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Bagé, me caíram todos os butiás do bolso

08 de junho de 2018 0

Chegamos a Bagé ao entardecer e se você nunca ouviu falar da luminosidade do pampa, não perde por esperar!

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Seguimos direto para cidade cenográfica de Santa Fé, e parecia que eu estava ouvindo o Capitão Rodrigo irrompendo no bar do Nicolau e dizendo:

“Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!” na pele do ator Tiago Lacerda.

Em 2012, Bagé foi um dos cenários escolhidos pelo diretor Jayme Monjardim, por sua luz (olha a luz aqui novamente!) e paisagem ideal para as filmagens do longa “O Tempo e o Vento” construindo aqui uma cidade em meio ao pampa.

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O filme é inspirado na maior obra do escritor gaúcho Érico Veríssimo, que conta a história da família Terra Cambará até o final do século XIX. Retrata a formação do Rio Grande do Sul, a formação do território brasileiro, a construção da sua cultura e a demarcação de suas fronteiras. Além de ter imortalizado personagens como Ana Terra, Capitão Rodrigo e Bibiana.

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O cenário está um pouco desgastado pelo tempo, sua construção foi feita para ser efêmera mas a comunidade pediu e o espaço foi doado a  prefeitura  que  busca recursos para a reconstrução em material mais resistente.

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Mas a magia está presente e a gente torcendo para que consigam manter viva este pedacinho da história recente. Enquanto isto aproveitemos o ambiente bucólico e vejamos a beleza que ele conserva.

Seguimos com pressa para não perder o entardecer na Vila Santa Thereza, também na entrada da cidade e com um passado com muito o que contar.

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A Charqueada de Santa Thereza iniciou em 1897, fundada pelo comerciante português Antônio Nunes de Ribeiro Magalhães,  que chegou a ser o maior arrecadador de impostos da província, contando com 600 homens trabalhando e abatendo cerca de 100.000 reses .

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No entorno da charqueada Santa Thereza, foi edificado um amplo complexo urbano e industrial, formado pela vila de operários, palacete do proprietário, capela, coreto, teatro, padaria, lagos artificiais,  alfaiataria,  fábrica de tonéis, restaurante popular além de uma escola para mais de 60 alunos. O trilho da via férrea chegava até dentro da propriedade.

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Tudo está bem conservado pela Associação Pró – Santa Thereza, fundada em 2003 ,  que mantém o patrimônio, com exceção do palacete que já estava em ruínas.

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Chegamos a Bagé em noite de festa. Era dia 24 de maio, dia da  padroeira da cidade, Nossa Senhora Auxiliadora. A população toda mobilizada para a procissão que corta as principais ruas do centro, casas enfeitadas com velas nas janelas e música em frente ao IMBA , Instituto Municipal de Belas Artes.

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O Museu Dom Diogo de Sousa, antiga Beneficência Portuguesa iluminado pelo luar era um primor.

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Jantamos um honesto buffet de sopas no café Tarragona, uma das belas casas restauradas da Praça Júlio  de Castilhos.

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Também conhecida como Praça da Estação,  abriga o monumento homenageando um dos personagens mais famosos da cidade, o Analista de Bagé , sua secretária Lindaura e o criador Luis Fernando Veríssimo, além de nossa companheira de todas as roubadas, Magda Garcia. Ali o impagável dito:

“Tem muito paciente que acha que o umbigo dele é o centro do mundo,                                                     quando todo mundo sabe que é Bagé”                   Analista de Bagé

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O centro histórico é muito gracioso e bem conservado, muitas casas do século XIX mantém o legado de uma passado rico e glamoroso. Diversas praças dão um clima de um lugar onde se pode aproveitar o tempo, vendo a vida passar.

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A antiga estação férrea inaugurada em 1884 é testemunha de um passado onde o trem de passageiros trazia as autoridades, saudadas por bandas musicais da cidade. Bagé, então, estava ligada à cidade de Pelotas  e Rio Grande via férrea, o gado e o charque bajeenses chegariam a outros mercados. O progresso chegava e a cidade orgulhava-se. Hoje o prédio faz parte do centro administrativo.

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Para finalizar um pit stop na LEB, Livraria e Café Bageense. Na minha opinião uma cidade que consegue manter uma livraria/café deveria receber um selo de qualidade! Foi um prazer conhecê-la.

“Eu sempre digo que Deus criou o resto do mundo primeiro e o Rio Grande do Sul quando pegou a prática, mas as pessoas dizem que isso é bairrismo. ”  Luis Fernando Verissimo
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