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Posts na categoria "Argentina"

Do Rio Grande do Sul a San Martin de los Andes, de carro

09 de maio de 2013 6

 

Uma sugestão legal de viagem de carro nas férias de julho!

Ano passado optamos em sair do Brasil pelo Uruguay para evitar a policia caminera argentina, que quanto mais perto da fronteira do Brasil, principalmente na região de Entre Rios, mais terrível e chata, param os carros com placa do Brasil e podem estar certos que sempre vão achar alguma razão para ganhar alguma propina.

Saimos da fazenda em Uruguiana às 6:30 da manhã, nossa última cidade no Brasil foi Quaraí, entramos no Uruguay por Artigas, e na ponte mesmo fizemos a aduana do carro e das pessoas, é fácil e rápido. Os uruguaios são ótimos, muito educados, não complicam, são um povo realmente hospitaleiro, não fomos parados nenhuma vez sequer dentro do Uruguay (e viva Jorge Drexler!).

Esta foi a nossa rota.

Então, fomos de Quaraí - Artigas - Salto - Paysandu onde cruzamos a ponte General Artigas e entramos na Argentina, passamos por Gualeguaychu - Zarate, até aí na Argentina a polícia nos parou 2 vezes, em uma delas alegaram que estávamos com os faróis apagados( lá é obrigatório viajar com eles acesos sempre) mas como tínhamos certeza que viajavamos com eles ligados, endurecemos e eles nos deixaram partir sem multas. Na segunda vez nos pararam e alegaram excesso de velocidade 102km/hora, disseram que se pagassemos ali na hora dariam 50% de desconto na multa, do contrário quando cruzassemos a fronteira pagariamos o valor integral.... imagina, eles com um bloquinho de papel na mão, não tinham nada do radar para nos provar que estávamos mesmo naquela velocidade e por coincidência só pararam nós, brasileiros. Decidimos arriscar e a verdade é que nunca nos cobraram a suposta "multa".

E acabaram aí nossos contratempos, no restante a viagem é bárbara, linda, retas intermináveis e belos cenários, só estou querendo prepará-los para lidar bem com estes percalços.

Cruzando o Uruguay

 

 

 Nosso almoço já foi depois de Zarate em  Cañuelas ( que fica a 250km), um lugar muito bom para almoçar  tem várias opções de parrillas e restaurantes.

 As estradas são boas e o trecho mais pesadinho da viagem foi de Cañuelas até Azul, somente os primeiros 50km são duplicados, e porque já era final do dia e o cansaço vai pegando, chegamos em Azul em torno da 19:30.

Azul é uma cidadezinha muito simpática e deve ter tido um passado muito rico, tem prédios bonitos, um teatro muito legal estilo art noveau, foi a cidade escolhida para passarmos a primeira noite. 

 

Grandes criações de gado Aberdeen Angus e Hereford nas proximidades de Azul.

 

Lindo prédio da prefeitura de Azul, ostentando as imagens de dois heróis nacionais argentinos: San Martin e Belgrano.

 

 

Azul é uma cidade do porte de Uruguaiana, e que privilégio poder ostentar um teatro lindo destes e com uma extensa programação... bons tempos da Argentina rica.

 

 

 

 O hotel de Azul é sem luxos, mas limpo, com um bom banho e um desayuno com ótimo suco de laranja e medias lunas. Diária de 180 pesos o quarto duplo, ou seja R$ 90,00 reais. Se você quiser conferir...

http://www.granhotelazul.com/

 

Saímos de Azul em torno das 8 horas, nosso próximo destino era a cidade de Neuquén, já na província de Rio Negro a  890 km de distância.

Optamos o caminho que passa pela Serra da Ventana, uma estrada bonita e com pouco movimento.

Serra da Ventana.

Antes de cruzar os 300km do deserto, paramos para almoçar em Rio Colorado, num posto ACA, umas milanesas com papas fritas e saladas resolveram nosso problema.

Chegamos em Neuquén à tardinha, o comércio ainda estava aberto e aproveitamos para comprar o que eles chamam de "correntes liquidas" é um spray para colocar nos pneus para evitar que eles derrapem no gelo.

Neuquén é uma cidade bem maior com cerca de 200 mil habitantes.Não tem muuuitas opções de hotéis e eles não são baratos como no restante da Argentina. Paramos no Hotel Comahue, muito bom no centro da cidade, numa grande avenida com um canteiro no meio. Diária de U$139 por quarto duplo.

http://www.hoteldelcomahue.com/

 

Saindo de Neuquén de manhã cedinho, nosso destino é San Martin de los Andes que fica a 430km, uma barbada para quem vinha fazendo uma média de 800 por dia, e a partir daqui a paisagem vai ficando cada vez mais bonita.

 

Controle sanitário na entrada da provincia de Rio Negro, é proibido entrar com frutas e outros víveres para evitar a disseminação de doenças.

 

É uma emoção a primeira vista das montanhas nevadas, sensação de liberdade, de ganhar o mundo.

 

Chegando em San Martin de los Andes

 

San Martin é uma pequena cidade, muito charmosa e interessante, muitos argentinos que optaram por um lugar tranquilo e bonito para viver se mudaram pra cá e fizeram daqui um lugar diferenciado.

 

Finalmente depois de 2.600km chegamos!!

Valeu, foi uma viagem linda, e em outro post vou estar contando tudo de San Martin e de alguns passeios nos arredores dos lagos e do vulcão Lanin

Aguardem!!!

Adios muchachos!

Drops de Buenos Aires : novidades gastronômicas e culturais

30 de abril de 2013 0

Algumas novidades na capital portenha me chamaram atenção nesta passada rápida que fiz por lá em direção a Patagônia. Foram somente dois dias mas , apesar de a situação não estar muito tranquila por lá, aproveitamos sem percalços.

Para começar fomos conhecer o restaurante do famoso chef Francis Mallmann, já fazia muito tempo que tinha vontade , mas como é meio fora de mão , no coração da Boca , sempre deixava para depois.

 

Há muito anos atrás , quando fui a Las Leñas pela primeira vez, ele era um chef iniciante e eu me apaixonei pela culinária criativa e na época muito diferente de tudo que já tinha provado. Hoje ele tem várioas restaurantes espalhados pela Argentina e Uruguai com pratos que valoriza a terra e o fogo . O Patagônia Sur é intimista , pequeno e muito agradável, são 3 pratos na refeição e a carne é o carro chef. Valeu o jantar e o passeio para uma zona da cidade pouco visitada em minhas andanças por lá.

Para um passeio diferente o novo Faena Arts Center é a pedida perfeita, além de ficar na região de Puerto Madero , mas do outro lado do rio onde a sensação é de estar numa metrópole rica e moderna ( calma , eu adoro a cidade velha também) que em nada se assemelha a Buenos Aires tradicional, o centro de artes contemporânea é lindo e oferece exposições itinerantes.

Homenagem Juan Manuel Fangio , em frente ao Faena Arts Center

Ernesto Neto , artista neo-concreto carioca , cuja produção situa-se entre a escultura e a instalação foi um das grandes exposições de 2012.

Em novembro passado a Sala Molinos apresentou um site specific de 260m2 de Franz Ackermann , isto é só para dar um clima do que anda acontecendo por lá. Para se informar que qual exposição estará durante sua visita , de uma olhada no site : http://www.faenaartscenter.org/exhibiciones-actuales

Para fechar com chave de ouro o jantar no novo Osaka, um restaurante peruano/japones de estilo fusion moderno que fica no mesmo prédio do Faena Arts Center. Eu já conhecia e até tinha falado aqui do Osaka de Pallermo , este é mais bonito e conserva a mesma culinária insuperável . O mais novo Osaka abriu este mês em Sâo Paulo seguindo Lima, Santiago e Cidade do México, sendo assim , são muitas oportunidades de comprovar , eu boto minha mão no fogo , não tem como não gostar.

Na hospedagem resolvemos não inovar e não nos arrependemos , perto da central Praça San Martin uma rua charmosa chama atenção pela profusão de galerias de arte e pelo clima retrô chic que conserva, a Calle Arroyo. Ali reina solitário o Hotel Sofitel , um projeto arrojado e super confortável! Tudo perfeito e além disto próximo do Aeroparque de onde embarcamos de volta!

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Hotel Eolo, que tal uma lua de mel agora?

04 de março de 2013 1

Programei minha viagem para Patagônia para descansar , namorar, contemplar a paisagem local, fazer quase uma viagem interior. Leitura , contato com a natureza, boa culinária e paz eram ingredientes especiais no cardápio! O Eolo , deus do vento, foi uma inspiração e tanto para tudo isto.

Para tanto escolhi a dedo um dos únicos Relais & Chateaux da América do Sul que faz jus a cadeia a que pertence em todos os quesitos. Localizado numa estância de criação de gado , cerca de 25km do centro de El Calafate , na Patagônia Argentina, o Eolo está no sopé do Cerro Frias e em dias claros avista-se o Lago Argentino e as Torres del Paine , já em território chileno.

Ele está na medida entre o rústico e o chic, o mínimo e o máximo, a solidão e o excelente acolhimento. Tudo por ali recende a algo muito familiar, as salas tem livros e jogos para passar a tarde contemplando a paisagem que entra nos espaços por enormes janelas voltadas para um entorno sempre deslumbrante. Decoração despojada de acordo com o clima, nada fora do ambiente de fazenda , mas com conforto, charme e aconchego!

A comida foi um capítulo à parte, desde a louça, toda comprada em antiquários e leilões tudo é de um bom gosto estupendo ! O difícil era escolher o menu já que as opções eram variadas e todas deliciosas!

Muitas atividades estão disponíveis para quem quer vida ao ar livre. Optamos por um passeio de bicicleta até o centro de El Calafate. Foi quase uma maratona , mas o visual compensou todo o esforço . Deixamos as bicicletas por lá onde foram recolhidas pelo pessoal do hotel.

Com o corpo cansado o retorno foi ainda mais recompensador. Uma paisagem assim gigantesca, limpa a alma para enfrentar o ano que se aproxima. Um lugar que preenche todos os requisitos para uma lua de mel , nem que seja depois de 25 anos de casado.

El Calafate : desvendando passeios e "roubadas"

22 de fevereiro de 2013 5

Muitas perguntas me surgiram quando planejava meu roteiro . Vou tentar facilitar a vida de quem tem vontade de desbravar a Patagônia e não tem para quem perguntar. Em primeiro lugar o voo de Buenos Aires até El Calafate dura em torne de 3 horas, Ushuaia outro destino patagônico bem conhecido fica mais ao sul. O Lago Argentino concentra grande parte dos passeios pela região, e ficando em El Calafate tem-se acesso a várias delas, outra opção seria dividir a estada com EL Chalten , onde muitas trilhas e acampamentos podem ser feitos ( são 250km ao norte de Calafate).


Quando ir:

O período de verão é o mais propício, a temporada começa em outubro e novembro é um dos meses mais procurados pela abundância de flores . Janeiro e fevereiro são mais ventosos, com rajadas e mudanças rápidas de tempo, março e abril são boas opções, mas a partir de abril muita coisa fecha e as opções diminuem!

Passeios

Glaciar Perito Moreno

O mais conhecido é também o mais interessante e imperdível . O glaciar situa-se às margens do Braço Rico do Lago Argentino com acesso por terra em estrada asfaltada a cerca de 1 hora do centro de Calafate. A paisagem é estonteante e completamente diferente de tudo que eu já tinha visto na vida. Por lá existem três possibilidades de atividades, experimentamos todas e eu não descartaria nenhuma.

Perito Moreno visto desde as passarelas

Barco - para navegar em frente a parede do glaciar e ter uma noção de sua grandiosidade bem de pertinho! São poucos minutos para se chegar a outra margem para iniciar a caminhada sobre o gelo. Pode-se optar por fazer somente a navegação.

Caminhada sobre o gelo - Combinada com a navegação aportamos no bosque que ladeia o glaciar , lá deixamos nosso pic-nic no parador e seguimos para a geleira . Colocamos os grampones nos tênis para iniciar a trilha sem sustos.

Caminha-se por uma neve compacta com variações de tons de azul , desde tons profundos até quase branco. As fendas formam pequenos lagos de água potável e muitas se alargam abrindo crateras muito profundas por onde a água do derretimento escorre.

A caminhada sobre o gelo paga-se à parte e custaU$ 100. Não é muito cansativo mas não aconselhável para quem tenha algum problema de joelhos pois os grampos tornam a caminhada demandante . Ao final o tradicional whisky com gelo milenar retirado com picareta. Seguimos até o parador para o almoço trazido na mochila, em Calafate todos os restaurantes preparam lanches para viagem , nossa pedida foi empanada de cebola e queijo com chocolate de sobremesa.

Passarelas - pode parecer meio redundante para quem caminhou sobre a geleira partir para ver o Perito Moreno de um mirante, mas me rendi ao ceticismo e admito , é lindo e muito diferente! São quatro quilômetros de passarelas muito bem projetadas e executadas, que oferecem uma visão quase aérea do glaciar. Um visual completo e acessível para qualquer idade ou preparo físico, inclusive cadeirante, pois é provida de rampas.

Daqui tivemos o privilégio de ver um grande despreendimento de parede , que segundo o experiente guia, Alexandro Capelli , se vê com sorte e paciência. Um espetáculo grandioso, quarenta metros de parede de gelo caindo na água com um estrondo profundo e formando uma onda eloquente ! Filmei e fotografei , mas nada captura a magia do momento.

Cerro Frias

Vinte quilômetros a oeste do centro de El Calafate a Estância Alicia deixou sua função principal e tornou-se um centro de atividades de aventura e sede do maravilhoso Hotel Eolo, sobre o qual vou falar num próximo post. Hoje é pequena para a criação de ovinos, com "apenas " 4 mil hectares de terras, e o Cerro Frias na propriedade favorece o turismo.

Cavalgada - com belos exemplares equinos o visual é fora de série. O custo é de U$ 80 por duas horas de passeio acompanha por um peão da estância e mais algum integrante do staf, no caso Franco de 5 anos dando show de montaria

Tirolesa- No mesmo Cerro Frias a Tirolesa é longa e muito alta, sendo dividida em cinco etapas. Uma experiência cheia de adrenalina que agrada aos mais jovens e encanta com paisagens deslumbrantes do Lago Argentino e até de Torres del Paine na Patagônia chilena. O bom que neste dia estava uma única família fazendo a aventura , o que a torna mais exclusiva!

Estância Cristina

Esta é quase uma instituição local, no Braço Norte do Lago Argentino dentro do Parque Nacional. Foi uma estância desbravadora no início do século XX, comandada por uma família de ingleses que a partir de uma criação de ovelhas deixou um legado hoje explorado por uma empresa de turismo privada.

A navegação é um dos destaques do passeio, pois antes de atracar no pier da Estância Cristina navega-se pelo Canal Upsala que desemboca no Glaciar de mesmo nome. A visão é mais uma vez estarrecedora, ainda mais quedesde o início da navegação os icebergs azuis que se soltam das paredes preparam a paisagem que está por vir.

A visita a Estância Cristina por si só pode ser meio monótona para os mais ativos, são 2:30h de navegação e por lá não mais do que um almoço, pequenas caminhadas em torno do rio e a visitas ao museus e as instalações da antiga estância nos esperam.

Para quem tem preparo físico e um pouco de espírito de aventura , recomendo fazer o Wild Trek, uma trilha de 12km antes da Estância Cristina pela Península Herminita de onde pode-se avistar o Glaciar Upsala de um ângulo perfeito , além de descobrir a natureza local com acompanhamento de uma guia sem igual , Jimena Fresca (jfresca@gmail.com) .

Foi uma experiência ímpar , quatro horas de trilhas numa imensidão solitária , seguindo pegadas de cavalos selvagens e outros animais silvestres por entre escarpas e estepes que se sucedem em equilibrio . Ao final o cansaço se mistura a uma sensação de conquista! Avassalador como o céu patagônico.

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Patagônia, um estado de espírito

20 de fevereiro de 2013 0

A Patagônia é mais que um destino, é um estado de espírito e comunhão com a natureza.

Para começar uma informação prática , a região compreende todo o sul da Argentina , desde o sul da província de Buenos Aires até a Terra do Fogo. É um continente enorme e quase deserto, onde o céu se confunde com o horizonte infinito de picos nevados e lagos azulados.

O homem patagônico é um guerreiro , venceu intempéries e desbravou o fim do mundo com garra e determinação. Divide sua terra com um rebanho de ovelhas gigantesco e com a qual faz sua especialidade gastronômica, o cordeiro patagônico.

É nas estâncias que a história se faz, extensões de terra de mais de quinze mil hectares são comuns e o homem montado no cavalo se assemelha ao gaúcho no domínio do pampa. Mas é no céu que a alma é aprisionada, ele muda de cor e forma constantemente com um vento que insiste em soprar em fortes lufadas e tem a limpidez e pureza das terras perdidas.

O turismo trouxe um novo alento, pequenas vilas tornaram-se cidades e o mundo descobriu " o fim do mundo" . Europeus vem de suas terras, também geladas, para desvendar seus segredos. Me pergunto, o que os atrai? A resposta vem dos bem preparados guias: " a solidão, esta sensação de estar desbravando um território quase virgem, onde não se vê sinal de civilização ,é incomparável!

El Calafate é a capital do turismo patagônico, uma cidade charmosinha muito paracida com outras vilas de montanha da Argentina. Localiza-se as margens do Lago Argentino e em dez anos triplicou seu tamanho para mais de 20 mil habitantes, mas mantém o clima e o astral de um pueblo.

Oferece um boa rede hoteleira, restaurantes e cafés e a localização perfeita para descobrir uma série de atrações próximas ou nem tanto. Muitas agências organizam os passeios que justificam uma estada de pelo menos três dias, desde os mais imperdíveis como o Glaciar Perito Moreno até os mais improváveis , sendo que os preços variam pouco , não vale a pena perder tempo com muita pesquisa.

Para hospedagem escolhemos Los Alamos, um hotel grande mas com clima de montanha nas áreas comuns, os quartos eram espartanos demais para meu gosto. Compensa a falta de conforto com uma boa localização , central mas não demais. Para que quer algo mais intimista , existem boas opções com vista para o lago mas o acesso ao centro é um pouco mais distante.

No próximo post conto sobre os passeios, imperdível!

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