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Posts na categoria "A vida é para ser compartilhada"

10 Anos Viajando com Arte

24 de outubro de 2016 0

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Parece que foi ontem , mas já faz dez anos que partimos na primeira aventura do Viajando com Arte para Paris. Neste tempo foram 15 destinos explorados e mais de 200 viajantes.

Para comemorar esta data queremos que vocês que participaram de alguma das edições do Viajando com Arte,  dividam conosco as melhores lembranças destas viagens.
As fotos dos momentos mais especiais, das experiências , das risadas, do encantamento.

Vamos selecionar as mais significativas e mostrá-las em um grande painel que ficará exposto no Patio Ivo Rizzo.
Corram para mandar suas fotos, todos que enviarem estarão concorrendo a um crédito em seu próximo roteiros com o Viajando com Arte.

Para participar envie sua foto para mrizzo@terra.com.br ou clarisselin@terra.com.br

Nossa festa será dia 8 de novembro às 19h no Patio Ivo Rizzo, todos convidados!

"Fall into color"- Dallas Arboretum comemorando a entrada do outono

08 de outubro de 2015 0

A Marília Clark, querida amiga e colaboradora silenciosa nos manda estas fotos maravilhosas de sua cidade de adoção!

Para entrar no clima de belos jardins pelo mundo , o Dallas Arboretum  em sua festividade de outono foi o recanto eleito. O linck para maiores informações : http://www.dallasarboretum.org/

Depois de um verão escaldante no Texas ano passado, comemoraram os dias mais frescos com uma explosão de cores em imagens deliciosas. Este ano os jardins estão mais floridos e as fotos ainda mais lindas do que de costume.

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Além dos jardins de abóboras , todo o complexo outonal é encantador.

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A Vila de Abóboras de Cinderela foi o tema escolhido para a exposição de 2011.

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 A parte chamada Woman´s Garden é uma dos recantos prediletos da Marília, tanto é que uma de suas fotos foi escolhida para representar o jardim num periódico local!

 

 

Abraços e que a gente não vire abóbora antes da entrada do verão!

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Para saber sobre roteiros em grupo ou assessoria particular do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

 

 

Compartilhar viagens de carona - Bla Bla Car

20 de julho de 2015 0

Bla Bla Car

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Minha filha que mora na França me contou sobre este serviço que lá não é novidade, eu mesmo nunca tinha ouvido falar, mas achei a ideia genial para quem quer viajar gastando pouco de forma segura e de quebra ter a chance de fazer amizades no exterior, pois olhem do que se trata:

Vocês já ouviram falar?

Cada vez mais difundida é uma ideia genial criada em 2006 pelo super jovem francês Frederic Mazella .

Bla bla car – é a maior comunidade de compartilhamento de carona do mundo.

Você entra no site que tem milhares de motoristas cadastrados, coloca o trecho que você quer fazer e voilá , aparecem várias opções de pessoas que oferecem carona entre cidades e compartilham o custo da viagem.

O Bla bla car já conta com mais de 20 milhões de membros cadastrados em 19 países.

Não é genial?

Aqui está a página de Portugal, dá uma olhada:

https://www.blablacar.pt/

 

Talk Show na Livraria Cultura - com Clarisse Linhares

24 de novembro de 2014 0

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Nesta terça-feira tem Mapa Mundi Talk Show na @livraria_cultura do Shopping Bourbon Country! Vamos falar sobre a arte de viajar bem, e a queridíssima Clarisse Linhares estará conosco batendo um papo com o público. Clarisse é porto-alegrense, publicitária, professora de História da Arte, viajante e sonhadora. Em 2006, nasceu a @viajandocomarte, numa parceria com a amiga, Mylene Rizzo. O projeto já visitou países como Egito, Marrocos, Rússia, Tailândia, Camboja, Peru, França, Itália, Turquia e mais recentemente a Índia. 

✏ Mapa Mundi Talk Show
Livraria Cultura
25 de novembro 2014
⌚ 19h30

O jovem que deu uma volta ao mundo entrevistando e fotografando crianças - por Felipe Pereira

03 de novembro de 2014 0

Em julho de 2013, passei 4 dias em uma ilha hondurenha, na companhia do menino da fotografia abaixo. Conheci-o no primeiro, e me despedi dele no último, com a naturalidade de quem já vinha se mantendo em um estado constante de partida havia mais de um ano. Javier foi uma das últimas crianças que eu entrevistei durante minha viagem.

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Javier, eu e um paraíso caribenho pouco conhecido

Com 19 anos recém completos, comecei a dar uma volta ao mundo sozinho. O tempo vinha roubando de mim, e de todos amigos ao meu redor, a juventude que um dia tínhamos esbanjado. Meu melhor amigo, que sonhava comigo desde a infância em fazer essa viagem, desistira dela.

https://www.youtube.com/watch?v=ianGjUcGOv4

A história do vídeo é verdadeira. E o jovem que a conta sou eu.

Percebendo que muitos outros viravam adultos e abandonavam antigos sonhos, decidi partir sozinho e de imediato, com as economias de uma adolescência passada, em grande parte, adentrando concursos culturais e vendendo os prêmios ganhos na internet.

 

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Crianças no Himalaia

 

Durante a jornada, que me levou para mais de 30 países em quase um ano e meio, entrevistei e fotografei as crianças que cruzaram meu caminho, tentando redescobrir a juventude através das palavras e dos olhares delas.

 

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A rota percorrida

 

Foram 6 meses na Europa, um semestre na Ásia, e pouco menos que isso na América Central. Os lugares que mais me marcaram não foram aqueles que percorri rapidamente cobrindo grande distância, mas sim aqueles em que diminuí o ritmo e permaneci por um bom tempo. É o caso da vila na Indonésia em que fui “adotado” por uma família nativa, virei professor em meio período na escola local, aprendi a me comunicar no dialeto deles e surfei e joguei bola até não poder mais.

 

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Pés descalços, todos sentados no chão: era assim o ambiente escolar no interior da Indonésia

 

A história, originalmente contada em forma de carta ao melhor amigo, virou um livro. E o livro virou o centro de um projeto de financiamento coletivo. O funcionamento do financiamento coletivo é novidade para muitos, aliás. No modelo, aqueles que querem ver um projeto acontecer podem “comprar” uma recompensa através de um “apoio” em dinheiro. No entanto, o “apoio” só é debitado – e as recompensas só são produzidas – se o projeto bate sua meta de arrecadação (geralmente, um valor que cobre os custos de produção da obra) ao fim do prazo estipulado. Caso a meta não seja batida, o dinheiro volta para o apoiador, e ninguém sai perdendo. Para conhecer esse projeto, ver as formas de apoio, e saber mais sobre a história, clique http://www.catarse.me/pt/JovemOSuficiente

 

Pop Up , por Martha Medeiros

16 de julho de 2014 4

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Pop up é um conceito que é a cara dos tempos de hoje, em que tudo precisa ser rápido, objetivo, focado. É o caso dos food trucks, pequenas caminhonetes estacionadas em pontos estratégicos da cidade por um tempo limitado e que oferecem refeições ligeiras e de qualidade – uma diversificação gabaritada das carrocinhas de cachorro-quente e trailers de xis-tudo. Em Nova York e São Paulo a moda já pegou, em Porto Alegre está começando. Sob a chancela dos guris dos Destemperados, que vêm divulgando a comida de rua como uma bem-vinda experiência gastronômica que acontece em bairros variados, consegui, por fim, conferir.

Na última sexta-feira o almoço foi na Praça Japão, preparado pelo pessoal do restaurante Barbanegra: entrecot com batatas a 15 pilas, ao ar livre, num dos recantos mais charmosos da capital. Para potencializar o evento, que contou com céu aberto e temperatura amena, eu e algumas amigas resolvemos transformar o programa em piquenique, com direito a toalha xadrez sobre a grama e vinho branco trazido de casa – que eu não bebi porque tinha que trabalhar à tarde, juro.

Tá, dei só três golinhos. E estava a pé, seu guarda.

Outros eventos como este pipocarão (pop up!) pela cidade, ainda mais quando chegar a primavera. Receba-os como um convite para quebrar a monotonia dos dias, sair da rotina, conhece gente nova. Aquilo tudo que você coloca na lista de resoluções de fim de ano e nunca cumpre.

Se eu não precisasse ficar tanto tempo dentro de casa trabalhando (e estou em vantagem se comparada a quem passa esse mesmo tempo dentro de um escritório, já que em casa não preciso participar de reuniões e cumprir horário fixo), desfrutaria muito mais a cidade. A cidade! Eis um conceito que também vem se atualizando. Muitos pensam que cidades são aqueles lugares que a gente visita quando está de férias – Rio, Buenos Aires, Paris. Anotamos as dicas que saem nas revistas e lá chegando viramos exploradores de seus parques, bistrôs, galerias, extraindo sensações espetaculares de cada rua, de cada monumento, de cada novidade que se apresenta. Como seria morar lá? Suspiros.

Pense: por que nossa própria cidade não pode ser a cidade dos nossos sonhos? Vamos esperar outra Copa para nos sentirmos incluídos no mapa-múndi? Porto Alegre cresceu e se expandiu. Hoje abraça todas as tribos, possui atrativos para todos os gêneros, idades e sexos. O metrô ainda vai demorar uns 100 anos, a revitalização do cais um pouco menos, talvez uns 50, mas releve-se, não há mais justificativa para o complexo de provincianos que até tempo atrás ainda cultivávamos. Viramos cidade grande. (Será que tomei mais de três goles na Praça Japão?)

Porto Alegre não é demais, como diz a música, mas é suficiente. Que esse seja um dos legados da Copa: o olhar estrangeiro sobre nós mesmos, provando e aprovando-nos como se fôssemos Rio, Buenos Aires, Paris – só que aqui.

Se você gostou deste post e quer saber mais sobre nossas viagens em grupo ou roteiros individuais :

https://www.viajandocomarte.com.br

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Pescaria no Amazonas, aventura que une gerações por José Luís Krahe

25 de setembro de 2013 3

João Pedro, meu filho mais velho, é apaixonado por pescarias, meu parceiro fiel desde os 5 anos de idade. O Paulo, meu sogro, grande companheiro, havia prometido a ele uma viagem de pesca à Amazônia como presente de aniversário.

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É claro que eu também iria… Buenas… Saímos de Porto Alegre em um domingo, 6 h da manhã. Após 10h de vôo, com escalas em Curitiba, Maringá, Campo Grande, Cuiabá e Porto Velho, chegamos a Manaus. No dia seguinte, novamente às 6h, nós e o restante do grupo (15 pessoas) voamos em 2 aviões turbo hélice em meio a um temporal até a cidade de Nova Olinda do Norte, sudeste de Manaus.

Pista de terra… Dali, um ônibus Marcopolo com pelo menos 30 anos nos levou até a cabeceira do Canal que liga o Rio Madeira ao Rio Abacaxis e embarcamos no Yanna, nosso barco hotel.

Este é o barco usado pela Ecofishing, empresa responsável pela organização da indiada. O Yanna, a partir daí, iniciou a navegação rio acima por mais 15 hs. O barco é um hotel flutuante com todo o conforto, split em todo o ambiente interno, suites, cardápio variado, ancorado (mas não restrito à) na culinária local, com direito a sashimi, carpaccio e até a um churrasquinho. Por sinal, só temos elogios à equipe que nos recebeu, da camareira ao Nestor Salomon, sócio da Ecofishing, que nos acompanhou durante todo o tempo.

Quase chegando no destino, cerca de 12 hs após a saída de Nova Olinda, as lanchas que são usadas para a pescaria são trazidas pelos piloteiros que não saíram da região e “acopladas” ao barco, que as leva junto até a localidade pré determinada para início da brincadeira. Na madrugada seguinte, e por todas as outras, 05 e meia da manhã estavamos de pé, tomávamos o café da manhã e toca pescaria até às 18:30, com intervalo e retorno ao barco para almoço entre as 11:30 e 14:30. A lancha tem capacidade para duas pessoas além do piloteiro. É toda coberta por um tecido que lembra carpete grosso, impermeável. Pode-se caminhar sobre praticamente toda ela, o que facilita muito a pescaria.

Cada lancha tem um piloteiro, normalmente um cara da região, que “lê” o rio e é responsável pela condução às àreas mais piscosas. O piloteiro é a alma do negócio. Um piloteiro que não conhece o rio é fria…Nosso piloteiro era o Julio, bisneto, neto, filho e pai de indios, um cara muito parceiro, bem mais civilizado que muitos porto alegrenses que se vê por aí. Conhecia as tocas, os peixes, as iscas, os lagos cheios de peixes dentro das ilhas, onde chegávamos com a lancha passando por lugares que aparentemente seria impossível cruzar. Este sabe! A pesca que fizemos na região do Abacaxis pode ser dividida em dois tipos. Primeiramente, a pesca com isca artificial, buscando principalmente o Tucunaré, peixe brigador, com peso variando de 400g a exemplares de até 7kg.

Do final da tarde ao inicio anoitecer, busca-se o peixe de couro, como o Surubim, Pintado, Jaú, Piraiba e a Pirarara. A lancha fica apoitada (ancorada) e pesca-se com isca de peixe, preferencialmente cabeça de piranha. Os peixes de couro são realmente grandes, podem chegar a mais de 100 kgs, de maneira que, uma vez que algum seja fisgado, a lancha deve ser liberada da âncora para seguir o peixe enquanto este leva a linha, ou a mesma vai se romper. Às vezes este processo se estende por mais de 1hora entre idas e vindas, recolhendo a linha e o bicho levando, até que se traga o peixe a bordo. A grande maioria dos peixes pescados são devolvidos ao rio, bem vivos.

Guardávamos para comer um mínimo de peixes, respeitando as medidas e as orientações do piloteiro. Por sinal, quanto maior o peixe, mais gorda e menos saborosa a carne. Melhores são sempre os de tamanho intermediário da espécie.

Basicamente, é isto aí… O melhor de tudo é a convivência em harmonia com novos e velhos amigos e a oportunidade de estar junto com um filho quando ele realiza um sonho…

Para saber mais sobre roteiros em grupo ou particulares do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

Berlim : Nichts ist für Immer ou Nada é para Sempre

06 de agosto de 2013 1

Fazia tempo que o Luciano Leonetti Terra não escrevia para o blog , acho que isto ajudou-o a nos brindar com um dos textos mais inspirados que já li sobre Berlim , obrigada e parabéns!

Há lugares que dão a impressão de que há um para sempre. Cidades que resistem há séculos apenas com pequenas alterações. Aquele castelo da idade média, aquela igreja romana, aquele templo grego. Como se a vida pudesse ser vivida sem mudanças e sem traumas. Lugares dos sonhos de alguns que morrem de medo do inesperado, do novo e do desafiador. Para esses que buscam a morna paz da continuidade Berlim não é o lugar ideal.

A capital alemã é daqueles lugares onde a mudança é visível. Em guindastes por toda a parte, em paredes ainda furadas por tiros do passado. Pedaços de um muro concreto aparecem a cada esquina. Dores e preconceitos gritam em monumentos que lembram que mudanças trazem novos tempos. Berlim é cidade para os que buscam o novo a cada instante. É cidade para os fortes de espírito, para aqueles que resistem as dores do passado que pulsam em suas mentes.

Estar em Berlim e não sentir um desconforto, uma certa culpa pela dor alheia é impensável. Todos estão envolvidos. E, independentemente do lado, estão interconectados com a história.

Enxergar os dois lados é tão necessário quanto chorar seus mortos. Somente quando do lado oposto pode-se ter a real dimensão da dor e do sofrimento. Sempre haverá algozes e vítimas intercalando posições. Aqueles que um dia foram vítimas, hoje erguem muros.

Os que foram algozes lutam pela liberdade irrestrita. Enquanto alguns descendentes ainda choram ao lembrar o sofrimento de seus antepassados, outros se envergonham das atitudes dos seus. E na vergonha buscam a solução, o respeito. Buscam a compensação construindo uma nova geração que respeita os direitos e a individualidade alheia. Em Berlim sente-se a máxima de que é proibido proibir. Quem achar que o outro não pode ser como acredita que deve ser, se sentirá totalmente deslocado. Não sobreviverá a tanta liberdade.

Berlim é terra dividida por cicatrizes físicas que podem ser vistas nas diferentes texturas de seus calçamentos.denuncia que um dia houveram dois lados. Apesar da unificação política, ainda há resquícios de um preconceito que aos poucos vai dando lugar à tolerância e ao respeito.

Monumentos chocam os mais sensíveis. Mães de pedra hoje choram seus filhos mortos em nome daquelas que um dia derramaram lágrimas mornas e inaceitáveis. Mães alemãs e mães do mundo em uma mesma dor independente do lado político de seus filhos. Ou as lágrimas de umas foram mais nobres do que das outras? Seres humanos lutando por aquilo que acreditavam. Todos iludidos por uma supremacia passageira.

O que se vê nas ruas berlinenses é um povo vibrante, em movimento. Todas as raças convivendo em harmonia. A alegria geral pode ser apenas aparente. Provavelmente muitos ainda choram escondidos com medo do passado e do futuro. Esses devem temer as novas mudanças que em breve virão.

E nesse continuo caminho para frente, estar em Berlim é poder olhar o passado vendo o futuro. É sentir na pele que a vida é muito mais dinâmica do que muitas vezes aparenta ser. É buscar na história aquilo que um dia foram certezas e que logo ali na esquina se mostraram equivocadas. Quem não for capaz de fazer tal reflexão poderá não entender o ritmo da cidade. Corre o risco de não aproveitar o que Berlim pode oferecer de mais nobre: a certeza que nada é para sempre e que sempre haverá uma verdade, mesmo que passageira.

Lake Tahoe – O Lago Esmeralda da Califórnia

19 de abril de 2013 0

Por Luciano Leonetti Terra 

                Como um dos estados mais famosos dos Estados Unidos, a Califórnia é conhecida principalmente pelo surf e por ser o berço do cinema americano. Afinal Hollywood é lá. Todo esse propagado “glamour” muitas vezes ofusca outras belezas, às vezes até mais interessantes que a magia da sétima arte. A Califórnia é muito mais que isso.

                Em um final de primavera, mais precisamente no começo de junho, fui para Califórnia na esperança de conhecer além daquilo que já tinha visto em dezenas de filmes e que também me atraía muito: São Francisco, Los Angeles, Santa Mônica, Santa Bárbara, Carmel e todo o litoral do Pacífico. O que não sabia é que a Califórnia que iria descobrir seria muito mais grandiosa do que poderia imaginar. As atrações “comuns” me surpreenderam, mas aquelas que eu não tinha a real noção de como eram, me arrebataram.

                A aventura californiana começou por São Francisco. A intenção era percorrer a distância entre essa cidade e Los Angeles em cinco dias, ou seja, não iria me contentar com a US 01 e todas as suas maravilhas. Queria mais. Sendo assim, ao sair de lá não rumei ao sul, mas sim ao nordeste do estado. Em direção a Sacramento e o interior. O objetivo era circundar o estado pelo leste até encontrar o litoral novamente em Monterrey. E nesse trajeto passar por duas atrações conhecidas, “pero no mucho”: Lake Tahoe e Parque Yosemite.

                O caminho em direção a Lake Tahoe é um espetáculo a parte. Quanto mais ao leste, mais alto, mais frio, mais fantástico. A região onde fica o lago chama-se “High Sierras” e pelo nome já dá para ter uma ideia do que se está falando. As curvas e subidas vão se tornando dramáticas e quando, em um dado momento, avista-se o lago lá embaixo o coração quase pára. De susto e de delírio. A natureza ali, como em toda a Califórnia, é fascinante. As dezenas de tons de verde, as montanhas, o clima. Tudo é puro deleite.

                Era um final de tarde ensolarado quando finalmente cheguei à beira do lago na pacata cidade de South Lake Tahoe. Não há palavras que consigam descrever o lugar. Tentarei. Imagine a cena: um lago de águas cristalinas e verdes, de um pouco mais de 100 Km de circunferência, rodeado por montanhas de picos nevados (no inverno ficam totalmente cobertas de neve) e árvores verdes cobrindo toda a extensão. Para completar, uma estrada serpenteando todos os lados e levando a lugares inimagináveis. A sensação de pertencer a um cartão postal é inevitável.

                No inverno Lake Tahoe é rodeado de estações de esqui, onde foram realizados os Jogos Olímpicos de inverno de 1960. Nas outras épocas do ano é o paraíso dos esportes de natureza. Rumam para lá ciclistas, canoístas e todos os amantes de caminhadas e corridas. No verão os campings ficam cobertos por barracas e motorhomes. Na primavera e no outono o local é mais calmo e perfeito à contemplação. Silêncio no meio de uma paisagem dessas é a maior benção do mundo. Cada minuto é pura meditação. É só se deixar levar pela força do lugar.

                Uma das principais atrações é a Baía Esmeralda e a casa de veraneio Vikingsholm, uma réplica de um castelo nórdico. A vista do alto é de tirar o fôlego. Ela já seria perfeita apenas pela localização, porém ainda se dá o desplante de ter uma ilhota no meio. O detalhe perfeito para finalizar a obra de arte. Sem falar que ainda há uma cachoeira que despenca do alto das montanhas e vem abastecer o lago com suas águas geladas e cristalinas. Circulei por uma boa parte do lado esquerdo do lago. Se você gosta de aventura irá adorar dirigir por essa estrada. Estreita e sempre à beira de abismos. Tem momentos que o penhasco é única coisa que se consegue ver à direita do carro. Pura aventura. E o pior é que o motorista também é filho de Deus. Então, é um olho na estrada e outro na paisagem. Eu sobrevivi, você também sobreviverá.

                Lake Tahoe fica na fronteira da Califórnia com o Estado de Nevada. Se eu já havia amado o lado Californiano, não fazia ideia o que o outro lado me reservava no dia seguinte. Bem cedinho, um dos momentos mais bonitos para contemplar a natureza, saí do hotel e cruzei a fronteira estadual. Desta vez a estrada era mais larga e não tão sinuosa. Os penhascos já não tinham a mesma graça do dia anterior, mas a vista… A claridade e a luz da manhã iluminavam diretamente as montanhas nevadas mais ao oeste e estas pareciam brotar das águas verdes do lago. Para resumir, sentei em um banco e fiquei alguns minutos admirando o lugar. Respirando a natureza e recebendo a energia que foi aos poucos emocionando um a a um. As palavras foram cessando e o silêncio automático tomou conta de todos. Silêncio em respeito, silêncio por harmonia, silêncio por sintonia. Os olhos e todos os sentidos ocupados apenas em sentir e assimilar tudo aquilo que precisava ser sentido. Ainda hoje me emociono ao lembrar daqueles momentos.

                A margem direita do lago pode não ter a Baía Esmeralda, mas tem a Cave Rock e seu túnel. Um lado invejando o outro e concorrendo no quesito magia. Em minha opinião daria empate. Um detalhe importante: como disse no começo, o lago tem mais de 100 Km de margens e eu visitei apenas uns 40 Km. Imagine quantas surpresas esses outros 60 Km poderão oferecer? Um dia ainda voltarei lá para conferir.

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Ai de ti Porto Alegre

26 de março de 2013 3

 Luciano Leoneti Terra

Ai de ti Porto Alegre! Desde que aqui cheguei, eu, um menino do interior, fiquei deslumbrado por tuas curvas, teu cheiro e tua gente. Tinhas um movimento frenético que fazia com que minha adrenalina subisse ainda mais que tuas ousadas construções. Apaixonei-me a partir do primeiro momento que te vi. Amei-te desde o primeiro instante que te senti.

Ai de ti Porto Alegre! Nesses anos todos que convivo contigo amadureci e conquistei cada centímetro de teu corpo. Ano após ano fomos ficando cada vez mais íntimos. E nessa intimidade, pude adentrar aos poucos em tuas entranhas e conhecer um pouco mais o teu estado de ser.

Ai de ti Porto Alegre! No princípio não conseguia entender essa tua dupla personalidade, esse teu jeito ambivalente de agir. Muitas vezes tentei te conhecer. Em vão. Quando busquei por tua rua mais famosa encontrei uma rua dos Andradas. Falavam-me de tua Redenção e eu somente encontrei um Parque Farroupilha. Teus mistérios muitas vezes são mais complexos que teus mitos. Códigos que somente os escolhidos conseguem decifrar.

Ai de Ti Porto Alegre! Encantas-me a cada estação. Teu outono me emociona com tuas paineiras em flor e teus plátanos que aos poucos vão mudando de cor e aquecem o frio que anuncia a chegada do inverno. Na estação mais fria do ano tuas ruas ficam desertas, mas teus recantos escondidos se aquecem em lareiras e cobertores. Como não se apaixonar ao som do crepitar de lenhas e de um tapete manchado com aquela taça de vinho tinto derramada por abraços afoitos? Se te imploro por vida, dás-me ipês coloridos que vêm anunciar a primavera e as temperaturas amenas. Quando o sol volta a aquecer teu povo, jacarandás enlouquecem e cobrem de roxo tuas ruas e calçadas. Chuva psicodélica de flores que nem em meus maiores delírios alucinógenos poderia imaginar.

Ai de ti Porto Alegre! Se até a primavera já sou teu, quando chega o verão me rendo definitivamente. Engoles-me com teu hálito quente e úmido e resta-me apenas a entrega total à tua atmosfera. Meu corpo amolece e minha pressão arterial despenca. Teu calor me envolve completamente e, como em um abraço materno, sou teu Édipo, sou teu servo. Envias toda a  gente comum para longe, afastas os fracos que buscam condições mais amenas de vida. Eu, não! Eu fico aqui porque sei que me queres apenas para ti.

E nessa paixão avassaladora vivo na esperança de um dia terminar aqui, em alguma curva de tuas ruas, e saber que me amaste tanto quanto eu te amei e que sem mim não terias sido o que sempre foste.