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Posts na categoria "Amazonia"

Amazônia - impressões de encantamento

28 de setembro de 2018 2

Numa primeira viagem para a Amazônia o encantamento de vivenciar o Brasil mais profundo me tomou de assalto.

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Foi um roteiro sob medida e enxuto , saindo de Manaus e subindo o Rio Negro por três dias de barco.

Pegamos o Untamed, um barco com 8 cabines com todo o conforto e charme , que incluía um chef inspirado , camareiras e o melhor e mais profundo conhecedor da selva que poderíamos sonhar.

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Foi uma aula sem fronteiras, que abriu nosso léxico de Amazônia e colocou uma semente de brasilidade em nosso coração.

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A pergunta mais frequente já respondo de cara, não tem mosquitos por aqui, nem nenhum outro tipo de inseto incômodo. O Rio Negro tem uma acidez que não deixa que eles sobrevivam, o que torna a viagem aprazível da manhã a noite.

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Manaus tenta resgatar sua rica historia do tempo das glórias do ciclo da borracha. O Teatro Amazônia está lindo e já vale a visita. Mas ainda tem o Mercado , Palácio Rio Negro e o delicioso hotel Villa Amazônia que além de bem localizado é lindo e confortável.

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Em três dias de navegação vimos muitos dos mamíferos e répteis  da selva como jacaré, macacos, preguiças e muitos botos.

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Fizemos todas as atividades que a floresta oferece: caminhadas, pescarias, banhos de rio, visita a comunidades indígenas e nado com o boto cor de rosa! Voltamos encantadas e inspiradas e este texto abaixo fala um pouco de tudo isto.

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“O Brasil não pode esperar para ser redescoberto.

São tantas águas, cursos abertos como veias na mata.

Um planeta água, verde, intocado. Rios que trazem sua verdade e não se entregam em luzes cristalinas.

Negro , Amazonas ou Solimões, cada qual mantém intacto o seu percurso. Igarapés singram os igapós, os manauara comem o seu tacacá feito de tucupi e jambu!

Um novo idioma , uma plêiade de criações da natureza ainda virgem e inviolada.

E nós, gente do sul, cheia de sabedoria estrangeira alheia ao nosso âmago, nossa verdade primordial.

Uma floresta tão rica em diversidade quanto em sensações , cores, reflexos e aromas.

Macacos que espiam com curiosidade, botos que nadam livres e interagem sem medo de seu maior predador.

Jacarés dividem as águas repletas de alimento conosco , e quem tem mais a temer?

Pirarucu, piranhas e tucumãs, o anzol não dá conta de tirá-los da água , criando uma nova paleta de sabores.

A selva se oferece abundante, açaí, cupuaçu, graviola ou cajá o paladar também vai aprender.

Cada palmeira com seu milagre, o palmito que mata ou o açaí que perpetua, a escolha é sua.

E mais água, e cipós e seringueiras que trouxeram a riqueza e logo a decadência.

A selva é sustentável, se sugada em excesso seca, murcha e morre.

E mais conhecimento em curas para todos os males, até para aqueles que nem sabemos que temos.

Curas para o corpo e para a alma que retorna repleta de orgulho de fazer parte de um Brasil que alheio à tudo insiste em sobreviver.”

Pescaria no Amazonas, aventura que une gerações por José Luís Krahe

25 de setembro de 2013 3

João Pedro, meu filho mais velho, é apaixonado por pescarias, meu parceiro fiel desde os 5 anos de idade. O Paulo, meu sogro, grande companheiro, havia prometido a ele uma viagem de pesca à Amazônia como presente de aniversário.

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É claro que eu também iria… Buenas… Saímos de Porto Alegre em um domingo, 6 h da manhã. Após 10h de vôo, com escalas em Curitiba, Maringá, Campo Grande, Cuiabá e Porto Velho, chegamos a Manaus. No dia seguinte, novamente às 6h, nós e o restante do grupo (15 pessoas) voamos em 2 aviões turbo hélice em meio a um temporal até a cidade de Nova Olinda do Norte, sudeste de Manaus.

Pista de terra… Dali, um ônibus Marcopolo com pelo menos 30 anos nos levou até a cabeceira do Canal que liga o Rio Madeira ao Rio Abacaxis e embarcamos no Yanna, nosso barco hotel.

Este é o barco usado pela Ecofishing, empresa responsável pela organização da indiada. O Yanna, a partir daí, iniciou a navegação rio acima por mais 15 hs. O barco é um hotel flutuante com todo o conforto, split em todo o ambiente interno, suites, cardápio variado, ancorado (mas não restrito à) na culinária local, com direito a sashimi, carpaccio e até a um churrasquinho. Por sinal, só temos elogios à equipe que nos recebeu, da camareira ao Nestor Salomon, sócio da Ecofishing, que nos acompanhou durante todo o tempo.

Quase chegando no destino, cerca de 12 hs após a saída de Nova Olinda, as lanchas que são usadas para a pescaria são trazidas pelos piloteiros que não saíram da região e “acopladas” ao barco, que as leva junto até a localidade pré determinada para início da brincadeira. Na madrugada seguinte, e por todas as outras, 05 e meia da manhã estavamos de pé, tomávamos o café da manhã e toca pescaria até às 18:30, com intervalo e retorno ao barco para almoço entre as 11:30 e 14:30. A lancha tem capacidade para duas pessoas além do piloteiro. É toda coberta por um tecido que lembra carpete grosso, impermeável. Pode-se caminhar sobre praticamente toda ela, o que facilita muito a pescaria.

Cada lancha tem um piloteiro, normalmente um cara da região, que “lê” o rio e é responsável pela condução às àreas mais piscosas. O piloteiro é a alma do negócio. Um piloteiro que não conhece o rio é fria…Nosso piloteiro era o Julio, bisneto, neto, filho e pai de indios, um cara muito parceiro, bem mais civilizado que muitos porto alegrenses que se vê por aí. Conhecia as tocas, os peixes, as iscas, os lagos cheios de peixes dentro das ilhas, onde chegávamos com a lancha passando por lugares que aparentemente seria impossível cruzar. Este sabe! A pesca que fizemos na região do Abacaxis pode ser dividida em dois tipos. Primeiramente, a pesca com isca artificial, buscando principalmente o Tucunaré, peixe brigador, com peso variando de 400g a exemplares de até 7kg.

Do final da tarde ao inicio anoitecer, busca-se o peixe de couro, como o Surubim, Pintado, Jaú, Piraiba e a Pirarara. A lancha fica apoitada (ancorada) e pesca-se com isca de peixe, preferencialmente cabeça de piranha. Os peixes de couro são realmente grandes, podem chegar a mais de 100 kgs, de maneira que, uma vez que algum seja fisgado, a lancha deve ser liberada da âncora para seguir o peixe enquanto este leva a linha, ou a mesma vai se romper. Às vezes este processo se estende por mais de 1hora entre idas e vindas, recolhendo a linha e o bicho levando, até que se traga o peixe a bordo. A grande maioria dos peixes pescados são devolvidos ao rio, bem vivos.

Guardávamos para comer um mínimo de peixes, respeitando as medidas e as orientações do piloteiro. Por sinal, quanto maior o peixe, mais gorda e menos saborosa a carne. Melhores são sempre os de tamanho intermediário da espécie.

Basicamente, é isto aí… O melhor de tudo é a convivência em harmonia com novos e velhos amigos e a oportunidade de estar junto com um filho quando ele realiza um sonho…

Para saber mais sobre roteiros em grupo ou particulares do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

Reflexos da Amazônia

28 de setembro de 2012 2

Texto e fotos: Luciano Leoneti Terra

O Brasil está cada dia mais em exposição no mundo todo. Com as tão esperadas Copa do mundo de 2014 e Olimpíadas do Rio 2016 a curiosidade de outros povos em relação ao país aumentou substancialmente. Antes o Brasil era visto apenas como um país qualquer da América Latina, porém agora, considerado uma das maiores potências econômicas do mundo, já é visto como o futuro, e porque não o presente, para investimentos de larga escala e local para migrar e construir uma nova vida.

Os brasileiros que adoram viajar pelo mundo têm ouvido pessoas falarem sobre todos esses eventos e recebem cada vez mais  dezenas de perguntas sobre como é o Brasil e se há por aqui belezas dignas de uma visita. A maioria dos estrangeiros curiosos conhece o Brasil por pelo menos três coisas: carnaval, futebol e amazônia. De futebol e carnaval todo cidadão brasileiro é um doutor (gostando ou não, já está impregnado no seu DNA). Por outro lado, sobre floresta amazônica a realidade é outra.  Poucos que conheço têm intimidade com essa parte do nosso território e poderiam relatar algo mais do que informações geográficas que o curioso teria como buscar em qualquer livro escolar.

Em nosso ávido apetite por arte e culturas distintas, migramos para os mais remotos lugares do mundo em busca do diferente. Entretanto, esquecemos muitas vezes que o diferente pode estar muito mais perto do que imaginamos e que em nosso próprio país há culturas e povos dignos de uma apreciação mais demorada. Muitas vezes esquecemos, ou queremos esquecer, que vivemos em um país indígena com uma cultura riquíssima e que é isso que nos diferencia do restante do mundo. Vejo muitas vezes certo constrangimento, e até indignação, quando um brasileiro é questionado no exterior se o Brasil é repleto de florestas. Ignorâncias a parte, como aquele questionamento de alguns estrangeiros sobre jacarés e macacos circulando pelas ruas das grandes cidades, será que não está na hora de nos orgulharmos de nossas matas e usarmos isso para orientar o curioso e explicar-lhe que temos sim matas maravilhosas e que, apesar de termos uma das maiores cidades do mundo, ainda assim somos um país rural e que se orgulha de sua natureza? Será que ao sermos questionados não ficamos mais indignados pela nossa ignorância em falar de nosso próprio país?

Com o intuito de aprimorar um pouco mais a minha brasilidade e incrementar a minha cultura na arte do viver, rumei, há alguns meses, para o coração da Amazônia. Havia estado lá apenas uma vez e a vontade de retornar sempre esteve presente. Desde a primeira visita o por do sol às margens do rio negro não me saía da mente. As cores da Amazônia são vibrantes e a natureza é algo indescritível. Ao cair do sol a mata se incendeia em laranjas e vermelhos que se confundem com as árvores e ofuscam o seu verde. Como se todo o planeta fosse aquecido. Fico imaginando que quadro Van Gogh teria pintado se tivesse vivido por aquelas bandas. Quem “pintou a Amazônia” em um final de tarde deve ter tido um surto psicodélico e ter jogado toda a sua paleta de cores quentes de uma só vez sobre a tela!

Este mesmo pintor enlouquecido, não contente com apenas uma Amazônia, resolveu colocar ali espelhos d´água que refletem toda essa beleza e transformam a mata em duas. Uma overdose de cores e sombras nesse quadro pintado por uma artista acima de qualquer crítica.

O ponto de partida para todos os melhores passeios é Manaus. Lá você poderá encontrar hotéis para todos os gostos e bolsos. As opções não são muitas, porém dá para achar uma que caiba em suas necessidades. Também de lá é que saem os transportes para a maioria dos hotéis de floresta, caso esse seja o seu desejo.

Com seu auge nos tempos da borracha, Manaus ainda preserva algumas de suas construções daquela época. Não deixe de visitar o Teatro Amazonas e o Palácio Rio Negro, dois exemplares da arquitetura de uma época de muita abundância. Uma das curiosidades que mais me chamou a atenção foi o calçamento ao redor do Teatro. Todo feito de borracha, para que o barulho das carruagens e carroças da época não atrapalhassem os espetáculos, ainda está lá preservado em uma boa parte do entorno do mesmo. A visita ao centro histórico da cidade é feita em um dia tranquilamente. O interesse pela região com certeza tem que ser a natureza ao seu redor. Com ela você poderá gastar quantos dias achar necessário.

As opções de passeios pela floresta são muitas. Desde um simples passeio de barco para ver o encontro das águas do Rio Negro com o Solimões até um mergulho com botos cor de rosa, você poderá visitar uma tribo indígena, ver cachoeiras, sobrevoar a mata em um hidroavião e muito mais. Se quiser há até cruzeiros pelo amazonas. É só falar com seu agente de viagens e escolher as melhores opções.

Entre todos os programas que você poderá fazer na região amazônica, um deles é primordial: A CONTEMPLAÇÃO. Sim, deixe o seu estresse aqui no asfalto e se embrenhe na mata com calma. Contemple cada momento e cada som. Tente enxergar a população local com outros olhos e ouça suas histórias com interesse. A Amazônia é uma região para se visitar despido de pré-conceitos e de uma suposta superioridade. Ou você se deixa envolver, ou irá voltar da mesma forma que chegou lá. Respire o ar úmido da mata e sinta o calor que vem de suas entranhas. Deixe que as águas dos rios reflitam o seu interior e use esses momentos para ver o planeta com outros olhos. Sem demagogia: tente entrar em sintonia com a natureza. O sentimento de pertencimento a um todo maior é inevitável. Lá, templos gigantescos são desnecessários. Não tenha a doce ilusão de que, por não haver construções góticas, renascentistas, medievais, modernistas, etc., a Amazônia seja um lugar menos digno.   Para que construções feitas pelo homem se você está dentro de uma das maiores construções divinas?

O divino se revela a cada reflexo na água, a cada árvore gigantesca, a cada revoar de pássaros. O sagrado que está em cada momento é revelado àqueles que se deixam conduzir pela natureza. Se você quiser ser contagiado por tudo isto, fica a dica.

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