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As paisagens rústicas da Bolívia por Luciano Zanetello

14 de novembro de 2012 2

A van nos pegou no hotel e 50 km depois estávamos em  Hito Cajon na fronteira Boliviana

 

Fronteira

A distância real é pequena porém quando cruzamos para o lado Boliviano passamos para uma outra realidade .

Uma lembrança marcante é o pó .  Não existem estradas asfaltadas.

Os traçados  muitas vezes cruzam  por leitos de rios . Agora é tranquilo mas em Janeiro / Fevereiro  dependendo do volume das chuvas as estradas ficam  interrompidas esperando baixar o nível das águas. A pobreza é muito grande. As pessoas por não conhecerem uma outra realidade, contentam – se com pouco. De preferência um trabalho, ainda que semi – escravo como nosso guia e motorista no tour que não conhece finais de semana ou feriados, tendo como “descanso” 10 dias no final do ano. A Bolívia detém as maiores reservas de Lítio do mundo  bem como vários outros minerais valiosos . O problema é que não sabe como explora – los.

A natureza é linda !!

Entardecer no Salar 

Árvore de pedra

Reflexo

Mas também é agressiva, inóspita e insalubre.

Como estamos quase sempre acima dos 5000 m, o simples fato de andar já nos cansa . Os olhos estão sempre secos, os vasos do nariz são os primeiros a sangrar .Não existe um relaxar, mesmo a noite, por conta do ar rarefeito dormimos mal e quase certamente com dor de cabeça.

Apesar desta descrição, é um lugar que vale muito a pena conhecer.

A beleza é diferente, selvagem , intocada .Como bem disse um brasileiro que compartilhou o trajeto conosco,” Paris é para os fracos” ……

O tour percorre aproximadamente 1000 km em três dias.

No  primeiro , pouco mais de 500 , parando para fotos e almoço até o Hotel de Sal na borda do Uyuni, o maior salar do mundo.

 Almoço do jeito que dá  

O hotel é muito charmoso, todo construído em blocos de sal num visual bem inusitado.

 Hotel de Sal 

A cozinha é ótima e temos banho quente a qualquer hora ( coisa rara por aqui ).  No outro dia, cruzamos aquele oceano branco.

 O Uyuni

 Paisagem no Salar  

Na época da chuva, todo o salar fica com uma camada de 5/10 cm d’água restringindo sua exploração. O salar tem 28 m na sua parte mais espessa.

brincando com as fotos

Várias “ilhas” emergem em alguns pontos criando uma ilusão de mar ao redor.

 Ilha Incahuasi

 Quando decidimos fazer este passeio, escolhemos a opção “mega super ultra mordomia” e mesmo assim é “punk”. Como varia bastante o grau de loucura de cada um , encontramos pessoas fazendo o trajeto de bicicleta e até dois franceses fazendo o mesmo a pé !!

Bicicleta ao fundo

 Percurso a pé

Depois de cruzarmos o Salar, visitamos um cemitério pré – incaico onde os esqueletos estavam todos bem conservados por conta da umidade zero.

Múmia

Necrópole

Outra curiosidade ali é que os nobres, para diferenciarem – se do restante do povo, desde pequeno usavam instrumentos para deformar o crânio de seus filhos, sendo que o resultado deve ter inspirado Spillberg no seu ET , a cabeça  daquele era uma cópia fiel dos desenhos mostrados no museu da Necrópole.

Passamos por várias “Lagunas Altiplânicas” com centenas de Flamingos em cada uma delas.

Flamingos

Laguna Hedionda

Fomos dormir no Hotel del Desierto situado mais ou menos no final do mundo ,onde certamente ao cabo de dois dias  morre – se deprimido . As temperaturas no inverno chegam fácil aos – 30 ºC . É uma opção só por conta de que não existe outra .

Hotel del Desierto

No outro dia ( nosso último) saimos cedo pois  visitaríamos os Geisers Bolivianos onde as maiores erupções são ao nascer do sol . O local é grande com vários geisers espalhados,  um lindo espetáculo da força da natureza. Este foi o ponto onde estivemos mais altos ( 5400 m ) . As fotos mostravam que estavámos acima do pico de várias montanhas no entorno.

Geisers

As montanhas ficaram pequenas

Agora, já na reta final ( muito cansados)  fotografávamos os belos cenários que nos conduziam de volta para a fronteira . Foi uma maratona cansativa e agressiva mas, sem dúvida valeu muito a pena.

Laguna Verde

Laguna Blanca

Laguna Colorada

Boliviana típica

O outro lado do Licancabur

San Pedro do Atacama - Parte II - Passeios - Por Luciano Zanetello

11 de novembro de 2012 1

A grosso modo, a cidade de San Pedro  resume – se em  duas ruas num sentido por quatro quadras no outro.

É no centro ( rua Caracoles )  onde tudo acontece. Ali estão concentrados quase todos os restaurantes e agencias de turismo . A cidade tem toda uma arquitetura característica onde o adobe é muito utilizado nas construções.

Igreja de San Pedro

No cair da tarde , a rua “bomba” com o retorno dos turistas.

Em pouco tempo ali, vemos muito mais estrangeiros do que em um mês em Porto Alegre. Os europeus são a maioria . Em conversa com alguns , perguntamos se já tinham visitado o Brasil e vários comentaram  que principalmente a violência os desencorajava. Em contrapartida a sensação de segurança aqui é total.

Nosso hotel ficava afastado do centro uns 2 km ,íamos e voltávamos a qualquer hora pelos caminhos desertos sem nenhum problema . O trânsito de vans e micros é intenso apanhando e largando os turistas nos hotéis e pousadas .

No centro existe um “solmaforo” que mostra a intensidade da radiação. As temperaturas variavam de 30ºC / dia aos 0ºC  na madrugada . A cozinha é internacional com bastante influência local, os restaurantes que eu recomendaria seriam o Adobe e o Todo Natural , ambos na Caracoles.

Clima no restaurante  

Vai um risoto de Quinua ?

        Os atrativos aqui são inúmeros . Escolhemos os roteiros “carimbados” pois tínhamos pouco tempo .

No primeiro passeio  fomos conhecer o “Vale de la Luna” assim chamado por sua geografia que lembra a desolação lunar  e o “Vale de la Muerte”  pois registra as condições mais adversas de temperatura e umidade . Este passeio é sempre feito a tarde para que ao cair do sol estejamos posicionados estrategicamente num lugar onde acompanhamos as variações de cor que a mesma paisagem vai sofrendo conforme o sol vai chegando ao ocaso.

Vale de la Luna / Estádio

As 3 Marias , Vale de la Luna 

Paisagem lunar    

Licancabur ao pôr do sol 

No outro dia , fomos visitar o “Salar do Atacama” com algumas lagunas, entre elas a Laguna Cejar que tem uma salinidade tão grande que a pessoa não afunda . Também visitamos  os “Ojos del Salar” que são duas piscinas circulares ,com agua surpreendentemente  doce onde  aproveitamos para tirar o sal . .

Laguna Cejar  

Ojos del Salar  

Final de tarde

               O ponto alto foi a visita no dia seguinte ao “Campo Geotérmico” , para nós :os geisers, sendo o maior deles o “El Tatio”. Como as maiores erupções dão – se ao nascer do sol, o tour saía de San Pedro  as 4:00 hs da manhã . A recomendação era de muita roupa pois o frio seria intenso. Ao cabo da visita, os corajosos poderiam tomar banhos nas águas termais que emanavam dos geisers . É um espetáculo grandioso. A temperatura na chegada  era de -8ºC , um pouco antes do nascer do sol. Uma hora depois foi servido um café da manhã ao lado dos geisers e findo este, nos levaram até a piscina para aqueles que quisessem tomar banho. O maior problema foi “descascar’ as várias camadas de roupa. A temperatura nesta hora era de -3ºC. A água estava a 33º C e era muito agradável. O único problema era na saída até colocar novamente a roupa, nada que nós, acostumados com nosso mar e vento aqui em Julho, não encarássemos.

Geisers

El Tatio  

 Borbulhar

Ofurô Natural  

     A volta ,agora na luz do dia proporcionava lindas paisagens com montanhas , vulcões e observação da   fauna nativa com muitas Lhamas e Vicunhas.

Povoado Atacamenho / Machuca

 Vulcão  

 Descansamos no hotel o resto do dia , pois na manhã seguinte  sairíamos para um tour de 03 dias no altiplano Boliviano.

De carro até o Atacama - Parte I - Por Luciano Zanetello

08 de novembro de 2012 4

Convivendo com a rotina  dos problemas do cotidiano,  há algum tempo pensava numa maneira de dar um “brake” para recarregar as baterias.

Uma viagem padrão não seria uma alternativa ao que buscavamos , por isso resolvemos pegar o carro para explorar San Pedro de Atacama no Chile .

É um tipo de viagem peculiar, função da distância  (+ de 2300 Km ) ,   passando pelas naturais dificuldades de alfândega e condições da travessia nos Andes .

Há 30 anos atrás , tínhamos encarado uma viagem até  Lima de carro e San Pedro estava no roteiro . Na época, as chuvas de Fevereiro não deixaram que conhecessemos  a cidade. Hoje que San Pedro virou uma das esquinas do mundo tentaríamos de novo .

O caminho mais fácil e mais curto é sair por Uruguaiana ,subir  passando pelo  Chaco Argentino, Jujuy , Purmamarca e via Paso de Jama  ingressar no Chile .

 A ponte em Uruguaiana 

Entardecer no Pampa 

Fizemos uma parada em Corrientes,  cidade com uma bela ponte sobre o Paraná e também com algo que causou – nos  inveja , uma “costanera” cheia de praias , restaurantes e toda uma estrutura voltada ao aproveitamento da orla .

Será que algum dia aproveitaremos a potencialidade do Guaíba e seu pôr do sol  ??

A ponte sobre o Paraná 

Os restaurantes na Costanera 

No dia seguinte, fizemos quase a mesma distância do primeiro ( 950 km ) e fomos dormir em Purmamarca, uma agradável cidadezinha aos pés dos Andes . A cidade é pequena mas tem uma boa estrutura , recebendo centenas de turistas diariamente atraídos pelo “Cerro de las Siete Colores”.

Purmamarca

 Cierro de las Siete colores 

Hotel em Purmamarca

Resolvemos esticar mais um dia ali pois nossa reserva em San Pedro seria para dois dias à frente e as cidades da volta são reconhecidas por suas belezas.

Depois de explorarmos Purmamarca, fomos conhecer a “Quebrada de Humahuaca” onde um conjunto de pequenos vilarejos nos apresenta   uma Argentina completamente diferente daquela mostrada em Buenos Aires .

Paisagem local 

Arquitetura em Huacalera  

Feira artesanal  

A afinidade aqui é muito maior com o Peru e Bolívia, a maioria da população descende dos Quechuas e Aimarás, habitantes ancestrais do continente .

O contraste da tradição e do novo .

Passamos por atrações inacessíveis em uma viagem de avião, ( marco do Trópico de Capricórnio )

Trópico de Capricórnio 

Conhecemos as feiras das pequenas cidades com seu artesanato multicolorido. Experimentamos pratos diferentes da cozinha argentina e na manhã seguinte encaramos a travessia .

Bife de Lhama 

  Paisagem   

Logo após Purmamarca, um trecho subia muito em poucos kilometros. Após umas 800 curvas, o carro literalmente “pediu água” tornando- se dali para a frente uma preocupação constante.

Sempre pra cima 

Pedindo água 

Mesmo com a tensão do problema mecânico, as belas e inusitadas paisagens ( salares e vulcões )  compensavam a nossa opção.

O primeiro Salar 

Rebanho local 

Formações inusitadas

No meio da tarde, o vulcão Licancabur  cartão postal de San Pedro saudava  nossa chegada.

O Licancabur