O Marrocos historicamente exportou uma imagem algo entre exótico e encantador, atraente e sedutor. Atualmente – exceto por Aladim – tudo mais permanece como antes. Assim como em suas lendas, o Marrocos permanece mágico e tem em sua cidade mais emblemática, Marrakech, um contraste de rusticidade e luxo que imprime charme e a autenticidade suficientes para habitar a lista das mais desejadas de qualquer viajante. Visitar esta cidade é viver um sonho oriental, colorido em vermelho e rosa, recheado de sensações olfativas instigantes e experiências gastronômicas inesquecíveis.
A requintada culinária marroquina é pródiga na combinação de sabores: legumes e frutos secos, especiarias perfumadas, carnes soberbamente condimentadas, peixes e mariscos delicadamente preparados… Cabe aqui a máxima de Fernando pessoa “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”
Uma refeição típica marroquina começa com uma salada à base de pepino, tomate e pimentões ou uma sopa rica de carne, legumes e grãos (a Harira). Segue-se normalmente um Tajine, cozido de carnes com legumes, azeitonas e tomate, cozido e servido num recipiente de barro com o mesmo nome, com 1001 variações e acompanhado de Cuscuz, farinha de sémola cozida no vapor.
Verdade seja dita, o incensado Cuscuz marroquino come-se muito melhor no Maní , em São Paulo , do que in loco! Por lá o prato funciona como um acompanhamento e muitas vezes é pouco saboroso.
A experiência mais envolvente no país é sem dúvida passar uma noite no deserto, num acampamento bérbere sob as estrelas. Dunas que se movem ao sabor dos ventos, camelos que nos levam em direção a um horizonte difuso onde único contraste é o azul profundo dos turbantes tuaregs. A comunhão com a natureza é total, a imensidão do cenário escapa à nossa capacidade de síntese e gera um sentimento de plenitude.
Depois de duas horas em lombo de camelo chegamos ao nosso ” bivouac” que é como são chamados estes alojamentos no deserto, fomos recebidos por músicos Gnowa cuja música tem um quê de hipnotizante, uma forte percussão.
Nestas andanças pelo Marrocos tive o privilégio de experienciar dois tipos de acampamentos bem diferentes no deserto de Erg Chebbi. A primeira vez a estadia foi num bivouac grande e distante duas horas em lombo de camelo da civilização, disposto em círculo com tendas simples mas com colchões e roupas de cama limpas. Estávamos sozinhas com os funcionários do local e nosso guia. Curtimos uma noite silenciosa à luz da fogueira e da lua , longe de qualquer sinal de civilização. Quase irreal, mas sem nenhum conforto moderno. O banheiro ficava à cinquenta metros numa tenda única com água de galão , sem lanterna, era quase como procurar agulha no palheiro!
Na segunda viagem, nosso bivouac era luxuoso, cada tenda oferecia instalações sanitárias, camas com dossel e luz elétrica! Ficava as margens do deserto onde pode-se chegar em caminhonetes 4×4. Nos serviram jantar em mesas postas, ofereceram um grupo musical que deu o tom da noite e o café da manhã foi digno de um pachá.
O Marrocos é bérbere e árabe, muçulmano e africano, secular e misterioso, enfim, uma mistura perfeita para um roteiro exótico e renovador.
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