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Posts de junho 2018

Suzdal, a pérola do Anel de Ouro na Rússia

25 de junho de 2018 2

 

Suzdal é a principal cidade do Anel de Ouro , circuito medieval partindo  de Moscou que inclui o Mosteiro de Sergiev Possad , Rostov e Yaroslav.

Além de uma infindável série de Igrejas e Mosteiros a cidade é famosa pelas casas de madeira colorida que tem janelas emolduradas por rendilhados esculpidos. 

 

A tradição local diz que esta molduras serviam para expulsar os maus espíritos.

Suzdal foi declarada  Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1992, e o seu Kremlin, espécie de cidadela-fortaleza que data do século X, é um dos mais antigos conjuntos arquitetônicos do país. O Museu de Arquitetura em Madeira é um dos mais interessantes do país, foram trazidos do norte belos exemplares de construções que são mantidas na cidade.

Contando com menos de treze mil habitantes a cidade procura preservar seu  patrimônio, impedindo o crescimento desordenado e construíndo hotéis de madeira no velho estilo russo.

 

Aqui acontece anualmente, no dia 15 de julho, uma festa no mínimo curiosa: a Festa do Pepino. Considerada uma iguaria pelos russos, o pepino de Suzdal é o mais valorizado da região. Os habitantes da cidade costumam vender pepinos em conserva, retirados de suas hortas, como forma de reforçar o orçamento familiar.

Quando visitamos Suzdal, estava montado ali o set de filmagem de Ivan , o Terrível. Do mesmo realizador de Taxi-Blues, Pavel Louguine  aproveitava o clima medieval do local para remontar o século XVI , período onde se passa a história deste perverso czar. Ivan é reconhecido por ter unificado a Rússia após a era das invasões mongóis e era uma das inspiração de Josef Stálin.

Mas é o ambiente idílico que mais encanta em Suzdal, é quando olhamos em volta e  sentimos uma atmosfera banhada em nostalgia, onde o tempo de sofrimento do período soviético parece não ter tocado.

arquivo particular

 Vejam como este mundo é pequeno. Esta mensagem acabamos de receber do Ariovaldo Leite da Silva sobre esta foto acima:

Se não tivesse acontecido comigo jamais acreditaria. Uma coincidência desta jamais tive noticia: Há cerca de 6 anos, em Suzdal na Rússia, numa rua longe da rota turística, paramos o carro por um motivo qualquer e do outro lado da calçada esta mulher saiu na janela e a fotografei. Hoje, fui dar uma olhada na página Viajando com arte e dei com esta imagem que foi tomada por um turista brasileiro na Rússia, talvez por conta da Copa. Fiz a comparação e vi que se trata da mesma janela, mesma senhora ( meu primo é perito e constatou) Dá para acreditar que num país imenso como a Rússia, passamos na mesma rua e tiramos a mesma foto e que a dele eu tenha encontrado casualmente na net? Isto é incrível….”

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Uma tradição mantida no inteiror é o chá servido em samovar com rosquinhas, mais bonitinho quando vem uma moça vestida a caráter.

 

 

Se você gostou deste post e curte dicas de viagem, arte, restaurantes e afins, visite nosso site:

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Puglia - Um dos segredos mais bem guardados da Itália.

18 de junho de 2018 2

Pois se você não tiver a sorte de ter um amigo italiano para te dar umas barbadas, não se aflija, estou aqui para dividir com você um dos lugares mais lindos ainda não descoberto pelo turismo mundial.

Este lugar é a Puglia, uma região da Itália que fica ao sul no que seria bem o “salto da bota”. A capital da Puglia é Bari, e ao longo da sua costa estão dois mares, o Adriático e o Jônico.

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Estradas da Puglia no verão, cobertas de campos de Girassol.

Eu diria que  em 10 dias você pode conhecer bem a região, a Puglia tem uma grande diversidade, tem muito para oferecer, praias com águas cristalinas, uma gastronomia fantástica, você sabia que a grande maioria do óleo de oliva produzido na Itália vem da Puglia? A famosa Burrata ( aquela mussarela em bolinha que você abre e ela quase derrete, especial para fazer  uma Salada Caprese de comer ajoelhado.

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Um roteiro pela Puglia pode começar em Vieste, um lugar especial, uma antiga vila de pescadores, com menos de 15 mil habitantes, que se ergue sobre um promontório espetacular na península de Gargano. Ruas estreitas de paralelepípedos, todos sorriem para você,  casinhas de pedra  com janelas floridas,a vida escorre lenta e tranquila. Restaurantes onde a estrela é sempre o mar, pratos com polvo, camarão, peixe, são um must.

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Praia de Vieste

Fizemos um passeio de barco para visitar as grutas marinhas, você não acredita na beleza, no azul da água, e quando o sol reflete o azul no interior das grutas é de tirar o fõlego, beleza para todos os lados.

À noite muitas opções de bons restaurantes no centrinho histórico, nós seguimos a dica de uma amigo nativo, Il Dragone, um restaurante familiar  e comida deliciosa.

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centrinho animado de Vieste.

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Il Dragone

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De Vieste descemos de carro até o Parque Nacional do Gargano, na costa paisagens deslumbrantes do mar, e no continente a Floresta Umbra, onde se pode fazer trilhas, caminhar no Canyon do Gargano, pelo  leito de um antigo rio, que há milhares de anos atrás formou  uma grande cratera.

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Peninsula de Gargano

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Nosso próximo destino foi Polignano A Mare, outro lugar imperdível em um roteiro a Puglia, Polignano é lindo e você vai me desculpar, mas é absolutamente fundamental ficar no Hotel Grotta Palazzese, uma das condições geográficas mais especias da Itália, as imagens falam por sí, mas me acredite,reza a lenda que ficar neste hotel salva até casamento! :) , brincadeiras à parte o lugar é único, só jantar lá já vale uma ida a Puglia.

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Polignano A Mare

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  Este é o incrível Hotel/Restaurante Grotta Palazzese

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Polignano é quase um vilarejo, ainda guarda muito o carater de cidade do interior, a antiga e boa religiosidade italiana, durante a nossa estadia pegamos uma procissão a tardinha, e minha ideia foi de ter entrado na máquina do tempo, padres, sinhorinhas vestidas de preto, mas nem por isso taciturnas, de jeito nenhum, todas olhavam na nossa direção e sorriam, convidavam a participação, meu coração italiano se encheu de nostalgia por uma Itália que eu nem sabia que ainda existia. Em Polignano também fizemos um passeio de lancha pelas cavernas marinhas, lindíssimo, mas aqui a atração principal é o Dorino Contento, uma figuraça! Ele é o dono da lancha e conta muitas estórias da cidade, você pode procura-lo no Facebook, é diversão garantida, a parte que os lugares são lindos, banho de mar nota 10.

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Procissão em Polignanno A Mare

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Restaurante Antiche Mura a Polignano

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Saida de lancha para ver as grutas e a cidade do mar com Dorino Contento.

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Dorino, uma figura inesquecível, o italiano típico.

De Polignano fizemos um bate e volta até Alberobello, cidadezinha dos famosos Truli, que vem do grego Tholos que significa cúpula. A cidadezinha é formada por centenas destas casinhas brancas com uma cúpula de pedra cônica. O efeito do conjunto é mágico, parece um cenário encantado, flores de todas as cores contrastam com o branco das casas. Lojinhas, souvenires, restaurantes, museu do óleo de oliva, programa completo para passar o dia, e a estrada é linda, pontilhada por grandes olivais e plantações de girassol.

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Paisagens de Oliveiras por todos os lados.

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Os Trulli de Alberobello.

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cena italiana.

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Outra cidadezinha que amei de paixão foi Locorotondo, ruas estreitas, mas a cada esquina parecia que eu estava olhando um cartão postal, floreiras de gerânios muito vermelhos, sacadas de ferro cheios de arabescos, vespas, que para nós é vintage para eles faz parte do dia a dia, tudo compunha um quadro muito, muito pitoresco. Sentamos em um pequeno restaurante embaixo de uma parreira, quer mais Itália que isto?

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Locorotondo.

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Segundo meu amigo italiano nenhuma viagem a Puglia é completa sem conhecer  uma Masseria, que são antigas propriedades rurais que hoje são hotéis de luxo, muitas eram antigos frantoios, ou seja, fazendas que plantavam oliveiras e processavam óleo de oliva. Ele nos indicou uma maravilhosa, fazenda de campanha desde 1500 (!) imersa em uma atmosfera de outra época, mistura de cultura e tradição com conforto contemporâneo – um sonho, uma legítima travel experience.

Você já deve ter ouvido falar de Matera,  o que nunca ouviu falar? Hiii você está mesmo por fora…  Matera é uma jóia, fica há 80Km de Polignano A Mare, e verdade verdadeira, não fica mais na Puglia, mas na região lindeira de Basilicata. E já que você veio até aqui não pode deixar de conhecê-la. Uma cidade com muita história, classificada como patrimônio da humanidade pela Unesco. Mas como o post é sobre a Puglia, não se zangue, mas já sabe: Matera = imperdível.

Cidades que tem que contar do seu roteiro, talvez não para dormir, mas ao menos para conhecer são:  Ostuni, Otranto, eu não perderia tempo entrando em Brindisi, mas isto é pessoal, evito as cidades grandes que para mim já perderam a inocência e a originalidade.

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Ostuni.

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Você vai me perguntar sobre Lecce, e ai vou ter que confessar meu crime – não conheci, um horror, pois todo o planeta fala bem de Lecce, mas tudo na vida são escolhas e aqui escolhi ir para um refúgio a beira mar – Galipolli.

Nosso último destino na Puglia foi Gallipoli, esta cidadezinha na beira do mar Jônico, pequenina, um antigo  feudo rodeado por altas muralhas que descem até o mar, com um antigo castelo que domina a paisagem. Muitas igrejas barrocas, palácios, mas Gallipoli é sobretudo sobre descanso, pores do sol, praia, happy hour no antigo porto. Repor as energias, acalmar a mente e organizar a memória que irão me abastecer de alegria interna por muito tempo.

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Praia de Gallipoli.

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Porto.

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que tal o Viagra salentino?

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Eu não poderia acabar este post sem dizer um grazie mile ao Roberto, mio amico italiano!     

 

Se você gostou deste poste quer saber mais dicas de viagem, palestras culturais siga nossa página Viajando com Arte no Facebook, ou dê uma passada no nosso site:

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Artesanato, espelho da riqueza cultural do México

13 de junho de 2018 1

Voltei do México meio Frida Kahlo. Eu , que sempre fui básica e equilibrada , só quero me vestir de amarelos e azuis berrantes, quero pintar a casa de cor de rosa e vermelho e decorar com todos os badulaque que eu trouxe , juntos!

Não é brincadeira não , a gente volta com a cabeça chacoalhada e com a certeza de que nunca soube combinar cores! Sempre ousou pouco! É uma mistura de sensações , materiais e texturas que mexe com todos os sentidos, aguça paladares e olfato.

Até a comida segue o arco íris espalhado pelo país! Não apetece muito , mas que é fotogênico , é!

cartonería é uma técnica utilizada para a elaboração de piñatas e judas,  consiste em um modelado de papel. Várias festividades usam estes “bonecos” de papel como decoração. Os alebrijes são uma variação da cartonería, sempre animais imaginários de cores vibrantes. Sua origem se encontra na Cidade do México,  e seu criador, Pedro Linares López, conta que , muito doente,  sonhou que estava em um bosque onde viu estes seres que o acompanhavam em seu caminho de regresso à  conciência  gritando:  “Alebrijes”. Vimos uma exposição de alebrijes gigantes no Zócalo!

Curtimos muito o colorido , mas sentimos imensamente não estarmos no país na semana da Festa do Mortos, dia 2 de novembro. Pudemos admirar alguns elementos usados nas comemorações, principalmente seu personagem principal , Catrina. Este ano ainda dá tempo para aproveitar o dia de finados por lá!

La Catrina de los toletes é a representação humorística do esqueleto de uma dama da alta sociedade. É uma das figuras mais populares da Festa do dia dos mortos. A palavra catrina é a variante feminina da palabra catrín, que significa dândi em espanhol. O personagem se caracteriza como um esqueleto de mulher usando um chapéu, um distintivo da elite do início do século XX e tem uma função  lembrar que as diferenças sociais não significam nada, diante da morte.

As origens da Catrina remontam às festas dos mortos pré-colombianas. Seu nome vem de La Calavera de la Catrina gravura do mexicano José Guadalupe Posada (1852-1913), água-forte  que faz parte de uma série de “Calaveras”(caveiras).

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 La Calavera de la Catrina

 O Dia dos Mortos é uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces preferidos dos mortos, para as crianças fazem caveirinhas de açúcar.

Casa com varanda decorada em Coyacán

Bonequinhas de pano , tipo aquelas usadas nas cerimônias de vudu, abundam. As meninas vendem nas áreas turísticas , normalmente vestidas com trajes típicos. Mas nem tente fotografá-las sem pedir permissão, e prepare-se para sonoros nãos!

Outro elemento central no folclore mexicano são as árvores da vida. Segundo a Bíblia, a Árvore da Vida é uma das duas árvores especiais que Deus colocou no centro do jardim chamado Éden. A outra é a “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal“, de cujo fruto, Eva, e depois Adão, acabaram por comer por influência de uma serpente. A versão mexicana é colorida e muito abundante em dádivas, algumas são enormes e enlouquecem quem aprecia a cerâmica.

As flores de papel colorido são usadas em todas as decorações e aparecem em infinitas versões. Nesta época muitas roxas e laranjas, nas celebrações fúnebres.

Panos e mais panos, bordados, tramados ou pintados, a escolha é sua! O que importa é misturar tudo e ver o resultado final.

O mais legal é ver a origem destas estampas exóticas quando visitamos o Museu Antropológico do México no Parque Chapultepec na Cidade do México. O exemplo abaixo faz parte de um dos murais pré-colombianos do museu.

Para uma versão moderna das padronagens mexicanas folclóricas não perca a releitura feita pela designer Pineda Covalin, encontrada em shoppings ou aeroportos mexicanos! Lenços, vestidos e idéia originais sem perder a essência da alma mexicana, um luxo! Uma dica da Alessandra Nunes que adoramos.

Quanto ao sombrero? Não está em alta por lá! Encontramos poucos e sempre em lojas meio duvidosas. Algum mexicano vestindo não vimos nem de binóculo. Tivemos que fazer nossa própria versão.

 Para saber mais sobre roteiros em grupo ou particulares do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

Bagé, me caíram todos os butiás do bolso

08 de junho de 2018 0

Chegamos a Bagé ao entardecer e se você nunca ouviu falar da luminosidade do pampa, não perde por esperar!

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Seguimos direto para cidade cenográfica de Santa Fé, e parecia que eu estava ouvindo o Capitão Rodrigo irrompendo no bar do Nicolau e dizendo:

“Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!” na pele do ator Tiago Lacerda.

Em 2012, Bagé foi um dos cenários escolhidos pelo diretor Jayme Monjardim, por sua luz (olha a luz aqui novamente!) e paisagem ideal para as filmagens do longa “O Tempo e o Vento” construindo aqui uma cidade em meio ao pampa.

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O filme é inspirado na maior obra do escritor gaúcho Érico Veríssimo, que conta a história da família Terra Cambará até o final do século XIX. Retrata a formação do Rio Grande do Sul, a formação do território brasileiro, a construção da sua cultura e a demarcação de suas fronteiras. Além de ter imortalizado personagens como Ana Terra, Capitão Rodrigo e Bibiana.

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O cenário está um pouco desgastado pelo tempo, sua construção foi feita para ser efêmera mas a comunidade pediu e o espaço foi doado a  prefeitura  que  busca recursos para a reconstrução em material mais resistente.

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Mas a magia está presente e a gente torcendo para que consigam manter viva este pedacinho da história recente. Enquanto isto aproveitemos o ambiente bucólico e vejamos a beleza que ele conserva.

Seguimos com pressa para não perder o entardecer na Vila Santa Thereza, também na entrada da cidade e com um passado com muito o que contar.

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A Charqueada de Santa Thereza iniciou em 1897, fundada pelo comerciante português Antônio Nunes de Ribeiro Magalhães,  que chegou a ser o maior arrecadador de impostos da província, contando com 600 homens trabalhando e abatendo cerca de 100.000 reses .

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No entorno da charqueada Santa Thereza, foi edificado um amplo complexo urbano e industrial, formado pela vila de operários, palacete do proprietário, capela, coreto, teatro, padaria, lagos artificiais,  alfaiataria,  fábrica de tonéis, restaurante popular além de uma escola para mais de 60 alunos. O trilho da via férrea chegava até dentro da propriedade.

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Tudo está bem conservado pela Associação Pró – Santa Thereza, fundada em 2003 ,  que mantém o patrimônio, com exceção do palacete que já estava em ruínas.

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Chegamos a Bagé em noite de festa. Era dia 24 de maio, dia da  padroeira da cidade, Nossa Senhora Auxiliadora. A população toda mobilizada para a procissão que corta as principais ruas do centro, casas enfeitadas com velas nas janelas e música em frente ao IMBA , Instituto Municipal de Belas Artes.

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O Museu Dom Diogo de Sousa, antiga Beneficência Portuguesa iluminado pelo luar era um primor.

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Jantamos um honesto buffet de sopas no café Tarragona, uma das belas casas restauradas da Praça Júlio  de Castilhos.

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Também conhecida como Praça da Estação,  abriga o monumento homenageando um dos personagens mais famosos da cidade, o Analista de Bagé , sua secretária Lindaura e o criador Luis Fernando Veríssimo, além de nossa companheira de todas as roubadas, Magda Garcia. Ali o impagável dito:

“Tem muito paciente que acha que o umbigo dele é o centro do mundo,                                                     quando todo mundo sabe que é Bagé”                   Analista de Bagé

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O centro histórico é muito gracioso e bem conservado, muitas casas do século XIX mantém o legado de uma passado rico e glamoroso. Diversas praças dão um clima de um lugar onde se pode aproveitar o tempo, vendo a vida passar.

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A antiga estação férrea inaugurada em 1884 é testemunha de um passado onde o trem de passageiros trazia as autoridades, saudadas por bandas musicais da cidade. Bagé, então, estava ligada à cidade de Pelotas  e Rio Grande via férrea, o gado e o charque bajeenses chegariam a outros mercados. O progresso chegava e a cidade orgulhava-se. Hoje o prédio faz parte do centro administrativo.

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Para finalizar um pit stop na LEB, Livraria e Café Bageense. Na minha opinião uma cidade que consegue manter uma livraria/café deveria receber um selo de qualidade! Foi um prazer conhecê-la.

“Eu sempre digo que Deus criou o resto do mundo primeiro e o Rio Grande do Sul quando pegou a prática, mas as pessoas dizem que isso é bairrismo. ”  Luis Fernando Verissimo
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Mykonos agreste, uma grata surpresa

06 de junho de 2018 0

Todo mundo já ouviu falar de Mykonos, a fama de ilha gay, praias com muita festa e noite cheia de baladas esta espalhada pelo mundo. Mas depois de 15 anos voltei a Mykonos e para meu deleite descobri que além de tudo isto a ilha ainda mantém recantos de natureza preservada e praias paradisíacas.

Nos hospedamos em Psarou , uma praia que fica bem próxima a vila de Chora  (Hora) , centro urbano mais importante. É uma praia pequena e muito gostosa , o Mykonos Blue é tudo aquilo que esperamos de um hotel charmoso e bem atendido , com todo o conforto e muito mais, uma dica valiosa de minha amiga Flávia Alvarez!

A recepção do Mykonos Blue tem  charmosso burrinhos azuis

A piscina do hotel  com o mar azul ao fundo, blue em todos os lados!

Praia de Psarou ao entardecer.

As praias Paradise e Super Paradise continuam sendo  point , com recantos de nudismo e som nos paradores . Elia é mais família, um local charmoso com boa estrutura e esportes náuticos.

Super Paradise

Jeep alugado, indispensável para descobrir a ilha

 Mas foi no norte de Mykonos que nos surpreendemos com praias totalmente preservadas , sem construções e nem paradores com seu muitos guarda-sóis. Ftelia intocada e fica no fundo de uma grande baía, quase totalmente livre de cosntruções e com poucos frequentadores.

Ftelia , uma paraíso quase intocado ao norte de Mykonos

Agios Sostis é uma graça, tem uma pequena baía separada por pedras onde descobrimos o parador do Kiki, um restaurante bem simples onde o próprio Kiki faz na grelha todos os tipos de calamares , peixes e lulas com um visual de matar de inveja qualquer outro parador de beira de praia. O único problema do norte da ilha é o vento , em dias muito ventosos não é muito recomendável.

Agios Sostis

 

Entre um prato e outro vai um banho de mar

Enquanto Kiki prepara tudo na grelha.

Uma amostra do ambiente de Chora, no próximo post o charme “urbano” de Mykonos

 

Ecoturismo em Bagé - Rincão do Inferno , Casa de Pedra e Estância Vinícola Paraizo

03 de junho de 2018 0

Sabe aqueles lugares que a gente chega e pensa:

“Por que não descobri isto antes?”

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Pois a região rural de Bagé está exatamente no momento perfeito, antes de entrar nas rotas de turismo de massa e com maravilhas da natureza. Depois não vão dizer que nós não avisamos!

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O Rincão do Inferno é um cânion no Rio Camaquã, decorre de uma formação rochosa radical de beleza natural incomparável , localizada entre os municípios de Lavras do Sul e Bagé, às margens do Rio Camaquã. Distante 70 km de Bagé por estrada de terra, é indispensável contratar um guia para chegar e entrar na propriedade que é particular mas aberta a visitação. O valor da entrada é R$ 20,00.

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Esse local, outrora hostil para se viver, recebeu este nome assustador pois serviu de refúgio para  descendentes africanos que fugiam da escravidão. Como Bagé aboliu a escravatura quatro anos antes do resto do Brasil com uma visita da Princesa Isabel a localidade,  o Rincão do Inferno passou a fazer parte do quilombo das Palmas, que também é composto pelo Rincão dos Alves, Rincão da Pedreira e Campo do Ourique. Atualmente a comunidade quilombola local é formada por algumas famílias que são as guardiãs da identidade, da história e da tradição dos descendentes de escravos.

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Mas é na experiência de aventura que mora o maior interesse, aqui pode-se fazer caminhadas , acampamentos e até descidas de caiaque. Tudo monitorado pelos experts na região,  Juliano Munhoz e Silvana Silva, ambos conhecedores da história, da natureza e das peculiaridades locais. Uma escola de cultura pampeana sem paredes.

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Fiquei louca para voltar no verão e tomar um bom banho de rio entre as caminhadas. Agora os 4 graus de temperatura não eram muito adequados a estes arroubos aventureiros.

O local também foi palco das filmagens do longa de Jaime Monjardim baseado na obra de Erico Verissímo, ” O Tempo e o Vento” . Foi no Rincão do Inferno que Ana Terra encontrou Pedro Missioneiro na beira do rio.

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Na mesma região a Casa de Pedra é uma gruta gigante , ou uma brecha sedimentar para usar o termo erudito! Serviu como esconderijo para tropas revolucionárias em vários momentos desta nossa conturbada história gaúcha. Também conhecida como Galpão de Pedra, dizem ser possível esconder na gruta 200 homens a cavalo .

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Aqui, no filme o “Tempo e o Vento” , Ana Terra esconde o filho Pedro , quando sua casa é destruída pelos castelhanos. Como veem o local entra na história real e na imaginária.

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Além disto tudo é um local perfeito para criar cenários para refeições glamorosas, pode ser um piquenique ou algo mais elaborado . Nós mesmos fomos surpreendidos pela iniciativa dos guias de montar uma churrasco campeiro , trouxeram carvão, linguiça e pão e criaram um almoço inesquecível , uma verdadeira travel experience personalizada. Quase chorei de tão lindo!

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Esta região é palco de inúmeras possibilidades de escaladas mais profissionais. Mas também de trilhas para todos os tipos de preparo. É só dizer o tempo e suas possibilidades físicas que eles montam o programa na medida.

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Voltando para a cidade fechamos a exploração campeira com uma visita a uma estância típica de criação de gado  do pampa e que está entrando em uma nova fase, começando a explorar a produção de vinhos e a experiências relacionadas a isto.

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A Estância Paraizo, dos queridos Thomáz, Mônica e Victória Mércio, nos recebeu com carinho e nos mostrou um ambiente repleto de tradição em  busca de novos caminhos. Um galpão de pedra cheio de referências pampeiras transformado em cave, a mangueira à sombra de um cinamomo dá nome a fazenda paraíso.

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Mas o encanto maior é o parreiral e a degustação dos vinhos no entorno do Mausoléu da Família Mércio. O por do sol emoldurou o momento sensorial e os vinhos Cabernet Sauvignon Don Thomaz e Vitoria safra 2012 completaram o deleite. Recomendo agendar a visita e disfrutar deste pequeno paraíso.

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A Família Mercio é originária da Ilha de São Jorge, nos Açores, e partiu por cerca de 1690 com destino a Colônia do Sacramento. A Estância Paraizo nasce 100 anos após a chegada , em 1790, como parte de uma Sesmaria entregue pela Coroa Portuguesa pelos serviços militares prestados na constante Guerra contra a Coroa Espanhola pelos então campos neutrais da atual região de Bagé.

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Tradicional Estância de pecuária e ovinocultura desde o ano de 2000 iniciou um novo capítulo de empreendedorismo e foi uma das pioneiras a implantar vinhedos na região da Campanha. Desde então, vem se dedicando ao cultivo de uvas finas, varietais Shiraz e Cabernet Sauvignon com mudas originárias da Itália.

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O vinhedo Don Thomaz y Victoria está situado na faixa dos paralelos ideais no Hemisfério Sul para o cultivo de uvas vitiviníferas e onde também se encontram tradicionais países produtores como Argentina, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália.

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A Estância Paraizo é membro da Associação dos Vinhos da Campanha Gaúcha que até o final de 2018 deve receber o certificado do Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI) para o selo de Indicação de Procedência da Campanha Gaúcha. Em parceria com as outras vinícolas da Região faz parte do projeto do SEBRAE para a criação em 2019 da Rota do Enoturismo da Campanha Gaúcha.

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Informações

Guias para organizar passeios ao Rincão do Inferno e Casa de Pedra

Silvana Carvalho Silva  : (53) 99995. 5509

Juliano Munhoz : (53) 99974.7115

 

Estância Paraizo

www.estanciaparaizo.com

Facebook : Estância Paraizo

Instagram : @estanciaparaizo