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Posts na categoria "Caribe"

Explorando o Caribe - St Barths - Por Luciano Zanetello

02 de junho de 2012 1

 

               

Pegando o avião

Quase pilotando

  Seguindo nosso roteiro , após o final de semana em St. Maarten, pegamos o “teco – teco’ que em 15′ nos deixou em St . Barth.

              O jeito mais barato de fazer o percurso é pegando um catamarã ( 40′ ) , dependendo do vento  joga muito e a maioria das pessoas enjoa .  A ilha é daqueles lugares com nome e sobrenome .

             Parafraseando alguém, é uma mistura de St. Tropez com Hamptons ,  tudo é simples mas o charme é inconfundível, todo o menos é mais .

            Visual das praias

Fotografando de dentro da pista

 

 A densidade de iates na marina na alta estação é uma das maiores do mundo . A ilha é pequena mas um carro é fundamental . Alugue um pequeno pois as estradas são estreitas e nos “centrinhos” a disputa por vagas é grande . As praias são  cada uma mais bonita que a outra . A particularidade é que em quase todas não existe infra nenhuma . O programa é passar numa delicatessen ou super marché  e abastecer com vinhos ,champagne e queijos franceses para “farofadas internacionais” na  praia . Se der, um guarda – sol é uma boa .

            Praia do Gouverneur

Salines

A descida p/ Colombier

  A única praia  com um barzinho  é Shell Beach , onde o “Dô Brasil” (  nada a ver  com o nome ) propicia um ótimo lugar para curtir o pôr do sol.

              Em St. Jean , praia do aeroporto , o lugar para ver e ser visto, existem os famosos bares na areia ( Nikki, Tom  Beach e o Eden Rock ) . Na “haute saison” as grifes promovem desfiles ali . Nestes , esteja preparado p/ gastar uma grana preta .

             A capital Gustávia é pequena e repleta de pequenas porém poderosas boutiques ( Prada, Balenciaga, Cartier )  muitas famosas estão aqui . Para um jantar à noite tendo como visual a marina , recomendo a Wall House ( preços acessíveis ) .

           Gustávia

Salines Garden

Gustávia

  Um dos melhores endereços para comer na ilha é o Maya’s , uma instituição local que mesmo com vinho francês não é mais caro que os bons restaurantes daqui .

             Todos estes valores comentados são  fora da alta estação quando tudo multiplica por 3 / 4 pois aí é pouca ilha para muitos poderosos.

            Das praias , como já disse todas são top mas as imperdíveis são Gouverner, Salines e Colombier ( esta só se o físico estiver em dia pois é uma pirambeira com 40′ de trilha , descer só é ruim p/ os joelhos mas a subida é cruel … 

            Como em St. Maarten o aeroporto acabando na areia da praia é uma atração , mas aqui só pousam aviões pequenos .

            É um lugar que vale muito a pena conhecer não importando se você é um pobre mortal,gastando uns EU 200,00 po dia  ou parente do tio Patinhas gastando EU 10000,00 por dia.   Acredite , lá tem programação para todos os bolsos .

              Entardecer na marina

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Explorando o Caribe - St Maarten. Por Luciano Zanetello

01 de junho de 2012 0

Baie Longue

Dentro do espírito, “Viajar é preciso, viver não é preciso”, fomos conhecer parte do Caribe, um destino que por anos relutei em colocar nos meus  favoritos.

No final do ano passado lendo um blog do  Ricardo Freire”, tive minha curiosidade aguçada e resolvemos conhecer St. Maarten  e  principalmente  St. Barthélemy ( St. Barth para os íntimos).

Desde que a Gol terminou com o vôo São Paulo /  St. Maarten, os dois melhores caminhos para a ilha passam ou pelo Panamá  ou por Miami. Como quase todos somos consumistas, optamos pelo segundo trecho.

A escala foi normal e 2 1/2 hs depois desembarcávamos no aeroporto Princesa Juliana ( lado holandês).  A ilha tem como peculiaridade ser dividida em dois lados. Uma parte holandesa ( hoje independente ) e a  outra  francesa, onde ainda viam – se cartazes da recente eleição. Apesar da independência do lado holandês, todos os cidadãos da ilha detém os privilégios do passaporte da comunidade européia .

Escolhemos o hotel Sonesta na praia de Maho ao lado do aeroporto, onde uma das atrações é fotografar os aviões passando a centímetros de altura da praia antes da cabeceira da pista.

 Todos esperando para fotografar os aviões

A hotelaria não é o forte da ilha porém como o grande atrativo são as várias praias  todas belíssimas, não faz muita diferença .

O lado holandês é mais “bang – bang”, com os americanos na fila no check-in  do hotel com carros de super mercado cheios de cerveja num clima meio baile da camiseta molhada etc …

No lado frances é tudo mais “cool” e bem mais charmoso. Por ser um pouco mais caro ( a moeda é o Euro ) a agitação é mais do outro lado. As praias são  menos frequentadas e os restaurantes bem mais estilosos.  Não precisa escolher, todas as praias  são lindas com uma água fantástica, quente e  areia branquinha.

 No lado holandes Mullet Bay, Cupecoy e Maho beach para citar as mais frequentadas. A infra resume – se ao aluguel de cadeiras e guarda – sóis  com tendinhas muito parecidas as que vemos nas praias do Nordeste, para comer,  tem os que arriscam !!

Mullet Bay

Cupecoy

Cupecoy

 No lado francês, algumas não tem nenhuma mordomia só a beleza ( Baie Longue, Point Rouge ) . Em outras, além da citada beleza, tem restaurantes charmosos quase dentro d’agua ( Baie Nettlé / Marigot / L’orient ( paraíso dos Kites).

Baie Nettlé

Point Rouge

Marigot ao fundo

Azul ? Verde ? Sempre assim

Marigot

A única maneira  para você não curtir St. Maarten é não gostar de praia.

Aliás se você não gosta, não vai ter o que fazer lá …..        

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Disney Cruise, avaliação de pequenas viajantes

28 de fevereiro de 2012 0

Uma  avaliação de Pilar e Valentina Rossi , respectivamente 9 e 12 anos, sobre Cruzeiro no Disney Dream.Pequenas  críticas de turismo  e, espero,  futuras colaboradoras frequentes de nosso blog!


Partindo de uma reportagem em uma revista que nossa mãe trouxe para casa , escolhemos o nosso destino para férias em família no verão. O que chamou nossa atenção foi um navio com roteiro no Caribe,  com o diferencial de ser da DNC, o Disney Dream, o mais recente dos transatlânticos do complexo Disney World.

A imaginação voou solta, nós temos 9 e 12 anos e já vislumbramos, um ambiente totalmente temático , com cabines decoradas por personagens ou filmes, camas voadoras , todos os jogos liberados todo o tempo e um tobogã que dava a volta no navio , como mostravam fotos no panfleto!

A expectativa foi um pouco frustrada, , não é tão conto de fadas assim! As cabines são normais, mas maiores do que o costumeiro acomodando até 5 pessoas, a maioria dos jogos são pagos a parte , mas os tobogãs cumprem o prometido! As áreas comuns são realmente temáticas, cada piscina com desenhos e formatos especiais e muitos brinquedos dentro do clima. Os personagens andavam sempre dando o ar de sua graça e um telão gigante passava pequenos clipes e filmes inteiros ao ar  livre nos fins de tarde! O tobogã que circunda todas as piscinas  é emocionante , mas as filas são sempre enormes. Para crianças pequenas existem clubinhos , dando uma boa folga para os pais descansarem.

O navio é muito grande , tem 14 andares, 3 piscinas infantis divididas por idades, uma para crianças menores de 8 anos decorada com personagens do Nemo e  1  exclusiva para adultos que incluia SPA e academia. Além disto, muito legal era o mini-golf, para  quem veraneia em Atlântida uma boa lembrança da infância, mas neste caso temático e muito bem decorado , pena que não lembramos de tirar fotos!

O navio conta com 5 restaurantes, o Animator Place foi o nosso predileto envolvido por  telas  que interagiam com as pessoas. O mais chic era o Royal Palace , nos pareceu meio Titanic, lindo e elegante assim como o Versailles Garden  .  Os cardápios não surpreendem mas também não decepcionam, se a expectativa não for muito grande!

Foram 3 noites a bordo , saímos de Cabo Canaveral e amanhecemos em Nassau nas Bahamas. Um lugar com mar de um azul profundo mas sem maiores atrativos para um dia de descobertas. No segundo dia atracamos na ilha particular da Disney, Catway. Um lugar incrível, todos as atividades aquáticas são vendidas em pacotes de diversão , incluindo jet ski, snorkel , bóias, bicicletas aquáticas, e bicicletas terrestres.Os tobogãs e brinquedos aquáticos no mar foi o que nós mais gostamos! O mar calmo e azul nem precisaria de muitas atrações!

Na última noite um teatro dos Piratas do Caribe  era uma remontagem quase perfeita do filme  e fogos de artifício coroaram a noite de despedida.

Nunca tínhamos feito um cruzeiro antes , o que foi uma experiência legal , mas já estamos meio grandes para uma imersão tão profunda no mundo da fantasia da Disney! Achamos que seria mais interessante termos feito este passeio um pouco menores.


Saint Martin: uma ilha , duas culturas

12 de outubro de 2011 7

Luciano Terra em mais um porto do Caribe.

Depois de um dia intenso em St. Thomas e de um final de tarde e noite maravilhosos a bordo, acordamos com um sol nascente lindo e um mar de um prata azulado. Ao fundo uma pequena ilha nos indicava que já estávamos próximos de nosso novo destino: St. Maarten/St. Martin.

 

A partir de nossa sacada, nossa visão mais direta e usual, víamos apenas a ilha que comentei a pouco, porém ao subirmos ao 11º andar para o café da manhã demos de cara com uma ilha enorme do outro lado (as vezes uma mudança de ângulo de visão faz uma diferença e tanto). Essa ilha maior estava coberta pelo sol da manhã e as casas refletiam um dourando intenso. O café foi rápido e ansioso, já que queríamos estar no terraço do navio quando aportássemos em mais esse destino.

Quando o navio chegou ao porto de St. Maarten já estávamos a postos e a visão foi magnífica. Uma ilha charmosa, cheia de construções interessantes, iates particulares maravilhosos e de um mar…

St. Maarten (lado holandês) e St. Martin (lado francês) convivem amigavelmente depois de um tratado de muitos anos atrás entre esses dois países. Apesar de ser a mesma ilha, de todos conviverem diariamente, parecem duas ilhas em uma. De um lado o charme e a exclusividade francesa: praia de nudismo, casas de cinema, bistrôs e tudo que um bom francês gosta e sabe fazer. Do outro lado a descontração e a praticidade holandesa: muitos condomínios, muitas vilas com ruelas estreitas, um aeroporto internacional, muita vida e muita energia.

Depois de um dia inteiro conhecendo essa ilha o que posso dizer é que ficou um gostinho de quero mais e que certamente retornaremos em breve. O  breve banho de mar em Orient Beach (uma praia paradisíaca com um mar multi colorido e alguns barcos dando um toque especial ao cenário) , ver a chegada e partida de poucos aviões na praia que fica colada à cabeceira da pista do aeroporto internacional e sentir literalmente a energia dessas super máquinas (ao aterrissarem os aviões passam a poucos metros de sua cabeça e ao decolarem chegam a derrubar os mais desavisados que ficam bem atrás de suas turbinas), os muitos restaurantes que vimos fechados pois somente abrem à noite, as muitas praias que apenas passamos e que gostaríamos de ter caminhado, nadado, mergulhado nas suas entranhas fazem com que necessitemos voltar assim que possível. Quem sabe com uma esticadinha em St. Barth ali ao lado?

Praias paradisíacas, clima romântico e descontraído, beleza, charme, requinte. Você precisa mais para querer conhecer essa ilha e arredores? Se precisar, ainda tem um centro repleto de Dutty Free com preços para lá de convidativos. Ainda falta mais? Dezenas de joalherias com ouro, diamantes, esmeraldas e tudo o que você imaginar com um dos melhores preços do mundo. Ainda não é suficiente? Então venha para cá e descubra você mesmo o que nós, em apenas um dia, com certeza não descobrimos. Quando voltarmos com mais calma teremos mais descobertas e motivos para o eterno retorno, disso eu não duvido!

Essa jornada terminou em um final de tarde iluminado e uma lua cheia nascendo atrás do morro que fica próximo do porto. A visão final de St Maarten/St. Martin não poderia ser mais romântica: uma ilha dourada atrás de um mar azul e iluminada de um lado por um sol poente e de outro por uma lua cheia que recebia a energia do primeiro para seguir brilhando por toda a noite. Do navio, a ilha foi se afastando aos poucos e sua luz aos poucos se apagando, porém a lua seguiu firme por toda a noite e assim ficávamos mais confiantes  e sabíamos que um dia iríamos voltar.

As recordações de uma viagem ficam para sempre, e um dia quando tiver voltado para casa e estiver uma noite de lua cheia lembrarei que essa mesma lua estará brilhando em St. Maarten/St. Martin e somente isso já me dará energia e vida para deitar e sonhar com esse porto tão distante no meio do caribe.

Quando o navio aporta em uma nova ilha, temos a opção de desembarcar e sair para “conquista-la”, ou ainda podemos ficar no barco, na mesma velocidade de antes, na mesma comodidade e segurança. A escolha depende apenas de nós. Podemos sair para uma nova experiência, ou podemos seguir a vida a bordo. Na vida a cada momento temos uma nova ilha para desembarcar e também só depende de nós. Será que na nossa rotina estamos aproveitando todas as ilhas que aparecem em nosso caminho? Será que estamos desembarcando dessa “nave atemporal” e cômoda e estamos vivenciando o novo? A comodidade muitas vezes se transforma em letargia, em inércia, e acabamos chegando a nosso porto de destino sem muitas experiências, sem muitos continentes e ilhas em nosso currrículo. Em quantas ilhas você já desembarcou? Quantas culturas diferentes da sua você conhece? Quantos portos você pretende conhecer até o seu destino final? Lembre que você muitas vezes nem precisa sair de sua casa para abrir seus horizontes e conhecer novos destinos. Só depende de você.

Uma varanda para o oceano, navegando no Caribe

11 de outubro de 2011 3

Luciano Terra navegando pela Royal Caribbean, parte I.

A partir daqui, de algum lugar do Oceano Atlântico, mais precisamente de algum lugar do Caribe, sigo no balanço das ondas do mar, que faz com que sempre me sinta um pouco de pilequinho, perdendo o equilibrio a cada balançar mais forte, sentindo a leveza e a magia de deslizar por um mar azul turqueza, de espuma branca e com uma imensidão de tirar o folêgo. Agora é final de tarde e acabo de presenciar um por do sol maravilhoso no horizonte sem fim. Daqui consigo ver apenas água para todos os lados, porém não tenho medo e sim um deslumbramento quase infantil. A paz e a tranquilidade que essa natureza passa, esse balançar que nos aconchega e nos embala como nossa mãe em nossos mais antigos ninares, faz com que apenas sinta a emoção de estar vivo e poder presenciar isso a cada minuto.

 

Essa aventura marítima começou há dois dias e irá se estender por mais 5 dias. Tudo começou em Cabo Canaveral – Flórida em um final de tarde frio e iluminado de inverno, onde o vento cortava nossas faces. A saída do porto, os três apitos ensurdecedores que anunciavam o início da jornada, e o clima de felicidade de todos antecipavam dias de muita felicidade, de muito divertimento. Aquela emoção que já havia sentido em filmes, onde todos acenam para o cais e os de lá retribuem entusiasmados foi emocionante.

 

A primeira noite a bordo foi de todo deslumbramento: com o tamanho do navio, com as maravilhas desse gigante dos mares, com todas as suas piscinas, restaurantes, shopping, elevadores panorâmicos, quadra de basquete, etc.  O jantar em um restaurante enorme e repleto de lustres de cristal foi o glamour que faltava para coroar uma noite inesquecível. Comida divina, um copo de Chardonay, um café e depois um tradicional passeio pelo convés, para sentir o vento frio no rosto e poder vislumbrar todas as estrelas do céu do hemisfério norte e as luzes da costa leste da Flórida ao longe.

Agora começa a tocar Everybody’s Changing (Keane), música que me emociona cada vez que ouço e o clima fica mais poético ainda: So little time, try to understand that I’m… a noite cai lá fora e pela sacada de nossa cabine posso sentir a brisa do mar entrando e trazendo um calor gostoso… Sim, após dois dias viajando rumo ao sul a temperatura mudou e hoje o vento mais frio do norte se transformou em um calor úmido e gostoso. O mar que era de um verde água agora é de um azul profundo e a cada onda podemos visualizar uma espuma branca e uma água totalmente transparente.

O primeiro amanhecer a bordo foi deslumbrante, abrimos a janela e demos de cara com uma ilha paradisíaca com enseadas de um verde intenso e com alguns coqueiros que completavam a paisagem. Do alto do oitavo andar  pudemos ver toda a Ilha e barcos se aproximando para pegar os passageiros e levá-los para um dia de curtição em terra. Tempo apenas para um banho, um café da manhã reforçado e já estávamos prontos para embarcar rumo a Cococay (ilha privada nas Bahamas). O dia foi de muitas caminhadas, fotos, praias límpidas e repletas de peixes e arraias… apenas a temperatura não colaborou muito e o banho de mar ficou para a próxima parada, já que o sol e o descanso estavam mais convidativos. Almoço em terra, mais alguns momentos ao sol e já estávamos zarpando rumo ao barco novamente.

O segundo amanhecer foi para lá de preguiçoso. Como o dia seria de navegação, tudo foi muito devagar… quase se arrastando, porém um “quase se arrastando” gostoso, sem pressa, ao sabor do vento e das ondas. Tanto que levantamos tarde, tomamos um café da manhã delicioso de frente para o mar e do alto do 11º andar, uma vista paradisíaca, aliás como têm sido todos os cafés da manhã e almoços a bordo desde que embarcamos. Depois do café a preguiça continuava em nosso corpo e fomos obrigados a voltar para a cama e ficar curtindo a vista da janela da cabine e apenas sentindo o balançar suave do barco e o barulhinho das ondas quebrando no casco do navio lá fora… silêncio total, apenas contemplação!

E assim seguem os dias a bordo, muitas atividades, muita preguiça, muita contemplação e total “relax”. Amanhã é dia de desembarque, dia de Saint Thomas, dia de passear muito e depois voltar a bordo para mais alguns momentos de descanso.

Aqui, direto de nossa varanda, começo a visualizar as primeiras estrelas no céu e o balançar do mar nos aconchega e nos faz sentir vivos… sigamos o fluxo dessa corrente, deixemos a correnteza nos levar e estaremos em mais um porto, em mais uma etapa de nossa viagem e de nossa vida. A cada porto uma nova experiência, novos aprendizados, e enquanto o desembarque não chega, nos resta aproveitar cada momento e sentir que estamos vivendo intensamente, mesmo que nossa velocidade seja um leve balançar e que a paisagem lá fora muitas vezes pareça a mesma. Algumas ondas já ficaram para trás, mas muitas nos esperam pela frente e em breve poderemos gritar: Terra à vista.

TERRA À VISTA – SAINT THOMAS!

11 de outubro de 2011 0

Navegando no Caribe por Luciano Terra parte II

Depois de um dia e duas noites navegando rumo ao sul avistamos os primeiros pássaros que indicavam que logo avistaríamos terra, ficamos emocionados e imaginando como deve ter sido essa chegada na época do descobrimento, onde, após muitas semanas quase sem comida e água, os primeiros navegadores aportaram por aqui. A descoberta do novo mundo deve ter sido emocionante para eles! Para nós foi!

No “tempo do navio”(explico: o horário do navio era o mesmo do Cabo Canaveral, porém o de algumas ilhas era uma hora de diferença) passavam das 10 horas da manhã quando avistamos a primeira ilha! Nosso destino era a ilha de Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas, porém antes avistamos a Ilha de Saint John e depois a Ilha de Saint Croix, que também fazem parte do mesmo arquipélago. A Ilha de Saint Thomas é famosa por ter sido palco de Piratas por muitos anos e pudemos constatar o porquê disso chegando à ilha.

A baía de entrada é super fechada e perfeita para um esconderijo, tanto de piratas quanto de navios mercantes daquela época (depois pudemos constatar que nessa mesma ilha há outras baias tão fechadas quanto). Com tudo isso fomos obrigados a nos remeter para a época áurea dos piratas e imaginar como tudo deve ter acontecido. Aportar em lugares não antes conhecidos têm sido um dos pontos altos da viagem. Parecemos duas crianças soltas em um parque de diversões com cartão ilimitado.

A primeira visão de terra geralmente é feita da sacada da nossa cabine e logo saímos a toda para o alto do navio, para termos uma visão de 360 graus e ao ar livre, então, do alto do 12º. andar, deliramos com as paisagens de cartão postal para todos os lados (vale ressaltar que não somos os únicos e que o topo do navio fica lotado de crianças como nós dos 02 aos 90 anos). Esse espírito infantil faz toda diferença em qualquer viagem, ficar deslumbrado com alguma paisagem, como uma igreja magnífica, com uma obra de arte, com tudo que é bonito e feito para alimentar nossos olhos e nossa alma. Se não houver esse encantamento a viagem perde um pouco o sentido. Uma viagem de férias se resume a apenas alguns dias ao ano, porém quem tem esse encantamento pueril nesses dias, com certeza o terá na vida do dia a dia e isso irá fazer a diferença em sua viagem por este mundo.

Nesta viagem algumas crônicas da Martha Medeiros têm me feito refletir sobre muitas coisas. Em uma delas ela diz o seguinte: “Quando alguém me diz “como você tem sorte”, penso que tenho mesmo. Mas não a sorte de receber tudo caído no colo, e sim a sorte de ter percebido a tempo que nosso maior inimigo é a falta de humor. Sem humor, brota o preconceito para tudo que é lado. A gente começa a ter mania de perseguição, qualquer coisa parece difícil e uma discussãozinha à toa vira um dramalhão. Prefiro escalar uma montanha a viver dessa forma cansativa. Espírito aberto. Caso você não tenha recebido gratuitamente na sua herança genética, dá pra desenvolver por si próprio”. Sendo assim viva da maneira mais leve possível e se permita o encantamento pelas pequenas coisas, por um por do sol maravilhoso, por uma lua cheia brilhante, por uma criança com um balão colorido, por um vento gostoso no rosto. Somente assim sua “viagem” será surprendentemente suave e feliz.

A ilha de Saint Thomas é repleta de contradições, do caos do trânsito, ainda em mão inglesa apesar de os carros já serem no formato do resto do mundo, à maravilhosa Magens Bay, das belezas naturais a um certo “clima” de hostilidade da população local, um dia escravizada por espanhóis e hoje “colônia” americana. Somando-se e subtraindo-se todos os seus lados, podemos dizer que vale a visita e que essa ilha do caribe é surprendentemente encantadora. Por outro lado, mesmo que todo o resto fosse um caos, feio e sujo, o que não é, a visita já valeria pela imagem do alto de um dos seus morros da tão famosa Magens Bay. Descrevê-la em palavras é complicado, porém imagine um super recipiente onde você joga tinta verde escura, branca, azul e um pouquinho de preta (para dar a sombra das nuvens) e com um pincel você mistura levemente todas essas cores deixando um mesclado de verde claro, verde escuro, um leve tom de azul e alguns pontos mais negros que vão mudando de formato suavemente. Aliado a isso uma península repleta de mansões, uma outra ilha ao fundo e toda uma mata fechada ao redor! Se você conseguiu imaginar um pouquinho pode ser que tenha feito juz ao lugar, porém só realmente vendo para ter essa emoção.

Ao chegar lá embaixo você ainda encontra uma praia de águas transparentes e sem ondas convidando para um mergulho e um nado gostoso. Com certeza você irá se encantar como nós. Após um dia repleto de atividades, turismo, novas praias, nova cultura, voltamos à nossa realidade atual: navegar, navegar…

Esse contraste entre duas realidades completamente diferentes e velocidades mais distintas ainda, faz com que tenhamos um certo choque, como se viéssemos de um mundo paralelo e caíssemos em um outro completamente diferente. A sensação como navegador de primeira viagem é como se estivéssemos em uma nave atemporal, onde entramos, programamos e lá vamos nós para outro lugar distinto. Isso tudo porque quando estamos dentro do navio, tirando o leve balançar que nos faz perder levemente o equilibrio em alguns momentos, é como se estivéssemos em terra firme.

Aqui assistimos a espetáculos maravilhosos em um teatro muito maior do que muitos que já fui, jogamos em um cassino, dançamos em boates maravilhosas e frequentamos restaurantes internacionais de respeito.

A vista de um oceano sem fim, de entardeceres magníficos, de luares de tirar o fôlego e de uma brisa suave e gostosa são meros detalhes que fazem uma imensa diferença, porém que nos fazem sentir mais ainda em um lugar sem tempo, sem referências. Onde estou agora? Não faço a mínima idéia! E isso importa? Nem um pouco. Sabemos que estamos indo para o nosso destino final e isso é que importa. O que nos resta é aproveitar a viagem e curtir cada momento antes da chegada. Aproveitar os momentos em cada parada, receber a adrenalina que vem com o novo, com as novas experiências e voltar para esse suave navegar. Alguma semelhança com a vida?!!