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Posts de dezembro 2014

A casa azul - A perfeita tradução da vida e obra de Frida Kahlo

15 de dezembro de 2014 4

Seguindo nossa programação na Cidade do México, no dia seguinte fomos visitar a mística  La casa azul em Coyoacán, na época uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México e hoje um distrito.

 Na Casa Azul nasceu Frida Kahlo, em 6 de julho de 1907, uma das mais renomadas e talentosas artistas latino americanas,uma curiosidade sobre Frida é que ela sempre declarava que nascera em 1910, o ano de revolução mexicana e sobre isto ela dizia:

“Nasci com a Revolução. É preciso pensar nisso. Foi nesse fogo que eu nasci, levada pelo impulso da revolta até o momento de vir ao mundo… Tive essa sorte: 1910 é a minha data.”

Coyoacán, um bairro hoje já incorporado a grande cidade, mais parece mais uma cidadezinha do interior, aqui o trânsito intenso dá uma trégua, a gente consegue ouvir os passáros, ver muitas árvores e devagarinho começamos a ser indelevelmente envolvidos pela aura de Frida Kahlo.

Já nos muros que cercam a propriedade  vemos as cores das telas de Frida e do artesanato mexicano.

Na entrada referências ao grande amor da vida da artista – Diego Rivera.

La Casa Azul foi o lugar onde Frida Kahlo veio ao mundo, viveu, e deu o seu último suspiro. O prédio que data de 1904, não era uma construção enorme. Hoje a área construida é de 800m2 em uma área de 1200 m2. Diego and Frida encheram a casa com muita cor, arte folclorica e objetos pré hispânicos para demonstrar sua admiração pela cultura e pelo povo mexicano. 

Eu me sentia dentro do filme Frida,ou melhor dentro da vida de Frida, como se fôssemos velhas amigas, e eu estava em completo estado de graça, pois a casa transpira a personalidade da artista, tudo que se vê, os objetos, os móveis, as fotos antigas, tudo me remetia as suas telas e a sua trágica vida que, em muitos momentos ela conseguiu imprimir tanta leveza, seja pelas cores vibrantes ou por sua atitude desafiadora de nunca aceitar os limites de seu corpo prejudicado por uma poliomelite na infância e por um acidente grave na juventude.

O atelier da artista

 O que transparece não só na sua obra, mas naquele espaço que tão indiscretamente invadíamos, era de uma mulher forte, guerreira, que nunca se deixou abater. Uma mulher totalmente a frente de seu tempo, que despertou muitas paixões entre homens e mulheres, André Breton, o polêmico teórico do Surrealismo, não declarou seu amor a Frida?

A cama que foi adaptada com um espelho para seus famosos auto retratos, depois que a artista sofreu o acidente que a prenderia deitada por meses a fio.

 A cozinha, pintada em cores do folclóre mexicano.

A sala da Casa Azul

No fundo, seu coração sempre pertenceu a um único homem – Diego Rivera, a quem ela carinhosamente chamava de  pançon, a quem amou com devoção até o fim.

 Se você é fã de Frida como eu, vale a pena uns minutos na lojinha, tem coisas incríveis pra trazer pra casa…

Foto clássica, Mylene e eu ( reparem na minha cara de abobada, totalmente babona… depois desta visita, eu já podia ir embora do México.

La Casa Azul

Londres 247
Col. del Carmen
Coyoacán
c.p. 04000
Tel. 5554 5999
Fax. 5658 5778
http://www.museofridakahlo.org.mx/

Rio Grande do Sul , a dança apaixonante das estações

02 de dezembro de 2014 8

O Rio Grande é quase um estado de espírito, onde as estações do ano jogam com os humores e regem a sinfonia de nosso dia-a-dia ! Tudo pode ser encarado como um calvário de extremos , indo do verão escaldante em “Forno Alegre” até os gélidos invernos de “renguear cusco ” na fronteira e na serra. A mim inspira e revigora, a mudança renova a alma e tira o pó do guarda-roupa.

Condomíneo O Bosque em Gramado

Porto Alegre ao entardecer de verão

Todos os incômodos das quatro estações em um único dia encarados como  oportunidade de ser testemunha ocular do mosaico de cores que a natureza proporciona ao longo do ano! São vermelhos profundos dos flamboyants, amarelos quase desesperados dos ipês, azuis desmaiados dos jacarandás, rosas lânguidos das paineiras. Os céus também se tingem de cores que fazem uma dança diária quase despercebida pelo transeunte apressado.

 

 

Quando o verão se anuncia , é o colorido dos flamboyants que pressagia suas cores. Matizes de laranja e amarelo são sua prévia e o calor inspira a andar de pés descalços , se esticar no chão morno e acariciar a grama. O contato direto com a natureza traz uma sensação de liberdade e extroversão, o verão derruba os costumeiros limites  entre a vida dentro de casa e ao ar livre , entre o recato e a sensualidade.

Flamboyant no Parcão, Parque Moinhos de Vento

As ruas da capital ficam ( ou ficavam) desertas, e as praias roubam a cena com imagens típicas de um verão tropical. Conseguimos até enganar os desavisados que pensam que no Brasil não faz frio.

 

Rua Gonçalo de Carvalho, a mais linda do mundo segundo alguns

Atlântida no verão, barracas na praia

O outono nos brinda com a volta da vida séria , o início verdadeiro do ano novo em março. O gaúcho aproveita os dias secos e frescos para explorar os bosques em seus matizes de marrom e laranja  . O campo  mantém a suavidade trazida pelo verão e ainda não foi castigado pelo frio intenso , está em seu explendor. São as paineiras que fazem a festa das cores, com seus tons rosados e flores que se desprendem e voam longe, como os últimos suspiros de um apaixonado antes do fim do amor.

  

Condomíneo Saint Morritz,  Gramado

 Paineiras na Plinio Brasil Milano

O inverno traz um tom gris, o céu cinzento pesa com nuvens que vem do sul , o Guaíba fica mais escuro e profundo , nos mantém envoltos num ambiente úmido e ameaçador. É um quadro perfeito para um jantar a dois em frente a lareira ou um dia debaixo dos cobertores. No inverno são os galhos secos e sem folhas que criam formas inusitadas e se impõe frente a paisagem castigada pela geada. O vento corta , enregela os ossos, o famigerado Minuano ainda nos assusta enquanto inspira.

 

Porto Alegre vista da Ponte do Guaíba, céu de julho

Estância próxima a Livramento, fronteira do RS e Uruguai

Mas “quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos”, a renovação transborda por todos os poros . Parece que é o momento de tirar para fora todas as esculturas cheias de musgo e limpar as entranhas do mofo do tempo enfurnado, florir o jardim e a alma. São ipês em setembro , jacarandás em outubro , uma profusão de cores e aromas.

 

Ipê Rosa contra o céu azul de primavera

Ahh a primavera , auspiciosa e frágil, se não cuidarmos ela perde as flores e nós nem notamos que um novo verão já chegou!

Fotos de Marília Clark, Clarisse Linhares e Mylene Rizzo.
 
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