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A Itália a ser descoberta: Sirmione e Ravenna

26 de maio de 2012 0

Meu roteiro começa no Lago de Garda, numa cidadezinha que parece tirada de contos de fadas pois situa-se numa ilha cuja entrada é feita por uma ponte pênsil aos moldes dos castelos medievais.

Sirmione é conhecida como a pérola do Lago di Garda e se orgulha de ser um importante local de veraneio desde os tempos do Império Romano , o poeta Catullo tinha uma vila nas imediações da cidade e cantou suas belezas em versos, hoje está em ruínas e é um belo passeio saindo do centro de da cidade. O Lago di Garda é muito transparente e para quem gosta de água gelada pode oferecer um ótimo banho nos dias de verão.

A cidade é bem turística, mas a beleza das flores e o cuidado com as construções é encantador. Pode-se fazer passeios de barco pelo lago e também visitar outras cidades costeiras. Para hospedagem , os hotéis que ficam na entrada da cidade , na península antes de chegar no centro histórico são bem " praianos" e mais baratos. No centro os preços sobem proporcionalmente ao charme!

Passamos por Peschiera del Garda antes de seguirmos para nosso próximo destino. Também é bonitinha mas mais estilo férias em família, muitas cantinas e um grande calçadão faz a alegria da criançada.

Verona é a cidade maiorzinha mais próxima do Lago de Garda e é imperdível. Era temporada de ópera na Arena e mesmo não sendo muito fã do estilo compramos entradas para assistir Carmen de Bizet em grande estilo. Um espetáculo grandioso e arrebatador, a música com uma excelente orquestra , os personagens em número quase incontável , várias cenas acontecendo concomitantemente! Um arraso.

Se um dia estiverem por lá nesta época , não percam! A temporada de 2012 começa logo, logo com Don Giovanni em 22 de junho e os tickets já estão à venda . http://www.veronaticket.com

 

Para quem estiver de carro pela região , o que aconselho muito, vale a pena subir nas colinas em volta de Verona e apreciar o visual do centro histórico, o rio Ádige e suas diversas pontes. Muitas vilas privadas se espalham pela região e os ciprestem compõem o cenário perfeitamente.

Nosso objetivo final era chegar até Ravenna, antiga cidade ostrogoda que é dos melhores exemplo da arquitetura e arte Bizantina no Ocidente. No século VI, quando o Imperador Justiniano reconquistou a Itália para o Império Romano do Oriente ( Império Bizantino) , transformou Ravenna em capital e lá construiu as grandes monumentos ao cristianismo primitivo e os melhores mosaicos, que se conservam até hoje. As únicas imagens de Justiniano e Teodora, sua controversa esposa, estão em Ravenna.

Não muito conhecida fora da Itália, Ravenna guarda um clima de cidade do interior. Foi aqui que o poeta Dante escreveu a Divina Comédia e morreu no século XIV. Seus tesouros estão espalhados pelas ruas da cidade que ainda não foi totalmente explorada pelo turismo. http://www.turismo.ravenna.it/

Para estadia o Villa Santa Maria in Foris é um hotel super charmoso no centro de Ravenna. Os quartos são enormes , a decoração linda e o atendimento um primor , não poderia ter sido melhor escolha!

O Mausoléu de Gala Placídia e a Igreja de San Vitalle estão bem no centro de Ravenna, tem fachadas muito simples de acordo com a arquitetura bizantina e mosaicos encantadores e bem trabalhados nas paredes internas. Gala Placídia foi a filha do Imperador Teodósio que dividiu o Império Romano entregando cada região para um de seus filhos governar, Gala acabou sendo casada com um general bárbaro e seu filho também reinou sendo ela , filha , irmã e mãe de Imperadores. Reparem que a plantas destes prédios guardam o formato de cruz grega, ou seja, são octogonais!

Nas cercanias de Ravenna a Basílica de San Apollinario Nuovo era parte da capela palatina de Teodósio, do século VI. Os mosaicos são muito bem conservados e somente a localização já vale a visita. Os campos de girassóis no início do verão são deslumbrantes.

Ravenna é muito visitada por localizar-se no litoral, o Lido de Ravenna é a praia local. Mas as fotos não me deixam mentir, acho que foi das piores praias que já vi na vida ! Ufa , já que em termos de arte e história eles nos deixam com água na boca, em termos de praias não temos do que nos queixar, Lido de Ravenna parece uma praia do Guaíba!  

Segundo uma moradora de Ravenna esta praia não reflete o litoral local, ela escreveu mandando simpáticas dicas sobre as praias, se pudesse mandar algumas fotos seria bem legal:

" Existem praias maravilhosas com águas limpas e transparentes, como Milano Maritima, Punta Marina, Cesenatico, e outras tantas, todas em Ravenna."

Então já sabem , se o calor apertar , Lido de Ravenna não é o canal.

 

Peterhof: um Palácio dos Czares em São Petersburgo

25 de maio de 2012 1

 

 

 

Acabei de ficar sabendo que São Petersburgo está na moda entre os viajantes, que já a colocaram  entre as 12 cidades mais visitadas da Europa. Neste caso posso dizer com propriedade: nada mais justo!

Na última década visitei duas vezes a cidade e voltarei sempre que puder.

Para quem for até lá, não deixe de reservar alguns dias para conhecer as cercanias que guardam tesouros ainda mais impressionantes do que a própria joia do Báltico.

 

São Petersburgo foi construída para ser a capital de um império, com vocação marítima, situa-se da desembocadura do rio Neva. Mas Pedro, o grande, seu idealizador, não estava satisfeito e criou a residência de verão mais ao norte às margens do Mar Báltico e cercada por uma enorme floresta. Apaixonado pelas artes náuticas construiu uma pequena casa em estilo holandês as margens do Golfo da Finlândia para controlar e ensinar os marinheiros que por ali passavam.

 

 

 

 

 

 

Neste mesmo local ainda hoje se encontra o Mon Plaisir ,casa do czar gigante e o enorme Palácio de Peterhof idealizado pelo ego inflado de sua filha Elisabeth. Nos salões do palácio a vista dos jardins é estupenda e muitos deles estão decorados com mesas postas com a louça e prataria dos Romanov.

  

 

 

 

Tudo é encantador em Peterhof , mas o mais interessante são as fontes que enfeitam e intrigam os visitantes nos jardins. Pedro adorava surpreender seus convidados e construiu jatos d’água em formas inusitadas que eram acionados ao leve toque de seu mentor. Temos fontes em formato de pirâmide, rodas e a maior fonte imperial. Na casa Pedro recebia convidados ilustres para mostrar as belezas de seu país, era aqui que os obrigava a beber vodka até concordarem com seus projetos:

 “Quem não sabe onde quer chegar, chega mais longe”. 

 

 

 

 

 

 

Um dica interessante é visitar Peterhof de hidrofoil saindo do porto bem em frente ao Museu do Hermitage, mais fácil e rápido além de render um belo passeio pelo golfo da Finlândia. Reserve um dia para as visita e assim poder aproveitar bem a caminhada pelos jardins, tente evitar o dia de visita dos grandes cruzeiros marítimos que atracam em São Petersburgo e lotam o palácio.

 

 

 

 

 

Crianças nas costas - Texto bonito e sensível sobre as crianças peruanas de Diana Lichtenstein Corso

23 de maio de 2012 2

 

A psicanalista Diana Lichtenstein Corso, colunista do jornal Zero Hora, viajou recentemente conosco para o Perú e escreveu hoje na sua coluna de ZH, este bonito e sensível texto sobre as crainças peruanas.

O Viajando com arte transcreve aqui a  coluna para aqueles que por alguma razão não leram no jornal:

Com o filho nas costas


Tenho uma espécie de brincadeira comigo mesma, um desafio pessoal, que consiste em adivinhar a idade dos bebês. Deixei a prática com crianças com certa tristeza e, assim, fico testando se esqueci o que sabia a respeito delas. Recentemente errei feio: em viajem ao Peru, encontrei um garotinho simpático e participativo, ao qual atribui cinco meses, quando tinha apenas dois.

Até os três meses, um bebê luta para controlar o movimento da cabeça, de forma que possa focar seus olhos no ponto desejado. A direção do olhar, que lhe permite fundamentais trocas e aquisições, é uma longa conquista. Àqueles olhos negros não havia detalhe que escapasse. Essa precoce destreza motora, que me confundiu, provavelmente deve-se ao fato de que muitos bebês daquele país costumam acompanhar as atividades da mãe enrolados num pano amarrado às suas costas. Como marsupiais, eles precisam esforço para brotar das entranhas de tecido que os aconchegam, mas também exigem muito de sua musculatura.

Esse foi apenas um dos vários encontros que tive com crianças, principalmente em idade pré escolar, em Cuzco. Elas estavam com os pais nas lojas, banquinhas de rua, restaurantes, e não se resignavam a ficar mudas, fingindo de mobília. Em geral, contribuíam com sua alegria para o sucesso das vendas. Conversavam, se apresentavam aos turistas, brincavam de esconde esconde, gargalhavam muito. Quando se agitavam um pouco mais, um olhar severo, uma palavra da mãe ou do pai, bastavam para limitar a exuberância, que sinceramente não incomodava.

Para nós, país de curta memória, o contato com a história pré-colombiana é transformadora, descobri quanto o velho mundo também é deste lado do oceano, meu senso de passado se alargou. Voltei maravilhada, mas a lembrança desses pequenos descendentes de Incas, Mochicas, Nazcas e Paracas disputa espaço entre a beleza das imponentes ruínas e da natureza da região.

Aprendi que para os Incas, os antepassados mais recentes dessas crianças, o ócio, a preguiça, figura entre os pecados capitais. É, aliás, o pior deles. Não me pareceu estranha essa informação, pois trata-se de um povo que surpreende pelo bom humor com que executa suas tarefas. Trabalhar os orgulha, não é sinônimo de servidão ou alienação.

Por isso, a presença de famílias que se harmonizavam com o ambiente de trabalho, deixou-me pensativa. Revela uma forma peculiar de encarar a questão da transmissão de valores e do espaço das crianças em uma cultura. Esses pais incutem respeito em seus filhos pelo que fazem. A educação das crianças espelha o sistema de valores dos pais: o que pensam, diferente do que dizem. Os filhos sempre sabem a verdade.

Em nossa cultura, diferenciamos muito bem o território dos adultos e crianças. Para nós, o local de trabalho é impróprio para os filhos, onde atrapalhariam e ficariam descuidados. Essas crianças peruanas que conheci, vivem seu começo longe da nossa dita sabedoria psicológica e pedagógica. O espaço é partilhado, mas os limites e exigências são bem claros. Precisam desenvolver a envergadura física e moral, modos e músculos, para viabilizar o convívio. O que provam ter, por vezes bem mais do que as nossas. Isso dá o que pensar em termos de clichês e invenções educativas, para as quais vivemos em busca de fórmulas, critérios, conselhos. Como os valores e as balizas são internos, refletem as convicções de uma família, de uma cultura, nossos esforços práticos nem sempre são recompensados. A infância espelha a ética de um povo, o que fazem, diferente do que dizem. As crianças revelam nossas verdades.

 


 

 

Grumari e Prainha, o Rio de Janeiro preservado

23 de maio de 2012 0

Sei que posso estar sendo óbvia para muitos , mas não posso deixar de dividir a minha surpresa ao me deparar com as praias quase virgens a menos de 30km da zona sul carioca! Já tinha andado por aqui nos anos 80 , aiiiii, e nunca imaginei que a preservação continuasse tão completa.

 

O paraíso está na continuação da Barra, logo depois do Recreio dos Bandeirantes. Uma curva e a beleza se revela!

Intocada , virgem e verde como deveriam ser sempre os morros de beira de praia. A sensação é de ter chegado na praia da Silveira em Garopaba , só que esta fica bem mais longe de qualqure centro urbano e mesmo assim tem um núcleo de preservação ativo para mantê-la como está.

A Prainha é o paraíso de surfistas e apesar dos muitos carros e pranchas , mantém uma áura meio alternativa, principalmente fora de finais de semana. As ondas , o barulho do mar , até a maresia é diferente, parece mais autêntica. Mas é Grumari que mais surpreende , maior e ainda mais deserta , a gente custa a acreditar que possa existir uma praia assim dentro da zona urbana do Rio.

A proximidade da Zona Sul é tanta que mesmo sem muito zoom a gente pode vislumbrar a Pedra da Gávea de um mirante.

A preservação e a natureza estão fazendo a sua parte , que os investimentos e o povo do Rio consigam recuperar o status que a cidade merece no turismo mundial.

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Descobrindo novos caminhos no Perú : Deserto de Paracas

19 de maio de 2012 17

Hotel Paracas

Depois de conhecer , Lima, Cuzco, Machu Picchu e o Vale Sagrado e ter simplesmente se apaixonado pelo Perú, queríamos mais,  nossa vontade era ficar e poder explorar todos os recantos deste país que dá lições de como receber bem as pessoas. É importante relatar para vocês o tamanho da hospitalidade deste povo que é humilde sem ser servil e ao mesmo tempo tem orgulho de ser peruano. Cada vez que volto ao Peru eu fico mais encantada, seja pela beleza natural, pela história do seu povo, das suas antigas crenças pagãs, e sobre tudo pela sua autenticidade.Dos muitos  lugares que tenho andado por aí dificilmente encontrei uma cultura tão genuína.. Quando a gente anda pelo Vale Sagrado, aquele povo colorido, as mulheres carregando as crianças em panos coloridos nas costas, não estão ali para serem vistos pelos  turistas, as pessoas estão somente levando sua vida da mesma maneira que seus ancestrais incas faziam.

Nesta viagem exploratória colocamos Paracas no nosso roteiro. Paracas fica na beira do Pacífico a 250 km ao sul de Lima e de lá saem 2 ou melhor 3 passeios imperdíveis.

O primeiro e mais famoso sai precisamente da cidade de Pisco, que fica uns 20km de distância de Paracas, Do aeroporto de Pisco saem os voos que sobrevoam as famosas linhas de Nazca, você não está lembrando das linhas de Nazca? Lembra daquele livro “Eram os Deuses astronautas?” Pois este livro questionava se aquelas figuras enormes feitas no deserto não teriam sido feitas por seres de outro planeta.A verdade é que até hoje nenhum estudioso chegou a uma teoria conclusiva de como foram feitas, o que se sabe é que elas estão  lá intocadas há pelo menos 1500 anos.São figuras enormes de macaco, colibri, condor ( a maior de todas com 360metros),aranha, além de muitas outras linhas que se assemelham a campos de pouso. A visão destas misteriosas figuras no meio do deserto é impactante. Os voos são feitos em aviões Cesna que levam até 12 pessoas, e leva uns 30 minutos de Pisco até chegar nas linhas de Nazca.

Decolando a bordo do Cesna em Pisco. Depois de 30 minutos de vôo chega-se as famosas Linhas de Nazca

O vôo é tranquilo, pois no deserto o céu é quase sempre azul, mas confesso que, quem tem estômago delicado é complicado, pois o piloto inclina muito o avião hora para a direita ora para a esquerda afim de as pessoas possam ver bem as figuras lá embaixo.

E começa o show das figuras, vejam ali o macaco.

O beija flor, uma das mais nitidas.

A aranha.

O segundo passeio, que confesso foi o que mais me deslumbrou, foi conhecer as Ilhas Ballestas, conhecidas como as Galápagos do sul.

Nossa lancha saiu do Hotel Paracas - http://www.libertador.com.pe/pt/2/1/5/paracas-hotel, que aliás é um espetáculo! Vou falar mais sobre ele na sequência. Nossa primeira parada na lancha foi depois de 10 minutos, quando deparamos com uma imensa figura como que entalhada na pedra de um morro, a figura conhecida como "Candelabro". Existem teorias que dizem que o candelabro tinha a função de um farol, sinalizava para os navegadores a proximidade da terra.

Saindo do pier do Hotel Paracas

O enigmático "Candelabro", seria como um farol para os antigos navegadores?

Seguimos de lancha por mais uns 20minutos até chegarmos nas Ilhas Ballestas, são várias ilhotas de pedra onde não se pode descer, e o interessante e lindo é que as ilhas são cobertas de pássaros de muitas espécies, pinguins e leões marinhos. É um verdadeiro santuário ecológico, eu só tinha visto uma cena parecida na National Geographic, as aves deram um espetaculo, aquelas revoadas com milhares de pássaros, ver os leões marinhos a 1metro de distância, foi muito legal, foi inesquecível.

Chegando nas Ilhas Ballestas

Várias grutas com muitos ninhos.

Lanchas com capacidade para 20 pessoas.

muitos leões lagarteando ao sol.

Conhecer estas  ilhas foi de verdade uma experiência marcante.

Nosso terceira e última aventura foi no deserto. Saimos à tardinha em camionetes 4x4 em direção ao deserto. O famoso raly Paris / Dakar que agora acontece nesta região vai passar por aqui no raly de 2013. Então já viu né? A gente se sentiu fazendo parte da corrida mais glamorosa das areias.

O famoso raly Paris / Dakar que agora acontece nesta região vai passar por aqui no raly de 2013.

Eram dunas muuuito altas e nossos motoristas aceleravam e faziam umas curvas bem radicais, uma dose de adrelalina na medida certa.

Depois de uma parada estratégica para ver o sol se por lindíssimo como só no deserto, seguimos em direção do leste, quando para a nossa surpresa a camionete da frente parou sobre a crista de uma duna e quando nos aproximamos tivemos a visão do que nos aguardava.

Alto astral contagiante

Até que deparamos com este acampamento nos esperando....

Champanhe, vinho, espetinhos, quitutes peruanos e música, o que poderámos pedir mais?

Como vocês puderam ver o Perú tem infinitas possibidades de lugares para todos os tipos de turismo. Citei aqui 3 passeios bárbaros que conseguimos fazer em apenas 2 dias.

Deixo vocês aqui com umas imagens deste verdadeiro oásis no deserto - o Hotel Paracas! Adios!

 

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