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A ilha das 113 praias (e da 7º mais bonita do mundo!): Ilha Grande no Rio de Janeiro

19 de julho de 2015 0

Quando se trata de viagens, é difícil encontrar unanimidades (Rio ou São Paulo? Madri ou Barcelona? Nova Iorque ou São Francisco?). Na tentativa de formar consensos, tornam-se populares os rankings que ordenam destinos em diferentes categorias. Em 2013, o Tripadvisor  divulgou sua lista das 10 praias mais bonitas do mundo, e duas brasileiras deram as caras. Em quarto lugar, aparecia a Baía do Sancho, em Fernando de Noronha. Até aí, nenhuma novidade. A surpresa surgia mais adiante, no sétimo lugar: Lopes Mendes, na Ilha Grande, estado do Rio de Janeiro. Por mais que o destino já fosse conhecido, a ilha costumava viver à sombra de vizinhos mais populares, doméstica e internacionalmente: Angra dos Reis, Paraty, e a própria cidade maravilhosa.

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A praia de Lopes Mendes. ©IlhaGrandeTours

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Justiça seja feita: Ilha Grande é um paraíso natural que merece incontáveis visitas. A Vila do Abraão é a comunidade que abriga o cais onde chegam e partem as embarcações que fazem a ligação com o continente. Maior núcleo local de urbanização, é lar de 3000 habitantes, e concentra a maioria das pousadas e da infraestrutura turística da ilha. De lá partem 5 das 16 trilhas que costuram a porção de terra – na ilha, não circulam carros ou motos que não sejam do governo.

 

felipe 2Anoitecer na praia em frente à Vila do Abraão. ©Felipe Gaúcho

 

Lopes Mendes, a sétima praia mais bela do mundo, é o destino da mais famosa dessas trilhas. Em cerca de três horas de caminhada, passa-se pelas enseadas de Mangues, Palmas e Pouso, até que se chegue do fim do percurso. A recompensa se descortina por detrás das folhagens sobre um caminho de areia que encerra a trilha: depois dele, adentra-se uma faixa larga de areia, nas extremidades da qual ficam a sombra das palmeiras, de um lado; e a água esmeraldina e refrescante, do outro. A visita também pode ser feita de barco, o que substitui a caminhada de três horas por uma navegação de vinte minutos. Mas o conforto tem seu preço. Quem opta pelo barco deixa de conhecer Palmas, uma das praias no meio do caminho, onde ficam alguns balanços feitos de corda, píers que parecem cenários de filme, e dez vezes menos gente em comparação com a vizinha famosa.

 

felipe 3A recepção aconchegante de um nativo da praia do Pouso. ©Felipe Gaúcho

 

A relação entre facilidade de acesso e quantidade de visitantes é uma tônica em todas as 113 praias da ilha. No geral, quanto mais para o sul ou para o oeste se vai, mais selvagens e despovoadas são as baías. Aventureiro, a três horas de barco da Vila do Abraão, não tem energia elétrica, e nela só é possível pernoitar em campings. Parnaioca, igualmente isolada e encantadora, não tem nem sinal de celular, e hospeda meros cinco valentes habitantes.

 

felipe 4Criança desconfiada observa a chegada de visitantes em uma praia inóspita. ©Felipe Gaúcho

 

Ilha Grande não carece de opções para os menos destemidos, no entanto. Agências de turismo oferecem passeios de barco que contornam toda a ilha ou metade dela, em um dia, com paradas e lanches em algumas das suas mais bonitas enseadas. Os fãs de mergulho podem se esbaldar nas águas límpidas da Lagoa Azul e da Lagoa Verde, que, quando não superlotadas (é sempre bom evitar esses locais na alta temporada), colocam o visitante em contato com cardumes vastos e tartarugas marinhas acostumadas à proximidade com humanos. E, em um circuito que se percorre a pé em uma hora, partindo da Vila do Abraão, é possível conhecer a Cachoeira da Feiticeira, um paredão vertical com uma queda d’água de 15 metros e um poço agradável; e as ruínas do Lazareto, um antigo hospital que isolava pacientes em quarentena do resto da sociedade, até o começo do século passado.

 

felipe 5A Cachoeira da Feiticeira. ©Navegantes Turismo Ilha Grande

 

O antigo Lazareto não é a única construção da ilha que carrega consigo as marcas de um passado sombrio. Resguardando a praia de Dois Rios (na minha humilde opinião, muito mais linda do que a famosa Lopes Mendes), fica um antigo presídio, um dia considerado “de segurança máxima”. Dentro dele, na época da ditadura, a convivência entre presos políticos e assaltantes de banco incitou a formação de grupos que inciaram um nova capítulo na história da violência urbana nacional. Foi ali, diante de uma das praias mais bonitas do país, que surgiu o Comando Vermelho, hoje uma das maiores facções criminosas brasileiras.

felipe 6Fim de tarde na praia de Dois Rios. ©Felipe Gaúcho

 

Desde que um dos líderes da facção deixou o presídio em um helicóptero, numa das fugas mais espetaculares da nossa história carcerária, o legado desses tempos foi ficando pra trás. O complexo penal foi desativado, uma unidade da UFRJ se instalou nas proximidades, e se constituiu uma espécie de cidade fantasma, onde charmosas casas de estudantes se avizinham a mansões abandonadas, num cenário misterioso que só engrandece a aura mística em torno da praia de Dois Rios.

felipe 7O pôr do sol ao fim de um passeio de barco. ©Felipe Gaúcho

 

Pousadas abundam na Vila do Abraão, e vão das mais básicas às que oferecem algum conforto extra (nada perto de cinco estrelas, contudo). Algumas opções de hospedagem mais charmosas são a Pousada do Tagomago, na Praia do Canto, e a Pousada Estrela da Ilha, dentro de uma construção elegante de madeira e pedra na Praia Freguesia da Ilha. Há, também, acomodações para os que buscam um pouquinho mais de extravagância. A vinte minutos de caminhada da Vila do Abraão, fica um sítio recentemente premiado pela Casa Claudia por seu jardim impecável, com nove suítes e privacidade total, ideal para viagens de famílias grandes.

 

Diferentes embarcações fazem o trajeto entre a ilha e o continente. Para conferir os horários, é só http://ilhagrande.org/

Felipe Sant’Ana Pereira

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