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No rastro dos quechuas: a Trilha Inca até Machu Picchu

30 de março de 2015 1

“Caminhar é ter falta de lugar”, disse Michel de Certeau. “É o processo indefinido de estar ausente e à procura de um propósito”. O filósofo francês pincela, em poucas palavras, a qualidade mística que tem acompanhado, ao longo do tempo, a singela prática de se locomover com as próprias pernas.

 

Foto 1

As lhamas são as mais famosas, mas não as mais frequentes visitantes quadrúpedes da Trilha Inca

 

A circundação do Monte Kailash, no Tibete, é tida como um rituais mais sagrados do budismo e do hinduísmo. O Caminho de Santiago, na Espanha, é reverenciado e percorrido por milhares de peregrinos anualmente. E o nosso continente também abriga um desses itinerários que compõem o panteão das trilhas mais conhecidas e desejadas do mundo: a Trilha Inca.

 

A Trilha Inca fascina não só pelo esplendor geográfico, mas sobretudo pela herança cultural que guarda. Estendendo-se por mais de 40 quilômetros (a rota possui algumas pequenas variações), ascende a partir do rio Urubamba, atinge o seu pico a 4200 metros de altitude, e depois desce até 2720 metros, altura na qual fica o portão do sol, que dá acesso às ruínas de Machu Picchu.

 

Foto 2

Uma das tantas descidas por entre sítios arqueológicos

 

Três amigos de longa data me convocaram para a expedição, e, apesar de estarmos no Peru bem no meio da temporada de chuvas, não houve como recusar o convite. Sabíamos que, quando chegássemos a Machu Picchu, depois de quatro dias de caminhada, provavelmente veríamos mais nuvens que ruínas. Sabíamos que teríamos de enfrentar uma garoa persistente na maior parte do tempo. Mas sabíamos que sabíamos muito pouco sobre a cultura do povo que um dia constituiu o maior império das Américas, e foi a consciência dessa ignorância que nos motivou a mergulhar no universo Inca para aprender mais sobre ele… a começar pelo fato de que o próprio nome da trilha talvez não fosse o mais adequado.

 

- Quechua era a denominação do povo que habitava essa região. – Honório, o nosso guia durante a caminhada, explicou assim que adentramos a primeira subida do primeiro dia. – Inca era o título exclusivo do rei desse povo, em um determinado período. Houve Incas mais importantes e Incas menos importantes, mas, quando falamos de “cultura Inca” ou “Trilha Inca”, na teoria, estamos falando de uma cultura restrita a esses reis, ou de uma trilha que só eles percorriam… E olha: eu duvido que qualquer Inca um dia tenha feito essa caminhada que a gente está prestes a fazer, viu…

Foto 3

Cusco, ponto de partida para a maioria das expedições, já oferece vislumbres da cultura quechua

Enquanto os Incas não se aventuravam pela trilha que conectava a capital do império, Cusco (“umbigo do mundo”, em quechua), à cidadela sagrada de Machu Picchu, muitos outros o faziam. Estruturas circulares de pedra pontilham as margens do caminho, a cada quatro ou cinco quilômetros. Quando uma mensagem precisava ser transmitida entre um lugar e outro, mensageiros se encarregavam da tarefa: corriam até uma dessas estruturas, e compartilhavam o aviso com o próximo companheiro, que já devia estar esperando ali. Depois, esse segundo mensageiro corria até o próximo ponto de “passagem”, a partir de onde outro quechua levaria a mensagem adiante, numa espécie de telefone sem fio de grandes proporções, até que o aviso chegasse ao seu destino.

 

- Em outras palavras – Honório não continha seus devaneios quanto ao passado glorioso daquele caminho –, mesmo há muito tempo atrás, esta trilha já era cheia de gente correndo pra lá em pra cá.

 

A superlotação de fato chegara, em tempos recentes, a um nível insuportável. Deparando-se com o desafio de preservar uma das rotas mais cobiçadas do mundo, o governo peruano decidiu impôr um limite de visitantes simultâneos à Trilha Inca. Hoje em dia, somente 500 pessoas (200 estrangeiros, 300 carregadores e guias) podem transitar por ela no mesmo dia.

 

Foto 4

No ponto de maior altitude durante a trilha, com o sugestivo nome de “passagem da Mulher Morta”

 

- A medida freiou o crescimento das operadoras de turismo da região – nosso guia lamentou –, mas foi necessária. Já bastam o próprios nativos que não sabem cuidar desse patrimônio…

 

A explicação para o resmungo ficou pendente. Nossos pulmões já estavam comprimidos pela altitude. A voz não encontrava brecha entre as inspirações, ansiosas pelo oxigênio rarefeito. Chegando perto do ponto mais alto da trilha, no segundo dia de caminhada, evitávamos falar muito e ocupávamos a boca com punhados anestesiantes de folhas de coca.

 

Foi mais tarde, já de volta a Cusco, que compreendemos um pouco da reclamação de Honório quanto a um suposto desdém para com Machu Picchu. Na periferia da cidade, trombamos, por acaso, com um artesão descabelado. Sem parar de trabalhar em uma representação de Pachamama (divindade quechua relacionada à Mãe Terra), cumprimentou-nos e nos convidou para conhecer seu humilde ateliê.

 

Foto 5

O artesão de Cusco lapidando uma pequena escultura de Pachamama

Sem tirar os olhos dos talhos que desenhava na sua figura, explicou-nos estar lidando com serpentina, uma pedra encontrada na região da Trilha Inca, e com supostas propriedades energéticas. Lastimado, confessou ter de surrupiar estoques de sua matéria-prima ilegalmente:

 

- Desde que limitou o acesso de não-residentes ao perímetro da trilha, o governo tornou ilegal a exploração da serpentina. Isso quer dizer que, para que eu continue trabalhando, tenho de “roubar” pedras da minha própria terra…

 

Não julgamos o artesão. O carinho com que esculpia evocava um respeito que tratamos de absorver. E, o fascínio que ele mesmo parecia sentir por aquele material, nós pudemos experimentar já chegando ao final da nossa caminhada.

 

O terceiro – e penútimo – dia de trilha era o menos íngreme de todos. Por entre úmidas florestas, e através de trilhas estreitas que ladeavam precipícios, tivemos vislumbres rápidos de uma série de montanhas que lembrava o cenário extraterestre do filme Avatar. As nuvens, contudo, não davam trégua. Nos acompanhavam, como que tentando esconder o que pudessem para adiar a nossa surpresa diante da majestosidade do ambiente em que penetrávamos.

 

Blocos de serpentina foram anunciados pelo nosso guia, antes do último pernoite no sagrado território quechua:

 

- Ali, Felipe – Honório apontou -, abraça aquela pedra esverdeada e tenta sentir um pouquinho da energia dela. Muitas construções nessa trilha foram edificadas com ela.

 

O cansaço e a dor nas coxas se fizeram notar quando tentei sucumbir ao poder da serpentina. Depois de alguns segundos acocorado, envolvendo a pedra com os braços, desisti da empreitada e acabei cedendo ao sono latente.

 

O dia seguinte começaria às três da manhã. Às seis, deveríamos chegar ao portão do sol, e enxergar Machu Picchu ao vivo pela primeira vez. Dentro da cidade sagrada, teríamos todo o tempo do mundo para abraçar pedras e sermos abraçados pela energia delas. Deixaríamos de “estar ausentes”, e talvez fôssemos encontrar o propósito daquela jornada.

 

Caso contrário, não haveria problema. Arranjaríamos outra “falta de lugar”. Escolheríamos outro destino (outro percurso!). E começaríamos a planejar uma próxima peregrinação. No final das contas, caminhar é muio mais do que ir de um ponto a outro. Como já diria o poeta: caminhar é preciso.

 

Foto 6

Em meio às nuvens e às multidões, nós comemoramos: Machu Picchu só vai perder o encanto quando a fotografia, além de cores e formas, conseguir reproduzir o misticismo

 

Felipe Sant’Ana Pereira | Março de 2015

Para saber mais sobre programas e roteiros do Viajando com Arte acesse o site:

www.viajandocomarte.com.br

Trilhas em Machu Picchu, possibilidades para todas as idades

05 de fevereiro de 2014 0

Machu Picchu oferece várias trilhas para os mais preparados fisicamente e a dúvida que fica é qual a melhor, mais interessante, afinal nem todos tem o privilégio de ficar por lá mais de um ou dois dias. A primeira pergunta a ser respondida é sobre o preparo físico de cada candidato! A escolha vai depender de fatores bem pessoais.

 

 

Huayna Picchu é a montanha que aparece atrás nas fotos clássicas da cidadela,como acima,  pode ser alcançada por uma trilha íngreme e exige preparo além de nenhum problema de vertigem ou medo de altura. É um caminho quase todo feito por degraus de pedra e que leva mais ou menos 1:30h de subida , tendo que reservar o ingresso com antecedência pois o número de pessoas é limitado a 200 por dia. O visual é deslumbrante , vê-se a cidadela de cima e a sensação é de estar quase no céu.

A trilha mais conhecida é a Intipunku, Porta do Sol para nós, é a entrada oficial do sítio de Machu Picchu. Por onde os antigos incas chegavam e justamente onde atualmente o caminho inca leva os peregrinos que fazem todo o trajeto de 4 dias  a pé! Oferece uma visão maravilhosa da cidadela e de Huayna Picchu atrás, inclusive tem a mesma altura deste monte, 2800 metros.

 

Daqui pode-se ter a noção exata do caminho que os ônibus traçam desde Águas Calientes e também de como Putucusí ocupa uma posição central em todo o complexo de montanhas do entorno. A natureza exuberante da selva amazônica é um capítulo a parte, abundam bromélias e orquídeas por todos os lados.

A trilha alterna rampas com alguns degraus e pode facilmente ser alcançada em 1h de caminhada desde a entrada de Machu Picchu, não é necessário reservar a subida , é livre de cobrança.

No caminho encontramos a Pedra da Fertilidade que era palco de um ritual bastante movimentado, com danças e calculamos, a ingestão de algum alucinógeno!

Uma trilha divertida para qualquer idade e algum preparo físico.

Daqui se pode vislumbrar a silhueta do inca, que estaria inscrita nas montanhas! Com alguma ajudazinha e imaginação vai!

A mais fácial e rápida das três é a trilha da Ponte Inca, 20 minutos são suficientes para alcançar o topo, que leva por um caminho diferente para a parte de trás do sítio. É mais plana e estreita , uma desafio menos intenso e pode ser , inclusive, a segunda opção do dia!

O que importa não é o desafio ,  é poder curtir e se deixar envolver a energia que emana deste lugar !

Se você gostou deste post e tem vontade de ir ao Peru , de uma olhadinha em nosso roteiro para maio de 2014:

 http://www.portobrasil.com.br/peru2014/peru2014

 

Peru com Arte 2014

30 de janeiro de 2014 0

Para conhecer o roteiro clic aqui : http://www.portobrasil.com.br/peru2014/peru2014.pdf

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Peru com Arte, por Martha Medeiros

27 de janeiro de 2014 4
Peru
 
 
 
Algumas atrações turísticas, de tão fotografadas, frustram a expectativa quando conhecidas ao vivo. Não é o caso de Machu Picchu. Por mais que se tenha visto mil vezes aquela imagem da montanha pontiaguda com as ruínas da cidadela inca a seus pés, nada se compara à emoção …de estar lá.
 
O Peru é perto, porém pouco visitado por nós. Quem planeja um roteiro cultural e gastronômico, quase sempre elege a campeã Argentina, ou então o Chile, com suas vinícolas e estações de esqui. O Peru? Coisa pra surfista e bicho-grilo. Pois temos hoje um voo direto que liga Porto Alegre a Lima em pouco mais de quatro horas, o que é um convite para expandir nosso conhecimento sobre a América do Sul. Se europeus e asiáticos atravessam oceanos para visitar esse país andino, por que nós, vizinhos, permanecemos indiferentes?
 
Minha viagem se iniciou pela graciosa Cuzco, que foi o coração do império inca. Depois, fomos de trem até Aguas Calientes, num percurso que margeia o Rio Urubamba e que invade a floresta amazônica, proporcionando um visual arrebatador. Desse pequeno vilarejo, saem ônibus a cada cinco minutos que levam a Machu Picchu.
 
Uma vez lá, escolha como entrar em transe. Há os que ficam meditando diante da energia que emana do lugar. Há os que fazem trilhas que os deixam fisicamente preparados para disputar um triatlo. Há quem não consiga parar de clicar – é um dos locais mais fotogênicos do planeta. E há os que emudecem e ficam gratos pela oportunidade de conhecer um pouco mais da história da civilização e por constatar o quão pequenos somos diante de uma natureza tão intimidante.
 
A altitude incomoda, mas não derruba. Folhas de coca combatem o ligeiro mal-estar. Masquei algumas. Muito amargas, troquei por um Trident. O chá é bebível, mas insípido. Sendo ecologicamente incorreta, bom mesmo para não tontear é um infalível comprimido, consulte seu médico.
 
Estivemos de passagem também por Ollantaytambo e Pisac, incrustadas no Vale Sagrado, e mais uma vez ficamos sem fala diante do visual montanhoso. E, por fim, Lima, a única capital sul-americana banhada pelo mar, apesar da água gélida e da areia preta. Se não é nenhuma Ipanema, ao menos tem as espetaculares falésias, que dão um tom dramático ao cenário. E tem o artesanato, as lhamas, a culinária: nunca comi tão bem.
 
Fui por minha conta com amigas que, além de amigas, são profissionais hábeis em reunir um pequeno grupo e proporcionar experiências sensitivas e surpreendentes, como a viagem no luxuoso trem da linha Orient Express, o piquenique sobre uma colina do Vale Sagrado e o tour de bicicleta pelas ruas da capital peruana. Estou falando de Clarisse Zanetello Linhares e Mylene Rizzo, que, em parceria com a Porto Brasil Viagens, organizam essas excursões diferenciadas.
São professoras de história da arte, mas o que mais se aprende com elas é ter gosto pela vida.”
 
 
 

Trilhas em Machu Picchu - Huayna Picchu

06 de novembro de 2011 19

Mesmo tendo visto milhares de imagens, ouvido relatos de amigos, assistido programas em HD na Nat Geo, nada, nada mesmo pode me preparar para a experiência impactante na chegada na cidade perdida dos Incas – Machu Picchu.

 

Esta é a foto clássica de Machu Picchu, aquela montanha ao fundo é Huayna Picchu, nossa trilha foi subir ao topo desta montanha.

Depois de atravessar o Vale Sagrado, em uma viagem memorável no trem Hiram Bingham que são 4h acompanhando o rio sagrado para os Incas, o Rio Urubamba, viajando por um vale muito verde, cercado de montanhas altíssimas, onde em várias partes do caminho avistamos os caminhantes da trilha inca em suas roupar coloridas.

Já instalados no nosso hotel, o Inkaterra, que se localiza praticamente dentro da espessa mata, bangalôs que dão total privacidade, onde a gente toma banho olhando a floresta e as montanhas.

No dia seguinte de manhã bem cedo partimos nos ônibus que nos levam a entrada do parque da cidadela de Machu Picchu, a idéia é ver o sol nascer do alto de Huayna Picchu.

Éramos estas seis guerreiras dispostas a enfrentar o desafio de conquistar a montanha.

 

Fila para a entrada da trilha, o número de pessoas por dia é de 400, em 2 turnos de 200, evitando aglomerados, pois tem passagens muito estreitas.

Aqui nosso grupo se dividiu, uns iriam fazer a trilha da porta do sol – Inti Punku, por onde os caminhantes da trilha Inca chegam em Machu Picchu. Nossa trilha era montanha acima pelos desfiladeiros que se elevam até Huayna Picchu, aquela montanha que sempre aparece atrás da cidadela de MP nas fotos clássicas do lugar.

Éramos 6 mulheres no nosso grupo, verdadeiras guerreiras, pois a trilha exige um bom preparo físico, pois Huayana Picchu se eleva a uma altura de 2.720 metros, e muitas vezes passamos por degraus muito estreitos beirando os abismos que parecem infinitos vistos lá de cima.

Se você tem intenção de fazer qualquer uma destas trilhas tem que reservar com antecedência, pois eles só liberam um número limitado de pessoas por dia, nosso era o primeiro horário que sai as 7h da manhã.

O caminho se alterna em escadas muito íngremes e corredores estreitos, e salvo alguns momentos, não me senti medo ou insegurança, o segredo é não ter pressa, ir devagar sentindo nossos limites e principalmente sentindo a energia do lugar. Nosso estado era de muita excitação e adrenalina, é impossível não se envolver com a grandiosidade da natureza, com o passado Inca e confesso – não ficar revoltada com os espanhóis que lentamente destruíram e saquearam a civilização Inca.

E começa a subida..

Depois de uma 1/2 hora de subida já podemos ter uma visão da estradinha em zig zag que leva de Aguas Calientes até Machu Picchu

As pessoas que sobem estão todas embuidos do mesmo espírito e o astral reinante é dos melhores, não preciso dizer que Huayna Picchu mais parece a Torre de babel, pois tem gente de todas as partes do mundo, se ouve vários idiomas e  no caminho vamos cruzando com pessoas de todas as idades.

A visão de MP  lá de cima é indescritível. A sensação de chegar ao topo do mundo, de conquistar a montanha é inebriante e única. Paramos por momentos, silenciosas, reverenciando aquele lugar certamente abençoado pelos deuses.

Levamos em torno de 2h para atingir a parte mais alta, você pode fazer mais rápido, até em 1h, mas tomamos nosso tempo, fomos curtindo, fotografando prologando aquele momento especial.

Quando você for subir não esqueça de levar seu passaporte, pois na volta eles carimbam uma figura da montanha com a data, verdadeiro troféu!

Em uma parte perto do topo tivemos que atravessar uma caverna muuuuito estreita!

O carimbo no passaporte para registrar nossa aventura.

Na chegada já na entrada do parque onde fica o Hotel Sanctuary Lodge, abrimos um champanhe, nada mais adequado para comemorar nossa conquista, superação e aventura – altamente recomendável, pois na minha opinião estas são nossas melhores memórias.