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Quatro mulheres (perdidas) na Cornualha. Parte I

10 de outubro de 2013 0

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Cornualha entrou na minha vida através dos livros da Rosamund Pilcher,  autora dos famosos best sellers como Os catadores de conchasO regresso, ambos ambientados lá. A descrição de Rosamund daquelas falésias despencando no mar, dos campos ingleses floridos, de lugares ermos e lindos, marcaram indelevelmente meu imaginário. Em julho duas grandes amigas decidiram passar 1 mês estudando inglês em Londres e nos convidaram para visitá-las. Era a oportunidade que eu tanto esperara e agarrei-a com as duas mãos.

A  história da Cornualha está intimamente ligada ao mar, sua costa é pontuada de pequenos portos de pesca, seu folclore quase sempre ligado a contos de velhos pescadores. Tem paisagens deslumbrantes, de altos penhascos na beira do mar. Até hoje a indústria da pesca é muito importante para a região, mas hoje o turismo é de longe o que traz mais prosperidade. Difícil não se apaixonar por sua beleza selvagem, suas casinhas com jardins cobertos de flores. Rosamund não exagerou nem um pouquinho, a beleza da Cornualha compensou os anos de espera.

Quando contei meus planos para o meu marido ele me olhou com a expressão mais desconfiada do mundo, Cornu o que? Será que eu entendi bem?  É Paulinho, Cornualha, uma região ao sudoeste da Inglaterra, nada demais, é só um lugar que encasquetei há anos que queria conhecer, relaxa.

Planejar um roteiro da estaca zero é complicado, como saber os lugares legais, as boas? O tipo da pesquisa que pode render horas na internet, e em quem confiar?

Minhas amigas são super parceiras e mesmo sabendo que eu iria dirigir sem nenhuma prática, do lado “errado”, toparam a parada.

Precisávamos de um carro, e achei que sair dirigindo de Londres era abusar da confiança das minhas amigas. Achar uma cidadezinha que tivesse uma locadora de automóveis foi o que decidiu nosso ponto de partida na aventura pela Cornualha. E foi um pontinho minúsculo no mapa, a cidade de Barnstaple, o lugar escolhido para iniciar nossa viagem. Em Barnstaple aconteceu uma coisa muito bizarra, a companhia locadora era a americana Thrifty, que pode funcionar muito bem nos EUA, na Inglaterra foi um desastre. Nosso trem de Londres, nada britânico, chegou com atraso de meia hora, e o local da retirada do carro era longe da cidade, resumindo, chegamos lá com 1 hora de atraso da hora marcada para retirar o carro.

O funcionário que lá estava, que por sua vez não atendia ao telefone, já que ligamos insistentemente para alertar que estávamos chegando, declarou que não iria nos alugar carro nenhum, que estávamos 1 hora atrasadas e portanto havíamos descumprido o trato.Este mesmo funcionário, que depois descobrimos era o próprio gerente, começou aos gritos de ponham-se daqui para fora, o cara era totalmente louco. Não preciso dizer que nós 4 ficamos apavoradas, o lugar era isolado e o cara tinha todo o perfil de serial killer, pois o humor dele oscilava entre o bonzinho e o monstro em segundos. Nossa salvação foi o santo taxista que nos levou até lá e percebendo a loucura não arredou pé do nosso lado.

E agora ? :0 !

Cada coisa que acontece não é mesmo? Olha que eu já viajei um bocado, mas aquela era uma situação completamente nova, o que iríamos fazer no interior da Inglaterra à pé?

Achamos que o melhor era assumir uma postura de submissão e quase de joelhos imploramos que o louco nos alugasse o carro, depois de o taxista e ele quase partirem para agressão física e ameaças mútuas, o doidão virou um cordeiro e nos liberou o carro – detalhe: o carro não era automático como eu havia alugado. Fazer mudança com a mão esquerda? Por esta eu não esperava… nem elas!

Barnstaple ficou para trás, mas  o gosto amargo daquele episódio nos acompanhou por algum tempo.

Verão inglês, pleno julho, fazia frio e chovia. Primeira noite em um hotelzinho bem simpático exatamente no meio do nada, mas os donos era um casal que já tinha viajado o mundo, sentamos para jantar com uma boa garrafa de vinho italiano e foi naquele momento que nossa viagem realmente começou.
As 4 mosqueteiras: Magda, Mylene, Cleo e eu.

 

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Esperem pela Parte II – A saga continua :)))!

Para saber mais sobre roteiros em grupo ou particulares do Viajando com Arte visite nosso site www.viajandocomarte.com.br

 

Os cenários impactantes dos "Catadores de Conchas " na Cornualha

30 de setembro de 2013 2

Planejamos a nossa viagem com uma lembrança sempre presente , as cenas do livro “Os Catadores de Conchas” da doce Rosamund Pilcher que de uma forma lírica , marcou o imaginário mundial com a paisagem da Cornualha.

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A Cornualha é uma região que por vezes pode ser inóspita , onde o vento e a chuva fina castigam os moradores em quase a totalidade do ano . Programar uma viagem para lá em pleno verão não é nenhuma garantia de bom tempo e praias ensolaradas e em nosso caso não fugimos muito à regra. São falésia a pique sobre o mar, sem um mirador preparado para rasgar o infinito nem sequer um posto de turismo com os souvenirs da ocasião, apenas um acidentado relevo lacônico e definitivo, o litoral.

Mas por outro lado , em tempos de atrações turísticas lotadas e ambientes atopetados , a região não pode ser mais aprazível! Vastas planícies verdejantes com pastagens repletas de cordeiros no interior e um litoral recortado por penhascos onde a amplitude , e até um certo desolamento, criam um ambiente arrebatador. Durante muito tempo nossos únicos companheiros de viagem foram alguns solitários que faziam as trilhas caminhando com cajados , como se estivessem em uma peregrinação religiosa.

Montamos nosso roteiro partindo de Barnstaple, onde alugamos o carro. Nosso primeiro destino foi Clovelly onde o tempo parou e a cidade , propriedade particular , cobra a entrada de forasteiros como se fosse a sala de visitas de de um nobre morador.

Fechada ao acesso de carros, tem as ruas pavimentadas por pedras e o acesso ao porto pode ser feito em lombo de burro. Somente 400 pessoas ainda vivem por lá e as casas são conservadas como um pequeno museu a céu aberto.

Acredito que os lugares têm alma, uma reverberação que derrama para as pessoas que os habitam. Ou será o contrário? Serão as pessoas que emprestam aos lugares a sua essência? Será a luz, a brisa, a o ar salgado e as colinas sinuosas que fazem acolhedores os habitantes da Cornualha? Ou é a serenidade de uma vida em comunhão com a natureza que eles trazem dentro si que nos sugere que a Cornualha é um lugar feliz? Pouco importa qual das duas possibilidades estão corretas, se titubear, ambas.

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Nosso próximo destino foi Boscastle, um pequeno porto que oferece belas trilhas de caminhadas. Desde de Barnstaple até aqui são apenas 50km , o que dá a ideia de que as dstâncias não são grandes mas as estradas são muito estreitas e a direção na mão contrária, portanto vá com calma! Aqui muitas referências a tradição exotérica da região , bruxas gnomos e outros seres fazem parte da mitologia celta. Mergulhamos nas histórias e quase embarcamos em uma vassoura.

Viajar por muito tempo tem esta consequência: adquire-se um certo relativismo. Fica difícil aceitar os dogmas próprios como verdades absolutas. Visitamos outros países e ficamos sabendo que os nossos dogmas e mitos valem tanto como os deles.

Tintagel

Tintagel , o famoso castelo das lendas arturianas fica logo a seguir. Sua lenda começa a tomar corpo no século 12, quando Geoffrey de Monmouth conta a mítica história britânica, e descreve-o como o lugar da concepção de Arthur. De acordo com Geoffrey, Igraine, era a esposa de Gorlois, o Duque da Cornualha. Igraine, irmã de Viviane, deu à luz Morgana quando era esposa de Gorlois. Três anos depois, sua irmã Viviane e O Mago Merlim lhe incubiram de gerar o Grande Rei que unificaria as duas Bretanhas, com Uther. Uther, o Pendragon, apaixonou-se por Igraine e graças à feitiçaria de Merlim conseguiu assumir a forma de Gorlois e possuir sua esposa. Desta união nasceu Artur, o Grande Rei, em Tintagel.

 

Port Isaac é uma outra alternativa para um passeio gostoso e acolhedor. A vila já foi usada como set em diversos filmes como o engraçadíssimo ” O Barato de Grace” de 2000. Em 2005 foi cenário de uma montagem para a tv do nosso conhecido “Catadores de Conchas ” mas que infelizmente nunca vi por aqui.

Solidão , enquanto uns sentem as paisagens da cornualha como um desafio da natureza , para mim o arrebatamento de trilhas íngremes permitem uma viagem interior e um encontro com o âmbito mais profundo do meu ser. O vento salga a alma e endurece o dia a dia, mas tudo emana paz em sua profunda simbiose com o céu e o mar profundo.

Seguimos para mais um destino traçado no roteiro, desta vez a praia mais popular e charmosa do norte, St Yves. Chegamos ao entardecer e o sol tingia de dourado a baía que vista de nosso hotel nos chamava para uma primeira descoberta.

Tudo perfeito , uma típica cidade de veraneio inglesa com lojinhas e restaurantes em profusão , tudo decorado com muitos faróis e tecidos listados em azul e branco.

Depois de um jantar especial a beira a mar o maior espetáculo da viagem , a lua nasceu no horizonte, majestosa e imponente por entre os barcos , fantasgoricamente encalhados nas areias da maré baixa.

Importa, sim, o que os lugares deixam em nós quando os atravessamos. Deixam uma consciência de termos sido tocados por eles e acabamos ganhando a perspetiva sobre a ampulheta da eternidade e sobre o grão de areia que é a nossa vida nela.

A costa sul fica para um próximo post!

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