecido “Catadores de Conchas ” mas que infelizmente nunca vi por aqui.

Solidão , enquanto uns sentem as paisagens da cornualha como um desafio da natureza , para mim o arrebatamento de trilhas íngremes permitem uma viagem interior e um encontro com o âmbito mais profundo do meu ser. O vento salga a alma e endurece o dia a dia, mas tudo emana paz em sua profunda simbiose com o céu e o mar profundo.

Seguimos para mais um destino traçado no roteiro, desta vez a praia mais popular e charmosa do norte, St Yves. Chegamos ao entardecer e o sol tingia de dourado a baía que vista de nosso hotel nos chamava para uma primeira descoberta.

Tudo perfeito , uma típica cidade de veraneio inglesa com lojinhas e restaurantes em profusão , tudo decorado com muitos faróis e tecidos listados em azul e branco.

Depois de um jantar especial a beira a mar o maior espetáculo da viagem , a lua nasceu no horizonte, majestosa e imponente por entre os barcos , fantasgoricamente encalhados nas areias da maré baixa.

Importa, sim, o que os lugares deixam em nós quando os atravessamos. Deixam uma consciência de termos sido tocados por eles e acabamos ganhando a perspetiva sobre a ampulheta da eternidade e sobre o grão de areia que é a nossa vida nela.

A costa sul fica para um próximo post!

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Cânion Fortaleza, potencial turístico desperdiçado. Até quando?

27 de setembro de 2013 8

A gente anda pelo mundo, às vezes pega avião , barco e camelo para ver alguma paisagem especial! Paga caro , dorme em aeroporto, passa trabalho mesmo e encontra lugares onde a natureza foi profícua mas o homem ajudou com infra-estrutura e divulgação , tirando proveito do que ganhou de bandeja e muitas vezes tornando o que é interessante ,uma atração sensacional.

 

 

Isto tudo é exatamente o contrário do que acontece em nossos canions, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina! O lugar é mais do que abençoado pela natureza, tem uma das paisagens de montanha mais lindas do mundo, um clima ameno perfeito para a vida ao ar livre e localiza-se a menos de 200 km de um aeroporto internacional. Um tesouro , perfeito para montar uma estrutura turística que atrairia aventureiros de qualquer paragem em busca um lugar intocado .

A realidade é que esta riqueza natural não é explorada como destino turístico e todos perdemos com isto. Nosso estado que fica sem opção de eco-turismo , o pessoal local que dorme sobre o ouro mas não tira nenhum proveito prático e nós que temos uma alternativa fantástica perto de casa e muitas vezes nem sabemos.

Partimos para explorar a região num domingo ensolarado, desde Gramado são 112km até Cambará, uma estrada encantadora e praticamente vazia dos Campos de Cima da Serra . Desde Porto Alegre são 185km pela RS 020, passando por São Francisco de Paula, um passeio.

O caminho é asfaltado até a cidade de Cambará , que não é mais que uma vila com opções de estadia muito precárias . Aqui existem algumas agências de turismo de aventura que oferecem passeios guiados a pé ou bicicleta, aconselho a ligar antes porque estavam fechados no domingo. O Ofício de Turismo estava aberto , mas as informações eram vagas e desatualizadas.  Daqui pode-se seguir para o Itaimbezinho onde o Parador Casa da Montanha é uma das únicas boas alternativas para hospedagem e um almoço mais elaborado.

Casas no centro de Cambará

Nós optamos pelo Cânion Fortaleza, seguindo pela RS 020 são mais 23 km da cidade, sendo que os últimos 15km são de estrada de chão , ou melhor , estrada de pedregulhos! Uma opção seria contratar um guia e seguir de jipe até o canion. Nossa primeira ideia era almoçar na Pousada Cafundó , no meio do caminho entre Cambará e o Canion Fortaleza , mas surpresa! Estava fechada! Comemos uma torrada no único remanescente , Pousada Canion Fortaleza, uma  pousada rural logo adiante.

Pousada Cafundó

Pousada Canion Fortaleza, simples para não dizer…

Quando a gente chega lá o visual compensa todas as agruras da viagem e o sentimento de desperdício de potencial aumenta cada vez mais.

Foto: Renato Grimm - http://www.acaserge.org.br/fotos/album01/fortaleza4

Foto Renato Grim

O parque não cobra entrada e um único guarda na entrada anota as placas dos veículos que entram para saber se todos saíram as cinco horas , quando o parque fecha.

 

São várias trilhas pelas bordas do cânion, a Trilha do Mirante permite o acesso ao topo do Morro Fortaleza (cerca de 1.700 metros de caminhada a partir do estacionamento de veículos), de onde se pode descortinar cerca de 95% do cânion e todo o litoral da região limítrofe entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Outra trilha , parte de um estacionamento no meio do caminho que tem a indicação da Pedra do Segredo, com cerca de 1,5 km, permite o acesso até a Pedra do Segredo e a Cascata do Tigre Preto, que com suas três quedas atinge mais de 400 metros de altura. As trilhas não são muito bem sinalizadas mas, apesar disto,  não é complicado encontrar os caminhos e todos os lugares são lindos , portanto não desista!

Pedra do Segredo

Olhem bem o que não fazer!

 

Para chegar até a Pedra do Segredo é necessário cruzar por dentro cascata , cuidado pois as pedras são escorregadias e estamos bem na borda do cânion. Por outro lado , dá para tomar um belo banho de cascata, água cristalina e uma oportunidade de se refrescar em dias muito quentes. Olhem o visual ! O fato de não ter segurança pode causar riscos as pessoas que se aventuram sem os devidos cuidados.

 

Vamos descobrir e valorizar nossa natureza e pressionar os governantes para criar a infra-estrutura necessária para podermos desfrutar de todo o benefício que estas belezas podem nos trazer!

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Pescaria no Amazonas, aventura que une gerações por José Luís Krahe

25 de setembro de 2013 3

João Pedro, meu filho mais velho, é apaixonado por pescarias, meu parceiro fiel desde os 5 anos de idade. O Paulo, meu sogro, grande companheiro, havia prometido a ele uma viagem de pesca à Amazônia como presente de aniversário.

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É claro que eu também iria… Buenas… Saímos de Porto Alegre em um domingo, 6 h da manhã. Após 10h de vôo, com escalas em Curitiba, Maringá, Campo Grande, Cuiabá e Porto Velho, chegamos a Manaus. No dia seguinte, novamente às 6h, nós e o restante do grupo (15 pessoas) voamos em 2 aviões turbo hélice em meio a um temporal até a cidade de Nova Olinda do Norte, sudeste de Manaus.

Pista de terra… Dali, um ônibus Marcopolo com pelo menos 30 anos nos levou até a cabeceira do Canal que liga o Rio Madeira ao Rio Abacaxis e embarcamos no Yanna, nosso barco hotel.

Este é o barco usado pela Ecofishing, empresa responsável pela organização da indiada. O Yanna, a partir daí, iniciou a navegação rio acima por mais 15 hs. O barco é um hotel flutuante com todo o conforto, split em todo o ambiente interno, suites, cardápio variado, ancorado (mas não restrito à) na culinária local, com direito a sashimi, carpaccio e até a um churrasquinho. Por sinal, só temos elogios à equipe que nos recebeu, da camareira ao Nestor Salomon, sócio da Ecofishing, que nos acompanhou durante todo o tempo.

Quase chegando no destino, cerca de 12 hs após a saída de Nova Olinda, as lanchas que são usadas para a pescaria são trazidas pelos piloteiros que não saíram da região e “acopladas” ao barco, que as leva junto até a localidade pré determinada para início da brincadeira. Na madrugada seguinte, e por todas as outras, 05 e meia da manhã estavamos de pé, tomávamos o café da manhã e toca pescaria até às 18:30, com intervalo e retorno ao barco para almoço entre as 11:30 e 14:30. A lancha tem capacidade para duas pessoas além do piloteiro. É toda coberta por um tecido que lembra carpete grosso, impermeável. Pode-se caminhar sobre praticamente toda ela, o que facilita muito a pescaria.

Cada lancha tem um piloteiro, normalmente um cara da região, que “lê” o rio e é responsável pela condução às àreas mais piscosas. O piloteiro é a alma do negócio. Um piloteiro que não conhece o rio é fria…Nosso piloteiro era o Julio, bisneto, neto, filho e pai de indios, um cara muito parceiro, bem mais civilizado que muitos porto alegrenses que se vê por aí. Conhecia as tocas, os peixes, as iscas, os lagos cheios de peixes dentro das ilhas, onde chegávamos com a lancha passando por lugares que aparentemente seria impossível cruzar. Este sabe! A pesca que fizemos na região do Abacaxis pode ser dividida em dois tipos. Primeiramente, a pesca com isca artificial, buscando principalmente o Tucunaré, peixe brigador, com peso variando de 400g a exemplares de até 7kg.

Do final da tarde ao inicio anoitecer, busca-se o peixe de couro, como o Surubim, Pintado, Jaú, Piraiba e a Pirarara. A lancha fica apoitada (ancorada) e pesca-se com isca de peixe, preferencialmente cabeça de piranha. Os peixes de couro são realmente grandes, podem chegar a mais de 100 kgs, de maneira que, uma vez que algum seja fisgado, a lancha deve ser liberada da âncora para seguir o peixe enquanto este leva a linha, ou a mesma vai se romper. Às vezes este processo se estende por mais de 1hora entre idas e vindas, recolhendo a linha e o bicho levando, até que se traga o peixe a bordo. A grande maioria dos peixes pescados são devolvidos ao rio, bem vivos.

Guardávamos para comer um mínimo de peixes, respeitando as medidas e as orientações do piloteiro. Por sinal, quanto maior o peixe, mais gorda e menos saborosa a carne. Melhores são sempre os de tamanho intermediário da espécie.

Basicamente, é isto aí… O melhor de tudo é a convivência em harmonia com novos e velhos amigos e a oportunidade de estar junto com um filho quando ele realiza um sonho…

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Roteiro pelas praias do norte da Espanha: Astúrias ,Cantábria , Galícia e País Basco

24 de setembro de 2013 3

Escolher o que não fazer em um roteiro , para mim é a parte mais difícil. Tenho uma sede de desbravar , de descobrir novos paragens e acabo me deparando sempre com a limitação de tempo e a paciência de meus companheiros.

Claro que os guias de viagem são essenciais mas acabamos descobrindo que,  se vamos por eles, paramos em TODAS as cidades, porque sempre veem algo muito interessante e na verdade não é bem assim. Fizemos um roteiro bem legal no norte da Espanha , saindo da França e seguindo pelo País Basco, Cantabria, Astúrias e terminado na Galícia. São muitas opções nesta rota, além de ser umas das alternativas do Caminho de Santiago de Compostela , tem praias , belas cidades e uma natureza exuberante!

É um roteiro amplo , para quem quer uma ideia geral e começar a pensar!

 

San Sebastian - Uma das principais cidades do País Basco espanhol, esbanja alegria e movimentação no seu Casco Antigo cheio de bares de tapas e noite animada, A praia é muito agitada também, num estilo meio século XIX com belas mansões à beira mar. Um ótimo lugar para servir de QG para passeios por perto, no hospedamos no Hotel London y da Inglaterra, uma ótima opção!

Bilbao – Não tivemos tempo para conhecer muito a cidade, mas é parada obrigatória pelo Museu Guggenheim, um must na viagem. Fica na entrada da cidade e muito fácil de acessar na passagem!

Santander - Outra cidade de veraneio ,muito procurada pelos ingleses, tanto que tem um grande porto com ferrys direto para a Inglaterra. Belas mansões numa ambiente aristocrático fazem a cidade esbanjar estilo. Com 185 mil habitantes, a cidade sofreu um grande incêndio em 1941 que arrasou mais de 2300 edifícios. Portanto, grande parte de seu centro é novo para padrões europeus, apesar de sua raízes culturais remontarem a mais de dois mil anos . As praias são bastante movimentadas, El Sardinero a mais conhecida e Camello e Bikini , as mais lindas.  Em  1913 se inaugura, na península de La Magdalena, o Palacio de La Magdalena que seria residência do rei Alfonso XII durante suas estâncias de verão em Santander. Estas visitas geraram novos projetos   arquitetônicos estilo Belle Époque e grandes balneários similares aos de Biarritz. Assim, se construíram o Hotel Reale e o Gran Cassino.

Santander já encontra-se na região da Cantábria, e como veem não é só o nome de um banco. Muito linda é a paisagem por aqui, não é de graça o apelido de Costa Verde , a região merece!

Santillana del Mar – Uma cidadezinha medieval muito charmosa, conhecida como local de boa sidra e preservada como antigamente. Apesar do nome, não se localiza a beira mar, mas não pode ser visitada em uma tarde , apesar de todos os guias colocarem como um local muito interessante , acho que não é necessário pernoitar.Passeios à cavalo são uma boa pedida por aqui! Tem o título de um das mais belas villas espanholas.

 Aqui bem próximo está o Museu de Altamira , uma caverna com pinturas rupestres pré-históricas onde se pode visitar numa réplica, interessante e ilustrativa. Por volta de 13 mil anos atrás, a queda de uma rocha bloqueou a entrada da caverna, impedindo a continuidade da ocupação humana e preservando o seu interior. Conhecida como a Capela Sistina da arte rupestre , caracterizada pelo realismo das figuras representadas. Contêm pinturas policromadas, que representam animais, desenhos abstratos em um ambiente muito peculiar.

 

Comillas - Foi uma das grandes surpresas da viagem , uma praia super astral, com um centrinho muito charmoso, e pra completar umas das primeiras obras de Antoní Gaudí , uma casa de um excêntrico mecenas que desejou uma moradia ao estilo oriental ,assim chamada Capricho. É uma das poucas obras modernistas fora da Catalunha. Aqui vimos os primeiros marcos do Caminho de Santiago em placas no chão.

 

Comillas foi um dos destinos de verão da realeza espanhola no século XIX e para tanto se transformou numa cidade aristocrática e com boa infraestrutura.Indicada para  “Baños de Ola” pelos médicos do início do século XX tornou-se  balneario assim como Santander, San Sebastian, Biarritz,  Cannes ou Nice  passou a ser frecuentada pela burguesia indicada pelos médicos higienistas .

Seguindo o roteiro pelo norte da Espanha saindo da Cantábria entramos nas Astúrias num dia nublado na região mais agreste deste país tão diversificado. O litoral é recortado e verdejante , graças a grande quantidade de chuvas que nunca deixam o clima muito quente neste ” norte de Deus” . Fazia 28 graus nestes dias e o povo estava morrendo de calor. O visual das estradas do litoral era este!

 

A gastronomia é um capítulo especial , todo tipo de mariscos exóticos e saborosos , peixes , polvos e lulas frescos e preparados na chapa de forma simples e saudável , acompanhada por um vinho ou uma caña (equivalente ao chope).O polvo a galega , conhecido por aqui como polvo à feira , é simplesmente cozido e polvilhado com sal grosso e pimentão , um luxo! Para completar, pequenos churros servidos com uma bebida de chocolate bem espessa ! Morri comendo e só me arrependo do que não provei.

Picos da Europa – Saindo de Comillas fizemos um desvio para o interior para conhecer os montes mais altos do norte da Espanha, o Parque Nacional Picos de Europa. Não tivemos muita sorte porque o dia estava meio nublado o que dificultava admirar o visual em toda sua dimensão. Chegamos até Potes, cidade que marca um ponto central de visita ao parque.

Valeu o desvio, comemos um bom presunto cru e descobrimos montanhas que convidam aventureiros a escaladas mais arriscadas.

Oviedo – Capital do Principado das Astúrias esta cidade nos surpreendeu desde o princípio. Rica , linda e muito acolhedora . Além disto o Hotel Reconquista é maravilhoso, um antigo Hospital lindamente transformado. A cidade é repleta de esculturas o que confere mais charme e valor as suas ruas limpas e arborizadas. Recomendo com ênfase, um dia inteiro em Oviedo para passear e aproveitar o rico comércio.

 

Avilés - Vale uma entrada nesta cidade portuária nem que seja  só para ver o recém inaugurado memorial desenhado pelo nosso Oscar Niemeyer, pouco antes de falecer. O Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer foi projetado como uma ” praça aberta para humanidade, um local para arte, cultura e paz” conforme o próprio arquiteto que recebeu o prêmio Príncipe das Astúrias em 1989 e com ele o convite para ser o mentor do projeto. Não conheci muito a cidade mas gostei muito de ver o talento brasileiro reconhecido.

Costa da Galícia – Mais agreste do que o litoral do País Basco, a Galícia nos deliciou com recortes de praias encantadoras e muitas formações que lembram grandes construções.  O ambiente é bucólico com fazendas à beira mar e estradinhas que costeiam o litoral. A Praia das Catedrais, em Ribadeo ,é um recanto lindo e deve ser uma delícia um banho em dia de sol com a maré baixa.

 

Santiago de Compostela – Nossa ideia era parar em Lugo antes de Santiago , mas tivemos dificuldade em nos acharmos entre a cidade e a muralha  e acabamos seguindo adiante. Chegamos à cidade mais famosa da Galícia ao entardecer e nosso Hotel Monumento São Francisco foi uma grata surpresa. Num mosteiro que ainda funciona e a poucos passos da praça central, tem uma tarifa muito interessante até para padrões europeus.

Visitamos a cidade, que é bem pequena e assistimos a missa diária do peregrino ao meio dia na belíssima Catedral Barroca. Ficamos devendo uma caminhada para entrar no clima dos peregrinos.

A Catedral de Santiago tem atrações exclusivas. A principal é, sem dúvida, o ritual do “botafumeiro”.
Trata-se de um incensário gigantesco, com mais de cinquenta quilos, que, acionado por um grupo de seis homens (“tiraboleiros”) balança como um espalhando sua fumaça num verdadeiro espetáculo de pirotecnia.

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Originalmente, servia para amenizar o mau-cheiro gerado na igreja pelos peregrinos , mas ainda hoje pode ter esta função. Atualmente é aguardado e emociona qualquer ateu. Para vê-lo, é preciso estar na missa do meio-dia dos domingos.
Uma dica: vale a pena contratar um guia para visitar a Catedral ,os detalhes são inúmeros, e há de fato muitas particularidades.

Na praça da Quintana, atrás da Catedral, não deixe de reparar a sombra projetada numa das paredes pela iluminação pública: forma a imagem típica de um peregrino. Será um milagre? 

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Roteiros sob Medida

23 de setembro de 2013 2

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Roteiros sob Medida

17 de setembro de 2013 0

Todo mundo tem uma dica incrível, uma sugestão infalível ou um destino inatingível! Mas saber escolher ou mais ainda, organizar tudo isto num roteiro coerente e criativo é uma arte.

Depois de 10 anos criando viagens para grupos especiais estamos abrindo nossos arquivos para desenvolver a sua viagem de sonho. Partindo de uma assessoria privada para conhecer interesses e desejos , planejamos o roteiro em cada detalhe e entregamos nosso melhor: o hotel mais charmoso, o passeio de bicicleta ou de camelo, os melhores museus e as exposições da hora e até a cesta de picnic para ser recheada de momentos especiais.

Numa comemoração familiar em uma casa na Provence, numa segunda lua de mel num logde na savana africana ou num grupo de amigos em um barco no Vietnã as possibilidades são infinitas e sua privacidade sempre nossa preocupação.

As experiências vão depender do seu gosto, do seu estilo, do seu espírito. Just go.

 

Agende sua consultoria pelo fone (51) 3025 2626.
Rua Hilário Ribeiro, 202 Conj. 903 – Moinhos de Vento – Porto Alegre/RS

 

 

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10 mil curtidas na página do Facebook! Obrigada amigos viajantes!!!

16 de setembro de 2013 0

Paris de bicicleta pelas margens do Sena

13 de setembro de 2013 0

Para inaugurar um dia bem astral pegar a bicicleta velib (detalhes no fim deste post) e sair pelas margens do Sena para um passeio de reconhecimento.

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fb21c04888e9a76303c98bd432694e7dComeçar pela Pont Neuf , ponte mais antiga de Paris que cruza pela Ile de la Cité, pegar a esquerda e seguir tendo a sua direita (do outro lado do rio) o prédio do Museu do Louvre e logo em seguida o Jardim das Tulherias.

Uma possibilidade é parar para visitar o Museu d´Orsay , logo a frente no caminho e onde estão os mais famosos quadros Impressionistas de Renoir , Monet , Manet e Van Gogh. Este museu é dos prédios mais interessantes por ter sido uma antiga estação de trem (Gare) , para uma visita mais focada , seguir direto para o andar superior onde estão os quadros mais importantes. No Museu d´Orsay não deixem de conferir o restaurante decorado pelos Irmãos Campana.

Seguir para um passeio até a Torre Eiffel, sempre pela margem esquerda do Sena. No caminho até a Torre parar em frente a esplanada do prédio dos Invalides , onde está o túmulo de Napoleão, e curtir a ponte mais bonita de Paris, Ponte Alexandre III.

Esta ponte foi doada pelo governo russo em troca do apoio francês a industrialização do país no século XIX, o último czar russo , Nicolau II esteve aqui para a inauguração.

Antes de chegar a Torre Eiffel , chama a atenção a modernidade do Museu de Quai Branly. Dedicado as artes primitivas (África, Ásia , Oceania e América)tem o projeto do arquiteto Jean Nouvel é super inovador e o museu tem um público específico , mas oferece um café bem interessante aberto mesmo a quem está de passagem.

A visita a Torre Eiffel merece uma reserva antecipada se o desejo for subir (http://www.tour-eiffel.fr/) , o que vale muito a pena.

Voltando pela margem direita cruzar a Pont d´Iéna e passar pelo Palais Tokio e Museu de Arte Moderna de Paris, belas exposições e um acervo de arte moderna e contemporânea podem ser uma ótima pedida.

Logo a frente , na entrada da Pont d´Alma está uma homenagem singela a Princesa Diana que aqui pereceu. Um pequeno histórico deste monumento: ” Em 1989, os Estados Unidos ofereceram à França uma réplica da chama da Estátua da Liberdade. Este presente foi um agradecimento pela participação de empresas francesas na restauração da famosa estátua americana. Esta escultura se encontrava esquecida no 8ème arrondissement de Paris, quando, em 1997, a morte de Lady Di neste local a trouxe de volta aos noticiários. Nos dias seguintes ao acidente, milhares de anônimos transformaram esta obra em monumento-homenagem à Princesa de Galles.” Maria Lina Hauteville

Os Petit e Grand Palais com suas cúpulas de cristal foram construídos para a Exposição Universal para serem demolidos logo após. Por sorte foram preservados e são espaços muitos nobres para grandes exposições de arte na cidade. Não deixem de conferir previamente a programação.

Seguir pela lateral do Jardim das Tulherias até a Ile de la Cité onde Paris começou e que abriga um dos ícones da cidade , a Catedral de Notre Dame.

Bem pertinho está a Sainte Chapelle que eu considero um dos monumentos mais bonitos de Paris e o monumento gótico mais bonito da França. Ela foi construída na segunda metade do século XIII por Louis IX, mais tarde Saint Louis, para receber a coroa de espinhos de Cristo. A capela do primeiro andar era de uso exclusivo do soberano e se comunicava por uma galeria com os aposentos reais. A Sainte Chapelle está situada na Ile de la Cité, no interior do Palácio da Justiça. Existe uma entrada separada para a visita do monumento, mas normalmente tem filas bem grandes.( 6 boulevard du Palais) .

Dicas úteis do site Conexão Paris para usar a velib:

  1. Vá até uma das mais de 1.400 estações de vèlib na Capital. 2. Primeiro, escolha uma bicicleta olhando a condição dos pneus, a corrente, os freios e dê uma giradinha no pedal pra ver se está tudo funcionando bem. Veja, também, se a luz correspondente a ela (na tranca) está verde. Se estiver vermelha, aquela bicicleta estará indisponível. 3. Dirija-se ao totem computadorizado. De um lado, há o mapa da região e a localização das estações mais próximas, além daquela que vc já está. Do outro lado do totem, há uma tela e um display de botões. 4. Escolha um dos 5 idiomas (francês, inglês, espanhol, alemão e italiano) e siga as instruções na tela, apertando os botões do display numérico pra interagir com a máquina. 5. Digite o número da bicicleta que vc escolheu. 6. Insira o cartão de crédito no momento solicitado. 7. Uma vez aceito o cartão, a máquina imprimirá um ticket. 8. Passe esse ticket sobre o leitor ao lado da bicicleta. Você ouvirá um ‘clic’, indicando que a bicicleta está liberada. 9. Puxe-a pra trás e pronto: divirta-se. E não se esqueça de trocar de bicicleta a cada 29 minutos, ou menos.

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Rota Romântica por Luciano Terra - Castelo de Neuschwanstein

09 de setembro de 2013 2

Nos contos de fadas lagos são rodeados por montanhas magníficas. Em castelos, príncipes e princesas vivem felizes para sempre. Como não viver assim tendo como vista margens de águas cristalinas que serpenteiam por entre campos verdes e floridos? Nessas histórias não poderiam ainda faltar os desfiladeiros, que servem como proteção e são adornados por cachoeiras de águas azuladas oriundas de picos nevados e que vão alimentar lagos e rios em um ciclo infinito de beleza e vida.

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Você pode estar pensando que contos de fadas não existem e que princípes e princesas, apesar de existirem, não são normalmente felizes para sempre. Entretanto, a fantasia termina por aí. Se você me disser que castelos incrustados em desfiladeiros, à beira de lagos de águas cristalinas e campos floridos e verdes também não existem, nisso, terei que discordar. Também terei que discordar se você me disser que não há como viver feliz para sempre em um lugar como esse. Claro que o nosso para sempre pode ser diferente. O meu durou uma semana. E foi tão intenso que, acredite, parece que foi uma eternidade.

Em uma rota para lá de romântica, parti em direção à fantasia. O sol brilhava lá fora enquanto minha carruagem moderna, e movida a gasolina, se deslocava por estradas sinuosas e rodeadas de cidadezinhas charmosas. Parecendo terem sido retiradas de contos encantados de tempos idos. Flores espalhadas pelo caminho mostravam que ali morava um povo ordeiro, amável e que sabia respeitar a natureza e a valorizava como deveria ser. Por detrás de muros medievais de cidades imperiais janelas coloridas exalavam o perfume das flores que adornavam seu parapeito. Imagens fixadas na retina para sempre.

A primeira parada foi no meio de um campo verde. Uma planície finita rodeada por montanhas de um lado e por um lago de outro. Um último fôlego antes de enfrentar os penhascos e se embrenhar de vez na fantasia real de um castelo encantado. À beira de uma igrejinha de peregrinação (St. Coloman) as preces foram desnecessárias. Ao inspirar o ar fresco que vinha das primeiras montanhas alpinas a minha frente, e sentir a leve brisa de verão em meu rosto, com certeza já estava em sintonia com a mais alta divindade do universo. Meus olhos famintos não conseguiam captar tudo que estava ao redor. Tentando desesperadamente, mas em vão, assimilar toda a beleza que me envolvia, só me restou a sensação de estar sendo abençoado pela oportunidade de estar ali, naquele exato momento.

Ao conseguir assimilar uma parte da beleza natural que me cercava pude localizar ao longe o castelo encantado que estava buscando. No meio da montanha ele nada mais era que um pontinho de cor diferente do todo. Acreditava que este seria o ponto alto da região, mas, apesar de toda a sua beleza e singularidade, comparado à natureza e a grandiosidade do local, era apenas um detalhe. Somente pude ver seu real tamanho ao me aproximar. Porém, mesmo de perto, a energia e a força da mata, das montanhas, das cascatas e penhascos foi tão forte, que a competição foi desleal. Não há o que o homem construa, seja ele um rei ou um imperador, que possa competir com a obra máxima da criação.

Seguindo caminho após o encantamento inicial, alguns poucos quilômetros de uma estrada sinuosa me separavam de um vilarejo que serve de base para a visitação ao castelo. Nele pode-se partir a pé por trilhas no meio da mata, ou asfaltadas, vai depender do seu desejo de se encantar e brincar com a fantasia. Ao final dessas trilhas está a entrada do Castelo de Neuschwanstein. Obra intelectual do Rei Ludwig II da Baviera e inspirado nas obras de seu amigo e protegido Richard Wagner.

No meio de árvores centenárias ele surge grandioso. Não há como ficar ileso e não liberar a imaginação. De suas janelas brotam imagens de uma corte em noite de baile de gala. O cheiro do vinho servido em banquetes e o som de Wagner chegam aos narizes e ouvidos mais fantasiosos. Uma viagem no tempo somente permitida àqueles que ainda acreditam em florestas encantadas e personagens de outras dimensões.

Desbravando um pouco mais o parque que circunda o castelo pode-se ainda chegar ao local de onde são disparados tiros fotográficos oriundos de armas óticas de todos os lugares do mundo. A partir da ponte Marienbrücke, uma construção metálica que liga os dois lados de um magnífico penhasco, é que vem o encantamento final. Aquela vista que ficará eternizada na sua memória. Um castelo magnífico emoldurado em uma das paisagens mais belas que vi até então. Se você for um pouquinho mais aventureiro, deve passar a ponte e buscar uma das trilhas na mata. Em uma delas dá para subir um pouco mais e chegar à beira do mesmo penhasco, mas alguns metros acima do nível anterior, e o melhor: poderá visualizar e fotografar o castelo sozinho. Sobre a ponte terá que travar quase uma batalha medieval por alguns centímetros de espaço.

Ainda extasiado, como um menino que acaba de descobrir contos fantásticos e proibidos, tomei minha carruagem e segui em direção ao próximo destino. Ao longe, em uma parada à beira do lago, não para dar de beber aos cavalos, mas para me alimentar um pouco mais daquela energia, pude vislumbrar ao fundo, quase imperceptível no meio do todo, o castelo. Nesse instante tive a certeza que o Rei Ludwig II era um visionário e até mesmo um louco. Não por ter construído um castelo dos sonhos, mas por tê-lo situado naquele local.

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